KHM 3
A afilhada de Nossa Senhora
Marienkind
Sobre este conto
Uma menina de uma família muito pobre é levada ao céu pela Virgem Maria, que a cria em meio a anjos e maravilhas. Aos catorze anos, recebe as chaves de treze portas durante uma viagem de Maria. Pode abrir doze, mas a décima terceira lhe é proibida. A curiosidade da menina entra em conflito com a promessa de obedecer.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Menina, filha única de um lenhador, que cresce no céu e depois se torna rainha, Virgem Maria, que acolhe a menina, guarda as chaves celestes e leva seus filhos, Lenhador e sua mulher, pais pobres da menina, Anjinhos que acompanham a menina no céu, Doze apóstolos, um em cada uma das doze moradas abertas, Trindade vista atrás da porta proibida, Rei que encontra a jovem na floresta e se casa com ela, Dois filhos e uma filha da rainha, levados por Maria, Moradores que acusam a rainha e conselheiros que pedem seu julgamento
- Onde se passa
- À beira de uma grande floresta vive a família do lenhador. A menina é criada no reino dos céus e depois vive num ermo cercado de espinhos, abrigada numa árvore oca. A ação segue no castelo real, volta ao céu e termina junto à fogueira preparada para a rainha.
- Acontecimentos
- Um lenhador pobre entrega sua filha de três anos à Virgem Maria. Ela cresce no céu e, aos catorze anos, recebe chaves de treze portas, com ordem de não abrir a última.
- A menina abre a porta proibida, vê a Trindade e fica com o dedo dourado. Nega três vezes o que fez. Maria a afasta do céu; ela perde a fala e vive anos num ermo.
- Um rei a encontra coberta pelos cabelos, leva-a ao castelo com seu consentimento por aceno e se casa com ela.
- Após cada um dos dois primeiros partos, Maria pede que confesse e recebe nova recusa. Leva os meninos, e surgem acusações contra a rainha; o rei a defende.
- Após o nascimento da filha, Maria mostra à rainha os dois meninos no céu. Ela nega novamente; Maria também leva a menina. A rainha é julgada e condenada à fogueira.
- Quando o fogo começa, a rainha se arrepende e confessa. A chuva apaga as chamas; Maria desce com os três filhos, anuncia perdão e os devolve à rainha, que recupera a fala.
- Desfecho
- Amarrada ao poste, quando o fogo começa a arder ao redor, a rainha se arrepende e deseja confessar antes de morrer. Sua voz volta, e ela admite a Maria que abriu a porta. O céu começa a chover e apaga as chamas. Uma luz aparece acima dela; Maria desce com os dois meninos ao lado e a filha recém-nascida no braço. Diz que o pecado de quem se arrepende e o confessa é perdoado. Entrega à rainha as três crianças, solta sua língua e lhe dá felicidade para toda a vida.
À beira de uma grande floresta vivia um lenhador com sua mulher. Tinham uma única criança, uma menina de três anos. Mas eram tão pobres que já não tinham o pão de cada dia e não sabiam o que lhe dar de comer. Certa manhã, o lenhador saiu cheio de preocupações para trabalhar na floresta e, enquanto cortava lenha, uma bela mulher alta apareceu de repente diante dele. Trazia na cabeça uma coroa de estrelas luminosas e lhe disse: “Sou a Virgem Maria, a mãe do Menino Jesus. Você é pobre e necessitado; traga-me sua filha. Vou levá-la comigo, ser sua mãe e cuidar dela.” O lenhador obedeceu, foi buscar a filha e a entregou à Virgem Maria, que a levou consigo para o céu. Lá a menina vivia bem: comia pão doce, bebia leite doce, usava roupas de ouro e brincava com os anjinhos. Quando completou catorze anos, a Virgem Maria a chamou e disse: “Querida criança, vou fazer uma longa viagem. Fique com as chaves das treze portas do reino dos céus. Você pode abrir doze delas e contemplar as maravilhas que há dentro; mas