AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

KHM 197

A bola de cristal

Irmãos Grimm

Die Krystallkugel

Sobre este conto

O filho mais novo de uma feiticeira foge para não ser transformado em animal como seus dois irmãos. Sem temer os perigos que já mataram outros pretendentes, decide procurar uma princesa enfeitiçada no Castelo do Sol Dourado.

Personagens e estrutura
Personagens
Rapaz mais novo, que foge da mãe feiticeira e busca libertar a princesa., Feiticeira que transforma dois filhos por desconfiar deles., Irmão mais velho, transformado em águia, que ajuda a obter o ovo., Segundo irmão, transformado em baleia, que apaga o fogo com água do mar., Princesa enfeitiçada, cuja aparência verdadeira é mostrada por um espelho., Dois gigantes que disputam um chapéu dos desejos., Feiticeiro cujo poder pode ser quebrado pela bola de cristal.
Onde se passa
Uma floresta, o Castelo do Sol Dourado numa alta montanha, uma fonte e o litoral junto de uma cabana de pescador.
Acontecimentos
  1. A feiticeira transforma os dois filhos mais velhos em águia e baleia, e o mais novo foge.
  2. O rapaz recebe de dois gigantes um chapéu dos desejos e chega com ele ao castelo.
  3. A princesa explica que precisa da bola de cristal guardada dentro de um ovo numa ave de fogo, que sairá de um auroque.
  4. O rapaz mata o auroque, e o irmão águia força a ave de fogo a deixar cair o ovo.
  5. O ovo cai numa cabana, e o irmão baleia apaga o fogo com ondas do mar.
  6. O rapaz retira a bola intacta do ovo e a apresenta ao feiticeiro.
Desfecho
O feiticeiro declara seu poder destruído e o rapaz rei do Castelo do Sol Dourado; diz também que ele pode devolver a forma humana aos irmãos. O rapaz encontra a princesa novamente bela, e ambos trocam suas alianças com alegria.

Era uma vez uma feiticeira que tinha três filhos, unidos pelo amor de irmãos. Mas a velha não confiava neles e achava que queriam roubar seu poder. Por isso transformou o mais velho numa águia, que teve de morar entre montanhas rochosas e às vezes era vista no céu, subindo e descendo em grandes círculos. O segundo ela transformou numa baleia, que vivia no mar profundo e da qual só se via, de vez em quando, um poderoso jato de água lançado para o alto. Os dois só tinham sua forma humana durante duas horas por dia. O terceiro filho, temendo que ela também o transformasse num animal feroz, num urso ou num lobo, foi embora às escondidas. Ele ouvira dizer que no Castelo do Sol Dourado havia uma princesa enfeitiçada, à espera de ser libertada. Mas todos os que tentassem precisariam arriscar a vida: vinte e três rapazes já tinham morrido de maneira miserável, e só restava mais um; depois dele, ninguém mais poderia vir. Como seu coração não conhecia o medo, decidiu procurar o Castelo do Sol Dourado. Já havia muito tempo que andava de um lado para outro sem conseguir encontrá-lo, quando entrou numa grande floresta e não sabia onde ficava a saída. De repente, viu ao longe dois gigantes, que lhe acenavam. Quando chegou perto deles, disseram:

— Estamos brigando por um chapéu, para decidir a quem ele deve pertencer, e, como temos a mesma força, nenhum consegue vencer o outro. Os homens pequenos são mais espertos do que nós; por isso queremos deixar a decisão com você.

— Como podem brigar por um chapéu velho? — disse o rapaz.

— Você não sabe que poderes ele tem. É um chapéu dos desejos: quem o põe na cabeça pode desejar estar onde quiser, e num instante estará lá.

— Deem-me o chapéu — disse o rapaz. — Vou andar um trecho e, quando chamar vocês, corram uma corrida. Ele pertencerá a quem chegar primeiro até mim.

Ele colocou o chapéu e foi andando, mas pensou na princesa, esqueceu os gigantes e seguiu sempre em frente. Em certo momento, suspirou do fundo do coração e exclamou:

— Ah, se eu estivesse no Castelo do Sol Dourado!

Mal as palavras lhe saíram dos lábios, ele se viu numa alta montanha, diante do portão do castelo.

Entrou e atravessou todos os aposentos, até encontrar a princesa no último. Mas que susto levou ao vê-la! Ela tinha o rosto cinzento como cinza, cheio de rugas, olhos baços e cabelos ruivos.

— Sois a princesa cuja beleza o mundo inteiro celebra? — exclamou.

— Ah — respondeu ela —, esta não é minha verdadeira aparência. Os olhos humanos só podem me ver nesta feiura. Mas, para que saibas como sou, olha neste espelho: ele não se deixa enganar e te mostrará minha imagem como ela é de verdade.

