Nosso manifesto
Os originais
merecem ser lidos.
Você gostaria de encontrar a Mona Lisa repintada para se ajustar ao gosto de hoje?
Com os contos, essa troca acontece tão frequentemente que muitas vezes conhecemos a adaptação antes de conhecer a obra.
As Verdadeiras Histórias nasce de uma convicção: os originais merecem ser lidos. Com sua beleza, sua estranheza e tudo aquilo que o tempo não nos autoriza a apagar.
Traduzir a língua. Preservar a história.
Um texto de outro século nem sempre chega facilmente ao leitor de hoje. As palavras mudam de sentido. A sintaxe envelhece. Uma referência familiar ao primeiro público pode ser desconhecida para nós. Traduzir exige compreender essas distâncias e atravessá-las.
Isso pede mais do que trocar uma palavra por outra. Se o contexto trata da sabedoria de julgar e agir bem, uma tradução mecânica por “prudência” pode deixar ao leitor apenas a ideia de cautela. A escolha precisa recuperar o sentido daquela passagem, sem impor uma regra a todos os usos da palavra.
Também pede respeito ao que pertence a outra cultura. Em Rapunzel, a planta que dá nome à personagem faz parte da história. Podemos explicar seu nome; não precisamos substituí-la por uma flor mais conhecida. Uma nota pode aproximar o leitor sem trocar o mundo do conto pelo nosso.
Atualizar a linguagem é uma coisa. Alterar os acontecimentos é outra.
Não cortamos uma passagem porque ela nos surpreende. Não acrescentamos uma explicação porque o autor deixou uma pergunta. Não trocamos o desfecho por aquele que lembramos de uma adaptação.
Na edição de 1857 dos Grimm, Chapeuzinho Vermelho encontra outro lobo em um segundo episódio. João e Maria termina com uma fórmula inesperada sobre um ratinho e uma carapuça de pele. Em Cinderela, as irmãs ferem os próprios pés para tentar calçar o sapato. Esses detalhes pertencem àquela edição. Por isso, permanecem.
Os contos falam de bondade e crueldade, perda e coragem, justiça e perigo. Preservá-los permite que cada família conheça a obra e escolha quando e como lê-la. A leitura acompanhada abre espaço para perguntas; a fidelidade ao texto não dispensa esse encontro entre pais e filhos.
O original tem uma fonte. A tradução tem uma responsabilidade.
Há mais de uma edição histórica de muitos contos. Os próprios Grimm revisaram sua coleção ao longo da vida. Por isso, identificamos a edição usada, preservamos as diferenças e distinguimos o texto de origem de suas traduções. Não reunimos passagens de épocas diferentes para fabricar um original que nunca existiu.
Nossas traduções também podem melhorar. Uma palavra mais precisa, um erro corrigido, uma passagem novamente conferida: cada revisão deve aproximar o leitor da obra, com fontes e créditos claros.
Recuse os atalhos que apagam a história. Procure a fonte. Leia os originais.

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