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EK 36

A agulha de cerzir

Hans Christian Andersen

Stoppenaalen

Sobre este conto

Uma agulha de cerzir considera-se fina demais para o trabalho comum e imagina ser uma agulha de costura. Ao passar pelas mãos de uma cozinheira, ela interpreta cada mudança de situação como sinal de sua importância. Suas conversas com dedos e objetos encontrados pelo caminho revelam o que pensa de si e dos outros.

Personagens e estrutura
Personagens
Agulha de cerzir que se julga uma agulha de costura e depois um broche, Cozinheira que usa a agulha e lhe aplica lacre, Cinco dedos chamados Tommeltot, Slikpot, Langemand, Guldbrand e Per Spillemand, Alfinete ao lado da agulha no lenço, Caco de garrafa tomado pela agulha por um diamante, Meninos de rua que remexem a sarjeta
Onde se passa
Caixa e mãos da cozinheira; pantufa, lenço e pia; sarjeta por onde passam água e objetos; casca de ovo alcançada por uma carroça carregada.
Acontecimentos
  1. A agulha se quebra ao costurar o couro de uma pantufa; com lacre, é presa ao lenço da cozinheira e passa a se apresentar como broche.
  2. Ela cai na pia e vai parar na sarjeta, onde censura os objetos que boiam e conversa com um caco de garrafa que julga precioso.
  3. A agulha descreve os cinco dedos, seus nomes e hábitos; uma cheia leva o caco, o que ela interpreta como promoção dele.
  4. Meninos encontram a agulha, um deles se espeta e a chama de sujeito; ela protesta sem ser ouvida e é espetada numa casca de ovo.
Desfecho
A agulha teme enjoar na casca, mas não enjoa nem vomita e se gaba de ter estômago de aço. Uma carroça carregada passa sobre a casca, que se quebra. A agulha diz que vai se quebrar, porém permanece inteira porque está deitada no sentido do comprimento. O narrador encerra dizendo que ela pode continuar deitada ali.

Era uma vez uma agulha de cerzir tão cheia de finuras que imaginava ser uma agulha de costura.

“Vejam bem o que estão segurando!”, disse a agulha de cerzir aos dedos que a tiravam da caixa. “Não me deixem cair! Se eu cair no chão, sou capaz de nunca mais ser encontrada, de tão fina que sou!”

“Menos!”, disseram os dedos, apertando-a pela cintura.

“Vejam, venho com séquito!”, disse a agulha de cerzir, puxando atrás de si uma longa linha, que, no entanto, não tinha nó.

Os dedos levaram a agulha diretamente à pantufa da cozinheira, cujo couro de cima se rasgara e precisava ser costurado.

“Que trabalho baixo!”, disse a agulha de cerzir. “Nunca vou atravessar isso! Vou me quebrar! Vou me quebrar!” E se quebrou. “Não foi o que eu disse?”, falou a agulha de cerzir. “Sou fina demais!”

“Agora ela não serve para nada”, pensaram os dedos. Mas tiveram de continuar segurando-a, enquanto a cozinheira pingava lacre nela e a espetava na frente do lenço que usava.

“Vejam, agora sou um broche!”, disse a agulha de cerzir. “Eu sabia que chegaria às honras. Quando se é alguém, sempre se acaba sendo alguma coisa!” E riu por dentro, pois nunca se pode ver por fora que uma agulha de cerzir está rindo. Ali ficou, toda orgulhosa, como se passeasse numa carruagem, olhando para todos os lados.

“Posso ter a honra de perguntar se o senhor é de ouro?”, perguntou ao alfinete que estava ao lado. “Tem uma bela aparência e sua própria cabeça, mas como é pequena! Trate de fazê-la crescer, porque nem todos podem receber lacre na ponta!” Então a agulha de cerzir se ergueu com tanto orgulho que se soltou do lenço e caiu na pia, justamente quando a cozinheira despejava a água.

“Agora vamos viajar!”, disse a agulha de cerzir. “Tomara que eu não me perca!” Mas se perdeu.

