# O firme soldadinho de estanho

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-soldadinho-de-chumbo)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 356fdfde-1e1b-4cec-bf45-779fe2a2e24c
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um menino ganha vinte e cinco soldadinhos de estanho de aniversário. Todos vêm de uma velha colher, mas o último tem apenas uma perna, pois faltou metal ao fundi-lo. Sobre a mesa, ele vê um castelo de papel e uma bailarina que lhe parece também ter uma perna só. Enquanto observa a pequena dama, um troll escondido numa caixa de rapé o repreende e o ameaça para o dia seguinte.

## Conto integral

Era uma vez vinte e cinco soldadinhos de estanho. Eram todos irmãos, pois tinham nascido de uma velha colher de estanho. Seguravam a espingarda no braço e olhavam direto para a frente; vermelho e azul, como era bonito o uniforme! A primeira coisa que ouviram neste mundo, quando tiraram a tampa da caixa em que estavam deitados, foi a palavra: “Soldadinhos de estanho!” Quem gritou foi um menino pequeno, batendo palmas. Ele os ganhara de presente, pois era seu aniversário, e agora os punha de pé sobre a mesa. Um soldado era igualzinho ao outro; só um era um pouco diferente. Tinha uma perna só, porque fora fundido por último e já não havia estanho suficiente. Mesmo assim, firmava-se em sua única perna tão bem quanto os outros nas duas, e é justamente ele que se tornará extraordinário.

Sobre a mesa em que foram postos havia muitos outros brinquedos, mas o que mais chamava a atenção era um lindo castelo de papel. Pelas pequenas janelas era possível ver diretamente os salões. Do lado de fora havia pequenas árvores ao redor de um espelhinho que devia parecer um lago; cisnes de cera nadavam nele e se olhavam no espelho. Tudo era lindo, mas o mais lindo de tudo era uma pequena donzela que ficava bem no meio da porta aberta do castelo. Ela também fora recortada de papel, mas usava uma saia do mais transparente linon e uma fitinha estreita e azul por cima do ombro, como uma veste. No meio dela brilhava uma lantejoula tão grande quanto seu rosto inteiro. A pequena donzela estendia os dois braços, pois era uma bailarina, e erguia uma das pernas tão alto que o soldadinho não conseguia encontrá-la e pensava que ela também só tinha uma perna, como ele.

“Essa seria uma esposa para mim!”, pensou. “Mas ela é um tanto distinta, mora num castelo; eu só tenho uma caixa, e somos vinte e cinco a dividi-la. Não é lugar para ela! Mesmo assim, preciso tentar conhecê-la!” Então se deitou de corpo inteiro atrás de uma caixa de rapé que estava sobre a mesa. Dali podia olhar bem para a pequena e elegante dama, que continuava de pé sobre uma perna, sem perder o equilíbrio.

Quando a noite avançou, todos os outros soldadinhos de estanho foram para sua caixa, e as pessoas da casa se deitaram. Os brinquedos começaram a brincar: de fazer visitas, de guerrear e de dar bailes. Os soldadinhos chacoalhavam na caixa, pois queriam participar, mas não conseguiam tirar a tampa. O quebra-nozes dava cambalhotas, e o lápis de ardósia fazia algazarra na lousa. Era um barulho tão grande que o canário acordou e começou a conversar também, e em versos. Os únicos dois que não saíam do lugar eram o soldadinho e a pequena bailarina. Ela se mantinha tão ereta na ponta do pé, com os dois braços estendidos; ele estava igualmente firme em sua única perna e não tirava os olhos dela nem por um instante.

O relógio bateu meia-noite e, pá!, a tampa da caixa de rapé saltou. Mas lá dentro não havia tabaco; não, havia um pequeno troll preto: era um desses brinquedos engenhosos.

“Soldadinho de estanho!”, disse o troll. “Quer guardar os olhos para você mesmo?”

Mas o soldadinho fingiu que não ouvia.

“Pois espere até amanhã!”, disse o troll.

Quando amanheceu e as crianças se levantaram, puseram o soldadinho na janela. Fosse por causa do troll ou de uma corrente de ar, de repente a janela se abriu, e o soldado caiu de cabeça do terceiro andar. Foi uma descida terrível. Virou a perna bem para cima e ficou apoiado no quepe, com a baioneta entre as pedras do calçamento.

A criada e o menino desceram logo para procurá-lo. Mas, embora estivessem quase pisando nele, não conseguiam vê-lo. Se o soldadinho tivesse gritado “Estou aqui!”, certamente o teriam encontrado; mas ele não achava apropriado gritar alto, já que estava de uniforme.

Começou a chover. As gotas caíam cada vez mais juntas, e veio uma verdadeira chuvarada. Quando passou, apareceram dois meninos de rua.

