# Os músicos de Bremen

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/os-musicos-de-bremen)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 697d9491-867c-4aed-8893-fe9404a51411
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um burro que já não consegue trabalhar como antes foge do dono e toma o caminho de Bremen, onde espera ser músico da cidade. Pelo caminho, encontra um cão, um gato e um galo que também procuram escapar de ameaças de seus donos. Os quatro seguem juntos, pensando no que poderão fazer com suas vozes e sua música.

## Conto integral

Um homem tinha um burro que, durante muitos anos, carregara os sacos até o moinho sem se queixar. Mas suas forças estavam se esgotando, e ele se tornava cada vez menos capaz de trabalhar. O dono pensou então em se livrar dele para não ter mais de alimentá-lo. O burro, porém, percebeu que a coisa ia mal, fugiu e tomou o caminho de Bremen. Lá, pensava, poderia tornar-se músico da cidade. Depois de andar um pouco, encontrou um cão de caça deitado no caminho, ofegante como quem correu até se cansar. “Por que está ofegando assim, Packan?”, perguntou o burro. “Ah”, disse o cão, “como estou velho, fico mais fraco a cada dia e já não consigo acompanhar a caça, meu dono quis me matar a pancadas. Então fugi. Mas como vou ganhar meu pão agora?” “Sabe de uma coisa?”, disse o burro. “Vou para Bremen e me tornarei músico da cidade. Venha comigo e peça para ser aceito na música também. Eu toco alaúde, e você toca os tímpanos.” O cão concordou, e continuaram a caminhar. Não demorou para encontrarem um gato sentado à beira do caminho, com uma cara de três dias de chuva. “Ora, o que aconteceu com você, velho limpa-barbas?”, perguntou o burro. “Quem pode ficar alegre quando a própria vida está em jogo?”, respondeu o gato. “Como estou ficando velho, meus dentes estão perdendo o fio e prefiro ficar atrás do fogão ronronando a correr atrás de ratos, minha dona quis me afogar. Consegui fugir, mas agora é difícil achar uma saída. Para onde vou?” “Venha conosco para Bremen. Você entende de música noturna, então pode se tornar músico da cidade.” O gato achou boa a ideia e foi com eles. Os três fugitivos passaram depois por uma fazenda, onde o galo da casa estava sobre o portão, gritando com todas as forças. “Seus gritos penetram até a medula dos ossos!”, disse o burro. “O que está planejando?” “Pois anunciei tempo bom”, disse o galo, “porque é dia de Nossa Senhora, quando ela lavou as camisinhas do Menino Jesus e quer pô-las para secar. Mas, como amanhã, que é domingo, vêm visitas, a dona da casa não teve piedade e disse à cozinheira que queria me comer amanhã na sopa. Por isso, hoje à noite vão me cortar a cabeça. Agora grito a plenos pulmões enquanto ainda posso.” “Ora essa, cabeça-vermelha!”, disse o burro. “É melhor vir embora conosco. Vamos para Bremen. Algo melhor que a morte você encontra em qualquer lugar! Você tem uma boa voz e, se tocarmos juntos, há de sair coisa boa.” O galo gostou da proposta, e os quatro seguiram juntos.

Não conseguiram, porém, chegar à cidade de Bremen num só dia. Ao anoitecer, entraram numa floresta, onde pretendiam passar a noite. O burro e o cão se deitaram debaixo de uma grande árvore. O gato e o galo subiram nos galhos, mas o galo voou até a ponta, onde estaria mais seguro. Antes de adormecer, olhou mais uma vez para os quatro lados e lhe pareceu ver uma faísca brilhando ao longe. Chamou os companheiros e disse que devia haver uma casa não muito distante, pois aparecia uma luz. O burro falou: “Então precisamos nos levantar e ir até lá, porque aqui o abrigo é ruim.” O cão achou que uns ossos com um pouco de carne também lhe fariam bem. Puseram-se a caminho na direção da luz. Logo a viram brilhar com mais força; ela foi ficando cada vez maior, até chegarem a uma casa de ladrões muito iluminada. O burro, que era o maior, aproximou-se da janela e olhou para dentro. “O que está vendo, cinzentão?”, perguntou o galo. “O que estou vendo?”, respondeu o burro. “Uma mesa posta, com boa comida e bebida, e ladrões sentados ao redor, aproveitando tudo.” “Isso seria bom para nós”, disse o galo. “Sim, sim, ah, se estivéssemos lá!”, disse o burro. Os animais deliberaram sobre como expulsar os ladrões e por fim encontraram um meio. O burro devia apoiar as patas da frente na janela, o cão saltar sobre as costas do burro, o gato subir no cão e, por último, o galo voar até lá e pousar na cabeça do gato. Feito isso, a um sinal, começaram todos juntos a fazer sua música: o burro zurrou, o cão latiu, o gato miou e o galo cantou. Depois se lançaram pela janela para dentro da sala, fazendo os vidros tilintarem. Os ladrões deram um salto com aquela gritaria terrível. Convencidos de que um fantasma estava entrando, fugiram para a floresta, cheios de medo. Os quatro companheiros se sentaram à mesa, contentaram-se com o que tinha sobrado e comeram como se fossem passar quatro semanas de fome.

Quando os quatro músicos terminaram, apagaram a luz e procuraram um lugar para dormir, cada um conforme sua natureza e comodidade. O burro se deitou sobre o monte de esterco, o cão atrás da porta, o gato junto às cinzas quentes da lareira, e o galo se empoleirou na trave debaixo da cumeeira. Cansados da longa caminhada, logo adormeceram. Passada a meia-noite, os ladrões viram de longe que já não havia luz na casa e que tudo parecia tranquilo. O chefe disse: “Não devíamos ter nos deixado assustar assim”, e mandou um deles ir examinar a casa. O enviado encontrou tudo em silêncio. Entrou na cozinha para acender uma luz e, tomando os olhos ardentes e brilhantes do gato por brasas acesas, aproximou deles um fósforo para que pegasse fogo. Mas o gato não estava para brincadeiras: saltou-lhe no rosto, bufou e arranhou. O homem levou um susto enorme, correu e quis sair pela porta dos fundos. O cão, que estava deitado ali, levantou-se e o mordeu na perna. Quando atravessava o pátio correndo e passava pelo monte de esterco, o burro ainda lhe deu um forte coice com a pata traseira. O galo, despertado pelo barulho e já bem acordado, gritou de cima da trave: “Cocoricó!” O ladrão correu o mais que pôde de volta ao chefe e disse: “Ah, há uma bruxa horrenda naquela casa! Ela soprou em mim e arranhou meu rosto com seus longos dedos! Diante da porta está um homem com uma faca, que me feriu na perna. No pátio está deitado um monstro preto, que me atacou com um porrete de madeira. E lá em cima, no telhado, está o juiz, gritando: ‘Tragam-me o patife!’ Então tratei de fugir.” Daí em diante, os ladrões não ousaram voltar à casa. Mas os quatro músicos de Bremen gostaram tanto dela que não quiseram mais sair. E quem a contou por último ainda está com a boca quente.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)
- reviewer: Codex · revisão independente por IA

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