# A corja

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/a-corja)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: aa2f6ff9-446e-413b-bf2e-8bb678958bfa
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um galinho e uma galinhazinha vão ao monte comer nozes e decidem voltar numa carroça de cascas. Uma discussão sobre quem deve puxá-la termina com a chegada de uma pata. Pelo caminho, o grupo encontra um alfinete e uma agulha de costura e procura uma estalagem para passar a noite.

## Conto integral

O galinho disse à galinhazinha:

— Agora é a época em que as nozes amadurecem. Vamos juntos ao monte e comer até nos fartarmos, antes que o esquilo leve todas.

— Sim — respondeu a galinhazinha. — Venha, vamos nos divertir juntos.

Então partiram juntos para o monte e, como o dia estava claro, ficaram até a noite. Não sei se tinham comido tanto que estavam empanturrados ou se haviam ficado atrevidos; em suma, não queriam voltar para casa a pé, e o galinho teve de construir uma pequena carroça com cascas de nozes. Quando ficou pronta, a galinhazinha se sentou nela e disse ao galinho:

— Agora é só você se atrelar à frente.

— Era só o que me faltava! — disse o galinho. — Prefiro voltar para casa a pé a me deixar atrelar. Não, não foi isso que combinamos. Posso muito bem ser o cocheiro e me sentar na boleia, mas puxar eu mesmo, isso não faço.

Enquanto discutiam assim, uma pata chegou grasnando:

— Seus ladrões! Quem mandou vocês entrarem no meu monte de nozes? Esperem, vão se dar mal!

E avançou contra o galinho com o bico escancarado. Mas o galinho também não ficou parado e atacou a pata com força. Por fim, golpeou-a tão violentamente com as esporas que ela pediu clemência e aceitou de bom grado ser atrelada à carroça como castigo. O galinho se sentou na boleia como cocheiro, e partiram a toda velocidade.

— Pata, corra o mais que puder!

Depois de percorrerem um trecho do caminho, encontraram dois pedestres: um alfinete e uma agulha de costura. Eles gritaram:

— Parem! Parem!

Disseram que logo ficaria um breu e que então não poderiam dar mais um passo; além disso, a estrada estava tão suja. Será que poderiam pegar uma carona? Tinham estado na estalagem dos alfaiates, fora do portão, e se atrasado bebendo cerveja. Como eram pessoas magras, que não ocupavam muito espaço, o galinho deixou os dois subir, mas tiveram de prometer não pisar nos pés dele nem nos da galinhazinha. Tarde da noite, chegaram a uma estalagem e entraram, pois não queriam continuar a viagem durante a noite, e a pata já não conseguia andar direito e tombava de um lado para o outro. A princípio, o estalajadeiro fez muitas objeções: sua casa já estava cheia. Provavelmente também achou que não deviam ser gente de posição. Por fim, porém, como usaram de palavras doces, prometendo que ele ficaria com o ovo que a galinhazinha pusera pelo caminho e também com a pata, que punha um por dia, acabou dizendo que poderiam passar a noite ali. Então mandaram servir outra refeição farta e se entregaram à boa vida.

De manhã bem cedo, ao amanhecer, quando todos ainda dormiam, o galinho acordou a galinhazinha, pegou o ovo, abriu-o a bicadas, e os dois o comeram juntos. Jogaram as cascas no fogão. Depois foram até a agulha de costura, que ainda dormia, agarraram-na pela cabeça e a enfiaram na almofada da cadeira do estalajadeiro; o alfinete, na toalha dele. Por fim, sem mais nem menos, saíram voando pela charneca. A pata, que gostava de dormir ao ar livre e ficara no pátio, ouviu-os partir num zunido, despertou e encontrou um riacho, pelo qual nadou correnteza abaixo; e assim foi mais depressa do que puxando a carroça. Só algumas horas depois o estalajadeiro saiu da cama, lavou-se e quis se enxugar na toalha. O alfinete lhe passou pelo rosto e fez um risco vermelho de uma orelha à outra. Depois ele foi à cozinha e quis acender um cachimbo, mas, ao chegar ao fogão, as cascas de ovo lhe saltaram nos olhos.

— Hoje de manhã tudo quer vir à minha cabeça! — disse ele, e se deixou cair, aborrecido, em sua velha poltrona. Mas logo tornou a saltar e gritou:

— Ai!

Pois a agulha de costura o espetara ainda pior, e não na cabeça. Agora ficou furioso de vez e suspeitou dos hóspedes que tinham chegado tão tarde na noite anterior. Quando foi procurá-los, já haviam partido. Então jurou nunca mais receber em sua casa uma corja que come muito, não paga nada e, ainda por cima, faz travessuras como agradecimento.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)
- reviewer: Codex · revisão independente por IA

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