a décima terceira, à qual pertence esta chave pequena, lhe é proibida. Cuide de não abri-la, ou será infeliz.” A menina prometeu obedecer e, quando a Virgem Maria partiu, começou a visitar as moradas do reino dos céus: abria uma por dia, até percorrer as doze. Em cada uma estava sentado um apóstolo, cercado de grande esplendor. Ela se alegrava com toda aquela magnificência e glória, e os anjinhos, que sempre a acompanhavam, alegravam-se com ela. Só restava a porta proibida. Então sentiu uma enorme vontade de saber o que se escondia atrás dela e disse aos anjinhos: “Não vou abri-la inteiramente, nem entrar. Só vou destrancá-la para olharmos um pouco pela fresta.” “Ah, não!”, disseram os anjinhos. “Isso seria pecado. A Virgem Maria proibiu, e pode muito bem ser a sua desgraça.” A menina ficou calada, mas o desejo em seu coração não se calava: roía e bicava lá dentro e não lhe dava sossego. Quando, certa vez, os anjinhos haviam saído todos, pensou: “Agora estou sozinha e poderia espiar lá dentro. Se eu fizer isso, ninguém vai saber.” Procurou a chave e, quando a teve na mão, também a enfiou na fechadura; depois de enfiá-la, também a girou. A porta se abriu de repente, e ela viu a Trindade ali sentada, em meio a fogo e esplendor. Ficou por um instante contemplando tudo, espantada; depois tocou de leve o esplendor com um dedo, e o dedo ficou inteiramente dourado. Logo sentiu um medo terrível, bateu a porta com força e saiu correndo. O medo não queria mais deixá-la, por mais que tentasse fazer alguma coisa, e o coração batia sem parar, sem conseguir se aquietar. O ouro também continuava no dedo e não saía, por mais que ela lavasse e esfregasse.
Não demorou muito, e a Virgem Maria voltou da viagem. Chamou a menina e pediu de volta as chaves do céu. Quando ela lhe entregou o molho, a Virgem a olhou nos olhos e perguntou: “Você não abriu a décima terceira porta, abriu?” “Não”, respondeu ela. Então Maria pôs a mão sobre o coração da menina, sentiu como batia e batia e percebeu que ela havia desobedecido à sua ordem e destrancado a porta. Perguntou mais uma vez: “Tem certeza de que não fez isso?” “Não”, disse a menina pela segunda vez. Então Maria viu o dedo que havia ficado dourado ao tocar o fogo celeste, soube que ela havia pecado e perguntou pela terceira vez: “Você não fez isso?” “Não”, disse a menina pela terceira vez. Então a Virgem Maria declarou: “Você me desobedeceu e ainda mentiu. Já não é digna de estar no céu.”
A menina caiu num sono profundo e, quando acordou, estava embaixo, na terra, no meio de um lugar deserto. Quis gritar, mas não conseguia emitir som algum. Saltou de pé e quis fugir; porém, para onde quer que se voltasse, era detida por cercas cerradas de espinhos que não conseguia atravessar. Naquele ermo em que estava encerrada havia uma árvore velha e oca, que teria de ser sua moradia. Ao anoitecer, ela se arrastava para dentro e dormia ali; quando havia tempestade e chuva, encontrava abrigo. Mas era uma vida miserável e, quando pensava em como tudo fora belo no céu, onde os anjos brincavam com ela, chorava amargamente. Raízes e bagas silvestres eram seu único alimento; ela as procurava até onde podia chegar. No outono, recolhia as nozes e as folhas caídas e as levava para a cavidade. As nozes eram sua comida no inverno e, quando vinham neve e gelo, enfiava-se nas folhas como um pobre bichinho, para não congelar. Não demorou para suas roupas se rasgarem e lhe caírem do corpo, pedaço por pedaço. Assim que o sol voltava a aquecer, ela saía e se sentava diante da árvore, e seus cabelos compridos a cobriam de todos os lados como um manto. Assim passou um ano após outro, sentindo o sofrimento e a miséria do mundo.
