# Polegarzinha

Fonte: [As Verdadeiras Histórias](https://verdadeirashistorias.com.br/contos/polegarzinha)
Autoria original: Hans Christian Andersen
Idioma: pt-BR
Edição: 1.0.0
Revisão: 6c5fe2f7-c869-445d-b33f-e7f583526279
Patrocínio: [Bons Filhos](https://bonsfilhos.com.br/)

## Sobre este conto

Uma mulher que deseja ter uma criança recebe de uma bruxa um grão de cevada. Da flor que nasce surge uma menina de apenas uma polegada, chamada Polegarzinha. Ela dorme numa casca de noz e navega num prato até ser levada por uma sapona que a quer como esposa de seu filho. Tão pequena, Polegarzinha precisa enfrentar distâncias, animais e mudanças de estação numa escala muito diferente da sua.

## Conto integral

Era uma vez uma mulher que desejava muito ter uma criancinha, mas não sabia de modo algum onde conseguir uma. Então foi procurar uma velha bruxa e lhe disse: — Eu queria tanto ter uma criança! Você não pode me dizer onde poderei conseguir uma?

— Podemos resolver isso, sim! — disse a bruxa. — Aqui está um grão de cevada. Não é desses que crescem no campo do lavrador ou que se dão às galinhas para comer. Ponha-o num vaso, e verá uma coisa!

— Muito obrigada! — disse a mulher. Deu doze skillings à bruxa, voltou para casa e plantou o grão de cevada. Imediatamente nasceu uma grande e linda flor, que parecia uma tulipa, mas tinha as pétalas bem fechadas, como se ainda estivesse em botão.

— Que flor mais linda! — disse a mulher, beijando suas belas pétalas vermelhas e amarelas. No instante do beijo, a flor deu um grande estalo e se abriu. Agora se podia ver que era mesmo uma tulipa, mas, bem no meio da flor, sobre o assento verde, havia uma menininha sentada, tão delicada e bonita! Media apenas uma polegada, e por isso foi chamada Polegarzinha.

Deram-lhe por berço uma linda casca de noz envernizada. Pétalas de violeta azul eram seus colchões, e uma pétala de rosa, sua coberta. Ali dormia à noite; de dia brincava sobre a mesa, onde a mulher tinha posto um prato, cercado por uma coroa inteira de flores cujos caules mergulhavam na água. Nela flutuava uma grande pétala de tulipa, sobre a qual Polegarzinha podia sentar-se e navegar de um lado do prato ao outro. Tinha dois fios brancos de crina de cavalo para remar. Era uma beleza de ver. Ela também sabia cantar, com uma voz tão delicada e bonita como nunca se tinha ouvido por aqui.

Uma noite, enquanto estava deitada em sua bela cama, uma sapona horrível entrou saltando pela janela, que tinha uma vidraça quebrada. A sapona era tão feia, grande e molhada! Saltou direto para a mesa onde Polegarzinha dormia sob a pétala de rosa vermelha.

— Seria uma bela esposa para meu filho! — disse a sapona. Pegou a casca de noz onde Polegarzinha dormia e saltou com ela pela vidraça, para o jardim.

Ali passava um rio grande e largo, mas junto à margem tudo era pantanoso e enlameado. Era onde a sapona morava com seu filho. Ui! Ele também era feio e repugnante, igualzinho à mãe. — Coax, coax, breque-que-quex! — Foi tudo o que conseguiu dizer ao ver a linda menininha na casca de noz.

— Não fale tão alto, senão ela acorda! — disse a velha sapona. — Ainda pode fugir de nós, pois é leve como uma penugem de cisne! Vamos pô-la no rio, sobre uma daquelas largas folhas de nenúfar. Para ela, tão leve e pequena, será como uma ilha! Dali não poderá escapar enquanto arrumamos a sala de visitas lá debaixo da lama, onde vocês vão morar e formar seu lar!

No rio cresciam muitos nenúfares, com largas folhas verdes que pareciam flutuar sobre a água. A folha mais afastada da margem era também a maior de todas. A velha sapona nadou até lá e colocou sobre ela a casca de noz com Polegarzinha.

