# O tempo de vida

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-tempo-de-vida)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 2b96aa73-7f60-46bc-94dc-e0514c156ff3
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Depois de criar o mundo, Deus determina o tempo de vida das criaturas. Burro, cachorro e macaco pedem que seus anos sejam reduzidos, enquanto o homem considera insuficientes os trinta anos oferecidos.

## Conto integral

Quando Deus criou o mundo e quis determinar o tempo de vida de todas as criaturas, veio o burro e perguntou:

— Senhor, quanto tempo devo viver?

— Trinta anos — respondeu Deus. — Está bom para você?

— Ah, Senhor — respondeu o burro —, é muito tempo. Pense em minha existência penosa: carregar fardos pesados da manhã até a noite, arrastar sacos de grãos até o moinho para que outros comam o pão, e não receber incentivo nem alento senão com pancadas e pontapés! Poupe-me de uma parte desse longo tempo.

Então Deus teve pena e o dispensou de dezoito anos. O burro foi embora consolado, e apareceu o cachorro.

— Quanto tempo quer viver? — perguntou-lhe Deus. — Para o burro, trinta anos são demais, mas você ficará satisfeito com eles.

— Senhor — respondeu o cachorro —, é essa a sua vontade? Pense no quanto preciso correr; minhas patas não aguentam tanto tempo. E, quando eu tiver perdido a voz para latir e os dentes para morder, o que me restará senão ir de um canto a outro e rosnar?

Deus viu que ele tinha razão e o dispensou de doze anos. Depois veio o macaco.

— Você certamente gostaria de viver trinta anos — disse-lhe o Senhor. — Não precisa trabalhar como o burro e o cachorro e está sempre de bom humor.

— Ah, Senhor — respondeu ele —, parece que é assim, mas é diferente. Quando chove mingau de painço, não tenho colher. Preciso fazer travessuras o tempo todo e caretas para que as pessoas riam; e, quando me dão uma maçã e eu a mordo, está azeda. Quantas vezes a tristeza se esconde atrás da brincadeira! Não aguento isso por trinta anos.

Deus foi bondoso e o dispensou de dez anos.

Por fim apareceu o homem, alegre, saudável e cheio de vigor, e pediu a Deus que determinasse seu tempo.

— Você viverá trinta anos — disse o Senhor. — É o bastante?

— Que tempo curto! — exclamou o homem. — Quando eu tiver construído minha casa e o fogo estiver aceso em minha própria lareira, quando tiver plantado árvores que florescem e dão frutos e pensar em aproveitar a vida, terei de morrer! Ó Senhor, prolongue meu tempo!

— Vou acrescentar os dezoito anos do burro — disse Deus.

— Não é o bastante — respondeu o homem.

— Você terá também os doze anos do cachorro.

— Ainda é pouco.

— Pois bem — disse Deus —, vou lhe dar ainda os dez anos do macaco, mas não receberá mais nada.

O homem foi embora, mas não ficou satisfeito.

Assim, o homem vive setenta anos. Os primeiros trinta são seus anos humanos, que passam depressa: neles é saudável e alegre, trabalha com prazer e se regozija de existir. Depois vêm os dezoito anos do burro, em que lhe põem uma carga depois da outra: precisa carregar os grãos que alimentam os outros, e pancadas e pontapés são o pagamento por seus serviços fiéis. Em seguida vêm os doze anos do cachorro, em que fica deitado pelos cantos, rosna e já não tem dentes para morder. E, quando esse tempo passa, os dez anos do macaco encerram tudo. Então o homem fica fraco de juízo e tolo, faz coisas disparatadas e se torna motivo de zombaria para as crianças.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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