# Ole Fecha-Olhos

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/ole-fecha-olhos)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: d28957b6-8110-43fe-807b-341fca4fbff8
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Durante sete noites, Ole Fecha-Olhos visita o menino Hjalmar e o conduz por histórias e sonhos. Cada dia da semana traz uma aventura, entre objetos que falam, viagens e casamentos de pequenos seres.

## Conto integral

No mundo inteiro não há ninguém que saiba tantas histórias quanto Ole Fecha-Olhos! Ele sabe mesmo contar!

Quando a noite vai chegando e as crianças estão muito bem sentadas à mesa ou em seus banquinhos, Ole Fecha-Olhos aparece. Sobe a escada em silêncio, pois anda só de meias, abre a porta bem devagar e puf! Borrifa leite fresco nos olhos das crianças, em gotinhas muito finas, muito finas, mas sempre suficientes para que não consigam manter os olhos abertos e, por isso, não o vejam. Ele chega de mansinho por trás, sopra suavemente na nuca delas e logo suas cabeças ficam pesadas, ah, sim! Mas não dói, pois Ole Fecha-Olhos só quer o bem das crianças. Quer apenas que fiquem sossegadas, e é na cama que elas melhor sossegam. Precisam ficar quietinhas para que ele possa lhes contar histórias.

Quando as crianças já estão dormindo, Ole Fecha-Olhos se senta na cama. Anda bem-vestido: sua casaca é de seda, mas não se pode dizer de que cor, porque brilha verde, vermelha e azul, conforme ele se vira. Debaixo de cada braço leva um guarda-chuva. Um tem figuras, e é esse que abre sobre as crianças boas; então elas passam a noite inteira sonhando as mais belas histórias. O outro não tem figura alguma. Ele o abre sobre as crianças malcriadas, que assim dormem sem graça nenhuma e, quando acordam de manhã, não sonharam coisa alguma.

Agora vamos ouvir como Ole Fecha-Olhos visitou, todas as noites de uma semana inteira, um menino chamado Hjalmar, e o que lhe contou! São sete histórias, pois uma semana tem sete dias.

## Segunda-feira

— Escute só! — disse Ole Fecha-Olhos à noite, depois de pôr Hjalmar na cama. — Agora vou enfeitar tudo!

As flores dos vasos se transformaram em grandes árvores, que estenderam seus longos ramos debaixo do teto e ao longo das paredes. O quarto inteiro parecia o mais belo caramanchão. Todos os ramos estavam cheios de flores, cada flor mais bonita que uma rosa, com um perfume delicioso; e, se alguém quisesse comê-la, seria mais doce que geleia! As frutas brilhavam como ouro, e havia pãezinhos que se abriam de tantas passas. Era incomparável! Naquele instante, porém, começou uma lamentação terrível na gaveta da mesa em que estavam os livros escolares de Hjalmar.

— O que é isso? — disse Ole Fecha-Olhos.

Foi até a mesa e abriu a gaveta. Era a lousa, que sentia aperto e opressão porque havia um número errado na conta; estava quase se desfazendo. O lápis de ardósia pulava e saltava em seu cordão, como um cachorrinho. Queria ajudar a conta, mas não conseguia! E também se ouviam gemidos dentro do caderno de caligrafia de Hjalmar. Ah, era horrível de ouvir! Em cada página, de alto a baixo, estavam todas as letras maiúsculas, cada uma com uma minúscula ao lado: uma fileira inteira, um modelo de escrita. Junto dele havia outras letras que achavam que se pareciam com o modelo, pois Hjalmar as escrevera. Estavam quase deitadas, como se tivessem tropeçado no traço a lápis sobre o qual deveriam ficar em pé.

— Vejam, é assim que devem se manter! — dizia o modelo. — Vejam, inclinadas para este lado, com uma curva vigorosa!

— Ah, nós bem gostaríamos — diziam as letras de Hjalmar —, mas não conseguimos, estamos tão doentes!

— Então terão de tomar pó purgativo para crianças! — disse Ole Fecha-Olhos.

— Ah, não! — gritaram elas.

E logo ficaram tão eretas que dava gosto!

— Pois agora não vamos conseguir contar histórias! — disse Ole Fecha-Olhos. — Agora preciso treiná-las! Um, dois! Um, dois!

Ele pôs as letras a fazer exercícios, e elas ficaram tão eretas e saudáveis quanto qualquer modelo. Mas, quando Ole Fecha-Olhos foi embora e Hjalmar olhou para elas de manhã, estavam tão miseráveis quanto antes.

