# O trigo-sarraceno

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/o-trigo-sarraceno)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 74c0f962-86bc-4d28-a386-b04b75bcfed6
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Junto de um velho salgueiro, o trigo-sarraceno se considera mais belo que os outros cereais e se recusa a inclinar a cabeça. Quando uma tempestade se aproxima, as flores, os cereais e a árvore o advertem, mas ele insiste em manter sua postura e desafiar o aviso sobre o relâmpago.

## Conto integral

Muitas e muitas vezes, quando passamos depois de uma trovoada por um campo onde cresce trigo-sarraceno, vemos que ele ficou inteiramente preto e chamuscado. É como se uma labareda tivesse passado por cima dele, e então o camponês diz: “Foi o raio que fez isso!” Mas por que aconteceu com ele? Vou contar o que o pardal me disse, e o pardal ouviu de um velho salgueiro que ficava junto de um campo de trigo-sarraceno e ainda está lá. É um salgueiro grande e venerável, mas enrugado e velho. Está rachado bem ao meio, e da fenda crescem capim e ramos de amoreira-silvestre. A árvore se inclina para a frente, e os galhos pendem até o chão, como se fossem uma longa cabeleira verde.

Em todos os campos ao redor cresciam cereais: centeio, cevada e aveia. Sim, aquela bela aveia que, quando madura, parece uma multidão de pequenos canários amarelos num galho. Os cereais cresciam tão abençoados, e, quanto mais pesados ficavam, mais se curvavam em piedosa humildade.

Mas havia também um campo de trigo-sarraceno, e esse campo ficava bem diante do velho salgueiro. O trigo-sarraceno não se curvava de jeito nenhum, como os outros cereais: erguia-se orgulhoso e rígido!

— Sou tão rico quanto a espiga — disse ele — e, além disso, muito mais bonito. Minhas flores são belas como as flores da macieira. É um prazer olhar para mim e para os meus! Você encontra alguém mais magnífico do que nós, velho salgueiro?

O salgueiro assentiu com a cabeça, como se quisesse dizer: “Sim, encontro, de fato!” Mas o trigo-sarraceno se encheu de arrogância e disse:

— Que árvore tola! É tão velha que tem capim crescendo na barriga!

Então se armou uma tempestade terrível. Todas as flores do campo dobraram suas folhas ou inclinaram suas delicadas cabeças enquanto a tempestade passava sobre elas. Mas o trigo-sarraceno continuava de cabeça erguida em seu orgulho.

— Incline a cabeça, como nós! — disseram as flores.

— Não preciso fazer isso de jeito nenhum! — disse o trigo-sarraceno.

— Incline a cabeça, como nós! — gritaram os cereais. — Aí vem voando o anjo da tempestade! Suas asas vão das nuvens até o chão, e ele vai partir você ao meio antes que possa lhe pedir misericórdia!

— Mas eu não vou me curvar! — disse o trigo-sarraceno.

— Feche suas flores e dobre suas folhas! — disse o velho salgueiro. — Não olhe para o raio quando a nuvem se romper. Nem os seres humanos ousam fazer isso, pois no relâmpago se pode ver o céu de Deus, mas essa visão pode deixar cegos até os seres humanos. O que não aconteceria conosco, plantas da terra, se ousássemos fazer isso, nós que somos tão inferiores!

— Tão inferiores! — disse o trigo-sarraceno. — Pois agora é que vou olhar para dentro do céu de Deus! — E fez isso com presunção e orgulho. O relâmpago foi tão forte que parecia que o mundo inteiro estava em chamas.

Quando a tempestade passou, as flores e os cereais estavam no ar calmo e puro, tão revigorados pela chuva. Mas o raio queimara o trigo-sarraceno, deixando-o negro como carvão. Agora ele era uma planta morta e inútil no campo.

Então o velho salgueiro moveu os galhos ao vento, e grandes gotas de água caíram das folhas verdes, como se a árvore chorasse. Os pardais perguntaram:

— Por que você chora? Está tudo tão abençoado aqui! Veja como o sol brilha, veja como as nuvens passam! Sente o perfume das flores e dos arbustos? Por que chora, velho salgueiro?

E o salgueiro contou sobre o orgulho, a presunção e o castigo do trigo-sarraceno! O castigo sempre vem. Eu, que conto esta história, a ouvi dos pardais! Eles me contaram numa noite em que lhes pedi um conto.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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