AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

EK 29

A colina dos elfos

Hans Christian Andersen

Elverhøi

Sobre este conto

Os lagartos ouvem uma agitação incomum na Colina dos Elfos: seu rei prepara uma recepção para visitas norueguesas. A governanta organiza convites, comida e decoração, enquanto as filhas do rei se preparam para receber um velho troll e seus dois filhos. O encontro reúne criaturas do mar, dos pântanos e dos túmulos, com danças e demonstrações das habilidades das elfas.

Personagens e estrutura
Personagens
Lagartos que comentam o movimento na colina, Minhoca conhecida dos lagartos, Rei dos elfos, anfitrião da recepção, Velha elfa, governanta e parenta distante do rei, Noitibó encarregado de distribuir convites, Sete filhas do rei dos elfos, com diferentes habilidades, Velho troll norueguês de Dovre, viúvo, Dois filhos do velho troll, Homem do mar e suas filhas, Fogos-fátuos convocados para o cortejo de tochas, Trolls de cauda, homem do rio e nisses, Porca dos Túmulos, Cavalo do Inferno e Guardião da Igreja
Onde se passa
Colina dos Elfos e seu salão, cozinha e quarto; árvore rachada, pântano e campo do lado de fora. Os visitantes vêm de Dovre, na Noruega; falésias de Møen, Suécia e paisagens norueguesas também aparecem nas conversas.
Acontecimentos
  1. A colina é mantida sobre quatro estacas vermelhas até o cantar do galo. A governanta encarrega o noitibó dos convites; o rei espera casar duas filhas com os visitantes.
  2. O velho troll chega com seus dois filhos. Eles põem as pernas na mesa, incomodam a dama ao lado e lhe dão as botas para segurar; o pai conta histórias da Noruega.
  3. As elfas dançam e apresentam seus talentos: desaparecer, andar ao lado de si, preparar comida, controlar os outros pela harpa, gostar dos noruegueses, dizer a verdade e contar contos.
  4. Encantado com a sétima filha, que conta histórias sobre seus dedos, o velho troll a pede para si. Os dois filhos saem para soprar e apagar os fogos-fátuos.
  5. Os filhos preferem discursos e brindes ao casamento e dormem sobre a mesa. O pai dança com a noiva e troca botas com ela. Ao cantar do galo, a governanta manda fechar as venezianas.
Desfecho
A colina se fecha. Do lado de fora, um lagarto diz que gostou do velho troll norueguês. A minhoca diz que prefere os rapazes; o narrador lembra que ela não podia enxergar.

Alguns lagartos corriam muito ligeiros pelas fendas de uma velha árvore. Entendiam-se perfeitamente, pois falavam a língua dos lagartos.

“Não é possível, como estronda e resmunga a velha Colina dos Elfos!”, disse um dos lagartos. “Por causa dessa barulheira, há duas noites não fecho os olhos. Podia muito bem estar deitado com dor de dente: assim também não consigo dormir!”

“Há alguma coisa acontecendo lá dentro!”, disse o segundo lagarto. “Estão deixando a colina apoiada em quatro estacas vermelhas até o cantar do galo. Estão arejando tudo muito bem, e as elfas aprenderam danças novas, daquelas em que se bate o pé. Há alguma coisa acontecendo!”

“Sim, conversei com uma minhoca conhecida minha”, disse o terceiro lagarto. “Ela acabara de sair da colina, onde remexera a terra noite e dia. Ouviu muita coisa; enxergar ela não pode, pobre bicho, mas sabe se orientar pelo tato e prestar atenção ao que ouve. Esperam visitas na Colina dos Elfos, visitas distintas. Quem são, a minhoca não quis dizer, ou talvez não soubesse. Convocaram todos os fogos-fátuos para fazer um cortejo de tochas, como se diz. E a prata e o ouro, que não faltam na colina, estão sendo polidos e expostos ao luar.”

“Quem serão essas visitas?”, disseram todos os lagartos. “O que estará acontecendo? Escutem como zumbe! Escutem como resmunga!”

Naquele instante, a Colina dos Elfos se abriu, e uma velha elfa saiu com passinhos rápidos. Ela não tinha costas, mas, fora isso, estava vestida com muita decência. Era a governanta do velho rei dos elfos, uma parenta distante, e trazia um coração de âmbar na testa. Como suas pernas se moviam depressa: trip, trip! Nossa, como sabia andar ligeiro! Foi direto para o pântano, até o noitibó.

