KHM 199
A bota de couro de búfalo
Der Stiefel von Büffelleder
Sobre este conto
Um soldado dispensado do serviço, sem ofício nem sustento, perde-se numa floresta e encontra um caçador também perdido. Ao anoitecer, os dois procuram comida e abrigo numa casa de ladrões.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Soldado dispensado do serviço, que usa botas de couro de búfalo e não teme os perigos., Caçador de botas engraxadas, que acompanha o soldado e depois revela ser o rei., Velha que serve os ladrões e tenta esconder os viajantes., Doze ladrões que ameaçam matar os dois viajantes., Antigos companheiros do soldado, chamados para prender os ladrões.
- Onde se passa
- Uma floresta, a casa de pedra dos ladrões e uma cidade do reino.
- Acontecimentos
- O soldado encontra o caçador perdido e passa a chamá-lo de irmão Botas Engraxadas.
- Uma velha avisa sobre os ladrões e esconde os viajantes atrás do fogão.
- O soldado se revela aos ladrões, pede comida e recebe a ameaça de morrer depois da refeição.
- Ao brindar com uma garrafa, o soldado imobiliza os ladrões, de boca aberta e braço direito erguido.
- O soldado busca os antigos companheiros, desfaz a imobilidade e manda levar os ladrões presos.
- Ao regressarem à cidade, o caçador revela que é o rei.
- Desfecho
- O rei perdoa o tratamento familiar do soldado, reconhece que ele lhe salvou a vida e promete sustentá-lo. Oferece-lhe comida na cozinha real, mas exige que peça permissão antes de fazer outro brinde.
Um soldado que não teme coisa alguma também não se preocupa com coisa alguma. Um desses havia recebido baixa e, como não aprendera nenhum ofício e não conseguia ganhar a vida, andava de um lado para outro, pedindo uma esmola às pessoas de bom coração. Dos ombros pendia-lhe uma velha capa de chuva, e também lhe restara um par de botas de montaria de couro de búfalo. Certo dia, sem prestar atenção a caminhos nem veredas, foi andando pelos campos e acabou entrando numa floresta. Não sabia onde estava, mas viu um homem sentado num tronco de árvore derrubado, bem-vestido e com um casaco verde de caçador. O soldado estendeu-lhe a mão, sentou-se na grama ao lado dele e espichou as pernas.
— Estou vendo que você usa umas botas finas, bem engraxadas e reluzentes — disse ao caçador. — Mas, se tivesse de andar por aí como eu, elas não durariam muito. Olhe as minhas: são de couro de búfalo e já servem há muito tempo, mas enfrentam tudo quanto é caminho.
Depois de algum tempo, o soldado se levantou e disse:
— Não posso ficar mais; a fome me toca adiante. Mas, irmão Botas Engraxadas, para que lado fica o caminho?
— Eu mesmo não sei — respondeu o caçador. — Perdi-me na floresta.
— Então você está como eu — disse o soldado. — Os iguais gostam de andar juntos; vamos ficar um com o outro e procurar o caminho.
O caçador sorriu um pouco, e os dois seguiram juntos, sempre em frente, até cair a noite.
— Não vamos conseguir sair da floresta — disse o soldado. — Mas vejo uma luz brilhando lá longe; ali deve haver alguma coisa para comer.
Encontraram uma casa de pedra, bateram à porta, e uma velha abriu.
— Estamos procurando pousada para a noite — disse o soldado — e alguma forragem para o estômago, pois o meu está tão vazio quanto uma mochila velha.
— Vocês não podem ficar aqui — respondeu a velha. — Esta é uma casa de ladrões, e o mais sensato é irem embora antes que eles voltem, pois, se os encontrarem, estarão perdidos.
— Não há de ser tão ruim — respondeu o soldado. — Não como um bocado há dois dias, e para mim tanto faz morrer aqui ou morrer de fome na floresta. Eu vou entrar.
O caçador não queria acompanhá-lo, mas o soldado o puxou pela manga:
— Venha, meu irmão do coração; não é assim de uma hora para outra que vão nos torcer o pescoço.
A velha teve pena e disse:
— Escondam-se atrás do fogão. Se eles deixarem alguma sobra e adormecerem, eu passo a comida para vocês.
Mal tinham se sentado no canto, doze ladrões entraram de rompante, sentaram-se à mesa, que já estava posta, e exigiram comida aos gritos. A velha trouxe um grande assado, e os ladrões se regalaram. Quando o cheiro da comida chegou ao nariz do soldado, ele disse ao caçador:
— Não aguento mais; vou me sentar à mesa e comer com eles.
— Você vai nos levar à morte — disse o caçador, segurando-o pelo braço.