“Sou fina demais para este mundo”, disse ela, já na sarjeta. “Tenho minha boa consciência, e isso sempre é um pequeno prazer!” Manteve-se ereta e não perdeu o bom humor.

Toda espécie de coisa passava boiando por cima dela: gravetos, palhas, pedaços de jornal. “Vejam como navegam!”, disse a agulha de cerzir. “Não sabem o que há aqui embaixo para espetar! Eu espeto! Estou aqui. Vejam aquele graveto: não pensa em nada no mundo além de ‘Graveto’, que é ele mesmo. Ali vai uma palha. Vejam como balança, vejam como gira! Não pense tanto em você: pode bater nas pedras do calçamento! Lá vai um jornal! O que está escrito nele já foi esquecido, mas, mesmo assim, como se espalha! Eu fico aqui, paciente e quieta. Sei o que sou e assim continuarei!”

Um dia, alguma coisa brilhava tão lindamente ali perto que a agulha de cerzir pensou ser um diamante. Mas era um caco de garrafa. Como ele brilhava, a agulha lhe dirigiu a palavra e se apresentou como broche. “O senhor deve ser um diamante!” “Sim, sou uma coisa desse tipo!” Cada um acreditava que o outro era muito precioso, e os dois conversaram sobre como o mundo era arrogante.

“Sim, morei numa caixa na casa de uma donzela”, disse a agulha de cerzir. “Essa donzela era cozinheira. Tinha cinco dedos em cada mão, mas nunca conheci coisa tão presumida quanto aqueles cinco dedos. E eles só existiam para me segurar, me tirar da caixa e me pôr na caixa!”

“Tinham brilho?”, perguntou o caco de garrafa.

“Brilho!”, disse a agulha de cerzir. “Não, tinham arrogância! Eram cinco irmãos, todos ‘Dedos’ de nascença. Ficavam eretos uns junto dos outros, embora fossem de alturas diferentes. O que ficava na extremidade, Tommeltot, era curto e grosso e andava fora da fileira. Tinha uma única dobra nas costas, só podia se curvar uma vez, mas dizia que, se fosse cortado de uma pessoa, aquela pessoa inteira já não serviria para o serviço militar. Slikpot se metia no doce e no azedo, apontava para o sol e para a lua e era ele quem apertava quando escreviam. Langemand olhava por cima da cabeça dos outros. Guldbrand andava com um anel de ouro em volta da barriga, e o pequeno Per Spillemand não fazia nada e tinha orgulho disso. Era só bazófia e continuou sendo bazófia. Então fui parar na pia!”

“E agora estamos aqui brilhando!”, disse o caco de vidro. Naquele instante, chegou mais água à sarjeta. Ela transbordou por todos os lados e levou o caco de vidro consigo.

“Vejam, agora ele foi promovido!”, disse a agulha de cerzir. “Eu continuo sentada aqui. Sou fina demais, mas esse é meu orgulho, e ele merece respeito!” Ficou ereta e cheia de pensamentos.

“Sou tão fina que quase acredito ter nascido de um raio de sol. E não me parece que o sol está sempre me procurando debaixo da água? Ah, sou tão fina que minha mãe não consegue me encontrar! Se ainda tivesse meu velho olho, que se quebrou, acho que poderia chorar. Mas não choraria: chorar não é fino.”

Um dia, uns meninos de rua estavam remexendo a sarjeta, onde encontravam pregos velhos, moedas de skilling e coisas assim. Era uma porcaria, mas aquela era a diversão deles.

“Ai!”, disse um, que se espetou na agulha de cerzir. “Que sujeito!”

“Não sou um sujeito, sou uma senhorita!”, disse a agulha de cerzir. Mas ninguém ouviu. O lacre havia saído, e ela ficara preta. Mas preto afina, e por isso ela se achou ainda mais fina que antes.

“Lá vem uma casca de ovo navegando!”, disseram os meninos, e espetaram nela a agulha de cerzir.

