# Os sete corvos

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/os-sete-corvos)
Autoria original: Jacob Grimm e Wilhelm Grimm
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 68d7e10c-3030-4b2d-b5fe-b137e06aa657
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Um homem com sete filhos finalmente tem a menina que desejava. A recém-nascida é fraca, e ele manda buscar água para um batismo de emergência. Os meninos deixam o cântaro cair no poço e não voltam; impaciente e temendo pela filha, o pai deseja que se tornem corvos. Anos depois, a menina descobre que teve irmãos e parte escondida para procurá-los e libertá-los.

## Conto integral

Um homem tinha sete filhos e ainda nenhuma filhinha, por mais que a desejasse. Por fim, sua mulher voltou a lhe dar boas esperanças de uma criança e, quando nasceu, era mesmo uma menina. A alegria foi grande, mas a criança era miúda e franzina, e, por causa de sua fraqueza, devia receber o batismo de emergência. O pai mandou depressa um dos meninos à fonte buscar água para o batismo. Os outros seis correram junto e, como cada um queria ser o primeiro a tirar a água, deixaram o cântaro cair no poço. Ficaram ali sem saber o que fazer, e nenhum se atrevia a voltar para casa. Como não retornavam, o pai se impacientou e disse: “Com certeza se esqueceram de novo por causa de alguma brincadeira, aqueles meninos sem Deus!” Teve medo de que a menina morresse sem batismo e, zangado, gritou: “Quem dera todos os meninos virassem corvos!” Mal terminara de dizer aquilo, ouviu um bater de asas no ar acima da cabeça, ergueu os olhos e viu sete corvos negros como carvão voando para longe.

Os pais não podiam mais desfazer a maldição. Embora estivessem tristes com a perda dos sete filhos, consolavam-se um pouco com a querida filhinha, que logo ganhou forças e ficava mais bonita a cada dia. Durante muito tempo, ela nem soube que tivera irmãos, pois os pais evitavam mencioná-los. Até que um dia, por acaso, ouviu as pessoas falarem dela: a menina era bonita, sim, mas no fundo era culpada pela desgraça dos sete irmãos. Muito triste, foi perguntar ao pai e à mãe se tivera irmãos e para onde eles haviam ido. Os pais já não podiam esconder o segredo, mas disseram que aquilo fora um desígnio do céu, e que seu nascimento tinha sido apenas a ocasião inocente. A menina, porém, sentia todos os dias um peso na consciência por isso e acreditava que devia libertar os irmãos. Não teve paz nem descanso até sair escondida pelo vasto mundo, para procurá-los em algum lugar e libertá-los, custasse o que custasse. Levou apenas um anelzinho dos pais como lembrança, um pão para a fome, um pequeno cântaro de água para a sede e uma cadeirinha para o cansaço.

Foi andando sem parar, para muito, muito longe, até o fim do mundo. Chegou ao sol, mas ele era quente demais e terrível, e devorava as criancinhas. Ela fugiu depressa e foi até a lua, mas esta era fria demais, além de medonha e má. Quando percebeu a criança, disse: “Sinto cheiro, cheiro de carne humana.” A menina se apressou em sair dali e chegou às estrelas. Elas foram amigas e bondosas, e cada uma estava sentada em sua própria cadeirinha. A estrela da manhã se levantou, deu-lhe um ossinho de galinha e disse: “Sem esse ossinho, você não pode abrir a montanha de vidro, e é na montanha de vidro que estão seus irmãos.”

A menina pegou o ossinho, embrulhou-o bem num lencinho e continuou andando até chegar à montanha de vidro. O portão estava trancado. Quis tirar o ossinho, mas, quando abriu o lenço, ele estava vazio: havia perdido o presente das boas estrelas. O que faria agora? Queria salvar os irmãos e não tinha chave para a montanha de vidro. A boa irmãzinha pegou uma faca, cortou um de seus dedinhos, enfiou-o no portão e conseguiu abrir. Depois que entrou, veio ao seu encontro um anãozinho, que perguntou: “Minha criança, o que você procura?” “Procuro meus irmãos, os sete corvos”, respondeu. O anão disse: “Os senhores corvos não estão em casa. Mas, se quiser esperar até que voltem, entre.” Então trouxe a comida dos corvos em sete pratinhos e sete copinhos. A irmãzinha comeu um pedacinho de cada prato e bebeu um golinho de cada copo. No último copinho, porém, deixou cair o anel que trouxera.

De repente, ouviu no ar um bater de asas e um sopro, e o anãozinho disse: “Agora os senhores corvos vêm voando de volta para casa.” Eles chegaram, quiseram comer e beber e procuraram seus pratinhos e copinhos. Um depois do outro disse: “Quem comeu do meu pratinho? Quem bebeu do meu copinho? Foi a boca de um ser humano.” Quando o sétimo chegou ao fundo do copo, o anelzinho rolou ao seu encontro. Olhou-o, reconheceu que era um anel do pai e da mãe e disse: “Que Deus permita que nossa irmãzinha esteja aqui! Assim estaríamos libertos.” A menina, que estava atrás da porta escutando, ouviu o desejo e apareceu. Então todos os corvos recuperaram a forma humana. Abraçaram-se, beijaram-se e voltaram alegres para casa.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
- producer: Bons Filhos Educação (https://bonsfilhos.com.br/#frente-educacao)

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