# O rouxinol

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-rouxinol)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: c9d00a7c-df66-462a-b14f-8c57e77c50bc
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

O imperador da China descobre por um livro que existe em seus domínios um rouxinol admirado por todos. Uma menina da cozinha leva os cortesãos até o pássaro, cujo canto comove o soberano. A chegada de um rouxinol artificial coberto de pedras preciosas muda as preferências da corte e a vida do cantor da floresta.

## Conto integral

Na China, você bem sabe, o imperador é chinês, e todos os que o cercam são chineses. Isso aconteceu há muitos anos, mas justamente por isso vale a pena ouvir a história antes que seja esquecida. O palácio do imperador era o mais magnífico do mundo, feito inteiramente de fina porcelana, tão preciosa, mas tão frágil, tão delicada de tocar que era preciso tomar muito cuidado. No jardim se viam as flores mais extraordinárias, e às mais esplêndidas tinham sido presos sininhos de prata, que tocavam para que ninguém passasse sem notá-las. Sim, tudo era tão engenhoso no jardim do imperador, e ele se estendia por tão longe que nem o próprio jardineiro sabia onde terminava. Quem continuasse andando chegava à mais bela floresta, com árvores altas e lagos profundos. A floresta descia até o mar, azul e profundo; grandes navios podiam passar bem debaixo dos galhos, e neles morava um rouxinol que cantava tão maravilhosamente que até o pobre pescador, com tantas outras coisas para fazer, ficava quieto e escutava quando saía à noite para recolher a rede e ouvia o rouxinol. “Meu Deus, como é bonito!”, dizia ele. Mas depois tinha de cuidar de seus afazeres e esquecia o pássaro. Na noite seguinte, porém, quando ele tornava a cantar e o pescador chegava ali, dizia a mesma coisa: “Meu Deus! Como é bonito!”

De todos os países do mundo chegavam viajantes à cidade do imperador. Admiravam a cidade, o palácio e o jardim, mas, quando ouviam o rouxinol, todos diziam: “Ele é o melhor de tudo!”

Ao voltarem para casa, os viajantes contavam isso, e os sábios escreveram muitos livros sobre a cidade, o palácio e o jardim. Mas não se esqueceram do rouxinol: deram-lhe o primeiro lugar. E os que sabiam fazer versos escreveram os mais belos poemas, todos sobre o rouxinol da floresta junto ao mar profundo.

Esses livros correram o mundo, e alguns chegaram também, um dia, às mãos do imperador. Sentado em sua cadeira de ouro, ele lia sem parar e a todo instante assentia com a cabeça, pois gostava de ouvir as magníficas descrições da cidade, do palácio e do jardim. “Mas o rouxinol é o melhor de tudo!”, estava escrito.

“O quê!”, disse o imperador. “O rouxinol! Eu nem o conheço! Existe um pássaro desses em meu império, ainda por cima em meu jardim! Nunca ouvi falar nisso! É preciso descobrir essas coisas lendo!”

Chamou então seu fidalgo, que era tão importante que, quando alguém inferior a ele ousava lhe dirigir a palavra ou fazer uma pergunta, só respondia “P!”, e isso não significa nada.

“Parece que há aqui um pássaro extraordinário chamado rouxinol!”, disse o imperador. “Dizem que é a melhor coisa de meu grande reino! Por que nunca me disseram nada a respeito dele?”

“Nunca ouvi seu nome antes!”, disse o fidalgo. “Nunca foi apresentado à corte!”

“Quero que venha aqui esta noite cantar para mim!”, disse o imperador. “O mundo inteiro sabe o que eu tenho, e eu não sei!”

“Nunca ouvi seu nome antes!”, disse o fidalgo. “Vou procurá-lo, vou encontrá-lo!”

Mas onde encontrá-lo? O fidalgo subiu e desceu todas as escadas, atravessou salões e corredores, mas nenhuma das pessoas que encontrou tinha ouvido falar do rouxinol. Voltou correndo ao imperador e disse que aquilo devia ser uma fábula dos que escreviam livros. “Vossa Majestade Imperial não deve acreditar no que se escreve! São invenções e uma coisa chamada magia negra!”

