# O gigante e o alfaiate

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-gigante-e-o-alfaiate)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 7575411c-50ff-44f4-9660-db406ccfad57
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um alfaiate fanfarrão encontra na floresta um gigante que o contrata. Suas respostas exageradas às ordens fazem o gigante desconfiar de seus poderes.

## Conto integral

Um alfaiate, que era muito fanfarrão, mas mau pagador, teve a ideia de sair um pouco e dar uma olhada pela floresta. Assim que pôde, deixou sua oficina,

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seguiu por seu caminho,
por pontes e passagens,
ora aqui, ora ali,
sempre adiante, sempre adiante.
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Quando já estava lá fora, avistou, na distância azulada, uma montanha íngreme e, atrás dela, uma torre alta até o céu, que se erguia de uma floresta selvagem e escura.

— Raios e trovões! — exclamou o alfaiate. — O que é aquilo?

E, como a curiosidade o espicaçava fortemente, foi decidido naquela direção. Mas como arregalou os olhos e abriu a boca quando chegou perto! Pois a torre tinha pernas, saltou por cima da montanha íngreme de uma só vez e se pôs diante dele como um gigante enorme e poderoso.

— O que quer aqui, sua minúscula perna de mosca? — gritou o gigante com uma voz que parecia trovejar de todos os lados.

O alfaiate sussurrou:

— Quero ver se consigo ganhar meu pedacinho de pão nesta floresta.

— Se é esse o caso — disse o gigante —, você pode entrar para o meu serviço.

— Se tem de ser, por que não? Mas que salário vou receber?

— Que salário vai receber? — disse o gigante. — Pois escute: por ano, trezentos e sessenta e cinco dias; e, se for ano bissexto, mais um por cima. Está bom para você?

— Por mim, está — respondeu o alfaiate, pensando consigo: “É preciso se esticar conforme o cobertor. Logo vou procurar me livrar disso outra vez.”

Então o gigante lhe disse:

— Vá, seu patifezinho, e traga uma jarra de água para mim.

— Por que não logo o poço com a nascente e tudo? — perguntou o fanfarrão, e foi com a jarra buscar água.

— O quê? O poço com a nascente e tudo? — resmungou o gigante para dentro da barba, pois era um tanto desajeitado e tolo, e começou a sentir medo. — Esse sujeito sabe fazer mais do que assar maçãs: tem uma mandrágora no corpo. Cuidado, velho Hans, este não é criado para você.

Depois que o alfaiate trouxe a água, o gigante mandou que ele cortasse algumas achas de lenha na floresta e as trouxesse para casa.

— Por que não a floresta inteira de um só golpe,

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a floresta inteira,
com as novas e as velhas,
com tudo o que ela tem,
retorcido e liso?
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— perguntou o alfaiatezinho e foi cortar a lenha.

— O quê?

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A floresta inteira,
com as novas e as velhas,
com tudo o que ela tem,
retorcido e liso?
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— E o poço com a nascente e tudo? — resmungou o crédulo gigante para dentro da barba, ficando ainda mais assustado. — Esse sujeito sabe fazer mais do que assar maçãs, tem uma mandrágora no corpo. Cuidado, velho Hans, este não é criado para você.

Quando o alfaiate trouxe a lenha, o gigante mandou que ele abatesse a tiros dois ou três porcos selvagens para o jantar.

— Por que não logo mil com um só tiro e todos aqui para dentro? — perguntou o alfaiate arrogante.

— O quê? — exclamou o gigante covarde, terrivelmente assustado. — Por hoje basta; vá dormir.

O gigante sentiu tanto medo que não conseguiu pregar os olhos a noite inteira, pensando de um lado para outro no que fazer para se livrar o mais depressa possível daquele maldito feiticeiro de criado. Com o tempo vem o conselho. Na manhã seguinte, o gigante e o alfaiate foram a um pântano rodeado por muitos salgueiros. Então o gigante disse:

— Escute, alfaiate, sente-se num desses ramos de salgueiro; eu daria tudo para ver se você é capaz de vergá-lo para baixo.

Num instante, o alfaiatezinho estava lá em cima, prendia a respiração e se fazia pesado, tão pesado que o ramo se vergou. Mas, quando precisou respirar de novo, o ramo o lançou — pois, para sua desgraça, ele não tinha posto um ferro de passar no bolso — tão alto que já não se podia vê-lo, para grande alegria do gigante.

Se ele não caiu de volta, deve estar até hoje flutuando lá em cima, no ar.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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