# A pastora de gansos junto à fonte

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/a-pastora-de-gansos-junto-a-fonte)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 69f53396-7107-419b-a5c7-a105364bf60b
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um jovem conde ajuda uma velha a transportar uma carga pela montanha e recebe uma caixinha de esmeralda. A pérola que há dentro dela leva uma rainha a contar o desaparecimento de sua filha mais nova.

## Conto integral

Era uma vez uma velhinha muito, muito velha, que vivia com seu bando de gansos num lugar deserto entre montanhas, onde tinha uma casinha. O lugar era cercado por uma grande floresta, e todas as manhãs a velha pegava sua muleta e ia cambaleando para o mato. Mas a velhinha era muito ativa, mais do que se poderia esperar de sua idade avançada: colhia capim para os gansos, apanhava as frutas silvestres que conseguia alcançar com as mãos e levava tudo para casa nas costas. Era de imaginar que aquela carga pesada a derrubasse, mas ela sempre a levava para casa sem problemas. Quando encontrava alguém, cumprimentava com muita gentileza:

— Bom dia, meu caro conterrâneo, hoje o tempo está bonito. Sim, vocês estranham que eu carregue este capim, mas cada um precisa levar sua carga nas costas.

As pessoas, porém, não gostavam de encontrá-la e preferiam dar uma volta. E, quando um pai passava por ela com seu menino, dizia baixinho:

— Cuidado com a velha, ela é muito mais esperta do que parece: é uma bruxa.

Certa manhã, um belo rapaz caminhava pela floresta. O sol brilhava, os pássaros cantavam e uma brisa fresca passava pela folhagem; ele estava cheio de alegria e de satisfação. Ainda não encontrara ninguém quando, de repente, avistou a velha bruxa, que estava ajoelhada no chão, cortando capim com uma foice. Já tinha enfiado uma carga inteira em seu pano de carregar, e ao lado havia dois cestos cheios de peras e maçãs silvestres.

— Mas, avozinha — disse ele —, como pode levar tudo isso?

— Preciso carregar, meu caro senhor — respondeu ela. — Os filhos dos ricos não precisam. Mas, para o camponês, vale o dito:

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Não olhe para trás,
as costas tortas você traz.
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— Quer me ajudar? — disse ela, quando ele ficou parado ao seu lado. — Suas costas ainda são retas e suas pernas são jovens; será fácil para o senhor. Além disso, minha casa não fica muito longe: está numa charneca, atrás daquela montanha. Num instante o senhor sobe até lá.

O rapaz sentiu pena da velha.

— Meu pai não é camponês — respondeu —, é um conde rico; mas, para que veja que não são só os camponeses que sabem carregar, vou levantar sua trouxa.

— Se quiser tentar — disse ela —, ficarei contente. É verdade que terá de caminhar uma hora, mas o que isso representa para o senhor? Também precisa levar aquelas maçãs e peras.

O jovem conde ficou um pouco apreensivo ao ouvir falar em uma hora de caminho, mas a velha não o largou mais: pôs-lhe o pano de carregar nas costas e pendurou os dois cestos em seu braço.

— Está vendo? É bem fácil — disse ela.

— Não, não está fácil — respondeu o conde, fazendo uma careta de dor. — A trouxa pesa como se estivesse cheia de pedras, e as maçãs e peras pesam como se fossem de chumbo; mal consigo respirar.

Teve vontade de pôr tudo no chão outra vez, mas a velha não deixou.

— Vejam só — disse ela, zombando —, o jovem senhor não quer carregar o que eu, uma velha, já carreguei tantas vezes. Para falar bonito, estão sempre prontos, mas, quando a coisa fica séria, querem dar o fora. Por que fica aí parado — continuou —, hesitando? Levante as pernas. Ninguém vai tirar essa trouxa das suas costas.

Enquanto caminhava em terreno plano, ainda podia aguentar; mas, quando chegaram à montanha e tiveram de subir, e as pedras rolavam atrás de seus pés como se estivessem vivas, aquilo excedeu suas forças. As gotas de suor surgiram em sua testa e lhe escorriam pelas costas, ora quentes, ora frias.

— Avozinha — disse ele —, não posso continuar, quero descansar um pouco.

