# As cegonhas

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/as-cegonhas)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: e56a6a66-6286-469c-ab52-aa7da677e8ec
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Quatro filhotes de cegonha crescem num ninho sobre um telhado. Enquanto a mãe os prepara para o primeiro voo e para a migração, meninos da rua cantam uma cantiga cruel que os assusta e desperta seu desejo de vingança.

## Conto integral

Na última casa de uma cidadezinha havia um ninho de cegonhas. A mãe estava no ninho com seus quatro filhotinhos, que esticavam a cabeça com o pequeno bico preto, pois ele ainda não tinha ficado vermelho. Um pouco adiante, na cumeeira do telhado, o pai se mantinha muito ereto e rígido. Recolhera uma perna debaixo do corpo, para ao menos ter algum incômodo enquanto montava guarda. De tão imóvel, parecia talhado em madeira.

“Deve parecer muito distinto minha mulher ter uma sentinela ao lado do ninho!”, pensava ele. “Ninguém pode saber que sou o marido dela; devem pensar que recebi ordens para ficar aqui. Fica tão vistoso!” E continuava sobre uma perna só.

Lá embaixo, na rua, brincava um bando de crianças. Quando viram as cegonhas, um dos meninos mais atrevidos começou a cantar, e depois todos o acompanharam na velha cantiga das cegonhas. Mas cantavam do jeito que ele conseguia se lembrar:

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Cegonha, cegonha Steie,
Voe de volta para o que é seu!
Sua mulher está no ninho
Com quatro filhotes grandes.
Um será enforcado,
O outro será espetado,
O terceiro será queimado,
O quarto será revirado!
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— Escute o que os meninos estão cantando! — disseram os filhotinhos. — Dizem que vamos ser enforcados e queimados!

— Não se preocupem com isso! — disse a mãe. — Basta não dar ouvidos, e não faz mal algum!

Mas os meninos continuavam cantando e apontavam o dedo para as cegonhas. Só um menino, chamado Peter, disse que era maldade zombar dos animais e não quis participar de jeito nenhum. A mãe também consolava os filhotes:

— Não liguem para isso. Vejam como seu pai está tranquilo, e sobre uma perna só!

— Estamos com tanto medo! — disseram os filhotes, encolhendo as cabeças bem no fundo do ninho.

No dia seguinte, quando as crianças se reuniram de novo para brincar e viram as cegonhas, começaram sua cantiga:

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Um será enforcado,
O outro será queimado! —
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— Será que vamos mesmo ser enforcados e queimados? — perguntaram os filhotes.

— Claro que não! — disse a mãe. — Vocês vão aprender a voar; eu tratarei de treiná-los! Depois iremos ao prado visitar as rãs. Elas fazem reverências para nós dentro da água, cantam “coax, coax!”, e então nós as comemos. Vai ser uma verdadeira diversão!

— E depois? — perguntaram os filhotes.

— Depois se reúnem todas as cegonhas do país e começam as manobras de outono. É preciso voar bem; isso é da maior importância, pois o general mata com o bico quem não sabe voar. Por isso, tratem de aprender alguma coisa quando os exercícios começarem!

— Então vamos mesmo ser espetados, como disseram os meninos! E escute, já estão cantando de novo!

— Prestem atenção em mim, não neles — disse a mãe. — Depois das grandes manobras, voaremos para os países quentes, ah, para tão longe daqui, por cima de montanhas e florestas! Voaremos para o Egito, onde há casas de pedra triangulares, que sobem em ponta acima das nuvens. Chamam-se pirâmides e são mais antigas do que qualquer cegonha pode imaginar. Lá existe um rio que transborda e transforma a terra em lama. A gente anda pela lama e come rãs.

— Oh! — disseram todos os filhotes.

— Sim! É uma delícia! Não se faz outra coisa além de comer o dia inteiro. Enquanto estamos tão bem, aqui neste país não resta uma folha verde nas árvores. Faz tanto frio que as nuvens congelam, se quebram e caem em pequenos pedaços brancos!

Ela queria dizer a neve, mas não podia explicar com mais clareza.

— Então os meninos malcriados também congelam e se quebram? — perguntaram os filhotes.

— Não, eles não chegam a se quebrar! Mas ficam quase nesse ponto e precisam permanecer trancados num quarto escuro, amuados. Vocês, em compensação, poderão voar por terras estrangeiras, onde há flores e um sol quentinho!

Já tinha passado algum tempo, e os filhotes estavam tão grandes que podiam ficar em pé no ninho e olhar para longe. Todos os dias o pai chegava voando com belas rãs, pequenas cobras-de-água e todas as guloseimas de cegonha que conseguia encontrar. Ah, era divertido vê-lo fazer suas habilidades diante deles! Virava a cabeça até encostá-la na cauda, batia o bico como se fosse uma pequena matraca e lhes contava histórias, todas do pântano.

— Escutem, agora precisam aprender a voar! — disse a mãe um dia.

