# O rei sapo ou Henrique de Ferro

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-rei-sapo-ou-henrique-de-ferro)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.1
Revisão: 967688f0-23f6-458c-9f5b-07b776f7f917
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Uma filha de rei costuma brincar com uma bola de ouro junto a um poço na floresta. Quando a bola cai na água e desaparece, um sapo oferece recuperá-la em troca de afeto e companhia: quer comer à sua mesa, beber do seu copo e dormir na sua cama. Ela promete o que ele pede, mas corre para casa assim que recebe a bola. No dia seguinte, o sapo aparece à porta do castelo.

## Conto integral

Nos tempos antigos, quando desejar ainda adiantava, vivia um rei cujas filhas eram todas bonitas. Mas a mais nova era tão bonita que até o próprio sol, que já vira tantas coisas, se admirava sempre que iluminava seu rosto. Perto do castelo do rei havia uma floresta grande e escura; nessa floresta, debaixo de uma velha tília, ficava um poço. Quando o dia estava muito quente, a filha do rei ia à floresta e se sentava à beira do poço fresco. Quando sentia tédio, pegava uma bola de ouro, jogava-a para o alto e tornava a apanhá-la; era seu brinquedo predileto.

Certa vez aconteceu que a bola de ouro da filha do rei não caiu na mãozinha que ela erguera, mas passou ao lado, bateu no chão e rolou direto para dentro da água. A filha do rei a acompanhou com os olhos, mas a bola desapareceu, e o poço era profundo, tão profundo que não se via o fundo. Então ela começou a chorar, chorou cada vez mais alto e não conseguia se consolar. Enquanto se lamentava assim, alguém lhe gritou: “O que você tem, filha do rei? Está gritando de fazer até uma pedra sentir pena.” Ela olhou ao redor para saber de onde vinha a voz e avistou um sapo que esticava para fora da água sua cabeça grossa e feia. “Ah, é você, velho chapinhador!”, disse ela. “Estou chorando pela minha bola de ouro, que caiu lá no fundo do poço.” “Fique quieta e não chore”, respondeu o sapo. “Posso dar um jeito, mas o que você me dará se eu trouxer seu brinquedo de volta?” “O que você quiser, querido sapo”, disse ela. “Minhas roupas, minhas pérolas e pedras preciosas, e até a coroa de ouro que uso.” O sapo respondeu: “Não quero suas roupas, suas pérolas e pedras preciosas, nem sua coroa de ouro. Mas, se quiser me querer bem e me deixar ser seu companheiro e amigo de brincadeiras, sentar ao seu lado à sua mesinha, comer do seu pratinho de ouro, beber do seu copinho e dormir na sua caminha, se me prometer isso, descerei e trarei de volta a sua bola de ouro.” “Ah, sim”, disse ela. “Prometo tudo o que você quiser, contanto que me traga a bola.” Mas pensava: “Que bobagens esse sapo simplório está dizendo! Fica na água entre os da sua espécie e coaxa; não pode ser companheiro de nenhum ser humano.”

Depois de receber a promessa, o sapo mergulhou a cabeça, desceu e, passado um tempinho, voltou nadando para cima, com a bola na boca, e a jogou na relva. A filha do rei ficou cheia de alegria ao rever seu belo brinquedo, apanhou-o e saiu correndo com ele. “Espere, espere!”, gritou o sapo. “Leve-me junto! Não consigo correr como você.” Mas de que adiantou ele gritar atrás dela seu coax-coax o mais alto que pôde? Ela não lhe deu ouvidos, correu para casa e logo se esqueceu do pobre sapo, que teve de voltar ao fundo de seu poço.