“O senhor está convidado para a Colina dos Elfos, esta noite mesmo!”, disse ela. “Mas não quer antes nos fazer um grande favor e cuidar dos convites? Precisa ser útil, já que não tem uma casa para cuidar! Vamos receber visitas muito distintas, gente dos trolls que tem influência, e por isso o velho rei dos elfos quer fazer bonito!”

“Quem deve ser convidado?”, perguntou o noitibó.

“Ora, para o grande baile pode vir todo mundo, até seres humanos, desde que saibam falar dormindo ou fazer um pouquinho daquilo que é da nossa natureza. Mas para o primeiro banquete a escolha será rigorosa: só queremos os mais distintos. Discuti com o rei dos elfos, pois acho que nem sequer podemos incluir fantasmas. O homem do mar e suas filhas devem ser os primeiros convidados. Eles não gostam muito de vir para o seco, mas cada um receberá uma pedra molhada para sentar, ou alguma coisa melhor; assim, acho que não vão recusar desta vez. Precisamos de todos os velhos trolls de primeira classe que tenham cauda, do homem do rio e dos nisses. E penso que não podemos deixar de lado a Porca dos Túmulos, o Cavalo do Inferno e o Guardião da Igreja. É verdade que pertencem ao clero, que não é da nossa gente, mas isso é o ofício deles; são nossos parentes próximos e nos visitam constantemente.”

“Ótimo!”, disse o noitibó, e voou para fazer os convites.

As elfas já dançavam na Colina dos Elfos, com longos xales tecidos de névoa e luar. Isso é muito bonito para quem gosta desse tipo de coisa. No interior da colina, o grande salão fora muito bem arrumado. Tinham lavado o chão com luar e esfregado as paredes com gordura de bruxa, de modo que brilhavam como pétalas de tulipa diante da luz. Na cozinha havia rãs no espeto em abundância, peles de cobra com dedinhos de criança dentro, saladas de sementes de cogumelos venenosos, focinhos molhados de ratos e cicuta, cerveja da produção da mulher do pântano, vinho reluzente de salitre vindo da cripta: tudo muito substancioso. Pregos enferrujados e vidro de janelas de igreja faziam parte dos petiscos crocantes.

O velho rei dos elfos mandou polir sua coroa de ouro com lápis de ardósia triturado. Era lápis do melhor aluno da classe, e para o rei dos elfos é muito difícil conseguir lápis de ardósia de um aluno desses. No quarto de dormir, penduraram cortinas e as prenderam com cuspe de cobra. Sim, havia mesmo um zumbido e um resmungo!

“Agora é preciso defumar isto aqui com pelos crespos e cerdas de porco; então acho que terei feito minha parte!”, disse a velha elfa.

“Querido pai!”, disse a menor das filhas. “Agora vou ficar sabendo quem são as visitas distintas?”

“Está bem!”, disse ele. “Acho que preciso contar! Duas de minhas filhas devem se preparar para o casamento! Duas certamente serão dadas em casamento. O velho troll lá da Noruega, aquele que mora no antigo Dovrefjeld e tem muitos castelos de rocha feitos de grandes pedras, além de uma mina de ouro melhor do que se imagina, vem até aqui com seus dois rapazes. Eles devem escolher uma esposa. O velho troll é um autêntico e honesto velho norueguês, alegre e franco. Conheço-o de outros tempos, quando bebemos para passar a nos tratar por tu. Ele esteve aqui para buscar a esposa, que agora está morta; era filha do rei das falésias de Møen. Levou a mulher fiado — no giz, como se diz! Ah, como tenho saudade do velho troll norueguês! Dizem que os rapazes são uns moleques indisciplinados e convencidos, mas também podem estar sendo injustos com eles. Hão de ficar bons quando estiverem bem guardados. Quero ver vocês pôr ordem neles!”

“E quando chegam?”, perguntou uma das filhas.

“Depende do vento e do tempo!”, disse o rei dos elfos. “Eles viajam com economia! Vêm aproveitando uma viagem de navio. Eu queria que passassem pela Suécia, mas o velho ainda não se inclina para esse lado! Não acompanha os tempos, e disso eu não gosto!”

Naquele instante chegaram saltitando dois fogos-fátuos. Um era mais rápido que o outro e, por isso, chegou primeiro.

“Eles estão chegando! Estão chegando!”, gritaram.

“Deem-me a coroa e deixem-me ficar ao luar!”, disse o rei dos elfos.

As filhas levantaram os longos xales e fizeram reverências até o chão.