A pobrezinha acordou bem cedo e, quando viu onde estava, começou a chorar amargamente. Havia água por todos os lados daquela grande folha verde, e ela não conseguia de modo algum chegar à terra.

A velha sapona estava lá na lama enfeitando sua sala com juncos e nenúfares amarelos — tudo devia ficar bem bonito para a nova nora! Depois nadou com o filho feio até a folha onde Polegarzinha estava. Queriam buscar sua bela cama e instalá-la no quarto nupcial antes que ela própria chegasse. A velha sapona fez-lhe uma profunda reverência dentro da água e disse: — Aqui está meu filho. Ele será seu marido, e vocês vão morar tão bem lá na lama!

— Coax, coax! Brequequequex! — Foi tudo o que o filho conseguiu dizer.

Pegaram então a linda caminha e saíram nadando com ela, mas Polegarzinha ficou sozinha sobre a folha verde, chorando, pois não queria morar com aquela sapona repugnante nem ter seu filho horrível por marido. Os peixinhos que nadavam na água tinham visto a sapona e ouvido o que dissera. Puseram então a cabeça para fora, pois queriam ver a menininha. Assim que a viram, acharam-na tão bonita e ficaram com tanta pena de que fosse levada para junto da feia sapona! Não, aquilo não aconteceria! Juntaram-se na água em volta do caule verde que sustentava a folha onde ela estava e o roeram com os dentes até cortá-lo. Então a folha desceu pelo rio com Polegarzinha, para longe, bem longe, onde a sapona não poderia chegar.

Polegarzinha navegou por tantos lugares! Os passarinhos pousados nos arbustos a viam e cantavam: — Que linda donzelinha! — A folha com ela flutuava cada vez mais longe. Foi assim que Polegarzinha viajou para outras terras.

Uma linda borboletinha branca não parava de voar ao seu redor e por fim pousou na folha, pois gostava muito de Polegarzinha. Ela estava tão contente, porque agora a sapona não podia alcançá-la, e tudo era tão belo por onde navegava! O sol brilhava na água, que parecia o mais lindo ouro. Então pegou a fita que usava na cintura, amarrou uma ponta na borboleta e prendeu a outra na folha. Esta passou a deslizar muito mais depressa, e ela também, pois estava de pé sobre a folha.

Nesse instante, veio voando um grande besouro-de-maio. Assim que a viu, agarrou-lhe a cintura fina com uma garra e voou com ela para uma árvore. Mas a folha verde continuou descendo o rio, e a borboleta voou junto, pois estava amarrada à folha e não conseguia se soltar.

Meu Deus, como a pobre Polegarzinha se assustou quando o besouro voou com ela para a árvore! Mas o que mais a entristecia era a linda borboleta branca que tinha amarrado à folha: se não conseguisse se soltar, morreria de fome. O besouro, porém, não se importava nem um pouco com isso. Pousou com ela na maior folha verde da árvore, deu-lhe o néctar das flores para comer e disse que era muito bonita, embora não se parecesse nem um pouco com um besouro-de-maio. Depois vieram fazer uma visita todos os outros besouros que moravam na árvore. Olharam para Polegarzinha, e as senhoritas besouras puxaram as antenas e disseram: — Ela só tem duas pernas! Que aspecto miserável! — Não tem antenas! — disse outra. — Tem a cintura tão fina, credo! Parece um ser humano! Como é feia! — disseram todas as besouras. E, no entanto, Polegarzinha era tão bonita! O besouro que a tinha levado também achava isso, mas, como todos os outros diziam que era horrível, por fim ele também acreditou e não quis mais ficar com ela. Podia ir para onde quisesse. Levaram-na voando para baixo e a puseram numa margaridinha. Ali chorou, por ser tão feia que os besouros não a queriam. E, no entanto, era a mais linda que se podia imaginar, tão delicada e luminosa como a mais bela pétala de rosa.

