# Os namorados: o pião e a bola

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/os-namorados-o-piao-e-a-bola)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 07860519-90fb-47d8-90ef-b1e6bb864ff5
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um pião propõe namoro à bola que divide a gaveta com ele, mas ela se orgulha do material de que é feita e diz estar quase noiva de uma andorinha. Quando a bola desaparece durante uma brincadeira, o pião continua a pensar nela. Anos depois, já dourado, ele também se perde.

## Conto integral

O pião e a bola estavam juntos numa gaveta, entre outros brinquedos, quando o pião disse à bola:

— Não deveríamos namorar, já que estamos juntos na mesma gaveta?

Mas a bola, que era costurada em marroquim e tão convencida quanto uma senhorita fina, não quis responder a uma coisa dessas.

No dia seguinte, veio o menininho que era dono dos brinquedos. Pintou o pião de vermelho e amarelo e bateu um prego de latão bem no meio dele. Ficava realmente magnífico quando o pião rodopiava.

— Olhe para mim! — disse ele à bola. — O que a senhora diz agora? Não deveríamos namorar? Combinamos tão bem: a senhora pula, e eu danço! Ninguém poderia ser mais feliz do que nós dois!

— Ah, o senhor acha? — disse a bola. — Pelo visto não sabe que meu pai e minha mãe foram pantufas de marroquim e que eu tenho uma rolha no corpo!

— Sim, mas eu sou de mogno! — disse o pião. — E o juiz municipal me torneou pessoalmente. Ele tem seu próprio torno, e isso lhe deu um grande prazer!

— Posso confiar nisso? — perguntou a bola.

— Que eu nunca mais receba uma chicotada, se estiver mentindo! — respondeu o pião.

— O senhor sabe defender muito bem sua causa! — disse a bola. — Mas não posso. Estou praticamente meio noiva de uma andorinha. Toda vez que subo ao ar, ela põe a cabeça para fora do ninho e diz: “A senhora quer? A senhora quer?” E eu já disse sim por dentro; isso é praticamente meio noivado. Mas prometo ao senhor que nunca vou esquecê-lo!

— Sim, isso vai ajudar muito! — disse o pião, e os dois pararam de conversar.

No dia seguinte, tiraram a bola da gaveta. O pião viu como ela subia alto no ar, como um pássaro, até que já não se podia enxergá-la. Sempre voltava, mas dava um salto alto toda vez que tocava o chão. Isso vinha ou do anseio que sentia, ou da rolha que tinha no corpo. Na nona vez, a bola desapareceu e não voltou mais. O menino procurou e procurou, mas ela tinha sumido.

— Sei muito bem onde ela está! — suspirou o pião. — Está no ninho da andorinha e se casou com ela!

Quanto mais o pião pensava nisso, mais apaixonado ficava pela bola. Era justamente por não poder tê-la que seu amor aumentava; ela ter escolhido outro era o que tornava tudo tão singular. O pião dançava e rodopiava, mas sempre pensava na bola, que em sua imaginação ficava cada vez mais bonita. Assim se passaram muitos anos — e aquele se tornou um amor antigo.

O pião já não era jovem! Mas um dia foi inteiramente dourado. Nunca parecera tão bonito: agora era um pião dourado e saltava com um zunido. Ah, isso sim era alguma coisa! Mas de repente saltou alto demais e — desapareceu!

Procuraram e procuraram, até no porão, mas não conseguiam encontrá-lo.

Onde ele estava?

Tinha caído no barril de lixo, onde havia de tudo: talos de couve, lixo varrido e cascalho que caíra da calha.

— Agora, sim, estou bem instalado! Aqui o dourado pode sair de mim num instante! E que pobretões são esses no meio dos quais vim parar!

Olhou de lado para um longo talo de couve, desfolhado até demais, e para uma estranha coisa redonda que parecia uma maçã velha. Mas não era maçã nenhuma: era uma velha bola que passara muitos anos lá em cima na calha, atravessada pela água.

— Graças a Deus, enfim chega alguém da mesma condição que a gente, com quem se pode conversar! — disse a bola, observando o pião dourado. — Na verdade, sou de marroquim, costurada por mãos de donzela, e tenho uma rolha no corpo, mas ninguém adivinharia só de olhar para mim! Estive prestes a me casar com uma andorinha, mas caí na calha, e fiquei lá por cinco anos, deixando a água passar por mim! É muito tempo, pode acreditar, para uma donzela!

Mas o pião não disse nada. Pensava em sua antiga amada e, quanto mais ouvia, mais claro ficava para ele que era ela.

Então a criada veio para virar o barril.

— Ora, aqui está o pião dourado! — disse ela.

O pião voltou à sala, recebido com grande estima e honra. Da bola, porém, não se ouviu mais nada, e o pião nunca mais falou de seu antigo amor. Ele passa quando a amada ficou cinco anos numa calha, deixando a água passar por ela; sim, a gente nem a reconhece quando a encontra no barril de lixo.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/)
- reviewer: Codex · revisão independente por IA

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