# O músico excêntrico

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-musico-excentrico)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: a8a50c95-4414-4a1b-b85a-281e4d0625ed
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um músico que atravessa sozinho uma floresta toca violino para chamar companhia. Um lobo, uma raposa e uma lebre se aproximam querendo aprender a tocar, mas o músico procura outro tipo de companheiro.

## Conto integral

Era uma vez um músico excêntrico que atravessava uma floresta completamente sozinho, pensando numa coisa e noutra. Quando já não lhe restava nada em que pensar, disse a si mesmo:

— O tempo está passando devagar demais aqui na floresta. Vou chamar um bom companheiro.

Tirou o violino das costas e tocou uma música que ressoou entre as árvores. Não demorou muito, um lobo veio trotando pelo matagal.

— Ah, vem um lobo! Não é ele que eu quero — disse o músico.

Mas o lobo se aproximou e falou:

— Meu querido músico, como você toca bonito! Eu também gostaria de aprender.

— Isso se aprende depressa — respondeu o músico. — Basta fazer tudo o que eu mandar.

— Ah, músico — disse o lobo —, vou obedecer a você como um aluno a seu mestre.

O músico mandou que o acompanhasse. Depois de caminharem juntos um trecho, chegaram a um velho carvalho, oco por dentro e rachado ao meio.

— Veja — disse o músico —, se quer aprender a tocar violino, ponha as patas da frente nesta fenda.

O lobo obedeceu. Mas o músico pegou depressa uma pedra e, com uma pancada, a encaixou como cunha, prendendo as duas patas com tanta força que o lobo teve de ficar ali, como um prisioneiro.

— Espere aqui até eu voltar — disse o músico, e seguiu seu caminho.

Depois de algum tempo, tornou a dizer a si mesmo:

— O tempo está passando devagar demais aqui na floresta. Vou chamar outro companheiro.

Pegou o violino e voltou a tocar pela floresta. Não demorou muito, uma raposa veio andando sorrateiramente entre as árvores.

— Ah, vem uma raposa! — disse o músico. — Não é ela que eu quero.

A raposa se aproximou e falou:

— Meu querido músico, como você toca bonito! Eu também gostaria de aprender.

— Isso se aprende depressa — disse o músico. — Basta fazer tudo o que eu mandar.

— Ah, músico — respondeu a raposa —, vou obedecer a você como um aluno a seu mestre.

— Siga-me — disse o músico.

Depois de caminharem um trecho, chegaram a uma trilha com arbustos altos dos dois lados. O músico parou, curvou até o chão uma pequena aveleira de um lado e pisou em sua ponta. Depois curvou outra arvorezinha do outro lado e disse:

— Muito bem, raposinha, se quer aprender alguma coisa, dê-me a pata dianteira esquerda.

A raposa obedeceu, e o músico amarrou a pata ao tronco da esquerda.

— Raposinha — disse ele —, agora me dê a direita.

Amarrou-a ao tronco da direita. Depois de conferir se os nós das cordas estavam bem firmes, soltou as árvores. Elas se ergueram de repente e lançaram a raposinha para o alto, deixando-a suspensa no ar, a se debater.

— Espere aqui até eu voltar — disse o músico, e seguiu seu caminho.

Mais uma vez disse a si mesmo:

— O tempo está passando devagar demais aqui na floresta. Vou chamar outro companheiro.

Pegou o violino, e o som ressoou pela floresta. Então veio uma lebrinha, aos saltos.

— Ah, vem uma lebre! — disse o músico. — Não era ela que eu queria.

— Meu querido músico — disse a lebrinha —, como você toca bonito! Eu também gostaria de aprender.

— Isso se aprende depressa — disse o músico. — Basta fazer tudo o que eu mandar.

— Ah, músico — respondeu a lebrinha —, vou obedecer a você como um aluno a seu mestre.

Caminharam juntos um trecho, até chegarem a uma clareira onde havia um álamo-tremedor. O músico amarrou um longo barbante ao pescoço da lebrinha e prendeu a outra ponta na árvore.

— Vamos, lebrinha, dê agora vinte voltas ao redor da árvore! — gritou o músico.

A lebrinha obedeceu. Quando completou as vinte voltas, o barbante também dera vinte voltas no tronco, e ela estava presa. Por mais que puxasse e se debatesse, só fazia o fio se enterrar em seu pescoço macio.

— Espere aqui até eu voltar — disse o músico, e continuou andando.

Enquanto isso, o lobo se retorcera, puxara e mordera a pedra, trabalhando tanto que conseguira libertar as patas e tirá-las da fenda. Cheio de raiva e fúria, correu atrás do músico, querendo despedaçá-lo. Quando a raposa o viu correr, começou a se lamentar e gritou com toda a força:

— Irmão lobo, venha me ajudar! O músico me enganou!

O lobo curvou as arvorezinhas, partiu as cordas com os dentes e soltou a raposa. Ela o acompanhou, querendo se vingar do músico. Encontraram a lebrinha amarrada e também a libertaram. Depois, todos juntos foram procurar seu inimigo.

O músico tornara a tocar o violino pelo caminho, e dessa vez tivera mais sorte. Os sons chegaram aos ouvidos de um pobre lenhador, que logo, querendo ou não, largou o trabalho e se aproximou com o machado debaixo do braço para ouvir a música.

— Finalmente vem o companheiro certo! — disse o músico. — Eu estava procurando um ser humano, e não animais selvagens.

Começou a tocar com tanta beleza e doçura que o pobre homem ficou ali como enfeitiçado, com o coração se abrindo de alegria. Enquanto estava assim, chegaram o lobo, a raposa e a lebrinha. Ele percebeu muito bem que os três tramavam alguma maldade. Ergueu então o machado reluzente e se pôs diante do músico, como se quisesse dizer: “Quem quiser atacá-lo que se cuide, pois terá de se haver comigo.”

Os animais ficaram com medo e fugiram de volta para a floresta. O músico tocou mais uma música para o homem em agradecimento e depois seguiu viagem.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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