Durante todo o verão, a pobre Polegarzinha viveu inteiramente sozinha na grande floresta. Trançou uma cama de talos de capim e a pendurou debaixo de uma grande folha de labaça, para que a chuva não caísse sobre ela. Colhia o néctar das flores para comer e bebia o orvalho que toda manhã se formava nas folhas. Assim passaram o verão e o outono, mas então chegou o inverno, o frio e longo inverno. Todos os pássaros que tinham cantado tão lindamente para ela foram embora. As árvores e flores murcharam; a grande folha de labaça sob a qual morava se enrolou, e restou apenas um caule amarelo e seco. Ela sentia um frio terrível, pois suas roupas estavam rasgadas e era tão pequena e delicada, a pobre Polegarzinha, que morreria congelada. Começou a nevar, e cada floco que caía sobre ela era como se jogassem sobre nós uma pá inteira de neve, pois somos grandes, e ela tinha apenas uma polegada. Enrolou-se numa folha seca, mas aquilo não a aquecia, e tremia de frio.

Logo fora da floresta, onde tinha chegado, havia um grande campo de cereais. A plantação já tinha sido colhida havia muito tempo; só os caules secos e nus saíam da terra congelada. Eram como uma floresta inteira para ela atravessar. Ah, como tremia de frio! Então chegou à porta da rata-do-campo: um pequeno buraco debaixo dos caules cortados. A rata-do-campo morava ali, bem abrigada e confortável, com a sala cheia de grãos, uma bela cozinha e uma despensa. A pobre Polegarzinha ficou junto à entrada, como qualquer pobre menina mendiga, e pediu um pedacinho de um grão de cevada, pois havia dois dias que não comia absolutamente nada.

— Pobrezinha! — disse a rata-do-campo, que no fundo era uma boa e velha rata-do-campo. — Entre na minha sala quentinha e coma comigo!

Como gostou de Polegarzinha, disse: — Pode ficar comigo neste inverno, mas terá de manter minha sala bem limpa e me contar histórias, pois gosto muito delas. — Polegarzinha fez o que a boa e velha rata-do-campo pediu e ficou vivendo muito bem.

— Logo teremos visita! — disse a rata-do-campo. — Meu vizinho costuma me visitar toda semana. Mora ainda melhor do que eu, com grandes salões, e usa um lindo casaco de veludo preto! Se você pudesse tê-lo por marido, estaria bem amparada. Mas ele não enxerga. Conte-lhe as histórias mais lindas que souber!

Mas Polegarzinha não queria nada daquilo. Não queria de modo algum o vizinho por marido, pois era uma toupeira. Ele veio fazer uma visita com seu casaco de veludo preto. Era tão rico e instruído, dizia a rata-do-campo! Sua casa também era mais de vinte vezes maior do que a dela. Instrução não lhe faltava, mas não gostava nada do sol nem das belas flores e falava mal deles, pois nunca os tinha visto. Polegarzinha teve de cantar. Cantou tanto “Besouro, voe, voe!” como “O monge caminha pelos prados”, e a toupeira se apaixonou por ela por causa de sua bela voz. Mas não disse nada: era um homem muito ponderado.

Pouco antes, ele tinha escavado pela terra um longo corredor entre sua casa e a delas. A rata-do-campo e Polegarzinha receberam permissão para passear por ali quando quisessem. Mas ele lhes pediu que não se assustassem com o pássaro morto no corredor. Era um pássaro inteiro, com penas e bico, que certamente morrera havia pouco, quando o inverno começara, e agora estava enterrado justamente onde ele tinha feito o corredor.

A toupeira pegou na boca um pedaço de madeira podre, pois ela brilha como fogo no escuro, e foi na frente, iluminando o longo corredor escuro. Quando chegaram ao lugar onde estava o pássaro morto, encostou o focinho largo no teto e empurrou a terra para cima, abrindo um grande buraco por onde a luz podia entrar. No meio do chão estava uma andorinha morta, com as belas asas bem apertadas contra os lados do corpo, as pernas e a cabeça encolhidas debaixo das penas. A pobre ave certamente tinha morrido de frio. Polegarzinha sentiu tanta pena! Gostava muito de todos os passarinhos, que tinham passado o verão cantando e gorjeando tão lindamente para ela. A toupeira, porém, cutucou a ave com suas pernas curtas e disse: — Agora não pia mais! Deve ser miserável nascer passarinho! Graças a Deus nenhum dos meus filhos será um! Um pássaro desses não tem nada além do seu quivit e acaba morrendo de fome no inverno!