“Mas o livro em que li isso”, disse o imperador, “foi enviado pelo poderosíssimo imperador do Japão, portanto não pode ser mentira. Quero ouvir o rouxinol! Ele tem de estar aqui esta noite! Tem meu mais alto favor! E, se não vier, toda a corte levará pancadas na barriga depois do jantar!”

“Tsing-pe!”, disse o fidalgo e tornou a subir e descer todas as escadas, atravessando salões e corredores. Metade da corte correu com ele, pois não queria levar pancadas na barriga. Todos perguntavam pelo extraordinário rouxinol, que o mundo inteiro conhecia, mas ninguém na corte.

Por fim encontraram uma pobre menininha na cozinha. Ela disse: “Meu Deus, o rouxinol! Eu o conheço bem! Ah, como ele sabe cantar! Todas as noites tenho licença para levar algumas sobras da mesa para minha pobre mãe doente, que mora lá embaixo, perto da praia. Quando volto, cansada, e descanso na floresta, ouço o rouxinol cantar! Fico com os olhos cheios de lágrimas; é como se minha mãe me beijasse!”

“Pequena ajudante de cozinha!”, disse o fidalgo. “Vou conseguir para você um emprego fixo na cozinha e permissão para ver o imperador comer, se puder nos levar ao rouxinol, pois ele foi convocado para esta noite.”

Todos foram então para a floresta onde o rouxinol costumava cantar. Metade da corte os acompanhava. No meio do caminho, uma vaca começou a mugir.

“Oh!”, disseram os fidalgos da corte. “Agora o encontramos! Que força extraordinária num bichinho tão pequeno! Tenho certeza de que já o ouvi antes!”

“Não, são as vacas mugindo!”, disse a pequena ajudante de cozinha. “Ainda estamos longe do lugar!”

Então as rãs começaram a coaxar no brejo.

“Maravilhoso!”, disse o prelado chinês do palácio. “Agora o ouço; parece o som de pequenos sinos de igreja.”

“Não, são as rãs!”, disse a pequena ajudante de cozinha. “Mas acho que logo o ouviremos!”

Então o rouxinol começou a cantar.

“É ele!”, disse a menininha. “Escutem! Escutem! Ali está ele!” E apontou para um pequeno pássaro cinzento no alto dos galhos.

“É possível!”, disse o fidalgo. “Nunca o imaginei assim! Como é simples! Deve ter perdido a cor ao ver tanta gente importante perto dele!”

“Pequeno rouxinol!”, gritou bem alto a pequena ajudante de cozinha. “Nosso bondoso imperador gostaria muito que você cantasse para ele!”

“Com o maior prazer!”, disse o rouxinol e cantou que era uma alegria.

“Parece o som de sininhos de vidro!”, disse o fidalgo. “E vejam como essa gargantinha trabalha! É extraordinário nunca o termos ouvido antes! Ele fará grande sucesso na corte!”

“Devo cantar mais uma vez para o imperador?”, perguntou o rouxinol, pensando que o imperador estivesse entre eles.

“Meu excelente pequeno rouxinol!”, disse o fidalgo. “Tenho a grande alegria de convidá-lo para uma festa na corte esta noite, onde encantará Sua Alta Graça Imperial com seu canto encantador!”

“Ele fica melhor em meio ao verde!”, disse o rouxinol. Mesmo assim, acompanhou-os de bom grado quando soube que era esse o desejo do imperador.

No palácio tinham caprichado na arrumação! As paredes e o chão, de porcelana, brilhavam à luz de muitos milhares de lâmpadas de ouro! As flores mais belas, que sabiam tilintar tão bem, tinham sido colocadas nos corredores. Era uma correria e uma corrente de ar, mas assim todos os sininhos tocavam, e não se conseguia ouvir uma palavra.

No meio do grande salão onde o imperador estava sentado, haviam posto um poleiro de ouro, e nele o rouxinol deveria pousar. Toda a corte estava presente, e a pequena ajudante de cozinha recebera permissão para ficar atrás da porta, pois agora tinha o título de ajudante de cozinha efetiva. Todos vestiam seus maiores enfeites e olhavam para o pequeno pássaro cinzento, a quem o imperador fazia um aceno de cabeça.