Mas o soldado começou a tossir alto. Quando os ladrões ouviram aquilo, largaram facas e garfos, deram um salto e descobriram os dois atrás do fogão.
— Ah, meus senhores! — gritaram. — Estão aí no canto? O que querem aqui? Foram mandados como espiões? Esperem só: vão aprender a voar num galho seco.
— Um pouco de educação — disse o soldado. — Estou com fome; deem-me de comer e depois podem fazer comigo o que quiserem.
Os ladrões ficaram desconcertados, e o chefe disse:
— Vejo que você não tem medo. Muito bem, terá comida, mas depois terá de morrer.
— Isso ainda se verá — disse o soldado.
Sentou-se à mesa e começou a atacar o assado com vontade.
— Irmão Botas Engraxadas, venha comer! — gritou ao caçador. — Você deve estar com tanta fome quanto eu, e em casa não pode ter um assado melhor.
Mas o caçador não queria comer. Os ladrões olhavam espantados para o soldado e diziam:
— Esse sujeito não faz cerimônia.
Depois ele disse:
— A comida está muito boa; agora tragam também uma boa bebida.
O chefe estava disposto a tolerar mais aquela e gritou para a velha:
— Vá buscar uma garrafa na adega, e que seja do melhor.
O soldado arrancou a rolha com um estouro, foi com a garrafa até o caçador e disse:
— Preste atenção, irmão, você vai ver uma coisa de deixar pasmo: agora vou brindar à saúde de toda essa corja.
Então agitou a garrafa por cima da cabeça dos ladrões e gritou:
— Que vivam todos vocês, mas de boca aberta e mão direita erguida!
E tomou um bom gole. Mal pronunciara as palavras, todos ficaram sentados, imóveis como se fossem de pedra, de boca aberta e braço direito levantado. O caçador disse ao soldado:
— Vejo que você sabe fazer outros truques, mas agora venha, vamos para casa.
— Opa, meu irmão do coração, seria marchar cedo demais! Vencemos o inimigo e primeiro vamos recolher o saque. Eles estão aí presos, de boca escancarada de espanto, mas não podem se mexer até que eu permita. Venha comer e beber.
A velha teve de buscar mais uma garrafa do melhor, e o soldado só se levantou depois de tornar a comer o suficiente para três dias. Por fim, quando amanheceu, disse:
— Agora é hora de levantar acampamento; e, para termos uma marcha curta, a velha vai nos mostrar o caminho mais próximo para a cidade.
Quando chegaram lá, ele foi procurar os antigos companheiros e disse:
— Encontrei lá na floresta um ninho cheio de carne de forca. Venham comigo; vamos acabar com ele.
O soldado os conduziu e disse ao caçador:
— Você tem de voltar conosco e ver como eles esvoaçam quando os pegarmos pelos pés.
Colocou os homens ao redor dos ladrões, então pegou a garrafa, bebeu um gole, agitou-a por cima deles e gritou:
— Que vivam todos vocês!
No mesmo instante, eles recuperaram os movimentos, mas foram derrubados e amarrados com cordas nas mãos e nos pés. Então o soldado mandou que os jogassem como sacos numa carroça e disse:
— Levem-nos direto para a prisão.
O caçador, porém, chamou um dos homens de lado e lhe confiou ainda um recado.
— Irmão Botas Engraxadas — disse o soldado —, pegamos o inimigo de surpresa e nos alimentamos bem; agora vamos marchar atrás, com toda a calma, como os que ficam para trás da tropa.
Quando se aproximaram da cidade, o soldado viu uma multidão saindo pelo portão, soltando altos gritos de alegria e agitando ramos verdes no ar. Depois viu toda a guarda real vindo ao encontro deles.
— O que significa isso? — perguntou ao caçador, muito espantado.
— Você não sabe — respondeu ele — que o rei esteve longe do seu reino por muito tempo? Hoje ele volta, e por isso todos vão recebê-lo.
— Mas onde está o rei? — disse o soldado. — Não o vejo.
— Aqui está ele — respondeu o caçador. — Eu sou o rei e mandei anunciar minha chegada.
Então abriu o casaco de caçador, deixando ver as roupas reais. O soldado se assustou, caiu de joelhos e pediu perdão por, sem saber, tê-lo tratado como um igual e chamado por aquele nome. O rei, porém, estendeu-lhe a mão e disse:
— Você é um soldado valente e salvou minha vida. Não passará mais necessidade; eu cuidarei de você. E, quando quiser comer um bom pedaço de assado, tão bom quanto o da casa dos ladrões, é só ir à cozinha real. Mas, se quiser fazer um brinde à saúde de alguém, primeiro terá de pedir minha permissão.
