# O anjo

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-anjo)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 0b6ec165-365f-40d0-9981-2d2e2e301466
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um anjo de Deus leva uma criança morta para o Céu e recolhe flores dos lugares de que ela gostava. Entre jardins e uma rua estreita da cidade, encontram plantas desprezadas e uma flor do campo murcha, jogada fora com seu torrão. Durante o voo, o anjo conta à criança a história dessa flor.

## Conto integral

— Toda vez que uma criança boa morre, um anjo de Deus desce à Terra, toma a criança morta nos braços, abre as grandes asas brancas, voa sobre todos os lugares de que a criança gostava e colhe um grande punhado de flores, que leva para Deus, para que lá floresçam ainda mais belas do que na Terra. O bom Deus aperta todas as flores contra o coração, mas dá um beijo na flor que lhe é mais querida; então ela ganha voz e pode cantar junto na grande bem-aventurança.

Tudo isso contava um anjo de Deus enquanto levava uma criança morta para o Céu, e a criança ouvia como em sonhos. Voavam sobre os lugares de sua casa onde a pequena havia brincado e passavam por jardins com belas flores.

— Quais vamos levar agora para plantar no Céu? — perguntou o anjo.

Ali havia uma roseira esguia e abençoada, mas uma mão maldosa lhe quebrara o tronco, de modo que todos os ramos, cheios de grandes botões entreabertos, pendiam murchos ao redor.

— Pobre árvore! — disse a criança. — Leve-a, para que possa florescer lá em cima, junto de Deus!

O anjo a levou e beijou a criança por isso, e a pequena entreabriu os olhos. Colheram flores esplêndidas e exuberantes, mas levaram também a desprezada calêndula e o amor-perfeito silvestre.

— Agora temos flores! — disse a criança, e o anjo assentiu com a cabeça, mas ainda não subiram em direção a Deus. Era noite, tudo estava muito quieto; permaneceram na grande cidade e pairaram por uma das ruas mais estreitas, onde havia montes de palha, cinzas e tralhas. Tinha sido dia de mudança; havia pedaços de pratos, fragmentos de gesso, trapos e velhas copas de chapéus, tudo o que não tinha boa aparência.

Em meio àquela desordem, o anjo apontou para alguns cacos de um vaso e um torrão de terra que caíra dele e se mantinha unido pelas raízes de uma grande flor do campo, murcha, que já não servia para nada e por isso fora jogada na rua.

— Vamos levar esta! — disse o anjo. — Vou lhe contar enquanto voamos!

E voaram, e o anjo contou:

— Lá embaixo, naquela rua estreita, no porão baixo, morava um menino pobre e doente. Desde muito pequeno, sempre estivera preso à cama; quando estava melhor, conseguia percorrer o quartinho umas duas vezes, para lá e para cá, de muletas. Era tudo. Em alguns dias de verão, os raios de sol entravam por cerca de meia hora no vestíbulo do porão. Quando o menino se sentava ali, deixava o sol quente brilhar sobre ele e via o sangue vermelho através dos dedos delicados, que erguia diante do rosto, diziam: “Sim, hoje ele saiu!” Só conhecia a floresta com seu belo verde primaveril porque o filho do vizinho lhe trazia o primeiro ramo de faia; ele o segurava sobre a cabeça e sonhava que estava debaixo das faias, onde o sol brilhava e os pássaros cantavam. Um dia de primavera, o menino do vizinho lhe trouxe também flores do campo e, por acaso, entre elas havia uma com raiz. Por isso, plantaram-na num vaso e a puseram na janela, perto da cama. A flor fora plantada por uma mão feliz: cresceu, deu novos brotos e florescia todos os anos. Tornou-se o mais belo jardim do menino doente, seu pequeno tesouro nesta Terra. Ele a regava, cuidava dela e se certificava de que recebesse cada raio de sol, até o último que deslizava pela janela baixa. A própria flor crescia dentro de seus sonhos, pois era para ele que florescia, espalhava seu perfume e alegrava os olhos; para ela se voltou ao morrer, quando Nosso Senhor o chamou. Faz agora um ano que ele está com Deus; faz um ano que a flor ficou esquecida na janela e murchou, e por isso, na mudança, foi jogada com o lixo na rua. É essa flor, essa pobre flor murcha, que levamos no buquê, pois ela deu mais alegria do que a mais esplêndida flor do jardim de uma rainha.

— Mas como você sabe tudo isso? — perguntou a criança que o anjo levava para o Céu.

— Eu sei! — disse o anjo. — Eu mesmo era o menininho doente que andava de muletas! Conheço muito bem a minha flor!

A criança abriu os olhos por completo e olhou para o rosto belo e alegre do anjo. No mesmo instante, estavam no Céu de Deus, onde havia alegria e bem-aventurança. Deus apertou a criança morta contra o coração, e ela ganhou asas como o outro anjo e voou de mãos dadas com ele. Deus apertou todas as flores contra o coração, mas beijou a pobre flor do campo, murcha, e ela ganhou voz e cantou com todos os anjos que pairavam em torno de Deus: alguns bem perto, outros em grandes círculos ao redor deles, sempre mais longe, no infinito, mas todos igualmente felizes. Todos cantavam, pequenos e grandes, a criança boa e abençoada e a pobre flor do campo que estivera murcha, jogada no lixo, entre as tralhas do dia de mudança, na rua estreita e escura.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)
- reviewer: Codex · revisão independente por IA

Publicado por Bons Filhos Educação. Consulte a página canônica para fontes, ilustrações e PDF.
