# O Menino que Foi ao Vento Norte Exigir Sua Farinha de Volta

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-menino-que-foi-ao-vento-norte-exigir-sua-farinha-de-volta-asbjornsen)
Autoria original: Peter Christen Asbjørnsen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: afef59ca-f229-49f1-801a-15ddd75fc1bf
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um menino perde a farinha da família três vezes para o Vento Norte e parte para procurá-lo e exigir que a devolva.

## Conto integral

# O Menino que Foi ao Vento Norte Exigir Sua Farinha de Volta

Era uma vez uma mulher idosa que tinha um filho. Como era muito debilitada e frágil, o menino, filho dela, devia ir ao celeiro buscar farinha para o almoço. Mas, quando saiu para a escada do celeiro, o Vento Norte veio soprando, tirou-lhe a farinha e a levou pelos ares. O menino entrou de novo no celeiro para buscar mais; mas, quando saiu para a escada, o Vento Norte voltou soprando e lhe tomou a farinha. E assim aconteceu também pela terceira vez. O menino ficou muito zangado com aquilo e, como achava um absurdo que o Vento Norte procedesse daquela maneira, pensou que devia ir procurá-lo e exigir a farinha de volta.

Então partiu, mas o caminho era longo, e ele andou e andou, até que por fim chegou ao Vento Norte.

— Bom dia — disse o menino —, e obrigado pela última vez.

— Bom dia — respondeu o Vento Norte, que falava tão amavelmente. — E eu também lhe agradeço pela última vez. O que você quer? — continuou.

— Ah — respondeu o menino —, eu queria pedir que tivesse a bondade de me devolver a farinha que tirou de mim na escada do celeiro, pois temos pouco e, se você há de proceder assim e tomar o pouquinho que temos, só nos resta morrer de fome.

— Não tenho farinha — disse o Vento Norte —, mas, já que você está tão necessitado, receberá uma toalha que lhe dará tudo o que puder desejar, bastando dizer: “Toalha, estenda-se e ponha a mesa com toda sorte de pratos deliciosos!”

Com aquilo, o menino ficou muito satisfeito. Mas, como o caminho era tão longo que não conseguiria chegar em casa naquele dia, entrou numa estalagem pelo caminho. Quando os que ali estavam iam jantar, pôs a toalha sobre uma mesa que ficava num canto e disse:

— Toalha, estenda-se e ponha a mesa com toda sorte de pratos deliciosos.

Mal acabara de dizer aquilo, a toalha obedeceu. Todos acharam que era uma maravilha, sobretudo a mulher do estalajadeiro. Por isso, já tarde da noite, quando todos dormiam, ela pegou a toalha do menino e pôs outra no lugar, exatamente igual à que ele recebera do Vento Norte, mas que não era capaz de pôr na mesa nem pão seco.

Quando o menino acordou, pegou sua toalha e partiu com ela. Naquele mesmo dia, chegou em casa, à mãe.

— Agora — disse ele —, estive com o Vento Norte. Era um homem decente, pois me deu esta toalha, e basta eu lhe dizer: “Toalha, estenda-se e ponha a mesa com toda sorte de pratos deliciosos”, para ter toda a comida que puder desejar.

— Sei, sei — disse a mãe —, mas não acredito antes de ver.

O menino se apressou, trouxe uma mesa, pôs a toalha sobre ela e disse:

— Toalha, estenda-se e ponha a mesa com toda sorte de pratos deliciosos!

Mas a toalha não pôs na mesa nem um bocado de pão.

— Então não há outra saída senão ir de novo ao Vento Norte — disse o menino, e partiu.

Já pela tarde, chegou ao lugar onde o Vento Norte morava.

— Boa noite — disse o menino.

— Boa noite — disse o Vento Norte.

— Quero que me pague pela farinha que tirou de mim — disse o menino —, pois a toalha que recebi não servia para nada.

— Não tenho farinha — disse o Vento Norte —, mas aqui tem um bode que só faz ducados de ouro, bastando você dizer: “Meu bode, faça dinheiro!”

O menino gostou dele. Mas, como sua casa ficava tão longe que não conseguiria chegar lá naquele dia, tornou a passar a noite na estalagem. Antes de pedir qualquer coisa, experimentou o bode, para ver se era verdade o que o Vento Norte dissera. E era mesmo. Mas, quando o estalajadeiro viu aquilo, achou que era um bode magnífico; quando o menino já tinha adormecido, pegou outro, que certamente não fazia ducados de ouro, e o pôs no lugar.

Na manhã seguinte, o menino partiu. Quando chegou em casa, disse à mãe:

— O Vento Norte é mesmo um homem bondoso. Agora me deu um bode que pode fazer ducados de ouro, bastando eu dizer: “Meu bode, faça dinheiro!”

— Sei, sei — disse a mãe. — Isso é tudo conversa, e não acredito antes de ver.

— Meu bode, faça dinheiro! — disse o menino.

Mas não foi dinheiro o que o bode fez. Ele então voltou ao Vento Norte e disse que o bode não servia para nada e que queria pagamento pela farinha.

— Agora não tenho outra coisa para lhe dar — disse o Vento Norte — senão aquele velho porrete que está ali no canto. Mas ele é assim: quando você diz “Meu porrete, bata!”, ele bate até que você diga “Meu porrete, pare!”

Como o caminho de volta para casa era longo, naquela noite o menino também entrou na estalagem. Mas, como já podia perceber mais ou menos o que acontecera com a toalha e o bode, deitou-se logo no banco, roncando e fingindo dormir. O estalajadeiro, que bem podia imaginar que o porrete também servia para alguma coisa, procurou um que se parecesse com ele. Ao ouvir o menino roncar, quis trocá-los; mas, no momento em que ia pegá-lo, o menino gritou:

— Meu porrete, bata!

O porrete começou a espancar o estalajadeiro, que saltava por cima das mesas e dos bancos, gritando e berrando:

— Ah, meu Deus! Ah, meu Deus! Faça o porrete ficar quieto, senão vai me matar! Você terá de volta tanto a toalha como o bode.

Quando o menino achou que o estalajadeiro já apanhara o bastante, disse:

— Meu porrete, pare!

Pegou a toalha e a meteu no bolso; com o porrete na mão, amarrou uma corda nos chifres do bode e voltou para casa com tudo. Isso é que foi pagamento pela farinha!


## Créditos

- translator: Codex · tradução integral por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)

Publicado por Bons Filhos Educação. Consulte a página canônica para fontes, ilustrações e PDF.