## Terça-feira

Assim que Hjalmar se deitou, Ole Fecha-Olhos tocou com sua pequena seringa mágica em todos os móveis do quarto, e eles imediatamente começaram a falar. Todos falavam de si mesmos, menos a escarradeira, que permanecia calada, aborrecida por serem tão vaidosos, só falarem de si, só pensarem em si e nem se lembrarem dela, que ficava tão modestamente no canto, deixando que cuspissem nela.

Sobre a cômoda pendia um grande quadro numa moldura dourada. Era uma paisagem: viam-se árvores altas e antigas, flores na relva e uma grande extensão de água com um rio que passava atrás da floresta, junto de muitos castelos, até desembocar no mar bravio.

Ole Fecha-Olhos tocou o quadro com a seringa mágica. Os pássaros lá dentro começaram a cantar, os ramos das árvores se moveram, e as nuvens se puseram a correr de verdade. Podia-se ver a sombra delas atravessando a paisagem.

Ele ergueu o pequeno Hjalmar até a moldura, e o menino enfiou as pernas para dentro do quadro, bem no meio da relva alta, e ali ficou. O sol brilhava sobre ele entre os ramos das árvores. Correu até a água e entrou num barquinho que estava ali. Era pintado de vermelho e branco, as velas brilhavam como prata, e seis cisnes, todos com coroas de ouro em volta do pescoço e uma estrela azul brilhante sobre a cabeça, puxavam o barco junto das florestas verdes. As árvores contavam histórias de salteadores e bruxas; as flores falavam dos lindos elfozinhos e do que as borboletas lhes tinham contado.

Belíssimos peixes, com escamas como prata e ouro, nadavam atrás do barco. De vez em quando saltavam e faziam plás! ao cair de volta na água. Pássaros vermelhos e azuis, pequenos e grandes, voavam atrás em duas longas fileiras. Os mosquitos dançavam e o besouro fazia bum, bum! Todos queriam acompanhar Hjalmar, e cada qual tinha uma história para contar!

Aquilo, sim, era um passeio de barco! Ora as florestas eram tão densas e escuras, ora pareciam o mais belo jardim, cheio de sol e flores. Havia grandes castelos de vidro e mármore. Nas sacadas estavam princesas, e todas eram meninas que Hjalmar conhecia muito bem, com quem já tinha brincado. Cada uma estendia a mão com o mais encantador porquinho de açúcar que uma vendedora de doces poderia vender. Ao passar, Hjalmar agarrava uma ponta do porquinho; a princesa segurava firme, e assim cada um ficava com um pedaço: ela com o menor, Hjalmar com o maior de todos! Em cada castelo, príncipes pequeninos montavam guarda, com sabres de ouro ao ombro, e faziam chover passas e soldadinhos de chumbo. Eram príncipes de verdade!

Ora Hjalmar navegava por florestas, ora parecia atravessar grandes salões ou passar pelo meio de uma cidade. Passou também por aquela em que morava sua antiga babá, que o carregara quando ele era bem pequenino e gostara tanto dele. Ela assentia com a cabeça, acenava e cantava os lindos versos que ela mesma compusera e mandara a Hjalmar:

:::verse
Penso em você tantas vezes,
Meu Hjalmar, meu querido!
Beijei sua boquinha,
Sua testa, suas faces vermelhas.
Ouvi você dizer as primeiras palavras,
Tive de me despedir de você.
Nosso Senhor o abençoe aqui na terra,
Você é um anjo do Reino dele!
:::

Todos os pássaros cantavam junto, as flores dançavam sobre as hastes, e as árvores antigas moviam a cabeça, como se Ole Fecha-Olhos também lhes contasse histórias.

## Quarta-feira

Nossa, como a chuva caía lá fora! Hjalmar podia ouvi-la durante o sono. Quando Ole Fecha-Olhos abriu uma janela, a água chegava até o peitoril. Havia um lago inteiro lá fora, e um navio magnífico estava encostado à casa.

— Quer vir navegar, pequeno Hjalmar? — disse Ole Fecha-Olhos. — Assim poderá visitar terras estrangeiras esta noite e estar de volta amanhã cedo!

De repente, Hjalmar estava com sua roupa de domingo no meio do esplêndido navio. O tempo logo ficou maravilhoso; navegaram pelas ruas, deram a volta na igreja, e agora tudo era um vasto mar bravio. Navegaram tanto que já não se avistava terra alguma. Viram um bando de cegonhas, que também vinha de sua terra e seguia para os países quentes. Uma voava atrás da outra, e já tinham percorrido um caminho tão longo, tão longo! Uma delas estava tão cansada que as asas quase não conseguiam sustentá-la. Era a última da fila e logo ficou muito para trás. Por fim, de asas abertas, foi descendo cada vez mais. Ainda bateu as asas algumas vezes, mas não adiantou. Seus pés tocaram os cabos do navio; ela escorregou pela vela e bum! Ali estava, no convés.

