# Askeladden, que disputou com o troll quem comia mais

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/askeladden-que-disputou-com-o-troll-quem-comia-mais-moe)
Autoria original: Jørgen Engebretsen Moe
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: c3a1b919-2736-4aaa-9893-f863c73d50c1
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um camponês endividado manda os filhos cortar madeira, mas um troll ameaça quem entra na floresta. No terceiro dia, Askeladden resolve tentar.

## Conto integral

# Askeladden, que disputou com o troll quem comia mais

Era uma vez um camponês que tinha três filhos. Era pobre, velho e fraco, e os filhos não queriam fazer coisa alguma. À propriedade pertencia uma grande e boa floresta, e o pai queria que os rapazes fossem cortar madeira ali, para ver se conseguiam pagar alguma coisa da dívida.

Depois de muito insistir, conseguiu afinal pô-los nessa tarefa, e o mais velho devia ser o primeiro a sair para cortar madeira. Quando chegou à floresta e começou a dar machadadas numa velha pícea barbuda, veio até ele um troll grande e corpulento.

— Se você cortar madeira na minha floresta, eu o mato! — disse o troll.

Ao ouvir aquilo, o rapaz largou o machado e correu para casa o mais depressa que pôde. Chegou completamente sem fôlego e contou o que lhe acontecera; mas o pai disse que ele tinha coração de lebre. Os trolls nunca o haviam impedido de cortar madeira por medo, quando era jovem, afirmou.

No dia seguinte, devia ir o segundo filho, e com ele aconteceu exatamente a mesma coisa. Mal dera algumas machadadas na pícea, o troll também veio até ele e disse:

— Se você cortar madeira na minha floresta, eu o mato!

O rapaz mal se atreveu a olhar para ele; largou o machado e deitou a correr como o irmão, talvez ainda mais depressa. Quando voltou para casa, o pai tornou a se zangar e disse que os trolls nunca o haviam assustado quando era jovem.

No terceiro dia, Askeladden quis partir.

— Ah, você! — disseram os dois mais velhos. — Você é que há de acabar o serviço, você que nunca saiu nem pela porta!

Askeladden não respondeu nada; pediu apenas que lhe dessem uma boa provisão de comida para levar. A mãe não tinha leite coalhado para acompanhar a comida e por isso pôs a panela no fogo para coalhar um pouco para ele. Ele recebeu aquilo na mochila e pôs-se a caminho. Mal havia passado algum tempo cortando madeira, o troll também veio até ele e disse:

— Se você cortar madeira na minha floresta, eu o mato!

Mas o rapaz não se demorou: saltou até a mochila para apanhar o queijo e o espremeu com tanta força que o soro esguichou.

— Se você não se calar — disse ao troll —, vou espremê-lo como espremo a água desta pedra branca!

— Não, meu caro, poupe-me! — disse o troll. — Eu o ajudarei a cortar madeira.

Nessas condições, o rapaz o poupou. O troll era hábil em cortar madeira, e conseguiram derrubar e cortar muitas dúzias por dia.

Quando a noite se aproximou, o troll disse:

— Agora você pode ir comigo para casa; a minha fica mais perto que a sua.

O rapaz foi com ele. Quando chegaram à casa do troll, este devia acender o fogo na lareira, enquanto o rapaz iria buscar água para a panela de mingau. Mas havia ali dois baldes de ferro, tão grandes e pesados que ele nem sequer conseguia tirá-los do lugar. Então o rapaz disse:

— Não vale a pena levar estes dedais; vou buscar o poço inteiro.

— Não, meu querido amigo! — disse o troll. — Não posso ficar sem o meu poço; acenda você o fogo, que eu vou buscar água.

Quando ele voltou com a água, cozinharam uma enorme panela de mingau.

— Tanto faz — disse o rapaz. — Se você quiser, como eu quero, vamos disputar quem come mais?

— Ah, sim! — respondeu o troll, pois achava que sempre se sairia bem naquilo.

Sentaram-se à mesa, mas o rapaz pegou sem ser notado a mochila de couro, amarrou-a à sua frente e serviu mais comida dentro dela do que comeu. Quando a mochila ficou cheia, tirou sua faca e fez um rasgo nela. O troll olhou para ele, mas não disse nada. Depois de continuarem a comer por um bom tempo, o troll largou a colher.

— Não, agora não aguento mais! — disse.

— Você tem de comer! — respondeu o rapaz. — Eu ainda nem estou meio satisfeito. Faça como eu fiz e abra um buraco na barriga; assim poderá comer quanto quiser.

— Mas isso não dói horrivelmente? — perguntou o troll.

— Ah, nada que mereça ser mencionado — respondeu o rapaz.

O troll fez o que o rapaz disse, e bem se pode imaginar que perdeu a vida. Mas o rapaz apanhou toda a prata e todo o ouro que havia no monte e foi para casa com aquilo. Com isso, podia muito bem pagar alguma coisa da dívida.


## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)

Publicado por Bons Filhos Educação. Consulte a página canônica para fontes, ilustrações e PDF.