— Nada disso — respondeu a velha. — Quando chegarmos, poderá descansar, mas agora precisa seguir em frente. Quem sabe para que isso lhe servirá!

— Velha, você está ficando atrevida — disse o conde, tentando jogar fora o pano de carregar; mas esforçou-se em vão: estava tão preso às costas como se tivesse crescido ali. Ele se virava e revirava, mas não conseguia se livrar daquilo.

A velha ria e saltitava alegremente em sua muleta.

— Não se zangue, meu caro senhor — disse ela —, seu rosto está ficando tão vermelho quanto o de um galo pago como tributo. Carregue sua trouxa com paciência; quando chegarmos em casa, vou lhe dar uma boa gorjeta.

O que podia fazer? Teve de se conformar com seu destino e arrastar-se pacientemente atrás da velha. Ela parecia cada vez mais ágil, e a carga dele, cada vez mais pesada. De repente, ela deu um pulo, saltou sobre o pano de carregar e sentou-se em cima; por mais seca que fosse, pesava mais do que a mais gorda das camponesas. Os joelhos do rapaz tremiam, mas, se ele não continuava a andar, a velha lhe batia nas pernas com uma vara e com urtigas. Gemendo sem parar, ele subiu a montanha e por fim chegou à casa da velha, quando estava prestes a desabar.

Ao avistarem a velha, os gansos ergueram as asas, esticaram o pescoço, correram ao seu encontro e gritaram: “Ule, ule!” Atrás do bando vinha uma mulher já de idade, forte e alta, mas feia como a noite, com uma vara na mão.

— Senhora minha mãe — disse à velha —, aconteceu alguma coisa? A senhora demorou tanto!

— Deus me livre, minha filhinha — respondeu ela —, não me aconteceu nada de ruim; pelo contrário, aquele bom senhor carregou minha carga. Imagine: quando fiquei cansada, ele me levou também nas costas. O caminho nem nos pareceu comprido; ficamos alegres e fizemos brincadeiras o tempo todo.

Por fim a velha escorregou para o chão, tirou a trouxa das costas do rapaz e os cestos de seu braço, olhou para ele com muita gentileza e disse:

— Agora sente-se no banco diante da porta e descanse. Ganhou honestamente seu pagamento, e não ficará sem ele.

Depois disse à pastora de gansos:

— Entre em casa, minha filhinha; não fica bem você estar sozinha com um jovem senhor. Não se deve pôr óleo no fogo; ele poderia se apaixonar por você.

O conde não sabia se havia de chorar ou de rir. “Uma belezinha dessas”, pensou, “mesmo que fosse trinta anos mais jovem, não poderia comover meu coração.” Enquanto isso, a velha mimava e acariciava seus gansos como crianças, depois entrou em casa com a filha. O rapaz se estendeu no banco debaixo de uma macieira silvestre. O ar era morno e suave; ao redor se estendia um prado verde, salpicado de prímulas, tomilho silvestre e mil outras flores; pelo meio corria, murmurando, um riacho límpido em que o sol cintilava. Os gansos brancos passeavam de um lado para outro ou chapinhavam na água.

— É muito agradável aqui — disse ele —, mas estou tão cansado que não consigo manter os olhos abertos; vou dormir um pouco. Só espero que não venha uma rajada de vento e me arranque as pernas do corpo, pois estão frágeis como isca de fogo.

Depois que ele dormiu um pouco, a velha veio e o sacudiu até acordá-lo.

— Levante-se — disse ela —, não pode ficar aqui. É verdade que lhe dei bastante trabalho, mas isso não lhe custou a vida. Agora vou lhe dar seu pagamento. Dinheiro e bens não lhe fazem falta; aqui está outra coisa.

Com isso, colocou-lhe na mão uma caixinha talhada numa única esmeralda.

— Guarde-a bem — acrescentou —, ela lhe trará sorte.

O conde se levantou de um salto e, sentindo-se inteiramente revigorado e com as forças recuperadas, agradeceu à velha pelo presente e partiu, sem sequer olhar uma vez para trás, para a bela filhinha. Quando já estava um pouco longe, ainda ouviu ao longe os gritos alegres dos gansos.