O rouxinol cantou tão lindamente que os olhos do imperador se encheram de lágrimas. As lágrimas lhe escorriam pelas faces, e então o rouxinol cantou ainda mais bonito, bem ao coração. O imperador ficou tão contente que disse que o rouxinol receberia seu chinelo de ouro para usar ao pescoço. Mas o rouxinol agradeceu: já tinha recebido recompensa suficiente.

“Vi lágrimas nos olhos do imperador; para mim, são o tesouro mais rico! As lágrimas de um imperador têm um poder extraordinário! Deus sabe que já estou bem recompensado!” E cantou novamente com sua voz doce e abençoada.

“É a mais adorável coqueteria que conheço!”, disseram as damas ao redor. Puseram água na boca para gorjear quando alguém lhes falava; acreditavam assim ser também rouxinóis. Sim, os lacaios e as camareiras mandaram dizer que também estavam satisfeitos, e isso é muita coisa, pois são os mais difíceis de agradar. Sim, o rouxinol fez mesmo sucesso.

Agora ele deveria ficar na corte, ter sua própria gaiola e liberdade para passear duas vezes de dia e uma vez à noite. Doze criados o acompanhavam, cada um segurando bem firme uma fita de seda presa à perna do pássaro. Não havia prazer algum naquele passeio.

A cidade inteira falava do extraordinário pássaro. Quando duas pessoas se encontravam, uma só dizia “Rou—!”, e a outra respondia “xinol!” Então suspiravam e se entendiam. Sim, onze filhos de vendedores de mantimentos receberam o nome dele, mas nenhum tinha uma só nota musical no corpo.

Um dia chegou um grande pacote para o imperador. Por fora estava escrito: Rouxinol.

“Temos agora um novo livro sobre nosso famoso pássaro!”, disse o imperador. Mas não era um livro: dentro de uma caixa havia uma pequena obra de engenho, um rouxinol artificial que deveria se parecer com o vivo, mas era todo coberto de diamantes, rubis e safiras. Assim que davam corda no pássaro artificial, ele podia cantar uma das músicas que o verdadeiro cantava, enquanto a cauda subia e descia, brilhando em prata e ouro. Trazia uma pequena fita ao pescoço, e nela estava escrito: “O rouxinol do imperador do Japão é pobre comparado ao do imperador da China.”

“Que maravilha!”, disseram todos. E quem trouxera o pássaro artificial recebeu imediatamente o título de Supremo Portador Imperial de Rouxinóis.

“Agora eles devem cantar juntos! Que dueto será!”

Tiveram então de cantar juntos, mas a coisa não funcionou muito bem, pois o rouxinol verdadeiro cantava à sua maneira, e o artificial funcionava por cilindros. “Ele não tem culpa”, disse o mestre de música. “Mantém o compasso com muita precisão e é inteiramente de minha escola!” Então o pássaro artificial teve de cantar sozinho. Fez tanto sucesso quanto o verdadeiro, e também era muito mais bonito de se olhar: brilhava como pulseiras e broches.

Trinta e três vezes cantou a mesma música, sem se cansar. As pessoas gostariam de ouvi-lo recomeçar, mas o imperador achou que agora o rouxinol vivo também deveria cantar um pouco. Mas onde estava ele? Ninguém tinha percebido que voara pela janela aberta de volta para suas florestas verdes.

“Mas o que é isso!”, disse o imperador. Todos os cortesãos ralharam e acharam que o rouxinol era um animal muito ingrato. “Ainda temos o melhor pássaro!”, disseram. O artificial teve então de cantar novamente, e foi a trigésima quarta vez que ouviram a mesma música. Ainda não a sabiam por inteiro, pois era muito difícil. E o mestre de música elogiou tanto o pássaro que chegou a garantir que era melhor do que o rouxinol verdadeiro, não só pelas roupas e pelos muitos diamantes bonitos, mas também por dentro.

“Pois vejam, meus senhores, e sobretudo o imperador! Com o rouxinol verdadeiro nunca se pode prever o que virá, mas com o pássaro artificial tudo está determinado! Será assim e não de outra maneira! Podemos explicar seu funcionamento, abri-lo e mostrar ao pensamento humano como estão dispostos os cilindros, como se movem e como uma coisa decorre da outra!”

