# O bom negócio

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-bom-negocio)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 9ccb1b45-d4df-431e-8204-a64d46894c9a
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um camponês perde o pagamento de sua vaca ao discutir com rãs e depois entrega carne a uma matilha, esperando receber dos cães. Ao procurar justiça junto ao rei, faz a princesa rir e entende de modo inesperado a recompensa que lhe é prometida.

## Conto integral

Um camponês levou sua vaca ao mercado e a vendeu por sete táleres. No caminho de volta para casa, teve de passar por uma lagoa. Já de longe ouviu as rãs coaxando:

— Ac, ac, ac, ac!

— É — disse consigo —, elas também estão falando à toa. Foram sete que recebi, não oito.

Quando chegou perto da água, gritou para elas:

— Suas bichas burras! Não sabem contar? São sete táleres, e não oito!

Mas as rãs continuaram:

— Ac, ac, ac, ac!

— Ora, se não querem acreditar, posso contar para vocês.

Tirou o dinheiro do bolso e contou os sete táleres, vinte e quatro groschen para cada um. As rãs, porém, não deram atenção à sua conta e tornaram a gritar:

— Ac, ac, ac, ac!

— Muito bem! — gritou o camponês, furioso. — Se querem saber mais do que eu, contem vocês mesmas!

E jogou todo o dinheiro na água. Ficou ali, esperando que terminassem e lhe trouxessem de volta o que era seu. Mas as rãs persistiam em sua teimosia, gritavam sem parar “ac, ac, ac, ac!” e não devolviam o dinheiro. Ele ainda esperou um bom tempo, até anoitecer e precisar voltar para casa. Então xingou as rãs:

— Suas patinhadoras de água, suas cabeças-duras, suas zoiudas! Têm uma boca enorme e sabem gritar até doerem os ouvidos da gente, mas não sabem contar sete táleres! Acham que vou ficar aqui esperando vocês terminarem?

Foi embora, mas as rãs continuaram gritando “ac, ac, ac, ac!” atrás dele, de modo que chegou em casa muito aborrecido.

Passado algum tempo, conseguiu outra vaca. Matou-a e fez suas contas: se vendesse bem a carne, poderia receber o valor das duas vacas e ainda ficar com o couro. Quando chegou à cidade com a carne, havia uma matilha de cães reunida diante do portão. À frente vinha um grande galgo, que saltava ao redor da carne, farejava e latia:

— Quê, quê, quê, quê!

Como o cachorro não queria parar, o camponês lhe disse:

— Sim, entendo bem. Você fica dizendo “quê, quê” porque quer alguma coisa dessa carne. Mas eu me daria bem mal se fosse entregá-la a você.

O cachorro só respondia:

— Quê, quê!

— Você promete não devorá-la e se responsabiliza por esses seus companheiros?

— Quê, quê! — disse o cachorro.

— Ora, se você insiste, vou deixá-la com você. Eu o conheço muito bem e sei a quem serve. Mas aviso: daqui a três dias quero meu dinheiro, senão você se dará mal. Pode levá-lo até minha casa.

Descarregou a carne e voltou para casa. Os cães se lançaram sobre ela, latindo bem alto:

— Quê, quê!

O camponês ouviu de longe e disse consigo:

— Escute só! Agora todos estão pedindo alguma coisa, mas o grandão é quem vai responder por isso.

Passados três dias, o camponês pensou: “Hoje à noite terei meu dinheiro no bolso”, e ficou muito contente. Mas ninguém aparecia para pagar.

— Não se pode mais confiar em ninguém — disse ele.

Por fim, perdeu a paciência e foi à cidade cobrar o dinheiro do açougueiro. O homem pensou que fosse brincadeira, mas o camponês disse:

— Deixe de brincadeira! Quero meu dinheiro. O cachorro grande não trouxe para sua casa a vaca inteira, abatida, há três dias?

O açougueiro ficou furioso, pegou um cabo de vassoura e o expulsou.

— Espere! — disse o camponês. — Ainda existe justiça no mundo!

Foi ao castelo real e pediu para ser ouvido. Levaram-no à presença do rei, que estava sentado com a filha e perguntou que mal lhe acontecera.

— Ah — disse ele —, as rãs e os cachorros tiraram o que era meu, e o açougueiro me pagou com o pau!

Contou demoradamente como tudo acontecera. A princesa começou a rir bem alto, e o rei lhe disse:

— Não posso lhe dar razão neste caso, mas, em compensação, você terá minha filha por esposa. Ela nunca riu em toda a vida, até agora rir de você, e eu a prometi a quem a fizesse rir. Pode agradecer a Deus por sua sorte.

