# O guardador de porcos

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-guardador-de-porcos)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 5e64cfcf-ff89-4ca6-9f98-ec0e89ea5db0
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um príncipe pobre deseja casar-se com a filha do imperador e lhe envia uma rosa e um rouxinol. Depois de ser rejeitado, entra disfarçado no palácio como guardador de porcos e fabrica objetos musicais que atraem a princesa.

## Conto integral

Era uma vez um príncipe pobre. Seu reino era bem pequeno, mas ainda assim grande o suficiente para lhe permitir casar, e casar era o que ele queria.

Era mesmo muita ousadia ter coragem de dizer à filha do imperador: “Quer se casar comigo?” Mas ele tinha essa coragem, pois seu nome era famoso por toda parte. Havia cem princesas que teriam aceitado agradecidas; mas vamos ver se ela aceitou.

Agora vamos ouvir:

No túmulo do pai do príncipe crescia uma roseira — ah, que linda roseira! Só dava flor a cada cinco anos, e uma única flor. Mas era uma rosa de perfume tão doce que bastava cheirá-la para esquecer todas as tristezas e preocupações. Ele também tinha um rouxinol que cantava como se todas as belas melodias coubessem em sua pequena garganta. A princesa receberia aquela rosa e aquele rouxinol. Por isso os dois foram colocados em grandes estojos de prata e enviados a ela.

O imperador mandou que os levassem à sua frente até o grande salão, onde a princesa brincava de “receber visitas” com suas damas de companhia. Quando viu os grandes estojos com os presentes, bateu palmas de alegria.

— Tomara que seja um gatinho! — disse ela.

Mas de um deles saiu a roseira com a linda rosa.

— Nossa, como foi bem-feita! — disseram todas as damas.

— É mais que bem-feita! — disse o imperador. — É bonita!

Mas a princesa tocou nela e esteve a ponto de chorar.

— Que horror, papai! — disse. — Não é artificial, é de verdade!

— Que horror! — disseram todos os cortesãos. — É de verdade!

— Antes de ficarmos zangados, vamos ver o que há no outro estojo! — propôs o imperador.

O rouxinol apareceu e cantou tão lindamente que, de início, ninguém pôde dizer nada contra ele.

— Superbe! Charmant! — disseram as damas, pois todas falavam francês, uma pior que a outra.

— Como esse pássaro me lembra a caixinha de música da falecida imperatriz! — disse um velho cavalheiro. — Ah, sim! É exatamente o mesmo tom, a mesma execução!

— Sim! — disse o imperador, e chorou como uma criancinha.

— Espero que não seja de verdade! — disse a princesa.

— Sim, é um pássaro de verdade! — responderam os que o tinham trazido.

— Então deixem esse pássaro voar! — disse a princesa.

E não quis, de modo algum, permitir que o príncipe viesse.

Ele, porém, não se deixou abater. Esfregou o rosto com tinta marrom e preta, enterrou o boné na cabeça e bateu à porta.

— Bom dia, imperador! — disse. — Será que eu poderia conseguir trabalho aqui no palácio?

— Certamente! — respondeu o imperador. — Preciso de alguém que cuide dos porcos, porque temos muitos!

Assim o príncipe foi contratado como guardador de porcos imperial. Deram-lhe um quartinho miserável junto à pocilga, e ali teve de ficar. Mas passou o dia inteiro trabalhando, e ao anoitecer tinha feito uma linda panelinha com guizos em toda a volta. Assim que a panela fervia, eles tocavam lindamente a velha melodia:

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Ah, meu querido Augustin,
Tudo se foi, se foi, se foi!
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Mas o mais engenhoso era que, ao pôr o dedo no vapor da panela, a pessoa podia sentir imediatamente pelo cheiro que comida estava sendo preparada em cada chaminé da cidade. Aquilo, sim, era bem diferente daquela rosa!

A princesa vinha passeando com todas as damas. Ao ouvir a melodia, parou e ficou muito contente, porque também sabia tocar “Ah, meu querido Augustin”. Era a única música que sabia, mas a tocava com um dedo só.

— É a que eu sei tocar! — disse ela. — Então deve ser um guardador de porcos instruído! Escute, vá até lá perguntar quanto custa esse instrumento!

Uma das damas teve de ir, mas antes calçou tamancos.

— O que você quer por essa panela? — perguntou a dama.

— Quero dez beijos da princesa! — disse o guardador de porcos.