— Sim, isso o senhor pode mesmo dizer, como homem sensato que é — disse a rata-do-campo. — De que serve ao pássaro todo o seu quivit quando chega o inverno? Tem de passar fome e frio. E ainda assim isso deve ser uma grande coisa!

Polegarzinha não disse nada. Quando os outros dois deram as costas à ave, inclinou-se, afastou as penas que lhe cobriam a cabeça e beijou seus olhos fechados. “Talvez seja este o pássaro que cantou tão lindamente para mim no verão”, pensou. “Quanta alegria me deu, esse querido e lindo passarinho!”

A toupeira fechou o buraco por onde entrava a luz do dia e acompanhou as senhoras até em casa. À noite, porém, Polegarzinha não conseguia dormir. Levantou-se da cama, trançou uma grande e bonita coberta de feno, levou-a para baixo e a estendeu em volta do pássaro morto. Pôs aos lados da ave um algodão macio que tinha encontrado na sala da rata-do-campo, para que ficasse aquecida naquela terra fria.

— Adeus, lindo passarinho! — disse. — Adeus, e obrigada pelo seu belo canto no verão, quando todas as árvores estavam verdes e o sol nos aquecia tanto! — Encostou a cabeça no peito da ave, mas nesse instante levou um grande susto: parecia que alguma coisa batia lá dentro. Era o coração do pássaro. Ele não estava morto; estava em estado de torpor e, agora que tinha sido aquecido, voltava à vida.

No outono, todas as andorinhas voam para as terras quentes. Mas, se uma se atrasa, fica tão gelada que cai morta, permanece onde caiu, e a neve fria a recobre.

Polegarzinha tremia de verdade, de tanto susto, pois a ave era muito, muito grande em comparação com ela, que só tinha uma polegada. Mesmo assim, tomou coragem, ajeitou o algodão mais perto da pobre andorinha, foi buscar uma folha de hortelã-crespa que tinha usado como coberta e a pôs sobre a cabeça da ave.

Na noite seguinte, desceu de mansinho até ela outra vez. Já estava bem viva, mas tão fraca que só conseguiu abrir os olhos por um instante e ver Polegarzinha ali de pé, com um pedaço de madeira podre na mão, pois não tinha outra lanterna.

— Obrigada, linda criancinha! — disse-lhe a andorinha doente. — Fiquei tão bem aquecida! Logo recuperarei minhas forças e poderei voar outra vez lá fora, sob o sol quentinho!

— Ah! — disse ela. — Está tão frio lá fora, está nevando e congelando tudo! Fique na sua cama quente; eu vou cuidar de você!

Ela levou água à andorinha numa pétala de flor. A ave bebeu e lhe contou que tinha ferido uma das asas num arbusto espinhoso e por isso não conseguira voar tão depressa quanto as outras andorinhas, que tinham partido para longe, bem longe, para as terras quentes. Por fim, caíra no chão, mas não se lembrava de mais nada e não sabia de modo algum como tinha chegado ali.

Ficou lá embaixo durante todo o inverno. Polegarzinha era boa com ela e gostava muito dela. Nem a toupeira nem a rata-do-campo souberam de nada, pois não gostavam da pobre andorinha sem recursos.

Assim que chegou a primavera e o sol começou a aquecer a terra por dentro, a andorinha se despediu de Polegarzinha, que abriu o buraco feito pela toupeira lá em cima. A luz do sol entrou tão bonita! A andorinha perguntou se ela não queria acompanhá-la. Podia sentar-se em suas costas e voariam para longe, para a floresta verde. Mas Polegarzinha sabia que a velha rata-do-campo ficaria triste se ela a abandonasse daquela maneira.