O grumete a pegou e a pôs no galinheiro, junto das galinhas, dos patos e dos perus. A pobre cegonha ficou muito acanhada no meio deles.

— Olhem só para essa! — disseram todas as galinhas.

O peru se inflou o máximo que pôde e perguntou quem ela era. Os patos andavam de costas e se cutucavam:

— Quá! Depressa! Quá! Depressa!

A cegonha contou sobre a África quente, as pirâmides e a avestruz, que corria pelo deserto como um cavalo selvagem. Mas os patos não entendiam o que ela dizia e se cutucavam:

— Vamos concordar que ela é burra?

— É claro que é burra! — disse o peru, e começou a gorgolejar.

A cegonha se calou e pensou na sua África.

— Que pernas fininhas e bonitas a senhora tem! — disse o peru. — Quanto custa a vara?

— Quá, quá, quá! — gargalharam os patos.

A cegonha fingiu que não ouvia.

— Pode rir também! — disse-lhe o peru. — Foi uma observação muito espirituosa! Ou talvez tenha sido vulgar demais para ela? Ai, ai! Ela não é versátil! Continuemos a ser interessantes para nós mesmos!

Eles cacarejavam, e os patos grasnavam “gic, gac! gic, gac!”. Era espantoso como se divertiam sozinhos.

Hjalmar, porém, foi ao galinheiro, abriu a porta e chamou a cegonha. Ela saltou para o convés, junto dele. Já descansara, e pareceu inclinar a cabeça em agradecimento. Depois abriu as asas e voou para os países quentes. Mas as galinhas cacarejavam, os patos grasnavam, e o peru ficou com a cabeça inteiramente vermelha como fogo.

— Amanhã vamos fazer sopa de vocês! — disse Hjalmar.

Então ele acordou e estava em sua caminha. Que viagem extraordinária Ole Fecha-Olhos lhe fizera fazer naquela noite!

## Quinta-feira

— Sabe de uma coisa? — disse Ole Fecha-Olhos. — Não fique com medo! Aqui está uma ratinha!

Estendeu-lhe a mão, onde estava o animalzinho leve e gracioso.

— Veio convidar você para um casamento. Dois ratinhos vão se casar esta noite. Moram debaixo do assoalho da despensa de sua mãe; dizem que é uma residência maravilhosa!

— Mas como vou passar pelo buraquinho dos ratos no chão? — perguntou Hjalmar.

— Deixe isso comigo! — disse Ole Fecha-Olhos. — Vou torná-lo pequeno!

Tocou Hjalmar com a seringa mágica, e ele foi diminuindo, diminuindo, até ficar menor que um dedo.

— Agora você pode tomar emprestada a roupa do soldadinho de chumbo; acho que servirá. Fica tão vistoso usar uniforme numa reunião social!

— Pois sim! — disse Hjalmar.

Num instante estava vestido como o mais belo soldadinho de chumbo.

— Faça o favor de se sentar no dedal de sua mãe — disse a ratinha. — Assim terei a honra de puxá-lo!

— Meu Deus, a própria senhorita terá esse trabalho! — disse Hjalmar.

E partiram para o casamento dos ratos.

Primeiro entraram debaixo do assoalho, num corredor tão baixo que mal permitia a passagem de um dedal. Todo o corredor era iluminado por madeira podre fosforescente.

— Não está com um cheiro delicioso? — disse a ratinha que o puxava. — O corredor inteiro foi esfregado com couro de toucinho! Não poderia ser mais delicioso!

Chegaram ao salão das bodas. À direita estavam as ratinhas, cochichando e sussurrando como se zombassem umas das outras. À esquerda, os ratos alisavam os bigodes com as patas. No meio do salão viam-se os noivos, de pé numa casca de queijo escavada, beijando-se muitíssimo diante de todos, pois estavam noivos e logo se casariam.

Chegavam cada vez mais convidados. Um rato quase pisava no outro até matá-lo, e os noivos tinham se colocado bem no meio da porta, de modo que ninguém podia entrar nem sair. O salão inteiro, assim como o corredor, fora esfregado com couro de toucinho: esse era todo o banquete. Mas, como sobremesa, exibiram uma ervilha em que um ratinho da família roera o nome dos noivos — isto é, a primeira letra. Era algo extraordinário.