Os quatro filhotes tiveram de sair para a cumeeira. Como cambaleavam! Como se equilibravam com as asas e, mesmo assim, estavam quase caindo!

— Agora olhem para mim! — disse a mãe. — É assim que devem segurar a cabeça! Assim que devem pôr as pernas! Um, dois! Um, dois! É isso que vai ajudá-los a avançar no mundo!

Ela voou um pequeno trecho, e os filhotes deram um pulinho desajeitado. Bum! Lá estavam caídos, porque eram pesados de corpo.

— Eu não quero voar! — disse um deles, voltando para dentro do ninho. — Não faço questão de ir aos países quentes!

— Então quer morrer de frio aqui, quando chegar o inverno? Quer que os meninos venham enforcar, queimar e assar você? Vou chamá-los agora!

— Ah, não! — disse o filhote.

E tornou a saltar para o telhado, como os outros. No terceiro dia já conseguiam voar um pouco de verdade. Então acharam que também podiam sentar no ar para descansar. Tentaram, mas bum! Despencaram e tiveram de mexer as asas novamente. Os meninos apareceram lá embaixo, na rua, e cantaram sua cantiga:

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Cegonha, cegonha Steie!
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— Não devíamos voar lá embaixo e arrancar os olhos deles a bicadas? — disseram os filhotes.

— Não, deixem disso! — disse a mãe. — Prestem atenção em mim, é muito mais importante! Um, dois, três! Agora voamos para a direita! Um, dois, três! Agora para a esquerda, em volta da chaminé! Vejam, foi muito bom! A última batida de asas foi tão bonita e correta que amanhã vocês poderão ir comigo ao pântano. Outras boas famílias de cegonhas irão com seus filhos. Tratem de fazer com que os meus sejam os mais bonitos! E levantem bem a cabeça: fica bonito e dá prestígio!

— Mas não vamos nos vingar dos meninos malcriados? — perguntaram os filhotes.

— Deixem que gritem o que quiserem! Vocês voarão até as nuvens e chegarão à terra das pirâmides, enquanto eles terão de passar frio, sem uma folha verde nem uma maçã doce!

— Sim, vamos nos vingar! — cochicharam uns para os outros.

E recomeçaram os exercícios.

De todos os meninos da rua, ninguém cantava a cantiga de zombaria com tanta insistência quanto aquele que a começara. Era bem pequeno, não devia ter mais de seis anos. Os filhotes, porém, achavam que ele tinha cem, pois era muito maior do que a mãe e o pai deles; e o que sabiam eles da idade que podiam ter as crianças e as pessoas grandes? Toda a vingança deles deveria cair sobre aquele menino, pois ele tinha começado e nunca parava. Os filhotes estavam muito irritados e, quanto mais cresciam, menos queriam suportar aquilo. Por fim, a mãe teve de prometer que eles se vingariam, mas ela só faria isso no último dia em que estivessem naquele país.

— Primeiro precisamos ver como vocês se saem nas grandes manobras! Se saírem mal e o general lhes enfiar o bico no peito, então os meninos terão razão, ao menos de certa maneira! Vamos ver!

— Pois vai ver! — disseram os filhotes.

Eles se empenharam de verdade. Praticavam todos os dias e voavam com tanta beleza e leveza que dava gosto.

Chegou o outono, e todas as cegonhas começaram a se reunir para partir para os países quentes, enquanto aqui temos inverno. Que manobras! Tinham de passar por cima de florestas e cidades, só para mostrar como sabiam voar, pois uma grande viagem as esperava. Os filhotes fizeram tudo tão bem que receberam “Excelente, com rã e cobra”. Era a melhor nota de todas, e eles podiam comer a rã e a cobra. Foi o que fizeram.

— Agora precisamos nos vingar! — disseram.

— Certamente! — respondeu a mãe. — O que planejei é exatamente o que convém! Sei onde fica o lago em que estão todos os bebezinhos humanos, até que a cegonha venha buscá-los para seus pais. Os lindos bebezinhos dormem e sonham com uma beleza com que nunca mais sonharão. Todos os pais gostariam de ter um bebê assim, e todas as crianças querem uma irmã ou um irmão. Agora voaremos até o lago e buscaremos um para cada criança que não cantou a cantiga maldosa nem zombou das cegonhas. As outras crianças não receberão nenhum!

— Mas e aquele que começou a cantar, o menino mau e horrível? — gritaram as jovens cegonhas. — O que faremos com ele?

— Há no lago um bebezinho morto; ele morreu de tanto sonhar. Vamos levá-lo para aquele menino: assim terá de chorar porque lhe trouxemos um irmãozinho morto. Mas o menino bom, vocês não esqueceram dele, aquele que disse: “É maldade zombar dos animais!” Para ele levaremos um irmão e uma irmã. E, como aquele menino se chamava Peter, vocês todos também se chamarão Peter!

E aconteceu o que ela disse. Todas as cegonhas passaram a se chamar Peter, e ainda hoje são chamadas assim.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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