— Não, não posso! — disse Polegarzinha. — Adeus, adeus, boa e linda menina! — disse a andorinha, voando para a luz do sol. Polegarzinha a acompanhou com os olhos, que se encheram de lágrimas, pois gostava muito da pobre andorinha.

— Quivit! Quivit! — cantou a ave, voando para a floresta verde.

Polegarzinha estava tão triste! Não lhe davam permissão para sair ao sol quentinho. Os cereais semeados no campo, por cima da casa da rata-do-campo, também tinham crescido muito. Eram uma floresta inteira e espessa para a pobre menininha de apenas uma polegada.

— Agora, neste verão, você terá de costurar seu enxoval! — disse-lhe a rata-do-campo, pois o vizinho, a enfadonha toupeira de casaco de veludo preto, tinha pedido sua mão. — Precisará de tecidos de lã e de linho! Precisará de coisas para se sentar e se deitar quando for a esposa da toupeira!

Polegarzinha teve de fiar num fuso de mão, e a rata-do-campo contratou quatro aranhas para fiar e tecer noite e dia. Todas as noites a toupeira vinha fazer uma visita e sempre dizia que, quando o verão terminasse, o sol já não brilharia tão quente: agora queimava a terra até deixá-la dura como pedra. Sim, quando o verão acabasse, haveria o casamento com Polegarzinha! Mas ela não estava nem um pouco contente, pois não gostava da enfadonha toupeira. Todas as manhãs, quando o sol nascia, e todas as noites, quando se punha, saía de mansinho até a porta. Quando o vento afastava as pontas dos cereais e ela conseguia ver o céu azul, pensava em como tudo era claro e bonito lá fora e desejava tanto poder ver de novo a querida andorinha! Mas ela nunca mais vinha; certamente voava bem longe, na bela floresta verde.

Quando chegou o outono, Polegarzinha estava com todo o enxoval pronto.

— Daqui a quatro semanas será seu casamento! — disse-lhe a rata-do-campo. Mas Polegarzinha chorou e disse que não queria se casar com a enfadonha toupeira.

— Ora, bobagens! — disse a rata-do-campo. — Não seja teimosa, senão vou mordê-la com meu dente branco! Que belo marido você vai ter! Nem a própria rainha tem um casaco de veludo preto igual ao dele! Ele tem fartura tanto na cozinha quanto na adega. Agradeça a Deus por ele!

Então chegou o dia do casamento. A toupeira já tinha vindo buscar Polegarzinha. Ela teria de morar com ele bem no fundo da terra e nunca sair ao sol quentinho, pois ele não gostava disso. A pobre criança estava tão triste! Agora teria de dizer adeus ao belo sol, que, na casa da rata-do-campo, ao menos tinha recebido permissão para ver da porta.

— Adeus, sol brilhante! — disse ela, erguendo os braços bem alto. Também saiu um pouquinho da casa da rata-do-campo, pois agora os cereais tinham sido colhidos, e só restavam os caules secos. — Adeus, adeus! — disse, abraçando com seus pequenos braços uma florzinha vermelha que estava ali. — Dê lembranças minhas à andorinha, se você a vir!

— Quivit, quivit! — ouviu-se naquele instante sobre sua cabeça. Ela olhou para cima: era a andorinha, que acabava de passar por ali. Assim que viu Polegarzinha, ficou tão contente! A menina lhe contou como não queria ter a feia toupeira por marido e como teria então de morar bem debaixo da terra, onde o sol nunca brilhava. Não conseguiu deixar de chorar ao contar aquilo.

— Agora vem o inverno frio — disse a andorinha. — Vou voar para bem longe, para as terras quentes. Quer vir comigo? Pode sentar-se nas minhas costas! Amarre-se com a fita da sua cintura, e voaremos para longe da feia toupeira e de sua sala escura, bem longe, por cima das montanhas, para as terras quentes, onde o sol brilha mais bonito do que aqui, onde sempre é verão e há belas flores. Venha voar comigo, doce Polegarzinha, que salvou minha vida quando eu estava enregelada naquele porão escuro debaixo da terra!