Todos os ratos disseram que tinha sido um casamento maravilhoso e que a conversa estivera muito boa.

Hjalmar voltou então para casa. Estivera mesmo numa sociedade muito distinta, mas também tivera de se encolher bastante, fazer-se pequeno e vestir o uniforme de soldadinho de chumbo.

## Sexta-feira

— É incrível quantas pessoas mais velhas querem me encontrar! — disse Ole Fecha-Olhos. — Sobretudo as que fizeram alguma maldade. “Bom pequeno Ole”, dizem, “não conseguimos fechar os olhos e passamos a noite inteira vendo nossas más ações, sentadas na beira da cama como pequenos trasgos horríveis, que nos borrifam com água quente. Você não poderia vir afugentá-las, para que tenhamos uma boa noite de sono?” Então suspiram profundamente: “Teremos muito prazer em pagar! Boa noite, Ole! O dinheiro está na janela!” Mas eu não faço isso por dinheiro — disse Ole Fecha-Olhos.

— O que vamos fazer esta noite? — perguntou Hjalmar.

— Não sei se você gostaria de ir a outro casamento esta noite. É diferente do de ontem. O boneco grande de sua irmã, aquele que parece um homem e se chama Herman, vai se casar com a boneca Bertha. Além disso, é aniversário da boneca; por isso vão chegar tantos presentes!

— Ah, isso eu já conheço! — disse Hjalmar. — Sempre que os bonecos precisam de roupas novas, minha irmã inventa um aniversário ou um casamento para eles. Isso já deve ter acontecido cem vezes!

— Pois esta noite é o casamento cento e um, e, quando acaba o cento e um, acaba tudo! Por isso este será incomparável. Veja só!

Hjalmar olhou para a mesa. Ali estava a casinha de papelão com luz nas janelas, e todos os soldadinhos de chumbo apresentavam armas do lado de fora. Os noivos estavam sentados no chão, encostados na perna da mesa, muito pensativos, e bem tinham razão para isso. Mas Ole Fecha-Olhos, usando a saia preta da avó, celebrou o casamento! Terminada a cerimônia, todos os móveis do quarto entoaram esta bela canção, escrita pelo lápis, ao som do toque de recolher:

:::verse
Nossa canção deve vir como um vento
Entrar no quarto para os noivos;
Os dois se erguem como uma vareta,
São feitos de couro de luva!
Viva, viva a vareta e o couro!
Cantamos isso bem alto, faça o tempo que fizer!
:::

Então receberam presentes, mas tinham pedido que ninguém trouxesse nada comestível, porque o amor deles lhes bastava.

— Vamos passar uma temporada no campo ou viajar para o estrangeiro? — perguntou o noivo.

Pediram conselho à andorinha, que tinha viajado muito, e à velha galinha do quintal, que já chocara pintinhos cinco vezes. A andorinha falou dos lindos países quentes, onde as uvas pendiam grandes e pesadas, o ar era tão suave, e as montanhas tinham cores desconhecidas por ali.

— Mas eles não têm nossa couve! — disse a galinha. — Passei um verão no campo com todos os meus pintinhos. Havia uma cascalheira onde podíamos ciscar, e também tínhamos acesso a uma horta de couves! Ah, como eram verdes! Não consigo imaginar nada mais bonito.

— Mas um pé de couve é igual ao outro — disse a andorinha —, e aqui o tempo é tantas vezes ruim!

— A isso a gente se acostuma! — disse a galinha.

— Mas aqui faz frio, chega a congelar!

— Isso faz bem à couve! — disse a galinha. — Além do mais, também podemos ter calor! Há quatro anos não tivemos um verão que durou cinco semanas? Fazia tanto calor que não se podia respirar! E não temos todos os animais venenosos que eles têm lá fora! Estamos livres de salteadores! Quem não acha nossa terra a mais bonita é um miserável! Não merecia estar aqui!

E a galinha chorou.

— Eu também já viajei! Andei num balde por mais de doze milhas! Não há prazer algum em viajar!

— Sim, a galinha é uma senhora sensata! — disse a boneca Bertha. — Também não gosto de viajar por montanhas, porque é só subir e depois descer! Não, vamos nos mudar para perto da cascalheira e passear pela horta de couves!

E assim ficou resolvido.

## Sábado

— Agora vou ouvir histórias? — perguntou o pequeno Hjalmar, assim que Ole Fecha-Olhos o pôs para dormir.

— Esta noite não temos tempo para isso — disse Ole, abrindo sobre ele seu guarda-chuva mais bonito. — Veja esses chineses!