Sobre esta edição
- Obra
- Der Stiefel von Büffelleder
- Autoria original
- Irmãos Grimm
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Der Stiefel von Büffelleder
Ler o original em alemão
Ein Soldat, der sich vor nichts fürchtet, kümmert sich auch um nichts. So einer hatte seinen Abschied erhalten, und da er nichts gelernt hatte und nichts verdienen konnte, so zog er umher und bat gute Leute um ein Almosen. Auf seinen Schultern hieng ein alter Wettermantel, und ein paar Reiterstiefeln von Büffelleder waren ihm auch noch geblieben. Eines Tages gieng er, ohne auf Weg und Steg zu achten, immer ins Feld hinein und gelangte endlich in einen Wald. Er wußte nicht wo er war, sah aber auf einem abgehauenen Baumstamm einen Mann sitzen, der gut gekleidet war und einen grünen Jägerrock trug. Der Soldat reichte ihm die Hand, ließ sich neben ihm auf das Gras nieder und streckte seine Beine aus. „Ich sehe du hast feine Stiefel an, die glänzend gewichst sind“ sagte er zu dem Jäger, „wenn du aber herum ziehen müßtest wie ich, so würden sie nicht lange halten. Schau die meinigen an, die sind von Büffelleder und haben schon lange gedient, gehen aber durch dick und dünn.“ Nach einer Weile stand der Soldat auf und sprach „ich kann nicht länger bleiben, der Hunger treibt mich fort. Aber, Bruder Wichsstiefel, wohinaus geht der Weg?“ „Ich weiß es selber nicht“ antwortete der Jäger, „ich habe mich in dem Wald verirrt.“ „So geht dirs ja, wie mir“ sprach der Soldat, „gleich und gleich gesellt sich gern, wir wollen bei einander bleiben und den Weg suchen.“ Der Jäger lächelte ein wenig, und sie giengen zusammen fort immer weiter, bis die Nacht einbrach. „Wir kommen aus dem Wald nicht heraus“ sprach der Soldat, „aber ich sehe dort in der Ferne ein Licht schimmern, da wirds etwas zu essen geben.“ Sie fanden ein Steinhaus, klopften an die Thüre und ein altes Weib öffnete. „Wir suchen ein Nachtquartier“ sprach der Soldat, „und etwas Unterfutter für den Magen, denn der meinige ist so leer wie ein alter Tornister.“ „Hier könnt ihr nicht bleiben,“ antwortete die Alte, „das ist ein Räuberhaus, und ihr thut am klügsten daß ihr euch fortmacht, bevor sie heim kommen, denn finden sie euch, so seid ihr verloren.“ „Es wird so schlimm nicht sein,“ antwortete der Soldat, „ich habe seit zwei Tagen keinen Bissen genossen, und es ist mir einerlei ob ich hier umkomme oder im Wald vor Hunger sterbe. Ich gehe herein.“ Der Jäger wollte nicht folgen, aber der Soldat zog ihn am Ermel mit sich: „komm, Bruderherz, es wird nicht gleich an den Kragen gehen.“ Die Alte hatte Mitleiden und sagte „kriecht hinter den Ofen, wenn sie etwas übrig lassen und eingeschlafen sind, so will ichs euch zustecken.“ Kaum saßen sie in der Ecke, so kamen zwölf Räuber herein gestürmt, setzten sich an den Tisch, der schon gedeckt war, und forderten mit Ungestüm das Essen. Die Alte trug einen großen Braten herein, und die Räuber ließen sichs wohl schmecken. Als der Geruch von der Speise dem Soldaten in die Nase stieg, sagte er zum Jäger „ich halts nicht länger aus, ich setze mich an den Tisch und esse mit.“ „Du bringst uns ums Leben“ sprach der Jäger und hielt ihn am Arm. Aber der Soldat fieng an laut zu husten. Als die Räuber das hörten, warfen sie Messer und Gabel hin, sprangen auf und entdeckten die beiden hinter dem Ofen. „Aha, ihr Herrn,“ riefen sie, „sitzt ihr in der Ecke? was wollt ihr hier? seid ihr als Kundschafter ausgeschickt? wartet, ihr sollt an einem dürren Ast das Fliegen lernen.“ „Nur manierlich“ sprach der Soldat, „mich hungert, gebt mir zu essen, hernach könnt ihr mit mir machen was ihr wollt.“ Die Räuber stutzten und der Anführer sprach „ich sehe du fürchtest dich nicht, gut, Essen sollst du haben, aber hernach mußt du sterben.“ „Das wird sich finden“ sagte der Soldat, setzte sich an den Tisch und fieng an tapfer in den Braten einzuhauen. „Bruder Wichsstiefel, komm und iß,“ rief er dem Jäger zu, „du wirst hungrig sein, so gut als ich, und einen bessern Braten kannst du zu Haus nicht haben;“ aber der Jäger wollte nicht essen. Die Räuber sahen dem Soldaten mit Erstaunen zu und sagten „der Kerl macht keine Umstände.