# A roupa nova do imperador

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/a-roupa-nova-do-imperador)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 8206e8fe-0ada-44c6-8d4f-b51fba9b2592
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um imperador gasta todo o dinheiro em roupas novas e bonitas. Dois trapaceiros chegam à sua cidade dizendo ser capazes de tecer um tecido extraordinário: as roupas feitas com ele seriam invisíveis para quem não soubesse exercer seu cargo ou fosse muito tolo. O imperador lhes encomenda o tecido, pensando em distinguir os capazes dos incapazes, e envia funcionários para acompanhar o trabalho nos teares.

## Conto integral

Há muitos anos vivia um imperador que gostava tanto de roupas novas e bonitas que gastava todo o seu dinheiro para andar bem enfeitado. Não se importava com seus soldados, nem com o teatro, nem com passeios de carruagem pela floresta, a não ser para exibir suas roupas novas. Tinha uma casaca para cada hora do dia e, assim como se diz de um rei que ele está no conselho, ali sempre se dizia: “O imperador está no guarda-roupa!”

Na grande cidade onde ele morava, a vida era muito animada. Todos os dias chegavam muitos forasteiros, e certo dia chegaram dois trapaceiros. Diziam ser tecelões e afirmavam saber tecer o tecido mais belo que se pudesse imaginar. Não só as cores e o desenho eram de uma beleza extraordinária, como as roupas feitas daquele tecido tinham a curiosa propriedade de se tornarem invisíveis para qualquer pessoa que fosse incapaz de exercer seu cargo ou fosse tola a um ponto inadmissível.

“Que roupas maravilhosas!”, pensou o imperador. “Com elas, eu poderia descobrir quais homens do meu reino não servem para os cargos que ocupam e distinguir os inteligentes dos tolos! Sim, esse tecido deve ser feito imediatamente para mim!” E deu aos dois trapaceiros muito dinheiro adiantado, para que começassem a trabalhar.

Eles montaram dois teares e fingiram trabalhar, mas não havia absolutamente nada nos teares. Sem cerimônia, pediram a seda mais fina e o ouro mais esplêndido, que meteram em sua própria sacola, e continuaram trabalhando nos teares vazios até altas horas da noite.

“Agora eu bem gostaria de saber quanto já fizeram do tecido!”, pensou o imperador. Mas sentia certo aperto no coração ao lembrar que quem fosse tolo ou não servisse bem para o cargo não poderia vê-lo. É verdade que julgava não precisar temer por si mesmo, mas ainda assim queria mandar alguém primeiro, para ver como iam as coisas. Todas as pessoas da cidade sabiam da estranha virtude do tecido, e todas estavam ansiosas para descobrir quanto seu vizinho era incapaz ou tolo.

“Vou mandar meu velho e honesto ministro visitar o tecelão!”, pensou o imperador. “Ele é quem melhor pode avaliar a aparência do tecido, pois tem entendimento e ninguém exerce seu cargo melhor do que ele!”

O velho e bondoso ministro entrou no salão onde os dois trapaceiros estavam sentados, trabalhando nos teares vazios. “Deus nos livre!”, pensou o velho ministro, arregalando os olhos. “Não consigo ver coisa nenhuma!” Mas não disse isso.

Os dois trapaceiros lhe pediram a gentileza de chegar mais perto e perguntaram se o desenho não era bonito e as cores maravilhosas. Apontaram para o tear vazio, e o pobre velho ministro continuou arregalando os olhos, mas não conseguia ver nada, pois não havia coisa nenhuma. “Meu Deus!”, pensou ele. “Será que sou tolo? Nunca pensei nisso, e ninguém pode saber! Será que não sirvo para o meu cargo? Não, não posso contar que não consigo ver o tecido!”

“Então, o senhor não diz nada a respeito?”, perguntou um dos que teciam.

“Oh, é lindo! Absolutamente encantador!”, disse o velho ministro, olhando através dos óculos. “Esse desenho e essas cores! Sim, direi ao imperador que me agrada muitíssimo!”

“Isso nos alegra!”, disseram os dois tecelões, e passaram a dizer os nomes das cores e a descrever o desenho singular. O velho ministro prestou muita atenção, para poder dizer a mesma coisa quando voltasse para junto do imperador, e foi o que fez.

Agora os trapaceiros pediram mais dinheiro, mais seda e mais ouro, de que precisariam para a tecelagem. Meteram tudo nos próprios bolsos. Não foi parar no tear nem uma fibra, mas continuaram, como antes, a tecer no tear vazio.

Logo o imperador enviou outro funcionário respeitável para ver como ia a tecelagem e se o tecido logo estaria pronto. Com ele aconteceu o mesmo que com o primeiro: olhou e tornou a olhar, mas, como só havia os teares vazios, não conseguiu ver coisa nenhuma.