O conde teve de vagar três dias pelo ermo antes de conseguir sair. Então chegou a uma grande cidade e, como ninguém o conhecia, foi levado ao castelo real, onde o rei e a rainha estavam sentados no trono. O conde se ajoelhou sobre um joelho, tirou do bolso o recipiente de esmeralda e o pôs aos pés da rainha. Ela mandou que se levantasse, e ele teve de lhe entregar a caixinha. Mas, assim que ela a abriu e olhou para dentro, caiu no chão como morta. Os criados do rei seguraram o conde e iam levá-lo para a prisão quando a rainha abriu os olhos e ordenou que o soltassem e que todos saíssem; queria falar com ele em segredo.

Quando ficou sozinha com ele, a rainha começou a chorar amargamente e disse:

— De que me servem o esplendor e as honras que me cercam? Todas as manhãs acordo com preocupações e tristeza. Eu tive três filhas; a mais nova era tão bela que o mundo inteiro a considerava uma maravilha. Era branca como a neve, rosada como a flor da macieira, e seus cabelos brilhavam como os raios de sol. Quando chorava, não lhe caíam lágrimas dos olhos, mas pérolas e pedras preciosas. Quando ela tinha quinze anos, o rei mandou as três irmãs comparecerem diante de seu trono. O senhor devia ter visto como as pessoas arregalaram os olhos quando a mais nova entrou; foi como se o sol nascesse. O rei disse: “Minhas filhas, não sei quando chegará meu último dia; quero determinar hoje o que cada uma receberá depois da minha morte. Todas me amam, mas aquela que me amar mais receberá o melhor.” Cada uma disse que o amava mais que as outras. “Não podem me dizer quanto me amam?”, respondeu o rei. “Assim verei o que querem dizer.” A mais velha disse: “Amo meu pai como o mais doce açúcar.” A segunda: “Amo meu pai como meu vestido mais bonito.” A mais nova, porém, ficou calada. Então o pai perguntou: “E você, minha filha querida, quanto me ama?” “Não sei”, respondeu ela, “não consigo comparar meu amor com nada.” Mas o pai insistiu que ela precisava dizer alguma coisa. Por fim ela disse: “A melhor comida não me agrada sem sal; por isso amo meu pai como o sal.” Ao ouvir aquilo, o rei se enfureceu e disse: “Se você me ama como o sal, seu amor também será recompensado com sal.” Então dividiu o reino entre as duas mais velhas, mandou amarrar um saco de sal nas costas da mais nova e ordenou a dois criados que a levassem para dentro da floresta selvagem. Todos imploramos e pedimos por ela — disse a rainha —, mas a ira do rei não se deixava abrandar. Como ela chorou quando teve de nos abandonar! O caminho inteiro ficou coberto de pérolas que lhe caíam dos olhos. Logo depois, o rei se arrependeu de sua grande dureza e mandou procurar a pobre menina por toda a floresta, mas ninguém conseguiu encontrá-la. Quando penso que os animais selvagens a devoraram, não sei como conter minha tristeza; às vezes me consolo com a esperança de que ainda esteja viva e tenha se escondido numa caverna ou encontrado abrigo com pessoas piedosas. Mas imagine: quando abri sua caixinha de esmeralda, havia nela uma pérola exatamente como as que caíam dos olhos de minha filha, e pode imaginar como aquela visão comoveu meu coração. O senhor precisa me dizer como conseguiu essa pérola.

O conde contou que a recebera da velha na floresta, que lhe parecera sinistra e devia ser uma bruxa; mas nada tinha ouvido nem visto da filha da rainha. O rei e a rainha resolveram procurar a velha; pensavam que, onde estivera a pérola, também haveriam de encontrar notícias da filha.