“ Hernach sprach er „das Essen wäre schon gut, nun schafft auch einen guten Trunk herbei.“ Der Anführer war in der Laune sich das auch noch gefallen zu lassen und rief der Alten zu „hol eine Flasche aus dem Keller und zwar von dem besten.“ Der Soldat zog den Pfropfen heraus daß es knallte, gieng mit der Flasche zu dem Jäger und sprach „gib acht, Bruder, du sollst dein blaues Wunder sehen: jetzt will ich eine Gesundheit auf die ganze Sippschaft ausbringen.“ Dann schwenkte er die Flasche über den Köpfen der Räuber, rief „ihr sollt alle leben, aber das Maul auf und die rechte Hand in der Höhe“ und that einen herzhaften Zug. Kaum waren die Worte heraus, so saßen sie alle bewegungslos als wären sie von Stein, hatten das Maul offen und streckten den rechten Arm in die Höhe. Der Jäger sprach zu dem Soldaten „ich sehe du kannst noch andere Kunststücke, aber nun komm und laß uns heim gehen.“ „Oho, Bruderherz, das wäre zu früh abmarschiert, wir haben den Feind geschlagen und wollen erst Beute machen. Die sitzen da fest und sperren das Maul vor Verwunderung auf: sie dürfen sich aber nicht rühren bis ich es erlaube. Komm iß und trink.“ Die Alte mußte noch eine Flasche von dem besten holen, und der Soldat stand nicht eher auf als bis er wieder für drei Tage gegessen hatte. Endlich als der Tag kam, sagte er „nun ist Zeit daß wir das Zelt abbrechen, und damit wir einen kurzen Marsch haben, so soll die Alte uns den nächsten Weg nach der Stadt zeigen.“ Als sie dort angelangt waren, gieng er zu seinen alten Kameraden und sprach „ich habe draußen im Wald ein Nest voll Galgenvögel aufgefunden, kommt mit, wir wollen es ausheben.“ Der Soldat führte sie an und sprach zu dem Jäger „du mußt wieder mit zurück und zusehen wie sie flattern, wenn wir sie an den Füßen packen.“ Er stellte die Mannschaft rings um die Räuber herum, dann nahm er die Flasche, trank einen Schluck, schwenkte sie über ihnen her und rief „ihr sollt alle leben!“ Augenblicklich hatten sie ihre Bewegung wieder, wurden aber niedergeworfen und an Händen und Füßen mit Stricken gebunden. Dann hieß sie der Soldat wie Säcke auf einen Wagen werfen und sagte „fahrt sie nur gleich vor das Gefängnis.“ Der Jäger aber nahm einen von der Mannschaft bei Seite und gab ihm noch eine Bestellung mit.
„Bruder Wichsstiefel,“ sprach der Soldat, „wir haben den Feind glücklich überrumpelt und uns wohl genährt, jetzt wollen wir als Nachzügler in aller Ruhe hinter her marschieren.“ Als sie sich der Stadt näherten, so sah der Soldat wie sich eine Menge Menschen aus dem Stadtthor drängten, lautes Freudengeschrei erhuben und grüne Zweige in der Luft schwangen. Dann sah er daß die ganze Leibwache herangezogen kam. „Was soll das heißen?“ sprach er ganz verwundert zu dem Jäger. „Weißt du nicht“ antwortete er, „daß der König lange Zeit aus seinem Reich entfernt war, heute kehrt er zurück, und da gehen ihm alle entgegen.“ „Aber wo ist der König“ sprach der Soldat, „ich sehe ihn nicht.“ „Hier ist er,“ antwortete der Jäger, „ich bin der König und habe meine Ankunft melden lassen.“ Dann öffnete er seinen Jägerrock, daß man die königlichen Kleider sehen konnte. Der Soldat erschrack, fiel auf die Knie und bat ihn um Vergebung daß er ihn in der Unwissenheit wie seines Gleichen behandelt und ihn mit solchem Namen angeredet habe. Der König aber reichte ihm die Hand und sprach „du bist ein braver Soldat und hast mir das Leben gerettet. Du sollst keine Noth mehr leiden, ich will schon für dich sorgen. Und wenn du einmal ein Stück guten Braten essen willst, so gut als in dem Räuberhaus, so komm nur in die königliche Küche. Willst du aber eine Gesundheit ausbringen, so sollst du erst bei mir Erlaubnis dazu holen.“
A bota de couro de búfalo
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