“É exatamente o que penso!”, disseram todos. O mestre de música recebeu permissão para mostrar o pássaro ao povo no domingo seguinte. O povo também deveria ouvi-lo cantar, disse o imperador. E ouviram, ficando tão contentes como se tivessem se embriagado de chá, pois isso é uma coisa inteiramente chinesa. Todos disseram “Oh!”, levantaram o dedo que chamam de “lambe-pote” e assentiram com a cabeça. Mas os pobres pescadores que tinham ouvido o rouxinol verdadeiro disseram: “O som é bem bonito, e também se parece, mas falta alguma coisa, não sei o quê!”

O rouxinol verdadeiro fora banido do país e do reino.

O pássaro artificial tinha seu lugar numa almofada de seda junto à cama do imperador. Ao seu redor ficavam todos os presentes que recebera, ouro e pedras preciosas. Seu título havia subido para “Altíssimo Cantor Imperial de Mesa de Cabeceira”, com o posto número um do lado esquerdo, pois o imperador considerava mais nobre o lado em que ficava o coração, e o coração fica à esquerda também num imperador. O mestre de música escreveu vinte e cinco volumes sobre o pássaro artificial. Eram tão eruditos, tão longos e cheios das palavras chinesas mais difíceis que todo mundo dizia ter lido e entendido, pois, do contrário, seria tolo e levaria pancadas na barriga.

Assim se passou um ano inteiro. O imperador, a corte e todos os outros chineses sabiam de cor cada pequeno gorjeio do canto do pássaro artificial, e era justamente por isso que agora gostavam tanto dele. Podiam cantar junto, e cantavam. Os meninos de rua cantavam “zizizi! cluccluccluc!”, e o imperador cantava também! Sim, era realmente maravilhoso!

Mas uma noite, quando o pássaro artificial cantava a todo vapor e o imperador o ouvia deitado na cama, fez “ploc!” dentro do pássaro. Alguma coisa se rompeu: “vrrrr!” Todas as rodas giraram, e a música parou.

O imperador saltou imediatamente da cama e mandou chamar seu médico particular. Mas em que ele poderia ajudar? Então buscaram o relojoeiro. Depois de muita conversa e muito exame, conseguiu pôr o pássaro mais ou menos em ordem, mas disse que era preciso poupá-lo bastante, pois os pinos estavam muito gastos e não era possível colocar novos de modo que a música funcionasse com segurança. Foi uma grande tristeza! Só se ousava deixar o pássaro artificial cantar uma vez por ano, e mesmo isso já era demais. Mas o mestre de música fazia um pequeno discurso com as palavras difíceis e dizia que estava tão bom quanto antes, e então estava tão bom quanto antes.

Cinco anos haviam passado, e uma grande tristeza tomou conta do país inteiro, pois no fundo todos gostavam de seu imperador. Agora ele estava doente e não viveria, diziam. Um novo imperador já tinha sido escolhido, e as pessoas ficavam na rua perguntando ao fidalgo como estava seu imperador.

“P!”, dizia ele, sacudindo a cabeça.

Frio e pálido, o imperador jazia em sua grande e magnífica cama. Toda a corte o julgava morto, e cada um correu para cumprimentar o novo imperador. Os camareiros saíram para conversar sobre o assunto, e as criadas do palácio faziam uma grande reunião para tomar café. Haviam estendido tecidos por todos os salões e corredores para que não se ouvisse ninguém andar, e por isso tudo estava tão quieto, tão quieto. Mas o imperador ainda não estava morto. Rígido e pálido, jazia na magnífica cama, com suas longas cortinas de veludo e pesadas borlas de ouro. Lá no alto uma janela estava aberta, e a lua iluminava o imperador e o pássaro artificial.

O pobre imperador mal conseguia respirar. Era como se houvesse alguma coisa sentada em seu peito. Abriu os olhos e viu que era a Morte, sentada em seu peito, usando sua coroa de ouro, segurando numa mão o sabre de ouro do imperador e na outra sua magnífica bandeira. Ao redor, nas dobras das grandes cortinas de veludo da cama, surgiam cabeças extraordinárias, algumas terríveis, outras tão bondosas e suaves. Eram todas as boas e más ações do imperador que olhavam para ele, agora que a Morte estava sentada sobre seu coração.