“Paredes brancas e eu preta!”, disse a agulha de cerzir. “Combina! Assim, pelo menos, podem me ver! Tomara que eu não enjoe, senão vomito!” Mas ela não enjoou nem vomitou.

“Contra enjoo, é bom ter estômago de aço e lembrar sempre que se é um pouco mais que uma pessoa! O meu já passou. Quanto mais fina se é, mais se pode aguentar!”

“Craque!”, fez a casca de ovo, quando uma carroça carregada passou por cima dela. “Ui, como aperta!”, disse a agulha de cerzir. “Agora vou mesmo enjoar! Vou me quebrar! Vou me quebrar!” Mas não se quebrou, embora a carroça carregada passasse por cima. Estava deitada no sentido do comprimento, e lá pode continuar deitada!


Sobre esta edição

Obra
Stoppenaalen
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Stoppenaalen

H. C. Andersens Eventyr og Historier · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind · 1905 · Dinamarquês · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind
Volume I. Página 308–311. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

Der var engang en Stoppenaal, der var saa fin paa det, at hun bildte sig ind, at hun var en Synaal.

»Ser nu bare til, hvad I holde paa!« sagde Stoppenaalen til Fingrene, der tog den frem. »Tab mig ikke! falder jeg paa Gulvet, er jeg i Stand til aldrig at findes igjen, saa fin er jeg!«

»Der er Maade med!« sagde Fingrene, og saa klemte de hende om Livet.

»Ser I, jeg kommer med Suite!« sagde Stoppenaalen, og saa trak den en lang Traad efter sig, men som dog ikke havde Knude.

Fingrene styrede Naalen lige mod Kokkepigens Tøffel, hvor Overlæderet var revnet, og nu skulde det sys sammen.

»Det er nedrigt Arbejde!« sagde Stoppenaalen. »Jeg gaar aldrig igjennem. Jeg knækker! jeg knækker!« — og saa knak hun. »Sagde jeg det ikke nok!« sagde Stoppenaalen, »jeg er for fin!«

»Nu duer hun ikke til noget,« mente Fingrene, men de maatte dog holde fast, Kokkepigen dryppede Lak paa hende og stak hende saa foran i sit Tørklæde.

»Se, nu er jeg en Brystnaal!« sagde Stoppenaalen; »jeg vidste nok, at jeg kom til Ære; naar man er noget, bliver man altid til noget!« og saa lo hun indvendig, for man kan aldrig se udvendig paa en Stoppenaal, at den ler; der sad hun nu saa stolt, som om hun kørte i Karet, og saa til alle Sider.

»Maa jeg have den Ære at spørge, om De er af Guld?« spurgte hun Knappenaalen, som var Nabo. »De har et dejligt Udseende og Deres eget Hoved, men lille er det! De maa se til, at det vokser ud, thi man kan ikke alle lakkes paa Enden!« og saa rejste Stoppenaalen sig saa stolt i Vejret, at hun gik af Tørklædet og i Vadsken, just som Kokkepigen skyllede ud.

»Nu gaa vi paa Rejse!« sagde Stoppenaalen; »bare jeg ikke bliver borte!« men det blev hun.

»Jeg er for fin for denne Verden,« sagde hun, da hun sad i Rendestenen. »Jeg har min gode Bevidsthed og det er altid en lille Fornøjelse!« og saa holdt Stoppenaalen sig rank og tabte ikke sit gode Humør.

Og der sejlede alle Slags hen over den, Pinde, Straa, Stumper af Aviser. »Se, hvor de sejle!« sagde Stoppenaalen. »De ved ikke hvad der stikker under dem! jeg stikker! jeg sidder her. Se, der gaar nu en Pind, den tænker paa ingenting i Verden uden paa »Pind«, og det er den selv; der flyder et Straa, se, hvor det svajer, se, hvor det drejer; tænk ikke saa meget paa dig selv, du kunde støde dig paa Brostenene! — der flyder en Avis! — glemt er det, som staar i den, og dog breder den sig! — Jeg sidder taalmodig og stille! jeg ved hvad jeg er, og det bliver jeg!«

En Dag var der noget, der skinnede saa dejligt tæt ved, og saa troede Stoppenaalen, at det var en Diamant, men det var et Flaskeskaar, og da det skinnede, saa talte Stoppenaalen til det og gav sig til Kende som Brystnaal. »De er nok en Diamant!« — »Ja, jeg er saadant noget!« og saa troede den ene om den anden, at de vare rigtigt kostbare, og saa talte de om, hvor hovmodig Verden var.