Ali estava o velho troll de Dovre, com uma coroa de pingentes de gelo endurecidos e pinhas polidas; usava também uma pele de urso e botas de trenó. Os filhos, por sua vez, vinham de pescoço descoberto e sem suspensórios, pois eram homens fortes.

“Isto é uma colina?”, perguntou o menor dos rapazes, apontando a Colina dos Elfos. “Lá na Noruega chamamos isso de buraco!”

“Rapazes!”, disse o velho. “Buraco vai para dentro, colina vai para cima! Não têm olhos na cabeça?”

Disseram que a única coisa que os espantava ali era conseguirem entender a língua sem mais nem menos.

“Parem de fazer fita!”, disse o velho. “Até parece que vocês não ficaram bem assados!”

Entraram então na Colina dos Elfos, onde realmente havia uma sociedade muito elegante, reunida tão depressa que parecia ter sido trazida pelo vento. Tudo estava disposto com beleza e cuidado para cada convidado. O povo do mar estava à mesa dentro de grandes tinas de água; dizia que era como estar em casa. Todos tinham bons modos à mesa, exceto os dois pequenos trolls noruegueses, que puseram as pernas sobre ela; achavam que tudo lhes caía bem.

“Tirem os pés da travessa!”, disse o velho troll. Obedeceram, mas não imediatamente. Faziam cócegas na dama sentada ao lado deles com pinhas que tinham trazido nos bolsos; depois tiraram as botas para ficar à vontade e as deram a ela para segurar. O pai, porém, o velho troll de Dovre, era bem diferente. Contava coisas tão lindas sobre as majestosas montanhas norueguesas e as cachoeiras que despencavam brancas de espuma, com estrondo de trovão e som de órgão! Contava sobre o salmão que saltava contra as águas das quedas quando Nøkken tocava harpa de ouro. Contava sobre as noites brilhantes de inverno, quando os guizos dos trenós soavam e os rapazes corriam com fachos acesos sobre o gelo lustroso, tão transparente que viam os peixes se assustarem debaixo de seus pés. Sim, ele sabia contar de um jeito que se podia ver e ouvir o que dizia. Era como se as serrarias estivessem trabalhando, como se rapazes e moças cantassem canções e dançassem o halling. Eia! De repente, o velho troll deu na velha elfa um beijo de tio: foi um grande beijo, embora eles nem sequer fossem parentes.

Agora as elfas tiveram de dançar, tanto as danças simples quanto as de bater o pé, e isso lhes caía bem. Depois veio a dança artística, ou, como se dizia, “pisar para fora da dança”. Nossa, como esticavam as pernas! Não se sabia o que era começo e o que era fim, o que eram braços e o que eram pernas. Tudo se misturava como aparas de serra, e elas rodopiavam tanto que o Cavalo do Inferno passou mal e teve de sair da mesa.

“Prrrrr!”, fez o velho troll. “Que farra com as pernas! Mas o que sabem fazer além de dançar, esticar as pernas e levantar um redemoinho?”

“Você já vai saber!”, disse o rei dos elfos. Chamou a mais nova de suas filhas; ela era esguia e clara como o luar, a mais delicada de todas as irmãs. Pôs uma varetinha branca na boca e desapareceu por completo: essa era sua arte.

Mas o velho troll disse que não gostaria dessa arte em sua esposa e achava que seus rapazes tampouco gostariam.

A segunda podia andar ao lado de si mesma, como se tivesse sombra, coisa que a gente dos trolls não tem.

A terceira era de um tipo inteiramente diferente. Aprendera na cervejaria da mulher do pântano e sabia rechear cepos de amieiro com vaga-lumes.

“Será uma boa dona de casa!”, disse o velho troll. E brindou com os olhos, porque não queria beber tanto.

Veio então a quarta elfa, que tinha uma grande harpa de ouro para tocar. Quando dedilhou a primeira corda, todos levantaram a perna esquerda, pois a gente dos trolls é canhota das pernas; ao dedilhar a segunda, todos tiveram de fazer o que ela quisesse.

“Essa é uma mulher perigosa!”, disse o velho troll. Mas os dois filhos saíram da colina, pois já estavam aborrecidos com aquilo.

“E o que sabe fazer a próxima filha?”, perguntou o velho troll.

“Aprendi a gostar dos noruegueses!”, disse ela. “E nunca me casarei se não puder ir para a Noruega!”

Mas a menor das irmãs sussurrou ao velho troll: “É só porque ela ouviu numa canção norueguesa que, quando o mundo acabar, as rochas norueguesas continuarão de pé como monumentos. É por isso que quer ir para lá: tem tanto medo de desaparecer!”