“Então, não é uma bela peça de tecido?”, disseram os dois trapaceiros, mostrando e explicando o lindo desenho que não existia.

“Tolo eu não sou!”, pensou o homem. “Então será que não sirvo para o meu bom cargo? Seria bem estranho! Mas não posso deixar que percebam!” E elogiou o tecido que não via, assegurando-lhes que estava encantado com as belas cores e o lindo desenho. “Sim, é absolutamente encantador!”, disse ao imperador.

Todas as pessoas da cidade falavam do magnífico tecido.

Agora o próprio imperador queria vê-lo, enquanto ainda estava no tear. Acompanhado de toda uma comitiva de homens escolhidos, entre eles os dois velhos e respeitáveis funcionários que já tinham estado ali, foi visitar os dois astutos trapaceiros, que teciam com todas as forças, mas sem uma fibra nem um fio.

“Então, não é magnífico?”, disseram os dois respeitáveis funcionários. “Vossa Majestade poderia observar o desenho e as cores!” E apontaram para o tear vazio, pois acreditavam que os outros certamente conseguiam ver o tecido.

“Como assim?”, pensou o imperador. “Não vejo coisa nenhuma! Isso é terrível! Sou tolo? Não sirvo para ser imperador? Seria a coisa mais horrível que poderia me acontecer!” “Oh, é muito bonito!”, disse o imperador. “Tem a minha mais alta aprovação!” E assentiu, satisfeito, contemplando o tear vazio; não queria dizer que não conseguia ver nada. Toda a comitiva olhava e tornava a olhar, mas não enxergava mais do que os outros. Ainda assim, todos diziam, como o imperador: “Oh, é bonito!” E o aconselharam a usar aquelas roupas novas e magníficas pela primeira vez no grande cortejo que se aproximava. “É magnífico! Um encanto, excelente!”, corria de boca em boca, e todos estavam profundamente satisfeitos. O imperador deu a cada um dos trapaceiros uma cruz de cavaleiro para pendurar na lapela e o título de fidalgos da tecelagem.

Durante toda a noite anterior à manhã do cortejo, os trapaceiros ficaram acordados, com mais de dezesseis velas acesas. As pessoas podiam ver que eles estavam ocupadíssimos, terminando as roupas novas do imperador. Fingiam tirar o tecido do tear, cortavam o ar com grandes tesouras, costuravam com agulha sem linha e por fim disseram: “Pronto, agora as roupas estão terminadas!”

O imperador foi até lá em pessoa, com seus mais distintos cavaleiros, e os dois trapaceiros ergueram um dos braços, como se segurassem alguma coisa, dizendo: “Vejam, aqui estão as calças! Aqui está a casaca! Aqui, o manto!” E assim por diante. “É leve como uma teia de aranha! Poderíamos pensar que não se tem nada no corpo, mas essa é justamente a sua virtude!”

“Sim!”, disseram todos os cavaleiros, mas não conseguiam ver coisa nenhuma, pois não havia nada.

“Vossa Majestade Imperial teria agora a bondade de tirar suas roupas?”, disseram os trapaceiros. “Assim poderemos vestir-lhe as novas, aqui diante do grande espelho!”

O imperador tirou todas as suas roupas, e os trapaceiros agiram como se o vestissem com cada uma das peças novas que teriam costurado, enquanto ele se virava e revirava diante do espelho.

“Meu Deus, como vestem bem! Como assentam maravilhosamente!”, disseram todos. “Que desenho! Que cores! É um traje precioso!”

“Lá fora estão esperando com o pálio que será levado sobre Vossa Majestade durante o cortejo!”, disse o mestre de cerimônias.

“Sim, já estou pronto!”, disse o imperador. “Não está assentando bem?” E tornou a se virar diante do espelho, pois precisava parecer que examinava de verdade a sua elegância.

Os camareiros que deviam carregar a cauda fizeram gestos com as mãos junto ao chão, como se a apanhassem, e caminharam segurando o ar. Não ousavam deixar que percebessem que não conseguiam ver nada.

Assim o imperador seguiu no cortejo sob o belo pálio, e todas as pessoas nas ruas e nas janelas diziam: “Meu Deus, como as roupas novas do imperador são incomparáveis! Que linda cauda tem a sua casaca! Como assenta divinamente!” Ninguém queria deixar que percebessem que não via nada, pois isso significaria que não servia para o seu cargo ou que era muito tolo. Nenhuma das roupas do imperador jamais fizera tanto sucesso.

“Mas ele não está vestindo nada”, disse uma criança pequena. “Meu Deus, ouçam a voz da inocência”, disse o pai; e uma pessoa cochichou a outra o que a criança dissera.

“Mas ele não está vestindo nada”, gritou por fim o povo inteiro. O imperador estremeceu, pois achava que eles tinham razão, mas pensou: “Agora preciso aguentar o cortejo até o fim”. E os camareiros continuaram andando e carregando a cauda que não existia.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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