“Olhe só!”, disse um deles. “Ali está um soldadinho de estanho! Ele vai sair para navegar!”

Então fizeram um barco com um jornal, puseram o soldadinho bem no meio, e ele começou a navegar pela sarjeta. Os dois meninos corriam ao lado e batiam palmas. Deus nos acuda! Que ondas havia naquela sarjeta, e que correnteza! Também, tinha caído um aguaceiro. O barquinho de papel subia e descia e, de vez em quando, girava tão depressa que o soldadinho estremecia. Mas ele continuava firme, não alterava a expressão, olhava direto para a frente e segurava a espingarda no braço.

De repente o barco entrou debaixo de uma longa tábua que cobria a sarjeta. Ficou tão escuro como se ele estivesse em sua caixa.

“Para onde estarei indo agora?”, pensou. “Sim, sim, a culpa é do troll! Ah, se a pequena donzela estivesse aqui no barco, poderia ficar ainda duas vezes mais escuro!”

Naquele instante apareceu um grande rato-d’água, que morava debaixo da tábua da sarjeta.

“Tem passaporte?”, perguntou o rato. “Passe o passaporte para cá!”

Mas o soldadinho ficou calado e segurou a espingarda com ainda mais força. O barco seguia veloz, e o rato ia atrás. Ui! Como rangia os dentes e gritava para os gravetos e as palhas:

“Parem-no! Parem-no! Não pagou pedágio! Não mostrou passaporte!”

Mas a correnteza ficava cada vez mais forte! O soldadinho já conseguia ver a claridade do dia à frente, onde a tábua acabava, mas também ouvia um estrondo capaz de assustar até um homem corajoso. Imaginem: onde a tábua terminava, a sarjeta despencava diretamente num grande canal. Para ele seria tão perigoso quanto para nós navegar por uma grande cachoeira abaixo.

Agora já estava tão perto que não conseguia parar. O barco disparou para fora, e o pobre soldadinho se manteve o mais rígido que pôde; ninguém haveria de dizer que ele piscara os olhos. O barco deu três ou quatro voltas e estava cheio de água até a borda: tinha de afundar. O soldadinho estava com água até o pescoço, e o barco afundava cada vez mais, enquanto o papel se desfazia. A água passou por cima da cabeça do soldado. Então pensou na pequena e linda bailarina, que nunca mais tornaria a ver, e ouviu soar em seus ouvidos:

“Vai, vai, guerreiro!  
A morte sofrerás!”

O papel se rasgou, e o soldadinho caiu através dele, mas, naquele mesmo instante, foi engolido por um peixe grande.

Ah, como era escuro ali dentro! Era ainda pior que debaixo da tábua da sarjeta, e tão apertado! Mas o soldadinho continuava firme, deitado de corpo inteiro com a espingarda no braço. —

O peixe disparava de um lado para o outro, fazia os movimentos mais terríveis. Por fim ficou inteiramente quieto, e algo como um raio o atravessou. A luz brilhou muito clara, e alguém gritou: “Soldadinho de estanho!” O peixe fora pescado, levado ao mercado, vendido e trazido à cozinha, onde a criada o abriu com uma faca grande. Com dois dedos ela pegou o soldado pela cintura e o levou para a sala. Todos queriam ver um homem tão extraordinário, que viajara na barriga de um peixe, mas o soldadinho não estava nem um pouco orgulhoso. Puseram-no de pé sobre a mesa, e ali... Como acontecem coisas estranhas neste mundo! O soldadinho estava na mesmíssima sala de antes; viu as mesmas crianças, e os brinquedos estavam sobre a mesa: o belo castelo com a linda bailarina. Ela ainda se equilibrava sobre uma perna, com a outra erguida bem alto; também era firme. Isso comoveu o soldadinho, que estava quase chorando estanho, mas não seria apropriado. Ele olhou para ela, e ela olhou para ele, mas não disseram nada.

Naquele instante um dos meninos pequenos pegou o soldado e o jogou direto na estufa de aquecimento, sem dar motivo algum. Com certeza a culpa era do troll na caixa.

O soldadinho estava inteiramente iluminado e sentia um calor terrível. Mas não sabia se vinha do fogo de verdade ou do amor. Suas cores tinham desaparecido por completo; ninguém podia dizer se isso acontecera na viagem ou por tristeza. Ele olhava para a pequena donzela, ela olhava para ele, e ele sentia que estava derretendo, mas continuava firme, com a espingarda no braço. Então uma porta se abriu, o vento pegou a bailarina, e ela voou como uma sílfide direto para dentro da estufa, até o soldadinho; ardeu numa chama e desapareceu. O soldadinho derreteu numa pequena massa e, quando a criada tirou as cinzas no dia seguinte, encontrou-o como um coraçãozinho de estanho. Da bailarina, porém, restara apenas a lantejoula, que estava queimada, preta como carvão.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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