A velha estava sentada em seu ermo, fiando à roda de fiar. Já escurecera, e uma lasca de madeira que ardia embaixo, na lareira, dava uma luz fraca. De repente ouviu-se barulho lá fora: os gansos voltavam do pasto, soltando seus gritos roucos. Logo depois entrou também a filha. Mas a velha mal lhe agradeceu e apenas sacudiu um pouco a cabeça. A filha se sentou junto dela, pegou sua roda de fiar e torceu o fio com a agilidade de uma moça. Assim ficaram as duas por duas horas, sem trocar uma palavra. Por fim, alguma coisa roçou na janela, e dois olhos de fogo espiaram para dentro. Era uma velha coruja que piou três vezes: “Uhu!” A velha apenas ergueu um pouco os olhos, depois disse:

— Agora é hora de sair, filhinha; vá fazer seu trabalho.

Ela se levantou e saiu. “Para onde foi?” Atravessou os prados, seguindo sempre adiante, até o vale. Por fim chegou a uma fonte junto da qual havia três velhos carvalhos. A lua, redonda e grande, já se erguera acima da montanha, e estava tão claro que se poderia encontrar um alfinete. Ela tirou uma pele que lhe cobria o rosto, inclinou-se sobre a fonte e começou a se lavar. Quando terminou, mergulhou também a pele na água e depois a pôs no prado, para que voltasse a clarear e secar ao luar. Mas como a moça estava transformada! Vocês nunca viram coisa igual! Quando a trança grisalha caiu, os cabelos dourados jorraram como raios de sol e se espalharam sobre todo o seu corpo como um manto. Só os olhos brilhavam por entre eles, luminosos como as estrelas do céu, e as faces reluziam num suave rosado, como as flores de macieira.

Mas a bela moça estava triste. Sentou-se e chorou amargamente. Uma lágrima após a outra saía de seus olhos e rolava por entre os longos cabelos até o chão. Ficou ali sentada, e teria permanecido por muito tempo se não tivesse ouvido estalos e ruídos nos galhos da árvore próxima. Levantou-se de um salto, como uma corça que ouve o tiro do caçador. Naquele instante uma nuvem negra cobriu a lua, e num momento a moça tornou a vestir a velha pele e desapareceu como uma luz que o vento apaga.

Tremendo como uma folha de álamo, correu de volta à casa. A velha estava à porta, e a moça quis contar o que lhe acontecera, mas a velha riu com gentileza e disse:

— Já sei de tudo.

Levou-a para a sala e acendeu uma nova lasca. Mas não voltou à roda de fiar: pegou uma vassoura e começou a varrer e esfregar.

— Tudo precisa ficar limpo e asseado — disse à moça.

— Mas, mãe — disse a moça —, por que começa a trabalhar a uma hora tão tardia? O que pretende fazer?

— Sabe que horas são? — perguntou a velha.

— Ainda não é meia-noite — respondeu a moça —, mas já passou das onze?

— Não se lembra — continuou a velha — de que hoje faz três anos que veio para minha casa? Seu tempo acabou, não podemos continuar juntas.

A moça se assustou e disse:

— Ah, querida mãe, vai me expulsar? Para onde irei? Não tenho amigos nem uma terra a que possa voltar. Fiz tudo o que pediu, e a senhora sempre esteve satisfeita comigo: não me mande embora.

A velha não quis dizer à moça o que a esperava.

— Não vou mais ficar aqui — disse a ela —, mas, quando eu me mudar, a casa e a sala precisam estar limpas; por isso não me atrapalhe no trabalho. Quanto a você, não se preocupe: encontrará um teto sob o qual morar, e também ficará satisfeita com o pagamento que vou lhe dar.

— Mas me diga o que vai acontecer! — continuou a perguntar a moça.

— Repito: não me atrapalhe no trabalho. Não diga mais uma palavra, vá para seu quarto, tire a pele do rosto, vista o vestido de seda que usava quando veio para minha casa e espere em seu quarto até eu chamá-la.

Mas preciso voltar a contar do rei e da rainha, que tinham partido com o conde para procurar a velha no ermo. Durante a noite, na floresta, o conde se separara deles e precisara continuar sozinho. No dia seguinte, pareceu-lhe que estava no caminho certo. Seguiu sempre adiante até cair a escuridão; então subiu numa árvore para passar a noite ali, pois receava se perder. Quando a lua iluminou a região, avistou uma figura que descia a montanha. Ela não tinha vara na mão, mas ele pôde reconhecer que era a pastora de gansos que vira antes junto da casa da velha.