Ela lhe pôs o espelho na mão, e nele o rapaz viu a imagem da donzela mais bela do mundo; viu também as lágrimas que, de tristeza, lhe corriam pelo rosto. Então perguntou:

— Como podes ser libertada? Não temo perigo algum.

Ela disse:

— Quem conseguir a bola de cristal e a apresentar ao feiticeiro quebrará seu poder, e eu voltarei à minha verdadeira forma. Ah — acrescentou —, tantos já caminharam para a morte por causa disso! E tu, tão jovem, me dás pena, se fores te meter nesses grandes perigos.

— Nada pode me deter — disse ele. — Mas dize o que devo fazer.

— Saberás de tudo — disse a princesa. — Quando desceres a montanha onde fica o castelo, encontrarás lá embaixo, junto de uma fonte, um auroque selvagem, com quem terás de lutar. Se conseguires matá-lo, sairá dele uma ave de fogo, que leva no corpo um ovo incandescente, e dentro do ovo, no lugar da gema, está a bola de cristal. A ave só deixa cair o ovo quando é forçada a isso. Mas, se ele cair no chão, pegará fogo e queimará tudo o que estiver perto; o próprio ovo se derreterá, e com ele a bola de cristal, e todo o teu esforço terá sido em vão.

O rapaz desceu até a fonte, onde o auroque bufava e mugia para ele. Depois de uma longa luta, cravou-lhe a espada no corpo, e o animal caiu. No mesmo instante, a ave de fogo saiu dele e quis voar para longe, mas a águia, o irmão do rapaz, que vinha passando entre as nuvens, lançou-se sobre ela, perseguiu-a em direção ao mar e a golpeou com o bico, até que a ave, encurralada, deixou cair o ovo. Mas ele não caiu no mar, e sim numa cabana de pescador à beira da água, que começou logo a soltar fumaça e estava prestes a se incendiar. Então se ergueram no mar ondas altas como casas, que se derramaram sobre a cabana e dominaram o fogo. O outro irmão, a baleia, havia nadado até ali e lançado a água para o alto. Quando o incêndio foi apagado, o rapaz procurou o ovo e felizmente o encontrou: ainda não havia derretido, mas a casca tinha se esfarelado com o resfriamento repentino causado pela água fria, e ele pôde retirar intacta a bola de cristal.

Quando o rapaz foi ao feiticeiro e lhe apresentou a bola, este disse:

— Meu poder está destruído, e de agora em diante você é o rei do Castelo do Sol Dourado. Com ela também pode devolver a seus irmãos a forma humana.

Então o rapaz correu até a princesa. Quando entrou no quarto, ela estava ali em todo o esplendor de sua beleza, e os dois trocaram suas alianças, cheios de alegria.


Sobre esta edição

Obra
Die Krystallkugel
Autoria original
Irmãos Grimm
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Die Krystallkugel

Kinder- und Hausmärchen · 1857 · Alemão · 7. Große Ausgabe
Volume II. Página 447–449. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

Es war einmal eine Zauberin, die hatte drei Söhne, die sich brüderlich liebten: aber die Alte traute ihnen nicht und dachte sie wollten ihr ihre Macht rauben. Da verwandelte sie den ältesten in einen Adler, der mußte auf einem Felsengebirge hausen und man sah ihn manchmal am Himmel in großen Kreißen auf und nieder schweben. Den zweiten verwandelte sie in einen Wallfisch, der lebte im tiefen Meer, und man sah nur wie er zuweilen einen mächtigen Wasserstrahl in die Höhe warf. Beide hatten nur zwei Stunden jeden Tag ihre menschliche Gestalt. Der dritte Sohn, da er fürchtete sie möchte ihn auch in ein reißendes Thier verwandeln, in einen Bären oder einen Wolf, so gieng er heimlich fort. Er hatte aber gehört daß auf dem Schloß der goldenen Sonne eine verwünschte Königstochter säße, die auf Erlösung harrte: es müßte aber jeder sein Leben daran wagen, schon drei und zwanzig Jünglinge wären eines jämmerlichen Todes gestorben und nur noch einer übrig, dann dürfte keiner mehr kommen. Und da sein Herz ohne Furcht war, so faßte er den Entschluß das Schloß von der goldenen Sonne aufzusuchen. Er war schon lange Zeit herum gezogen, und hatte es nicht finden können, da gerieth er in einen großen Wald und wußte nicht wo der Ausgang war. Auf einmal erblickte er in der Ferne zwei Riesen, die winkten ihm mit der Hand, und als er zu ihnen kam, sprachen sie „wir streiten um einen Hut, wem er zugehören soll, und da wir beide gleich stark sind, so kann keiner den andern überwältigen: die kleinen Menschen sind klüger als wir, daher wollen wir dir die Entscheidung überlassen.“ „Wie könnt ihr euch um einen alten Hut streiten?“ sagte der Jüngling. „Du weißt nicht was er für Eigenschaften hat, es ist ein Wünschhut, wer den aufsetzt, der kann sich hinwünschen wohin er will, und im Augenblick ist er dort.“ „Gebt mir den Hut“ sagte der Jüngling, „ich will ein Stück Wegs gehen, und wenn ich euch dann rufe, so lauft um die Wette, und wer am ersten bei mir ist, dem soll er gehören.“ Er setzte den Hut auf und gieng fort, dachte aber an die Königstochter, vergaß die Riesen und gieng immer weiter. Einmal seufzte er aus Herzensgrund und rief, „ach, wäre ich doch auf dem Schloß der goldenen Sonne!“ und kaum waren die Worte über seine Lippen, so stand er auf einem hohen Berg vor dem Thor des Schlosses.