— Ah — respondeu o camponês —, não quero essa moça, de jeito nenhum. Em casa só tenho uma mulher, e ela já é demais para mim. Quando chego, tenho a impressão de que há uma em cada canto.

O rei ficou zangado e disse:

— Você é um grosseirão!

— Ah, senhor rei — respondeu o camponês —, o que mais se pode esperar de um boi, senão carne de boi?

— Espere! — retrucou o rei. — Você terá outra recompensa. Agora suma daqui, mas volte em três dias, e lhe serão contados quinhentos, um por um.

Quando o camponês saiu pela porta, a sentinela lhe disse:

— Você fez a princesa rir. Deve ter recebido uma bela recompensa.

— Sim, é o que acho — respondeu o camponês. — Vão me pagar quinhentos.

— Escute — disse o soldado —, dê uma parte para mim. O que vai fazer com tanto dinheiro?

— Já que é você — disse o camponês —, pode ficar com duzentos. Apresente-se ao rei daqui a três dias, e mande que lhe contem tudo.

Um judeu que estava por perto ouvira a conversa. Correu atrás do camponês, segurou-o pelo casaco e disse:

— Milagre de Deus! Que homem de sorte o senhor é! Eu troco isso para o senhor, transformo tudo em moedas miúdas. O que quer fazer com aqueles táleres duros?

— Seu judeu — disse o camponês —, ainda pode ficar com trezentos. Dê-me agora o valor em moedas, e daqui a três dias o rei lhe pagará por elas.

O judeu ficou contente com o pequeno lucro e trouxe a quantia em groschen de pouco valor, dos quais três valiam tanto quanto dois dos bons. Passados os três dias, o camponês se apresentou ao rei, conforme a ordem recebida.

— Tirem-lhe o casaco — disse o rei. — Ele receberá seus quinhentos.

— Ah — disse o camponês —, já não me pertencem. Dei duzentos de presente à sentinela, e o judeu trocou os outros trezentos por moedas. Pela lei, não me cabe mais nada.

Nisso entraram o soldado e o judeu. Exigiram a parte que haviam obtido do camponês e receberam, na medida certa, os golpes que lhes cabiam. O soldado suportou tudo com paciência, pois já conhecia o gosto daquilo. O judeu, porém, se lamentava:

— Ai de mim! São estes os táleres duros?

O rei não pôde deixar de rir do camponês. Como toda a raiva passara, disse:

— Você perdeu sua recompensa antes mesmo de recebê-la. Por isso, vou lhe dar uma compensação. Vá à minha câmara do tesouro e pegue quanto dinheiro quiser.

O camponês não esperou que lhe dissessem duas vezes. Encheu os bolsos largos com tudo o que coube neles. Depois foi à estalagem e contou seu dinheiro. O judeu o seguira às escondidas e ouviu quando ele resmungava sozinho:

— Agora esse patife de rei me enganou mesmo! Não podia ter me dado o dinheiro com as próprias mãos? Assim eu saberia quanto tinha. Como vou saber agora se está certa a quantia que enfiei no bolso ao acaso?

“Deus me livre!”, pensou o judeu. “Ele está falando com desrespeito de nosso senhor. Vou correndo denunciá-lo. Assim receberei uma recompensa, e ele ainda será castigado.”

Quando soube do que o camponês dissera, o rei se enfureceu e mandou o judeu ir buscar o pecador. O judeu correu até o camponês:

— O senhor deve ir imediatamente à presença do rei, assim como está!

— Sei melhor o que é apropriado — respondeu o camponês. — Primeiro vou mandar fazer um casaco novo. Você acha que um homem com tanto dinheiro no bolso deve ir até lá com esse casaco velho e esfarrapado?

O judeu percebeu que não conseguiria levá-lo sem outro casaco. Temia que, se a raiva do rei passasse, ele perderia sua recompensa e o camponês escaparia do castigo. Então disse:

— Vou lhe emprestar um belo casaco por esse breve tempo, por pura amizade. O que não faz um homem por amor!

O camponês aceitou, vestiu o casaco do judeu e partiu com ele. O rei o repreendeu pelas palavras ofensivas que o judeu lhe contara.

— Ah — disse o camponês —, o que um judeu diz é sempre mentira. Não sai de sua boca uma palavra verdadeira. Esse sujeito é capaz de afirmar que estou usando o casaco dele.

— O que é isso? — gritou o judeu. — O casaco não é meu? Não o emprestei por pura amizade, para que o senhor pudesse comparecer diante do rei?

Quando ouviu isso, o rei disse:

— Uma coisa é certa: o judeu enganou um de nós, a mim ou ao camponês.

E mandou que lhe pagassem mais um pouco em táleres duros. O camponês voltou para casa com o bom casaco e o bom dinheiro no bolso, dizendo:

— Desta vez, acertei!

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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