Certa vez, quando as árvores tornavam a se cobrir de folhas verdes, o rei daquele país caçava na floresta e perseguia um corço. Como o animal fugira para o matagal que cercava a clareira, o rei apeou, afastou a vegetação e abriu caminho com a espada. Quando finalmente conseguiu passar, viu debaixo da árvore uma moça lindíssima, sentada e coberta pelos cabelos dourados até as pontas dos pés. Parou e a contemplou cheio de espanto; depois se dirigiu a ela: “Quem é você? Por que está sentada aqui neste ermo?” Mas ela não respondeu, pois não conseguia abrir a boca. O rei continuou: “Quer ir comigo para meu castelo?” Ela apenas fez um leve aceno com a cabeça. O rei a tomou nos braços, levou-a para seu cavalo e voltou com ela para casa. Ao chegar ao castelo real, mandou que lhe vestissem belas roupas e lhe deu tudo em abundância. Embora não pudesse falar, ela era tão bela e encantadora que ele a amou de todo o coração; não demorou muito, e casou-se com ela.
Cerca de um ano depois, a rainha deu à luz um menino. Naquela noite, quando estava sozinha na cama, a Virgem Maria lhe apareceu e disse: “Se quiser dizer a verdade e confessar que destrancou a porta proibida, abrirei sua boca e lhe devolverei a fala. Mas, se persistir no pecado e negar obstinadamente, levarei comigo seu filho recém-nascido.” Então foi permitido à rainha responder, mas ela continuou obstinada e disse: “Não, eu não abri a porta proibida.” A Virgem Maria tomou o recém-nascido de seus braços e desapareceu com ele. Na manhã seguinte, como não encontravam a criança, correu entre as pessoas o rumor de que a rainha comia gente e havia matado o próprio filho. Ela ouvia tudo e não podia dizer nada em sua defesa, mas o rei não quis acreditar, porque a amava muito.
Um ano depois, a rainha deu à luz outro menino. Durante a noite, a Virgem Maria voltou a entrar em seu quarto e disse: “Se confessar que abriu a porta proibida, devolverei seu filho e soltarei sua língua. Mas, se persistir no pecado e negar, levarei comigo também este recém-nascido.” A rainha respondeu outra vez: “Não, eu não abri a porta proibida.” A Virgem tomou a criança de seus braços e a levou consigo para o céu. Pela manhã, quando a criança havia novamente desaparecido, as pessoas diziam em voz alta que a rainha a tinha devorado, e os conselheiros do rei exigiam que ela fosse julgada. Mas o rei a amava tanto que não quis acreditar e proibiu os conselheiros de voltar a falar do assunto, sob pena de castigos corporais e de morte.
No ano seguinte, a rainha deu à luz uma linda menininha. Durante a noite, a Virgem Maria lhe apareceu pela terceira vez e disse: “Siga-me.” Tomou-a pela mão, conduziu-a ao céu e lhe mostrou os dois filhos mais velhos, que sorriam para ela e brincavam com o globo terrestre. Vendo a alegria da rainha, a Virgem Maria disse: “Seu coração ainda não se abrandou? Se admitir que abriu a porta proibida, devolverei seus dois filhinhos.” Mas a rainha respondeu pela terceira vez: “Não, eu não abri a porta proibida.” Então a Virgem a fez descer de novo à terra e também lhe tomou a terceira criança.
Na manhã seguinte, quando aquilo se tornou conhecido, todos gritavam: “A rainha come gente! Ela precisa ser condenada!” E o rei já não pôde se opor aos conselheiros. Houve um julgamento e, como ela não podia responder nem se defender, foi condenada a morrer na fogueira. Reuniram a lenha e, quando ela já estava amarrada a um poste e o fogo começava a arder ao redor, o gelo duro de seu orgulho derreteu, e o arrependimento tocou seu coração. Pensou: “Se ao menos eu ainda pudesse confessar antes de morrer que abri a porta!” Então a voz lhe voltou, e ela exclamou alto: “Sim, Maria, eu fiz isso!” Imediatamente o céu começou a chover e apagou as chamas. Uma luz surgiu acima dela, e a Virgem Maria desceu com os dois meninos a seu lado e a menininha recém-nascida nos braços. Disse-lhe com bondade: “Quem se arrepende de seu pecado e o confessa recebe o perdão.” E lhe entregou as três crianças, soltou sua língua e lhe deu felicidade para a vida inteira.