— Deus nos acuda! — disse a dama.

— Sim, por menos não pode ser! — respondeu ele.

— Mas que atrevido! — disse a princesa, e foi embora.

Mas, depois de andar um pouco, os guizos soaram tão lindamente:

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Ah, meu querido Augustin,
Tudo se foi, se foi, se foi!
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— Escute — disse a princesa —, pergunte se ele aceita dez beijos de minhas damas!

— Não, obrigado! — disse o guardador de porcos. — Dez beijos da princesa, ou fico com a panela.

— Que coisa aborrecida! — disse a princesa. — Mas então vocês precisam ficar na minha frente, para que ninguém veja!

As damas se puseram diante dela, abriram bem os vestidos, e o guardador de porcos recebeu os dez beijos, enquanto ela recebeu a panela.

Que diversão! A panela teve de ferver a noite inteira e o dia inteiro. Não havia uma chaminé na cidade cuja comida elas não conhecessem, tanto na casa do camareiro quanto na do sapateiro. As damas dançavam e batiam palmas.

— Sabemos quem vai comer sopa doce e panquecas! Sabemos quem vai comer mingau e costeleta! Como é interessante!

— Sim, mas calem a boca, porque sou a filha do imperador!

— Deus nos livre! — disseram todas.

O guardador de porcos, isto é, o príncipe — mas elas só sabiam que ele era um guardador de porcos de verdade —, não deixava os dias passarem sem trabalhar. Fez então uma matraca que, quando girada, tocava todas as valsas e hopsas conhecidas desde a criação do mundo.

— Mas isso é soberbo! — disse a princesa ao passar. — Nunca ouvi composição mais bela! Escute, vá até lá perguntar quanto custa esse instrumento; mas eu não dou beijos!

— Ele quer cem beijos da princesa! — disse a dama que fora perguntar.

— Acho que enlouqueceu! — disse a princesa, e foi embora.

Mas, depois de andar um pouco, parou.

— É preciso incentivar a arte! — disse ela. — Sou a filha do imperador! Diga que terá dez beijos, como ontem. O resto pode receber de minhas damas!

— Mas não temos vontade nenhuma! — disseram as damas.

— Isso é conversa! — disse a princesa. — Se eu posso beijá-lo, vocês também podem! Lembrem-se de que lhes dou comida e salário!

As damas tiveram de voltar até ele.

— Cem beijos da princesa — disse o rapaz —, ou cada um fica com o que é seu!

— Fiquem na frente! — disse ela.

Todas as damas se puseram diante dela, e ele começou a beijá-la.

— Que aglomeração é aquela junto da pocilga? — disse o imperador, que saíra à sacada.

Esfregou os olhos e pôs os óculos.

— São as damas de companhia que estão aprontando! Preciso ir até lá!

Ajeitou atrás seus chinelos, pois eram sapatos cujos calcanhares ele tinha amassado de tanto pisar neles.

Nossa, como se apressou!

Assim que chegou ao pátio, passou a andar bem devagar. As damas estavam tão ocupadas contando os beijos, para garantir que tudo fosse honesto, que nem perceberam o imperador. Ele se ergueu na ponta dos pés.

— O que é isso? — disse ao vê-los se beijando.

Bateu na cabeça dos dois com o chinelo, exatamente quando o guardador de porcos recebia o octogésimo sexto beijo.

— Fora! — disse o imperador, pois estava zangado.

E tanto a princesa como o guardador de porcos foram expulsos do império.

Ali estava ela, chorando; o guardador de porcos ralhava, e a chuva caía torrencialmente.

— Ah, como sou desgraçada! — disse a princesa. — Se ao menos eu tivesse aceitado aquele belo príncipe! Ah, como sou infeliz!

O guardador de porcos foi para trás de uma árvore, limpou a tinta preta e marrom do rosto, tirou as roupas feias e apareceu em seus trajes de príncipe, tão belo que a princesa teve de fazer uma reverência.

— Passei a desprezar você! — disse ele. — Você não quis um príncipe honrado! Não soube apreciar a rosa nem o rouxinol, mas foi capaz de beijar o guardador de porcos por uma engenhoca musical! Agora passe muito bem!

Entrou em seu reino e fechou a porta na cara dela. Agora ela bem podia cantar:

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Ah, meu querido Augustin,
Tudo se foi, se foi, se foi!
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## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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