“Lembra-se disso?”, sussurravam uma depois da outra. “Lembra-se disso?” E lhe contavam tantas coisas que o suor lhe brotava na testa.

“Nunca soube disso!”, disse o imperador. “Música! Música! O grande tambor chinês!”, gritou ele. “Para que eu não tenha de ouvir tudo o que elas dizem!”

Mas elas continuavam, e a Morte assentia como um chinês a tudo o que era dito.

“Música! Música!”, gritou o imperador. “Você, pequeno e abençoado pássaro de ouro! Cante, cante! Dei-lhe ouro e preciosidades, eu mesmo pendurei meu chinelo de ouro em seu pescoço. Cante, cante!”

Mas o pássaro ficava imóvel. Não havia ninguém para lhe dar corda, e sem isso ele não cantava. A Morte continuava a olhar para o imperador com suas grandes órbitas vazias, e estava tudo tão quieto, tão terrivelmente quieto.

Nesse instante soou perto da janela o mais belo canto. Era o pequeno rouxinol vivo, pousado no galho lá fora. Soubera da aflição de seu imperador e viera lhe cantar consolo e esperança. À medida que cantava, as figuras iam ficando cada vez mais pálidas, o sangue circulava cada vez mais depressa no corpo enfraquecido do imperador, e a própria Morte escutou e disse: “Continue, pequeno rouxinol! Continue!”

“Sim, mas você me dará o magnífico sabre de ouro? Sim, me dará a rica bandeira? Me dará a coroa do imperador?”

A Morte deu cada preciosidade por uma canção, e o rouxinol continuou cantando. Cantou sobre o cemitério silencioso, onde crescem as rosas brancas, onde o sabugueiro perfuma o ar e a relva fresca é molhada pelas lágrimas dos que ficaram. Então a Morte sentiu saudade de seu jardim e flutuou pela janela como uma névoa branca e fria.

“Obrigado! Obrigado!”, disse o imperador. “Pequeno pássaro celestial, eu o reconheço! Expulsei você de meu país e de meu reino, e ainda assim, com seu canto, afastou as visões más de minha cama e tirou a Morte de meu coração! Como hei de recompensá-lo?”

“Você já me recompensou!”, disse o rouxinol. “Recebi as lágrimas de seus olhos na primeira vez em que cantei. Nunca esquecerei isso! São essas as joias que fazem bem ao coração de um cantor. Mas durma agora e fique forte e saudável! Cantarei para você!”

E cantou, e o imperador caiu num sono doce, tão suave e reparador era aquele sono.

O sol entrava pelas janelas quando ele acordou, fortalecido e saudável. Nenhum de seus criados tinha voltado ainda, pois pensavam que estivesse morto, mas o rouxinol continuava ali cantando.

“Você tem de ficar sempre comigo!”, disse o imperador. “Só cantará quando quiser, e eu quebrarei o pássaro artificial em mil pedaços.”

“Não faça isso!”, disse o rouxinol. “Ele fez o bem que pôde! Conserve-o como sempre! Não posso fazer meu ninho e morar no palácio, mas deixe-me vir quando eu tiver vontade. Então, à noite, pousarei naquele galho junto à janela e cantarei para você, para que fique alegre e pensativo ao mesmo tempo. Cantarei sobre os felizes e sobre os que sofrem; cantarei sobre o mal e o bem que escondem ao seu redor. O pequeno pássaro cantor voa por toda parte, até o pobre pescador, até o telhado do camponês, até todos os que estão longe de você e de sua corte. Amo seu coração mais do que sua coroa, embora a coroa tenha ao seu redor um perfume de algo sagrado! Virei cantar para você! Mas uma coisa precisa me prometer!”

“Tudo!”, disse o imperador. Ali estava ele em seus trajes imperiais, que vestira sozinho, segurando junto ao coração o sabre pesado de ouro.

“Só uma coisa lhe peço! Não conte a ninguém que tem um passarinho que lhe diz tudo; assim será ainda melhor!”

E o rouxinol voou para longe.

Os criados entraram para ver seu imperador morto. Sim, lá estavam eles, e o imperador disse: “Bom dia!”

## Créditos

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- reviewer: Codex · revisão independente por IA
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