# O Mestre e Seu Discípulo

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-mestre-e-seu-discipulo-joseph-jacobs)
Autoria original: Joseph Jacobs
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 4472e69b-3ad1-4f67-b65f-a7582fea0581
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um discípulo entra no aposento reservado de seu mestre e tenta usar os objetos e o livro que não tem permissão para consultar.

## Conto integral

Era uma vez, no norte do país, um homem muito instruído que conhecia todas as línguas sob o sol e estava a par de todos os mistérios da criação. Tinha um grande livro encadernado em couro preto de bezerro, com fechos de ferro e cantoneiras de ferro, preso por uma corrente a uma mesa que estava fixada ao chão; e, quando lia esse livro, destrancava-o com uma chave de ferro, e ninguém além dele o lia, pois continha todos os segredos do mundo espiritual. Dizia quantos anjos havia no céu, como marchavam em suas fileiras e cantavam em seus coros, quais eram suas diferentes funções e qual era o nome de cada grande anjo poderoso. E falava dos demônios, de quantos eram, de seus diferentes poderes, de seus trabalhos e de seus nomes, de como podiam ser invocados, de como se lhes podiam impor tarefas e de como podiam ser acorrentados para servir de escravos ao homem.

Ora, o mestre tinha um discípulo que era apenas um rapaz tolo e servia de criado ao grande mestre, mas nunca lhe era permitido olhar o livro preto, e mal lhe permitiam entrar no aposento reservado.

Um dia, o mestre estava fora, e então o rapaz, curioso como só ele, correu ao aposento onde seu mestre guardava os maravilhosos aparelhos para transformar cobre em ouro e chumbo em prata, e onde estava seu espelho, no qual podia ver tudo o que se passava no mundo, e onde estava a concha que, levada ao ouvido, sussurrava todas as palavras ditas por qualquer pessoa de quem o mestre desejasse saber. O rapaz tentou em vão, com os cadinhos, transformar cobre e chumbo em ouro e prata — olhou demoradamente e em vão para o espelho; fumaça e nuvens passavam por ele, mas nada via com clareza, e a concha, junto a seu ouvido, produzia apenas murmúrios indistintos, como o quebrar de mares distantes numa praia desconhecida. — Não consigo fazer nada — disse ele —, pois não sei as palavras certas que devo pronunciar, e elas estão trancadas naquele livro.

Olhou ao redor e, vejam só! O livro estava aberto nos fechos; o mestre se esquecera de trancá-lo antes de sair. O menino correu até ele e abriu o volume. Estava escrito com tinta vermelha e preta, e boa parte ele não conseguia entender; mas pôs o dedo numa linha e a leu soletrando até o fim.

Na mesma hora, o aposento escureceu e a casa tremeu; um estrondo de trovão percorreu o corredor e o velho aposento, e diante dele surgiu uma forma horrível, horrível, que expelia fogo e tinha olhos como lâmpadas acesas. Era o demônio Belzebu, que ele invocara para servi-lo.

— Dá-me uma tarefa! — disse ele, com uma voz semelhante ao rugido de uma fornalha de ferro.

O menino apenas tremia, e seus cabelos se puseram em pé.

— Dá-me uma tarefa, ou eu te estrangulo!

Mas o rapaz não conseguia falar. Então o espírito maligno avançou para ele e, estendendo as mãos, tocou-lhe a garganta. Os dedos queimaram-lhe a carne. — Dá-me uma tarefa!

— Rega aquela flor! — gritou o menino, desesperado, apontando para um gerânio que estava num vaso no chão.

Instantaneamente, o espírito saiu do aposento, mas no instante seguinte voltou com um barril às costas e despejou seu conteúdo sobre a flor; e, repetidas vezes, ia e vinha e despejava mais e mais água, até que o chão do aposento ficou coberto de água até os tornozelos.

— Chega, chega! — disse o rapaz, ofegante; mas o demônio não lhe deu ouvidos: o rapaz não sabia as palavras com que mandá-lo embora, e ele continuava a buscar água.

Ela subiu até os joelhos do menino, e ainda mais água foi despejada. Chegou-lhe à cintura, e Belzebu continuava a trazer barris cheios. Subiu-lhe até as axilas, e ele trepou sobre a mesa. E agora a água no aposento chegava à janela, batia contra o vidro e rodopiava ao redor de seus pés sobre a mesa. Continuava a subir; alcançou-lhe o peito. Em vão ele gritava; o espírito maligno não se deixava dispensar e, até hoje, estaria despejando água e teria afogado todo Yorkshire. Mas o mestre se lembrou, durante a viagem, de que não trancara seu livro e, por isso, voltou; e, no momento em que a água borbulhava ao redor do queixo do discípulo, entrou correndo no aposento e pronunciou as palavras que lançaram Belzebu de volta à sua morada de fogo.


## Créditos

- translator: Marcelo Castro Barbosa, assistido por IA (https://marcelocastrobarbosa.com.br/)
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)

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