Sobre esta edição
- Obra
- Marienkind
- Autoria original
- Irmãos Grimm
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
Conheça as edições desta história e consulte os textos de origem.
Marienkind
Ler o original em alemão
Vor einem großen Walde lebte ein Holzhacker mit seiner Frau, der hatte nur ein einziges Kind, das war ein Mädchen von drei Jahren. Sie waren aber so arm, daß sie nicht mehr das tägliche Brot hatten und nicht wußten was sie ihm sollten zu essen geben. Eines Morgens gieng der Holzhacker voller Sorgen hinaus in den Wald an seine Arbeit, und wie er da Holz hackte, stand auf einmal eine schöne große Frau vor ihm, die hatte eine Krone von leuchtenden Sternen auf dem Haupt und sprach zu ihm ‘ich bin die Jungfrau Maria, die Mutter des Christkindleins: du bist arm und dürftig, bring mir dein Kind, ich will es mit mir nehmen, seine Mutter sein und für es sorgen.’ Der Holzhacker gehorchte, holte sein Kind und übergab es der Jungfrau Maria, die nahm es mit sich hinauf in den Himmel. Da gieng es ihm wohl, es aß Zuckerbrot und trank süße Milch, und seine Kleider waren von Gold, und die Englein spielten mit ihm. Als es nun vierzehn Jahr alt geworden war, rief es einmal die Jungfrau Maria zu sich und sprach ‘liebes Kind, ich habe eine große Reise vor, da nimm die Schlüssel zu den dreizehn Thüren des Himmelreichs in Verwahrung: zwölf davon darfst du aufschließen und die Herrlichkeiten darin betrachten, aber die dreizehnte, wozu dieser kleine Schlüssel gehört, die ist dir verboten; hüte dich daß du sie nicht aufschließt, sonst wirst du unglücklich.’ Das Mädchen versprach gehorsam zu sein, und als nun die Jungfrau Maria weg war, fieng sie an und besah die Wohnungen des Himmelreichs: jeden Tag schloß es eine auf, bis die zwölfe herum waren. In jeder aber saß ein Apostel, und war von großem Glanz umgeben, und es freute sich über all die Pracht und Herrlichkeit, und die Englein, die es immer begleiteten, freuten sich mit ihm. Nun war die verbotene Thür allein noch übrig, da empfand es eine große Lust zu wissen was dahinter verborgen wäre, und sprach zu den Englein ‘ganz aufmachen will ich sie nicht und will auch nicht hinein gehen, aber ich will sie aufschließen, damit wir ein wenig durch den Ritz sehen.’ ‘Ach nein,’ sagten die Englein, ‘das wäre Sünde: die Jungfrau Maria hats verboten, und es könnte leicht dein Unglück werden.’ Da schwieg es still, aber die Begierde in seinem Herzen schwieg nicht still, sondern nagte und pickte ordentlich daran und ließ ihm keine Ruhe. Und als die Englein einmal alle hinausgegangen waren, dachte es ‘nun bin ich ganz allein und könnte hinein gucken, es weiß es ja niemand, wenn ichs thue.’ Es suchte den Schlüssel heraus und als es ihn in der Hand hielt, steckte es ihn auch in das Schloß, und als es ihn hinein gesteckt hatte, drehte es auch um. Da sprang die Thüre auf, und es sah da die Dreieinigkeit im Feuer und Glanz sitzen. Es blieb ein Weilchen stehen und betrachtete alles mit Erstaunen, dann rührte es ein wenig mit dem Finger an dem Glanz, da ward der Finger ganz golden. Alsbald empfand es eine gewaltige Angst, schlug die Thüre heftig zu und lief fort. Die Angst wollte auch nicht wieder weichen, es mochte anfangen was es wollte, und das Herz klopfte in einem fort und wollte nicht ruhig werden: auch das Gold blieb an dem Finger und gieng nicht ab, es mochte waschen und reiben so viel es wollte.