O guarda-chuva inteiro parecia uma grande tigela chinesa, com árvores azuis e pontes pontudas, sobre as quais pequenos chineses assentiam com a cabeça.

— Temos de deixar o mundo inteiro bem polido para amanhã — disse Ole. — É um dia santo, é domingo. Preciso ir às torres das igrejas ver se os duendezinhos das igrejas estão polindo os sinos, para que soem bem. Preciso ir aos campos ver se os ventos estão soprando a poeira da relva e das folhas. E o maior trabalho de todos: preciso descer todas as estrelas para poli-las. Eu as ponho no meu avental, mas antes cada uma precisa receber um número; e os buracos onde ficam lá em cima também precisam ser numerados, para que elas possam voltar aos lugares certos. Senão não ficarão firmes e teremos estrelas cadentes demais, uma caindo atrás da outra!

— Escute, sabe de uma coisa, senhor Fecha-Olhos? — disse um velho retrato pendurado na parede do quarto em que Hjalmar dormia. — Sou o bisavô de Hjalmar. Agradeço-lhe por contar histórias ao menino, mas não deve confundir as ideias dele. As estrelas não podem ser retiradas do céu e polidas! As estrelas são globos como a nossa Terra, e é justamente isso que há de bom nelas!

— Muito obrigado, velho bisavô! — disse Ole Fecha-Olhos. — Muito obrigado! O senhor é a cabeça da família, a cabeça dos antepassados! Mas eu sou mais velho que o senhor! Sou um velho pagão: os romanos e os gregos me chamavam deus dos sonhos. Já frequentei as casas mais distintas e ainda as frequento! Sei lidar com pequenos e grandes. Agora o senhor pode contar!

Ole Fecha-Olhos foi embora, levando o guarda-chuva.

— Pelo visto, já não se pode dizer o que se pensa! — disse o velho retrato.

E Hjalmar acordou.

## Domingo

— Boa noite! — disse Ole Fecha-Olhos.

Hjalmar acenou com a cabeça, mas correu para virar o retrato do bisavô de frente para a parede, para que ele não se metesse na conversa como no dia anterior.

— Agora me conte histórias sobre as cinco ervilhas verdes que moravam na mesma vagem, sobre “Perna de Galo, que cortejava Perna de Galinha”, e sobre a agulha de cerzir, que era tão cheia de si que imaginava ser uma agulha de costura!

— Até das coisas boas se pode ter demais! — disse Ole Fecha-Olhos. — Prefiro lhe mostrar uma coisa, sabe? Vou mostrar meu irmão. Ele também se chama Ole Fecha-Olhos, mas nunca visita ninguém mais de uma vez. Quando vem, leva a pessoa em seu cavalo e lhe conta histórias. Sabe apenas duas: uma tão incomparavelmente bela que ninguém no mundo consegue imaginá-la, e outra tão horrível e medonha que não se pode descrever!

Ole Fecha-Olhos ergueu o pequeno Hjalmar até a janela e disse:

— Ali você vai ver meu irmão, o outro Ole Fecha-Olhos! Também o chamam de Morte! Vê? Não tem nada de terrível, como nos livros de figuras em que aparece só de ossos! Não, o que ele tem na roupa é bordado de prata; é um belo uniforme de hussardo! Uma capa de veludo preto esvoaça atrás, por cima do cavalo. Veja como ele galopa!

Hjalmar viu aquele Ole Fecha-Olhos cavalgar e levar em seu cavalo tanto pessoas jovens como velhas. Algumas ele sentava à frente, outras atrás, mas sempre perguntava primeiro:

— Como está o boletim?

— Bom! — diziam todos.

— Pois deixe-me ver! — dizia ele.

E tinham de lhe mostrar o boletim. Todos os que tinham “Muito bom” e “Excelente” sentavam-se à frente no cavalo e ouviam a bela história. Os que tinham “Razoável” e “Medíocre” precisavam ir atrás e ouviam a história horrível. Tremiam e choravam, queriam saltar do cavalo, mas não conseguiam, porque logo tinham ficado presos a ele, como se nele houvessem crescido.

— Mas a Morte é o mais encantador dos Ole Fecha-Olhos! — disse Hjalmar. — Não tenho medo dele!

— Nem deve ter! — disse Ole Fecha-Olhos. — Trate apenas de ter um bom boletim!

— Sim, isso é instrutivo! — murmurou o retrato do bisavô. — Sempre adianta dizer o que se pensa!

E ficou satisfeito.

Pois essa é a história de Ole Fecha-Olhos! Agora ele mesmo pode contar mais alguma coisa a você esta noite!

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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