— Sim, vou com você! — disse Polegarzinha. Sentou-se nas costas da ave, com os pés sobre a asa aberta, amarrou seu cinto numa das penas mais fortes, e a andorinha voou bem alto, por cima da floresta e do mar, por cima das grandes montanhas onde sempre há neve. Polegarzinha sentia frio naquele ar gelado, mas se abrigou debaixo das penas quentes da ave e só punha a cabecinha para fora, para ver toda a beleza lá embaixo.

Chegaram então às terras quentes. Ali o sol brilhava muito mais claro do que aqui, o céu era duas vezes mais alto, e nas valas e cercas cresciam as mais lindas uvas verdes e azuis. Nas florestas pendiam limões e laranjas, havia perfume de murtas e hortelãs-crespas, e na estrada corriam lindas crianças, brincando com grandes borboletas coloridas. Mas a andorinha voou ainda mais longe, e tudo ficava cada vez mais bonito. Debaixo de belíssimas árvores verdes, junto ao lago azul, havia um reluzente palácio de mármore branco dos tempos antigos. Videiras se enroscavam pelas altas colunas. Bem no alto havia muitos ninhos de andorinha, e num deles morava a andorinha que carregava Polegarzinha.

— Aqui é minha casa! — disse a andorinha. — Mas escolha uma daquelas flores magníficas que crescem lá embaixo, e eu a porei ali. Você ficará tão bem quanto poderia desejar!

— Que maravilha! — disse ela, batendo suas pequenas mãos.

Uma grande coluna de mármore branco tinha caído no chão e se partido em três pedaços. Entre eles cresciam grandes e belíssimas flores brancas. A andorinha desceu com Polegarzinha e a pôs numa das largas pétalas. Mas que espanto ela levou! Havia um homenzinho sentado no meio da flor, tão branco e transparente como se fosse de vidro. Tinha na cabeça a mais linda coroa de ouro e, nos ombros, belíssimas asas transparentes. Ele não era maior do que Polegarzinha. Era o anjo da flor. Em cada flor morava um homenzinho ou uma mulherzinha como ele, mas aquele era o rei de todos.

— Meu Deus, como ele é bonito! — sussurrou Polegarzinha à andorinha. O pequeno príncipe ficou muito assustado com a andorinha, pois ela era uma ave gigantesca em comparação com ele, tão pequeno e delicado. Mas, quando viu Polegarzinha, ficou tão contente! Era a menina mais bonita que já tinha visto. Por isso tirou sua coroa de ouro e a pôs na cabeça dela. Perguntou como se chamava e se queria ser sua esposa; assim seria rainha de todas as flores! Ah, aquele sim era um marido, bem diferente do filho da sapona e da toupeira de casaco de veludo preto! Ela disse sim ao belo príncipe, e de cada flor saiu uma senhora ou um senhor, tão lindos que era um prazer vê-los. Cada um trouxe um presente a Polegarzinha, mas o melhor de todos foi um par de belas asas de uma grande mosca branca. Prenderam-nas nas costas de Polegarzinha, e agora ela também podia voar de flor em flor. Havia tanta alegria! A andorinha estava lá em cima, no ninho, cantando para eles o melhor que podia, mas, no fundo do coração, estava triste, pois gostava muito de Polegarzinha e nunca teria desejado se separar dela.

— Você não deve se chamar Polegarzinha! — disse-lhe o anjo da flor. — É um nome feio, e você é tão bonita! Vamos chamá-la Maja!

— Adeus, adeus! — disse a andorinha, e voou outra vez para longe das terras quentes, de volta à distante Dinamarca. Ali tinha um pequeno ninho sobre a janela da casa do homem que sabe contar contos de fadas. Para ele cantou “quivit, quivit!”, e foi assim que ficamos sabendo de toda a história.

## Créditos

- translator: Codex · tradução assistida por IA
- reviewer: Codex · revisão independente por IA
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