No dia seguinte, quando ela se sentara à mesa com o rei e toda a gente da corte e comia do seu pratinho de ouro, algo veio subindo de rastos pela escadaria de mármore, plitch-platch, plitch-platch. Ao chegar em cima, bateu à porta e chamou: “Filha mais nova do rei, abra para mim.” Ela correu para ver quem estava lá fora, mas, quando abriu, o sapo estava diante da porta. Fechou-a depressa, tornou a sentar-se à mesa e ficou muito assustada. O rei percebeu como seu coração batia forte e disse: “Minha filha, do que você tem medo? Por acaso há um gigante à porta querendo levá-la?” “Ah, não”, respondeu ela. “Não é um gigante, é um sapo nojento.” “O que o sapo quer de você?” “Ah, querido pai, ontem, quando eu estava sentada na floresta, junto ao poço, brincando, minha bola de ouro caiu na água. Como eu chorava tanto, o sapo a trouxe de volta, e, porque insistiu muito, prometi que ele seria meu companheiro. Mas nunca imaginei que pudesse sair da sua água. Agora está lá fora e quer entrar para ficar comigo.” Nesse instante bateu pela segunda vez e chamou:

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“Filha mais nova do rei,  
abra para mim.  
Não se lembra do que ontem  
você me disse  
junto à água fresca do poço?  
Filha mais nova do rei,  
abra para mim.”
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Então o rei disse: “O que você prometeu também tem de cumprir; vá e abra para ele.” Ela foi e abriu a porta; o sapo entrou aos pulos, sempre atrás dos seus pés, até sua cadeira. Ali ficou e gritou: “Levante-me até você.” Ela hesitou, até que por fim o rei ordenou. Depois de chegar à cadeira, o sapo quis subir à mesa e, quando estava lá, disse: “Agora aproxime de mim seu pratinho de ouro, para comermos juntos.” Ela o fez, mas era bem visível que não fazia de boa vontade. O sapo comeu com gosto, mas a ela quase cada bocadinho ficava preso na garganta. Por fim ele disse: “Já comi até ficar satisfeito e estou cansado. Agora me leve ao seu quartinho e prepare sua caminha de seda, pois vamos nos deitar para dormir.” A filha do rei começou a chorar e ficou com medo daquele sapo frio em que não tinha coragem de tocar e que agora dormiria na sua bela caminha limpa. Mas o rei se zangou e disse: “Não despreze depois quem a ajudou quando estava em apuros.” Então ela o pegou com dois dedos, levou-o para cima e o pôs num canto. Mas, quando estava deitada na cama, ele veio se arrastando e disse: “Estou cansado e quero dormir tão bem quanto você. Ponha-me aí em cima, ou conto ao seu pai.” Aí ela ficou furiosa, ergueu-o e o atirou com todas as forças contra a parede. “Agora vai ficar quieto, seu sapo nojento!”

Mas, quando ele caiu, já não era sapo, e sim um filho de rei, com olhos bonitos e bondosos. Agora ele era, por vontade do pai dela, seu querido companheiro e marido. Contou-lhe que uma bruxa má o enfeitiçara e que ninguém, a não ser ela, poderia tê-lo libertado do poço; no dia seguinte iriam juntos para o seu reino. Então adormeceram. Na manhã seguinte, quando o sol os acordou, chegou uma carruagem puxada por oito cavalos brancos, com plumas brancas de avestruz na cabeça e correntes de ouro nos arreios. Atrás estava o criado do jovem rei: era o fiel Henrique. O fiel Henrique ficara tão triste quando seu senhor fora transformado em sapo que mandara colocar três cintas de ferro ao redor do coração, para que não se partisse de dor e tristeza. A carruagem viera buscar o jovem rei para levá-lo ao seu reino. O fiel Henrique ergueu os dois para dentro, tornou a ficar em pé atrás e estava cheio de alegria pela libertação. Depois que haviam percorrido um trecho do caminho, o filho do rei ouviu um estalo atrás de si, como se alguma coisa tivesse se quebrado. Virou-se e gritou:

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“Henrique, a carruagem está se quebrando!”  
“Não, senhor, a carruagem não:  
é uma cinta do meu coração,  
que estava em grande dor,  
quando no poço estáveis,  
quando uma Fretsche (sapo) fostes (éreis).”
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Mais uma vez e ainda outra ouviu-se um estalo pelo caminho, e o filho do rei sempre achava que a carruagem estava se quebrando. Mas eram apenas as cintas que se soltavam do coração do fiel Henrique, porque seu senhor estava livre do feitiço e feliz.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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