# Capuz de Juncos

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/capuz-de-juncos-joseph-jacobs)
Autoria original: Joseph Jacobs
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: f9d3658a-3b0d-4b50-a9b2-69b6696419f7
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um senhor rico pergunta a suas três filhas quanto o amam. Expulsa a terceira ao ouvir que ela o ama como a carne fresca ama o sal. A moça cobre suas belas roupas com juncos e procura trabalho numa casa grande.

## Conto integral

Pois bem, era uma vez um senhor muito rico, e ele tinha três filhas, e resolveu descobrir o quanto elas gostavam dele. Então disse à primeira:

— Quanto você me ama, minha querida?

— Ora — disse ela —, tanto quanto amo minha vida.

— Isso é bom — disse ele.

Então disse à segunda:

— E *você*, quanto me ama, minha querida?

— Ora — disse ela —, mais que ao mundo inteiro.

— Isso é bom — disse ele.

Então disse à terceira:

— E *você*, quanto me ama, minha querida?

— Ora, amo o senhor como a carne fresca ama o sal — disse ela.

Pois bem, mas ele ficou zangado.

— Você não me ama nem um pouco — disse ele —, e na minha casa não fica mais.

Então a expulsou ali mesmo, naquele instante, e bateu a porta na cara dela.

Pois bem, ela foi andando, andando, até chegar a um pântano. Ali juntou muitos juncos e fez com eles uma espécie, assim, de capa com capuz, para se cobrir da cabeça aos pés e esconder suas belas roupas. Depois continuou andando, andando, até chegar a uma casa grande.

— Precisam de uma criada? — disse ela.

— Não, não precisamos — disseram eles.

— Não tenho lugar nenhum para ir — disse ela —, e não peço salário e faço qualquer tipo de trabalho — disse ela.

— Bem — disseram eles —, se quiser lavar as panelas e raspar as caçarolas, pode ficar — disseram eles.

Então ela ficou ali, lavando as panelas, raspando as caçarolas e fazendo todo o trabalho sujo. E, como não disse seu nome, chamaram-na de “Capuz de Juncos”.

Pois bem, um dia ia haver um grande baile um pouco adiante, e os criados tiveram permissão para ir ver a gente importante. Capuz de Juncos disse que estava cansada demais para ir, e por isso ficou em casa.

Mas, quando eles saíram, ela tirou a capa de juncos, lavou-se e foi ao baile. E ninguém ali estava tão bem vestido quanto ela.

Pois bem, quem havia de estar lá senão o filho de seu patrão? E o que havia ele de fazer senão se apaixonar por ela no instante em que a viu? Não quis dançar com mais ninguém.

Mas, antes de o baile acabar, Capuz de Juncos saiu de mansinho e foi para casa. E, quando as outras criadas voltaram, ela fingia dormir com sua capa de juncos vestida.

Pois bem, na manhã seguinte, disseram a ela:

— Você perdeu uma coisa e tanto, Capuz de Juncos!

— O que foi? — disse ela.

— Ora, a dama mais linda que já se viu, vestida com todo o luxo e esplendor. O jovem patrão não tirava os olhos dela.

— Bem, eu gostaria de tê-la visto — disse Capuz de Juncos.

— Bem, vai haver outro baile esta noite, e talvez ela esteja lá.

Mas, quando chegou a noite, Capuz de Juncos disse que estava cansada demais para ir com elas. No entanto, quando saíram, ela tirou a capa de juncos, lavou-se e foi ao baile.

O filho do patrão contava com vê-la, e não dançou com mais ninguém e não tirou os olhos dela. Mas, antes de o baile terminar, ela saiu de mansinho e foi para casa. E, quando as criadas voltaram, ela fingiu dormir com sua capa de juncos vestida.

No dia seguinte, disseram a ela de novo:

— Bem, Capuz de Juncos, você devia ter ido ver a dama. Lá estava ela outra vez, com todo o luxo e esplendor, e o jovem patrão não tirava os olhos dela.

— Pois é — disse ela —, eu gostaria de tê-la visto.

— Bem — disseram elas —, vai haver outro baile esta noite, e você tem de ir conosco, porque ela com certeza estará lá.

