# A agulha de cerzir

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/a-agulha-de-cerzir)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: abb99fe8-e60d-4aee-b62f-33b1c0af9605
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Uma agulha de cerzir considera-se fina demais para o trabalho comum e imagina ser uma agulha de costura. Ao passar pelas mãos de uma cozinheira, ela interpreta cada mudança de situação como sinal de sua importância. Suas conversas com dedos e objetos encontrados pelo caminho revelam o que pensa de si e dos outros.

## Conto integral

Era uma vez uma agulha de cerzir tão cheia de finuras que imaginava ser uma agulha de costura.

“Vejam bem o que estão segurando!”, disse a agulha de cerzir aos dedos que a tiravam da caixa. “Não me deixem cair! Se eu cair no chão, sou capaz de nunca mais ser encontrada, de tão fina que sou!”

“Menos!”, disseram os dedos, apertando-a pela cintura.

“Vejam, venho com séquito!”, disse a agulha de cerzir, puxando atrás de si uma longa linha, que, no entanto, não tinha nó.

Os dedos levaram a agulha diretamente à pantufa da cozinheira, cujo couro de cima se rasgara e precisava ser costurado.

“Que trabalho baixo!”, disse a agulha de cerzir. “Nunca vou atravessar isso! Vou me quebrar! Vou me quebrar!” E se quebrou. “Não foi o que eu disse?”, falou a agulha de cerzir. “Sou fina demais!”

“Agora ela não serve para nada”, pensaram os dedos. Mas tiveram de continuar segurando-a, enquanto a cozinheira pingava lacre nela e a espetava na frente do lenço que usava.

“Vejam, agora sou um broche!”, disse a agulha de cerzir. “Eu sabia que chegaria às honras. Quando se é alguém, sempre se acaba sendo alguma coisa!” E riu por dentro, pois nunca se pode ver por fora que uma agulha de cerzir está rindo. Ali ficou, toda orgulhosa, como se passeasse numa carruagem, olhando para todos os lados.

“Posso ter a honra de perguntar se o senhor é de ouro?”, perguntou ao alfinete que estava ao lado. “Tem uma bela aparência e sua própria cabeça, mas como é pequena! Trate de fazê-la crescer, porque nem todos podem receber lacre na ponta!” Então a agulha de cerzir se ergueu com tanto orgulho que se soltou do lenço e caiu na pia, justamente quando a cozinheira despejava a água.

“Agora vamos viajar!”, disse a agulha de cerzir. “Tomara que eu não me perca!” Mas se perdeu.

“Sou fina demais para este mundo”, disse ela, já na sarjeta. “Tenho minha boa consciência, e isso sempre é um pequeno prazer!” Manteve-se ereta e não perdeu o bom humor.

Toda espécie de coisa passava boiando por cima dela: gravetos, palhas, pedaços de jornal. “Vejam como navegam!”, disse a agulha de cerzir. “Não sabem o que há aqui embaixo para espetar! Eu espeto! Estou aqui. Vejam aquele graveto: não pensa em nada no mundo além de ‘Graveto’, que é ele mesmo. Ali vai uma palha. Vejam como balança, vejam como gira! Não pense tanto em você: pode bater nas pedras do calçamento! Lá vai um jornal! O que está escrito nele já foi esquecido, mas, mesmo assim, como se espalha! Eu fico aqui, paciente e quieta. Sei o que sou e assim continuarei!”

Um dia, alguma coisa brilhava tão lindamente ali perto que a agulha de cerzir pensou ser um diamante. Mas era um caco de garrafa. Como ele brilhava, a agulha lhe dirigiu a palavra e se apresentou como broche. “O senhor deve ser um diamante!” “Sim, sou uma coisa desse tipo!” Cada um acreditava que o outro era muito precioso, e os dois conversaram sobre como o mundo era arrogante.

“Sim, morei numa caixa na casa de uma donzela”, disse a agulha de cerzir. “Essa donzela era cozinheira. Tinha cinco dedos em cada mão, mas nunca conheci coisa tão presumida quanto aqueles cinco dedos. E eles só existiam para me segurar, me tirar da caixa e me pôr na caixa!”

“Tinham brilho?”, perguntou o caco de garrafa.

“Brilho!”, disse a agulha de cerzir. “Não, tinham arrogância! Eram cinco irmãos, todos ‘Dedos’ de nascença. Ficavam eretos uns junto dos outros, embora fossem de alturas diferentes. O que ficava na extremidade, Tommeltot, era curto e grosso e andava fora da fileira. Tinha uma única dobra nas costas, só podia se curvar uma vez, mas dizia que, se fosse cortado de uma pessoa, aquela pessoa inteira já não serviria para o serviço militar. Slikpot se metia no doce e no azedo, apontava para o sol e para a lua e era ele quem apertava quando escreviam. Langemand olhava por cima da cabeça dos outros. Guldbrand andava com um anel de ouro em volta da barriga, e o pequeno Per Spillemand não fazia nada e tinha orgulho disso. Era só bazófia e continuou sendo bazófia. Então fui parar na pia!”

“E agora estamos aqui brilhando!”, disse o caco de vidro. Naquele instante, chegou mais água à sarjeta. Ela transbordou por todos os lados e levou o caco de vidro consigo.

“Vejam, agora ele foi promovido!”, disse a agulha de cerzir. “Eu continuo sentada aqui. Sou fina demais, mas esse é meu orgulho, e ele merece respeito!” Ficou ereta e cheia de pensamentos.

“Sou tão fina que quase acredito ter nascido de um raio de sol. E não me parece que o sol está sempre me procurando debaixo da água? Ah, sou tão fina que minha mãe não consegue me encontrar! Se ainda tivesse meu velho olho, que se quebrou, acho que poderia chorar. Mas não choraria: chorar não é fino.”

Um dia, uns meninos de rua estavam remexendo a sarjeta, onde encontravam pregos velhos, moedas de skilling e coisas assim. Era uma porcaria, mas aquela era a diversão deles.

“Ai!”, disse um, que se espetou na agulha de cerzir. “Que sujeito!”

“Não sou um sujeito, sou uma senhorita!”, disse a agulha de cerzir. Mas ninguém ouviu. O lacre havia saído, e ela ficara preta. Mas preto afina, e por isso ela se achou ainda mais fina que antes.

“Lá vem uma casca de ovo navegando!”, disseram os meninos, e espetaram nela a agulha de cerzir.

“Paredes brancas e eu preta!”, disse a agulha de cerzir. “Combina! Assim, pelo menos, podem me ver! Tomara que eu não enjoe, senão vomito!” Mas ela não enjoou nem vomitou.

“Contra enjoo, é bom ter estômago de aço e lembrar sempre que se é um pouco mais que uma pessoa! O meu já passou. Quanto mais fina se é, mais se pode aguentar!”

“Craque!”, fez a casca de ovo, quando uma carroça carregada passou por cima dela. “Ui, como aperta!”, disse a agulha de cerzir. “Agora vou mesmo enjoar! Vou me quebrar! Vou me quebrar!” Mas não se quebrou, embora a carroça carregada passasse por cima. Estava deitada no sentido do comprimento, e lá pode continuar deitada!

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)
- reviewer: Codex · revisão independente por IA

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