# O Senhor Vinagre

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-senhor-vinagre-joseph-jacobs)
Autoria original: Joseph Jacobs
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 0c7976fd-3557-4935-9ff4-879c920524e4
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Quando a senhora Vinagre derruba a garrafa onde mora com o marido, o casal sai em busca de fortuna levando a porta da casa. Ao anoitecer, procura abrigo numa floresta.

## Conto integral

# O Senhor Vinagre

O senhor e a senhora Vinagre moravam numa garrafa de vinagre. Certo dia, quando o senhor Vinagre estava fora de casa, a senhora Vinagre, que era uma ótima dona de casa, varria atarefadamente sua morada quando uma infeliz pancada da vassoura fez a casa inteira desabar, com um traque-traque, traque-traque, ao redor de sua cabeça. Desesperada de tristeza, ela saiu correndo ao encontro do marido. Ao vê-lo, exclamou:

— Ah, senhor Vinagre, senhor Vinagre, estamos arruinados, estamos arruinados! Derrubei a casa, e ela está toda em pedaços!

O senhor Vinagre então disse:

— Minha querida, vejamos o que se pode fazer. Aqui está a porta: vou levá-la nas costas, e sairemos em busca de nossa fortuna.

Andaram o dia inteiro e, ao cair da noite, entraram numa floresta espessa. Os dois estavam muito, muito cansados, e o senhor Vinagre disse:

— Meu amor, vou subir numa árvore, puxar a porta para cima, e você virá atrás.

Foi o que fez. Os dois estenderam os membros fatigados sobre a porta e adormeceram profundamente. No meio da noite, o senhor Vinagre foi despertado pelo som de vozes lá embaixo e, para seu horror e consternação, descobriu que era um bando de ladrões reunido para repartir o saque.

— Aqui, Jack — disse um deles —, aqui estão cinco libras para você; aqui, Bill, aqui estão dez libras para você; aqui, Bob, aqui estão três libras para você.

O senhor Vinagre não conseguiu ouvir mais. Seu terror era tão grande que ele tremeu e tremeu, fazendo a porta cair sobre a cabeça dos ladrões. Eles saíram correndo, mas o senhor Vinagre não ousou deixar seu esconderijo até ser dia claro. Então desceu da árvore, agarrando-se como pôde, e foi levantar a porta. E o que viu, senão uma porção de guinéus de ouro?

— Desça, senhora Vinagre! — gritou. — Desça, estou dizendo! Nossa fortuna está feita, nossa fortuna está feita! Desça, estou dizendo!

A senhora Vinagre desceu o mais depressa que pôde e, quando viu o dinheiro, pulou de alegria.

— Agora, meu querido — disse ela —, vou lhe dizer o que deve fazer. Há uma feira na cidade vizinha. Você levará estes quarenta guinéus e comprará uma vaca. Posso fazer manteiga e queijo, que você venderá no mercado, e assim poderemos viver com muito conforto.

O senhor Vinagre concorda alegremente, pega o dinheiro e lá vai ele para a feira. Quando chegou, andou para lá e para cá, até que por fim viu uma bela vaca vermelha. Ela dava muito leite e era perfeita em todos os sentidos.

— Ah — pensou o senhor Vinagre —, se eu tivesse aquela vaca, seria o homem mais feliz do mundo.

Então ele oferece os quarenta guinéus pela vaca, e o dono disse que, já que se tratava de um amigo, lhe faria esse favor. O negócio foi fechado, ele ficou com a vaca e a conduziu de um lado para outro para exibi-la. Daí a pouco viu um homem tocando gaita de foles: tiritim-tiritom. As crianças o seguiam por toda parte, e ele parecia embolsar dinheiro de todos os lados.

— Bem — pensou o senhor Vinagre —, se eu tivesse aquele belo instrumento, seria o homem mais feliz do mundo: minha fortuna estaria feita.

Aproximou-se, portanto, do homem.

— Amigo — diz ele —, que belo instrumento é esse, e quanto dinheiro você deve ganhar!

— Pois é — disse o homem —, ganho mesmo muito dinheiro, sem dúvida, e é um instrumento maravilhoso.

— Ah! — exclamou o senhor Vinagre. — Como eu gostaria de possuí-lo!

— Bem — disse o homem —, já que é um amigo, não me importo muito em me desfazer dele. Você pode ficar com ele em troca daquela vaca vermelha.

— Fechado! — disse o senhor Vinagre, encantado.

Assim, a bela vaca vermelha foi dada em troca da gaita de foles. Ele andou para lá e para cá com sua compra, mas tentou em vão tocar uma melodia. E, em vez de embolsar pence, os meninos o seguiam vaiando, rindo e atirando coisas nele.

Pobre senhor Vinagre! Seus dedos ficaram muito frios e, justo quando saía da cidade, encontrou um homem com um belo par de luvas grossas.

— Ah, meus dedos estão tão frios! — disse o senhor Vinagre consigo mesmo. — Agora, se eu tivesse aquelas belas luvas, seria o homem mais feliz do mundo.

Aproximou-se do homem e lhe disse:

— Amigo, parece que você tem aí um excelente par de luvas.

— Sim, de fato — exclamou o homem —, e minhas mãos estão quentíssimas neste frio dia de novembro.

— Bem — disse o senhor Vinagre —, eu gostaria de ficar com elas.

— O que você me dará? — perguntou o homem. — Já que é um amigo, não me importo muito em deixá-lo ficar com elas em troca dessa gaita de foles.

— Fechado! — exclamou o senhor Vinagre.

Calçou as luvas e sentiu-se perfeitamente feliz enquanto seguia penosamente de volta para casa.

Por fim, ficou muito cansado, quando viu um homem vindo em sua direção com um bom pau robusto na mão.

— Ah — disse o senhor Vinagre —, se eu tivesse aquele pau! Então seria o homem mais feliz do mundo.

Disse ao homem:

— Amigo! Que pau bom, excepcional, você tem aí!

— Sim — disse o homem —, já o usei por muitas e muitas milhas, e ele tem sido um bom amigo. Mas, se gostou dele, já que é um amigo, não me importo em dá-lo a você em troca desse par de luvas.

As mãos do senhor Vinagre estavam tão quentes e suas pernas tão cansadas que ele fez a troca de bom grado. Ao aproximar-se do bosque onde deixara a mulher, ouviu um papagaio numa árvore chamando seu nome:

— Senhor Vinagre, seu tolo, seu cabeça-dura, seu simplório! Você foi à feira e gastou todo o seu dinheiro comprando uma vaca. Não contente com isso, trocou-a por uma gaita de foles, que não sabia tocar e que não valia um décimo daquele dinheiro. Seu bobo, você! Mal tinha conseguido a gaita de foles e já a trocou pelas luvas, que não valiam um quarto daquele dinheiro. E, quando conseguiu as luvas, trocou-as por um pobre pau miserável. Agora, em troca de seus quarenta guinéus, vaca, gaita de foles e luvas, não tem nada para mostrar além desse pobre pau miserável, que poderia ter cortado em qualquer cerca viva.

Dito isso, a ave riu e riu, e o senhor Vinagre, tomado de uma cólera violenta, atirou o pau na direção da cabeça dela. O pau ficou preso na árvore, e ele voltou para a mulher sem dinheiro, vaca, gaita de foles, luvas nem pau. Ela imediatamente lhe deu uma surra de pau tão forte que quase quebrou todos os ossos de seu corpo.


## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)

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