# A sorte pode estar num graveto

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/a-sorte-pode-estar-num-graveto)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 426103ea-6b5e-4978-bc39-99a9a0782ebc
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um torneiro pobre tem no jardim uma pereira que nunca dá frutos e acredita que não encontra a sorte.

## Conto integral

Agora vou contar uma história sobre a sorte. Todos nós conhecemos a sorte: alguns a veem ano após ano, outros só em certos anos, num único dia; sim, há pessoas que só a veem uma única vez na vida, mas vê-la, todos a vemos.

Não preciso contar, pois todos sabem, que Nosso Senhor manda a criancinha e a põe no colo de uma mãe — pode ser no rico castelo e na casa abastada, mas também em campo aberto, onde sopra o vento frio; nem todos sabem, porém, embora seja verdade, que Nosso Senhor, ao trazer a criança, também lhe traz um presente de sorte, mas ele não é colocado à vista, bem ao lado dela; é colocado em algum lugar do mundo onde menos se pensa em encontrá-lo, e, no entanto, sempre é encontrado; essa é a alegria. Pode estar numa maçã; assim foi para um sábio chamado Newton: a maçã caiu, e então ele encontrou sua sorte. Se você não conhece a história, peça a quem a conhece que a conte; tenho outra história para contar, e é a história de uma pera.

Havia um pobre homem que nascera na pobreza, crescera na pobreza e nela se casara. Era torneiro de profissão e fazia sobretudo hastes e argolas de guarda-chuvas; mas mal ganhava para levar a comida da mão à boca.

— Nunca encontro a sorte! — dizia ele. Esta é uma história realmente acontecida, e é possível dizer o país e o lugar onde o homem morava, mas isso agora não importa.

Sorvas vermelhas e ácidas cresciam como o mais rico enfeite ao redor de sua casa e de seu jardim. Nele havia também uma pereira, mas ela não dava uma única pera, e, no entanto, a sorte estava naquela pereira, nas peras invisíveis.

Uma noite o vento soprou numa tempestade terrível; os jornais contaram que a tempestade erguera a grande diligência da estrada e a lançara longe como um trapo. Bem podia, então, ter quebrado um grande galho da pereira.

O galho foi levado para a oficina, e o homem, por brincadeira, torneou com ele uma grande pera, depois outra grande, em seguida uma menor e então algumas bem pequeninas.

A árvore tinha de dar peras alguma vez, disse o homem, e então as deu às crianças para brincar.

Ora, um guarda-chuva é mesmo uma das necessidades da vida num país chuvoso. A casa inteira tinha apenas um para uso de todos; quando o vento soprava forte demais, o guarda-chuva virava do avesso, e até se quebrou umas duas vezes, mas o homem logo o consertava; o mais aborrecido, porém, era que o botão que devia mantê-lo fechado, quando estava recolhido, saltava fora com muita frequência, ou a argola colocada ao redor dele se partia.

Um dia o botão saltou; o homem o procurou no chão e apanhou uma das menores perinhas torneadas, uma das que as crianças tinham recebido para brincar.

— Não consigo encontrar o botão! — disse o homem. — Mas esta coisinha pode servir para o mesmo fim!

Então fez nela um furo, passou um cordão, e a pequena pera se ajustou bem à argola partida. Era, de fato, o melhor fecho que o guarda-chuva já tivera.

No ano seguinte, quando o homem ia mandar hastes de guarda-chuvas para a capital, onde fornecia esses artigos, mandou também umas duas das pequenas peras de madeira torneadas, com meia argola ao redor, e pediu que as experimentassem; assim elas chegaram à América. Lá logo perceberam que a pequena pera prendia muito melhor que qualquer outro botão, e então exigiram do comerciante que todos os guarda-chuvas enviados dali em diante fossem fechados com uma pequena pera.

Ora, não faltou trabalho! Peras aos milhares! Peras de madeira em todos os guarda-chuvas! O homem teve de pôr mãos à obra. Torneava e torneava. A pereira inteira se transformou nas pequenas peras de madeira! Aquilo rendia xelins, rendia táleres!

— Minha sorte estava naquela pereira! — disse o homem. Passou a ter uma grande oficina, com oficiais e aprendizes. Estava sempre de bom humor e dizia:

— A sorte pode estar num graveto!

Também digo isso eu, que conto a história.

Existe o ditado: “Ponha um graveto branco na boca, e você ficará invisível!” Mas tem de ser o graveto certo, aquele que Nosso Senhor nos dá como presente de sorte. Eu o recebi, e também posso, como o homem, colher ouro sonoro, ouro cintilante, o melhor de todos, aquele que cintila nos olhos das crianças, que soa na boca das crianças, e na do pai e da mãe também. Eles leem as histórias, e eu estou no meio da sala com eles, mas invisível, pois tenho o graveto branco na boca; quando percebo que estão felizes com o que conto, sim, então também digo: a sorte pode estar num graveto!

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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