# As três fiandeiras

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/as-tres-fiandeiras)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: c27da787-8a02-484b-b2af-52e0dd784e85
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Uma moça que não quer fiar é levada ao castelo depois que sua mãe diz à rainha que ela não consegue parar de trabalhar. Diante de três aposentos cheios de linho e da promessa de casamento com o príncipe, ela não sabe como cumprir a tarefa. Três mulheres de aparência singular lhe oferecem ajuda, mas exigem um convite para a festa e reconhecimento como suas primas.

## Conto integral

Era uma vez uma moça preguiçosa que não queria fiar. A mãe podia dizer o que quisesse: não conseguia fazê-la trabalhar. Por fim, certa vez a mãe foi tomada de raiva e impaciência e bateu nela, que começou a chorar alto. Justamente naquele momento, a rainha passava por ali. Ao ouvir o choro, mandou parar, entrou na casa e perguntou à mãe por que batia na filha a ponto de se ouvirem os gritos na rua. A mulher ficou com vergonha de revelar a preguiça da filha e disse: — Não consigo fazê-la parar de fiar. Ela quer fiar sem parar, e eu sou pobre e não consigo arranjar o linho. A rainha respondeu: — Não há som de que eu goste mais do que o da fiação, e nada me alegra tanto quanto o zumbido das rodas. Deixai vossa filha vir comigo ao castelo. Tenho linho suficiente: lá ela poderá fiar quanto quiser. A mãe concordou de todo o coração, e a rainha levou a moça consigo. Quando chegaram ao castelo, conduziu-a a três aposentos cheios, de cima a baixo, do mais belo linho. — Agora fia este linho para mim — disse ela. — Se conseguires terminar, terás meu filho mais velho por marido. Ainda que sejas pobre, não me importo: tua diligência incansável é dote suficiente. A moça ficou apavorada por dentro, pois não conseguiria fiar aquele linho nem que vivesse trezentos anos e passasse todos os dias, da manhã à noite, sentada trabalhando. Quando ficou sozinha, começou a chorar e assim passou três dias, sem mover uma mão. No terceiro dia, a rainha veio e se admirou ao ver que nada havia sido fiado. A moça, porém, desculpou-se dizendo que ainda não conseguira começar, de tão triste que estava por ter sido afastada da casa da mãe. A rainha aceitou a desculpa, mas, ao sair, disse: — Amanhã terás de começar a trabalhar para mim.

Quando a moça ficou sozinha de novo, já não sabia o que fazer nem a quem recorrer. Em sua aflição, foi até a janela. Viu então três mulheres se aproximarem. A primeira tinha um pé largo e achatado; a segunda, um lábio inferior tão grande que pendia para além do queixo; e a terceira, um polegar largo. Elas pararam diante da janela, olharam para cima e perguntaram à moça o que lhe faltava. Ela lhes contou sua desgraça, e elas ofereceram ajuda, dizendo: — Se nos convidares para o casamento, não te envergonhares de nós, nos chamares de tuas primas e nos sentares à tua mesa, fiaremos o linho para ti, e em pouco tempo. — De todo o coração! — respondeu ela. — Entrai e começai logo o trabalho. Então deixou entrar as três estranhas mulheres e abriu um espaço no primeiro aposento, onde elas se sentaram e começaram a fiar. Uma puxava o fio e pisava o pedal da roda; a outra umedecia o fio; a terceira o torcia e batia com o dedo na mesa. A cada batida, uma medida de fio caía no chão, e era da fiação mais fina que havia. A moça escondia da rainha as três fiandeiras e, sempre que ela vinha, mostrava-lhe a quantidade de fio já fiado, de modo que a rainha não se cansava de elogiá-la. Quando o primeiro aposento ficou vazio, passaram ao segundo e, por fim, ao terceiro, que também logo ficou desocupado. As três mulheres então se despediram e disseram à moça: — Não te esqueças do que nos prometeste. Será a tua felicidade.

Quando a moça mostrou à rainha os aposentos vazios e o grande monte de fio, ela preparou o casamento. O noivo se alegrou por receber uma esposa tão habilidosa e trabalhadora e a elogiou muito. — Tenho três primas — disse a moça. — Como elas me fizeram muito bem, eu não gostaria de esquecê-las em minha felicidade. Permiti que as convide para o casamento e que se sentem à nossa mesa. A rainha e o noivo disseram: — Por que não permitiríamos? Quando a festa começou, as três donzelas entraram com trajes estranhos, e a noiva disse: — Bem-vindas, queridas primas! — Ah! — disse o noivo. — Como foste arranjar parentes tão feias? Então se aproximou daquela que tinha o pé largo e achatado e perguntou: — Por que tendes esse pé tão largo? — De pisar o pedal — respondeu ela. — De pisar o pedal. O noivo foi até a segunda e disse: — Por que tendes esse lábio pendurado? — De lamber — respondeu ela. — De lamber. Perguntou então à terceira: — Por que tendes esse polegar largo? — De torcer o fio — respondeu ela. — De torcer o fio. O príncipe se assustou e disse: — Então minha bela noiva nunca mais há de tocar numa roda de fiar! Assim ela ficou livre da penosa fiação do linho.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)
- reviewer: Codex · revisão independente por IA

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