Pois bem, quando chegou essa noite, Capuz de Juncos disse que estava cansada demais para ir, e, por mais que fizessem, ficou em casa. Mas, quando saíram, ela tirou a capa de juncos, lavou-se e foi ao baile.

O filho do patrão ficou muito contente quando a viu. Dançou só com ela e não tirou os olhos dela. Como ela não quis lhe dizer seu nome nem de onde vinha, ele lhe deu um anel e disse que morreria se não a visse outra vez.

Pois bem, antes de o baile acabar, ela saiu de mansinho e foi para casa. E, quando as criadas chegaram, ela fingia dormir com sua capa de juncos vestida.

Pois bem, no dia seguinte, disseram a ela:

— Está vendo, Capuz de Juncos? Você não foi ontem à noite e agora não vai ver a dama, porque não haverá mais bailes.

— Bem, eu teria gostado muito de vê-la — disse ela.

O filho do patrão tentou de todas as maneiras descobrir para onde a dama tinha ido, mas, aonde quer que fosse e a quem quer que perguntasse, nunca ouvia notícia alguma dela. E foi piorando, piorando de amor por ela, até ter de ficar de cama.

— Faça um pouco de mingau ralo para o jovem patrão — disseram à cozinheira. — Ele está morrendo de amor pela dama.

A cozinheira começou a fazê-lo quando Capuz de Juncos entrou.

— O que está fazendo? — disse ela.

— Vou fazer um pouco de mingau ralo para o jovem patrão — disse a cozinheira —, porque ele está morrendo de amor pela dama.

— Deixe que eu faça — disse Capuz de Juncos.

Pois bem, a cozinheira não quis a princípio, mas por fim disse que sim, e Capuz de Juncos fez o mingau. E, quando terminou, pôs o anel dentro dele às escondidas, antes de a cozinheira levá-lo para cima.

O rapaz bebeu o mingau e então viu o anel no fundo.

— Mandem chamar a cozinheira — disse ele.

E lá veio ela escada acima.

— Quem fez este mingau aqui? — disse ele.

— Fui eu — disse a cozinheira, porque estava com medo.

E ele olhou para ela.

— Não, não foi — disse ele. — Diga quem fez, e ninguém lhe fará mal.

— Bem, então, foi Capuz de Juncos — disse ela.

— Mandem Capuz de Juncos vir aqui — disse ele.

Então Capuz de Juncos veio.

— Foi você quem fez meu mingau? — disse ele.

— Sim, fui eu — disse ela.

— Onde conseguiu este anel? — disse ele.

— Com quem o deu a mim — disse ela.

— Quem é você, então? — disse o rapaz.

— Vou lhe mostrar — disse ela.

E tirou a capa de juncos, e ali estava ela com suas belas roupas.

Pois bem, o filho do patrão ficou bom muito depressa, e eles iam se casar dali a pouco. Seria um casamento muito grandioso, e convidaram todo mundo, de perto e de longe. E o pai de Capuz de Juncos foi convidado. Mas ela não disse a ninguém quem era.

Antes do casamento, porém, foi até a cozinheira e disse:

— Quero que prepare todos os pratos sem nem um pouquinho de sal.

— Vai ficar muito ruim — disse a cozinheira.

— Isso não tem importância — disse ela.

— Muito bem — disse a cozinheira.

Pois bem, chegou o dia do casamento, e eles se casaram. E, depois do casamento, todos os convidados se sentaram para jantar. Quando começaram a comer a carne, estava tão sem gosto que não conseguiam comê-la. Mas o pai de Capuz de Juncos experimentou primeiro um prato, depois outro, e então caiu no choro.

— O que houve? — perguntou-lhe o filho do patrão.

— Oh! — disse ele. — Eu tinha uma filha. E perguntei a ela quanto me amava. E ela disse: “Tanto quanto a carne fresca ama o sal.” E eu a pus para fora de casa, porque achei que ela não me amava. E agora vejo que ela me amava mais que todas. E pode até estar morta, pelo que sei.

— Não, pai, aqui está ela! — disse Capuz de Juncos.

E foi até ele e o abraçou.

E assim todos viveram felizes para sempre.


## Créditos

- translator: Codex · tradução integral por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)

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