Gar nicht lange, so kam die Jungfrau Maria von ihrer Reise zurück. Sie rief das Mädchen zu sich und forderte ihm die Himmelsschlüssel wieder ab. Als es den Bund hinreichte, blickte ihm die Jungfrau in die Augen, und sprach ‘hast du auch nicht die dreizehnte Thüre geöffnet?’ ‘Nein’ antwortete es. Da legte sie ihre Hand auf sein Herz, fühlte wie es klopfte und klopfte, und merkte wohl daß es ihr Gebot übertreten und die Thüre aufgeschlossen hatte. Da sprach sie noch einmal ‘hast du es gewiß nicht gethan?’ ‘Nein’ sagte das Mädchen zum zweitenmal. Da erblickte sie den Finger der von der Berührung des himmlischen Feuers golden geworden war, sah wohl daß es gesündigt hatte und sprach zum drittenmal ‘hast du es nicht gethan?’ ‘Nein’ sagte das Mädchen zum drittenmal. Da sprach die Jungfrau Maria ‘du hast mir nicht gehorcht, und hast noch dazu gelogen, du bist nicht mehr würdig im Himmel zu sein.’
Da versank das Mädchen in einen tiefen Schlaf, und als es erwachte, lag es unten auf der Erde, mitten in einer Wildnis. Es wollte rufen, aber es konnte keinen Laut hervorbringen. Es sprang auf und wollte fortlaufen, aber wo es sich hinwendete, immer ward es von dichten Dornhecken zurück gehalten, die es nicht durchbrechen konnte. In der Einöde, in welche es eingeschlossen war, stand ein alter hohler Baum, das mußte seine Wohnung sein. Da kroch es hinein, wenn die Nacht kam, und schlief darin, und wenn es stürmte und regnete, fand es darin Schutz: aber es war ein jämmerliches Leben, und wenn es daran dachte, wie es im Himmel so schön gewesen war, und die Engel mit ihm gespielt hatten, so weinte es bitterlich. Wurzeln und Waldbeeren waren seine einzige Nahrung, die suchte es sich, so weit es kommen konnte. Im Herbst sammelte es die herabgefallenen Nüsse und Blätter und trug sie in die Höhle, die Nüsse waren im Winter seine Speise, und wenn Schnee und Eis kam, so kroch es wie ein armes Thierchen in die Blätter, daß es nicht fror. Nicht lange, so zerrissen seine Kleider und fiel ein Stück nach dem andern vom Leib herab. Sobald dann die Sonne wieder warm schien, gieng es heraus und setzte sich vor den Baum, und seine langen Haare bedeckten es von allen Seiten wie ein Mantel. So saß es ein Jahr nach dem andern und fühlte den Jammer und das Elend der Welt.
Einmal, als die Bäume wieder in frischem Grün standen, jagte der König des Landes in dem Wald und verfolgte ein Reh, und weil es in das Gebüsch geflohen war, das den Waldplatz einschloß, stieg er vom Pferd, riß das Gestrüppe aus einander und hieb sich mit seinem Schwert einen Weg. Als er endlich hindurch gedrungen war, sah er unter dem Baum ein wunderschönes Mädchen sitzen, das saß da und war von seinem goldenen Haar bis zu den Fußzehen bedeckt. Er stand still und betrachtete es voll Erstaunen, dann redete er es an und sprach ‘wer bist du? warum sitzest du hier in der Einöde?’ Es gab aber keine Antwort, denn es konnte seinen Mund nicht aufthun. Der König sprach weiter ‘willst du mit mir auf mein Schloß gehen?’ Da nickte es nur ein wenig mit dem Kopf. Der König nahm es auf seinen Arm, trug es auf sein Pferd und ritt mit ihm heim, und als er auf das königliche Schloß kam, ließ er ihm schöne Kleider anziehen und gab ihm alles im Überfluß. Und ob es gleich nicht sprechen konnte, so war es doch schön und holdselig, daß er es von Herzen lieb gewann, und es dauerte nicht lange, da vermählte er sich mit ihm.