»Ja, jeg har boet i en Æske hos en Jomfru,« sagde Stoppenaalen, »og den Jomfru var Kokkepige; hun havde paa hver Haand fem Fingre, men noget saa indbildsk, som de fem Fingre, har jeg ikke kendt, og saa vare de kun til for at holde mig, tage mig af Æske og lægge mig i Æske.«

»Var der Glans ved dem?« spurgte Flaskeskaaret.

»Glans!« sagde Stoppenaalen, »nej, der var Hovmod! De vare fem Brødre, alle fødte »Fingre«, de holdt sig ranke op til hverandre, skønt af forskellig Længde; den yderste af dem, Tommeltot, var kort og tyk, han gik uden for Geledet, og saa havde han kun eet Knæk i Ryggen, han kunde kun bukke een Gang, men han sagde, at blev han hugget af et Menneske, saa var hele det Menneske spoleret for Krigstjeneste. Slikpot kom i sødt og surt, pegede paa Sol og Maane, og det var ham, der klemte, naar de skrev; Langemand saa de andre over Hovedet; Guldbrand gik med Guldring om Maven, og lille Per Spillemand bestilte ikke noget, og deraf var han stolt. Pral var det, og Pral blev det, og saa gik jeg i Vadsken!«

»Og nu sidde vi og glinse!« sagde Glasskaaret. I det samme kom der mere Vand i Rendestenen, den strømmede over alle Bredder og rev Glasskaaret med sig.

»Se, nu blev det forfremmet!« sagde Stoppenaalen, »jeg bliver siddende, jeg er for fin, men det er min Stolthed, og den er agtværdig!« og saa sad den rank og havde mange Tanker.

»Jeg skulde næsten tro, at jeg er født af en Solstraale, saa fin er jeg; synes jeg ikke ogsaa, at Solen altid søger mig under Vandet. Ak, jeg er saa fin, at min Moder ikke kan finde mig; havde jeg mit gamle Øje, som knak, saa tror jeg, at jeg kunde græde! — skønt jeg gjorde det ikke — græde det er ikke fint.«

En Dag laa der nogle Gadedrenge og ragede i Rendestenen, hvor de fandt gamle Søm, Skillinger og saadant noget. Det var Griseri, men det var nu deres Fornøjelse.

»Av!« sagde den ene, han stak sig paa Stoppenaalen. »Det er ogsaa en Fyr!«

»Jeg er ingen Fyr, jeg er en Frøken!« sagde Stoppenaalen, men ingen hørte det; Lakket var gaaet af den, og sort var den bleven, men sort gør tyndere, og saa troede den, at den var endnu finere end før.

»Der kommer en Æggeskal sejlende!« sagde Drengene, og saa stak de Stoppenaalen fast i Skallen.

»Hvide Vægge og selv sort!« sagde Stoppenaalen, »det klæder! saa kan man dog se mig! — bare jeg ikke bliver søsyg, for saa knækker jeg mig!« men den blev ikke søsyg, og den knak sig ikke.

»Det er godt mod Søsyge at have Staalmave og saa altid huske paa, at man er lidt mere end et Menneske! nu er mit gaaet over! jo finere man er, desto mere kan man holde ud.«

»Krask!« sagde Æggeskallen, der gik et Vognmandslæs over den. »Hu, hvor det klemmer!« sagde Stoppenaalen, »nu bliver jeg dog søsyg! jeg knækker! jeg knækker!« men den knak ikke, skønt der gik et Vognmandslæs over, den laa paa langs — og der kan den blive liggende!

A agulha de cerzir

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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