Er trat hinein und gieng durch alle Zimmer, bis er in dem letzten die Königstochter fand. Aber wie erschrack er, als er sie anblickte: sie hatte ein aschgraues Gesicht voll Runzeln, trübe Augen und rothe Haare. „Seid ihr die Königstochter, deren Schönheit alle Welt rühmt?“ rief er aus. „Ach,“ erwiederte sie, „das ist meine Gestalt nicht, die Augen der Menschen können mich nur in dieser Häßlichkeit erblicken, aber damit du weißt wie ich aussehe, so schau in den Spiegel, der läßt sich nicht irre machen, der zeigt dir mein Bild, wie es in Wahrheit ist.“ Sie gab ihm den Spiegel in die Hand, und er sah darin das Abbild der schönsten Jungfrau, die auf der Welt war, und sah wie ihr vor Traurigkeit die Thränen über die Wangen rollten. Da sprach er „wie kannst du erlöst werden? ich scheue keine Gefahr.“ Sie sprach „wer die krystallne Kugel erlangt und hält sie dem Zauberer vor, der bricht damit seine Macht, und ich kehre in meine wahre Gestalt zurück. „Ach,“ setzte sie hinzu, „schon so mancher ist darum in seinen Tod gegangen, und du junges Blut, du jammerst mich, wenn du dich in die großen Gefährlichkeiten begiebst.“ „Mich kann nichts abhalten“ sprach er, „aber sage mir was ich thun muß.“ „Du sollst alles wissen,“ sprach die Königstochter, „wenn du den Berg auf dem das Schloß steht, hinabgehst, so wird unten an einer Quelle ein wilder Auerochs stehen, mit dem mußt du kämpfen. Und wenn es dir glückt ihn zu tödten, so wird sich aus ihm ein feuriger Vogel erheben, der trägt in seinem Leib ein glühendes Ei, und in dem Ei steckt als Dotter die Krystallkugel. Er läßt aber das Ei nicht fallen, bis er dazu gedrängt wird, fällt es aber auf die Erde, so zündet es und verbrennt alles in seiner Nähe, und das Eis selbst zerschmilzt und mit ihm die krystallne Kugel, und all deine Mühe ist vergeblich gewesen.“

Der Jüngling stieg hinab zu der Quelle, wo der Auerochse schnaubte und ihn anbrüllte. Nach langem Kampf stieß er ihm sein Schwert in den Leib und er sank nieder. Augenblicklich erhob sich aus ihm der Feuervogel und wollte fort fliegen, aber der Adler, der Bruder des Jünglings, der zwischen den Wolken daher zog, stürzte auf ihn herab, jagte ihn nach dem Meer hin und stieß ihn mit seinem Schnabel an, so daß er in der Bedrängnis das Ei fallen ließ. Es fiel aber nicht in das Meer, sondern auf eine Fischerhütte, die am Ufer stand, und die fieng gleich an zu rauchen und wollte in Flammen aufgehen. Da erhoben sich im Meer haushohe Wellen, strömten über die Hütte und bezwangen das Feuer. Der andere Bruder, der Wallfisch, war heran geschwommen und hatte das Wasser in die Höhe getrieben. Als der Brand gelöscht war, suchte der Jüngling nach dem Ei und fand es glücklicher Weise: es war noch nicht geschmolzen, aber die Schaale war von der plötzlichen Abkühlung durch das kalte Wasser zerbröckelt und er konnte die Krystallkugel unversehrt heraus nehmen.

Als der Jüngling zu dem Zauberer gieng und sie ihm vorhielt, so sagte dieser „meine Macht ist zerstört und du bist von nun an der König vom Schloß der goldenen Sonne. Auch deinen Brüdern kannst du die menschliche Gestalt damit zurück geben.“ Da eilte der Jüngling zu der Königstochter, und als er in ihr Zimmer trat, so stand sie da in vollem Glanz ihrer Schönheit, und beide wechselten voll Freude ihre Ringe mit einander.

A bola de cristal

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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