— Oh! — exclamou. — Lá vem ela; se eu pegar uma das bruxas, a outra também não me escapará.

Mas como se espantou quando ela chegou à fonte, tirou a pele e se lavou, quando os cabelos dourados lhe caíram pelo corpo e ela se mostrou tão bela como ninguém que ele tivesse visto no mundo! Mal ousava respirar; no entanto, esticou o pescoço por entre a folhagem o mais que pôde e ficou olhando para ela sem desviar os olhos. Talvez se tivesse inclinado demais, ou talvez fosse outra a causa: de repente o galho estalou, e no mesmo instante a moça tornou a vestir a pele e saiu correndo como uma corça; como a lua também se encobriu, ele a perdeu de vista.

Assim que ela desapareceu, o conde desceu da árvore e correu atrás dela a passos ágeis. Não tinha andado muito quando viu, na penumbra, duas figuras atravessando o prado. Eram o rei e a rainha, que tinham avistado de longe a luz na casinha da velha e seguido naquela direção. O conde lhes contou as maravilhas que vira junto da fonte, e eles não duvidaram de que aquela fosse a filha perdida. Cheios de alegria, continuaram e logo chegaram à casinha. Os gansos estavam sentados ao redor, tinham enfiado as asas na cabeça e dormiam, sem que nenhum se mexesse. Olharam pela janela: lá estava a velha, muito quieta, fiando; balançava a cabeça e não olhava para trás. A sala estava inteiramente limpa, como se ali morassem os homenzinhos da névoa, que não trazem poeira nos pés. A filha, porém, eles não viram. Ficaram olhando tudo por algum tempo, até que por fim tomaram coragem e bateram de leve na janela.

A velha parecia esperá-los: levantou-se e chamou com muita gentileza:

— Entrem, eu já conheço vocês.

Quando entraram na sala, a velha disse:

— Poderiam ter poupado essa longa viagem se, há três anos, não tivessem expulsado injustamente sua filha, que é tão boa e afetuosa. Isso não lhe fez mal: teve de guardar os gansos durante três anos, mas não aprendeu nada de ruim e conservou seu coração puro. Vocês, porém, foram suficientemente castigados pela angústia em que viveram.

Depois foi até o quarto e chamou:

— Venha, minha filhinha.

A porta se abriu, e a princesa saiu com seu traje de seda, seus cabelos dourados e seus olhos luminosos; era como se um anjo viesse do céu. Correu para o pai e a mãe, abraçou-os pelo pescoço e os beijou; não houve jeito: todos tiveram de chorar de alegria. O jovem conde estava ao lado deles e, quando ela o avistou, seu rosto ficou vermelho como uma rosa musgosa; ela própria não sabia por quê.

O rei disse:

— Minha filha querida, já dei meu reino; o que posso lhe dar?

— Ela não precisa de nada — disse a velha. — Eu lhe dou as lágrimas que chorou por vocês: são pérolas mais belas do que as encontradas no mar, e valem mais do que seu reino inteiro. E, como pagamento por seus serviços, dou-lhe minha casinha.

Assim que disse isso, a velha desapareceu diante de seus olhos. Houve alguns estalos nas paredes e, quando olharam ao redor, a casinha tinha se transformado num magnífico palácio; uma mesa real estava posta, e os criados corriam de um lado para outro.

A história ainda continua, mas minha avó, que me contou tudo isso, já estava com a memória fraca: tinha esquecido o resto. Eu sempre acho que a bela princesa se casou com o conde, que os dois ficaram juntos no castelo e viveram ali na maior felicidade pelo tempo que Deus quis. Se os gansos brancos como a neve, guardados junto da casinha, eram todos moças que a velha tinha acolhido — ninguém precisa levar isso a mal —, e se agora recuperaram sua forma humana e ficaram como criadas da jovem rainha, isso não sei ao certo, mas suponho que sim. Uma coisa é certa: a velha não era uma bruxa, como as pessoas acreditavam, mas uma mulher sábia e bem-intencionada. Provavelmente foi ela também quem deu à princesa, já no nascimento, o dom de chorar pérolas em lugar de lágrimas. Hoje em dia isso não acontece mais; senão os pobres logo poderiam ficar ricos.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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