Als etwa ein Jahr verflossen war, brachte die Königin einen Sohn zur Welt. Darauf in der Nacht, wo sie allein in ihrem Bette lag, erschien ihr die Jungfrau Maria und sprach ‘willst du die Wahrheit sagen und gestehen daß du die verbotene Thür aufgeschlossen hast, so will ich deinen Mund öffnen und dir die Sprache wieder geben: verharrst du aber in der Sünde, und leugnest hartnäckig, so nehm ich dein neugeborenes Kind mit mir.’ Da war der Königin verliehen zu antworten, sie blieb aber verstockt und sprach ‘nein, ich habe die verbotene Thür nicht aufgemacht,’ und die Jungfrau Maria nahm das neugeborene Kind ihr aus den Armen und verschwand damit. Am andern Morgen, als das Kind nicht zu finden war, gieng ein Gemurmel unter den Leuten, die Königin wäre eine Menschenfresserin und hätte ihr eigenes Kind umgebracht. Sie hörte alles und konnte nichts dagegen sagen, der König aber wollte es nicht glauben weil er sie so lieb hatte.
Nach einem Jahre gebar die Königin wieder einen Sohn. In der Nacht trat auch wieder die Jungfrau Maria zu ihr herein und sprach ‘willst du gestehen daß du die verbotene Thüre geöffnet hast, so will ich dir dein Kind wiedergeben und deine Zunge lösen: verharrst du aber in der Sünde und leugnest, so nehme ich auch dies neugeborne mit mir.’ Da sprach die Königin wiederum ‘nein, ich habe die verbotene Thüre nicht geöffnet,’ und die Jungfrau nahm ihr das Kind aus den Armen weg und mit sich in den Himmel. Am Morgen, als das Kind abermals verschwunden war, sagten die Leute ganz laut die Königin hätte es verschlungen, und des Königs Räthe verlangten daß sie sollte gerichtet werden. Der König aber hatte sie so lieb daß er es nicht glauben wollte, und befahl den Räthen bei Leibes- und Lebensstrafe nichts mehr darüber zu sprechen.
Im nächsten Jahre gebar die Königin ein schönes Töchterlein, da erschien ihr zum drittenmal Nachts die Jungfrau Maria und sprach ‘folge mir.’ Sie nahm sie bei der Hand und führte sie in den Himmel, und zeigte ihr da ihre beiden ältesten Kinder, die lachten sie an und spielten mit der Weltkugel. Als sich die Königin darüber freute, sprach die Jungfrau Maria ‘ist dein Herz noch nicht erweicht? wenn du eingestehst daß du die verbotene Thür geöffnet hast, so will ich dir deine beiden Söhnlein zurück geben.’ Aber die Königin antwortete zum drittenmal ‘nein, ich habe die verbotene Thür nicht geöffnet.’ Da ließ sie die Jungfrau wieder zur Erde herabsinken und nahm ihr auch das dritte Kind.
Am andern Morgen, als es ruchbar ward, riefen alle Leute laut ‘die Königin ist eine Menschenfresserin, sie muß verurtheilt werden,’ und der König konnte seine Räthe nicht mehr zurückweisen. Es ward ein Gericht über sie gehalten, und weil sie nicht antworten und sich nicht vertheidigen konnte, ward sie verurtheilt auf dem Scheiterhaufen zu sterben. Das Holz ward zusammengetragen, und als sie an einem Pfahl festgebunden war und das Feuer rings umher zu brennen anfieng, da schmolz das harte Eis des Stolzes und ihr Herz ward von Reue bewegt, und sie dachte ‘könnt ich nur noch vor meinem Tode gestehen daß ich die Thür geöffnet habe,’ da kam ihr die Stimme daß sie laut ausrief ‘ja, Maria, ich habe es gethan!’ Und alsbald fieng der Himmel an zu regnen und löschte die Feuerflammen, und über ihr brach ein Licht hervor, und die Jungfrau Maria kam herab und hatte die beiden Söhnlein zu ihren Seiten und das neugeborne Töchterlein auf dem Arm. Sie sprach freundlich zu ihr ‘wer seine Sünde bereut und eingesteht, dem ist sie vergeben,’ und reichte ihr die drei Kinder, löste ihr die Zunge, und gab ihr Glück für das ganze Leben.
A afilhada de Nossa Senhora
Encontrou um erro?
Uma palavra, uma passagem, uma referência: sua observação chega à mesa editorial vinculada à edição 1.0.0 que você leu.