“Ho, ho!”, disse o velho troll. “Então isso escapou! Mas o que sabe fazer a sétima e última?”

“A sexta vem antes da sétima!”, disse o rei dos elfos, pois sabia contar. A sexta, porém, não queria aparecer direito.

“Só sei dizer a verdade às pessoas!”, disse ela. “Ninguém se importa comigo, e já tenho muito que fazer costurando minha roupa de defunta!”

Veio então a sétima e última. E o que sabia fazer? Ora, sabia contar contos, tantos quantos quisesse.

“Aqui estão meus cinco dedos!”, disse o velho troll. “Conte uma história sobre cada um!”

A elfa o segurou pelo pulso, e ele riu até o riso lhe borbulhar por dentro. Quando ela chegou a Guldbrand, que trazia um anel de ouro em torno da cintura, como se soubesse que haveria um noivado, o velho troll disse: “Segure firme o que tem, a mão é sua! Você é que eu quero para minha esposa!”

A elfa disse que ainda faltava contar sobre Guldbrand e sobre o pequeno Per, o músico.

“Vamos ouvir essas no inverno!”, disse o velho troll. “E vamos ouvir sobre o abeto, a bétula, os presentes das huldres e a geada que tilinta! Você vai ter muito que contar, porque lá em cima ainda ninguém faz isso direito. Vamos nos sentar na sala de pedra, onde arde a lasca de pinho, e beber hidromel nos chifres de ouro dos antigos reis noruegueses. Nøkken me deu uns dois! E, quando estivermos sentados, Garboen virá nos visitar; cantará para você todas as canções da pastora das montanhas. Vai ser divertido! O salmão saltará na cachoeira e baterá contra a parede de pedra, mas não entrará! Sim, pode acreditar: é bom estar na querida e velha Noruega! Mas onde estão os rapazes?”

É, onde estavam os rapazes? Corriam pelo campo, soprando e apagando os fogos-fátuos, que vinham tão bem-comportados para fazer um cortejo de tochas.

“Que maneira de ficar zanzando!”, disse o velho troll. “Agora que arranjei uma mãe para vocês, podem escolher uma tia materna!”

Mas os rapazes disseram que preferiam fazer um discurso e beber para passar a tratar os outros por tu; casar, não tinham vontade. Fizeram então seu discurso, beberam à intimidade e puseram o copo sobre a unha para mostrar que o tinham esvaziado. Tiraram as casacas e se deitaram sobre a mesa para dormir, pois não tinham cerimônia. O velho troll, porém, dançou pela sala com sua jovem noiva e trocou de botas com ela, pois isso é mais fino que trocar anéis.

“O galo está cantando!”, disse a velha elfa que cuidava da casa. “Agora precisamos fechar as venezianas, para que o sol não nos queime aqui dentro!”

E a colina se fechou.

Lá fora, porém, os lagartos corriam para cima e para baixo na árvore rachada, e um disse ao outro:

“Ah, como gostei do velho troll norueguês!”

“Prefiro os rapazes!”, disse a minhoca. Mas ela não podia enxergar, pobre bicho.


Sobre esta edição

Obra
Elverhøi
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

Conheça as edições desta história e consulte os textos de origem.

Elverhøj

H. C. Andersens Eventyr og Historier · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind · 1905 · Dinamarquês · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind
Volume I. Página 318–325. Consultar esta edição ↗
Ler o original em dinamarquês

Fonte deste texto ↗

Der løb saa vimse nogle Firben i Sprækkerne paa et gammelt Træ; de kunde godt forstaa hverandre, for de talte Firbenesproget.

»Nej, hvor det rumler og brumler i den gamle Elverhøj!« sagde den ene Firben; »jeg har for det Spektakel nu ikke i to Nætter lukket mine Øjne, og jeg kunde lige saa godt ligge og have Tandpine, for saa sover jeg heller ikke!«

»Der er noget paa Færde derinde! « sagde den anden Firben, »Højen lade de staa paa fire røde Pæle lige til Hanegal, der bliver ordentlig luftet ud, og Elverpigerne have lært ny Danse, som der trampes i. Der er noget paa Færde!«

»Ja, jeg har talt med en Regnorm af mit Bekendtskab,« sagde den tredie Firben; »Regnormen kom lige op af Højen, hvor den, Nætter og Dage, havde rodet i Jorden; den havde hørt en hel Del, se kan den jo ikke, det elendige Dyr, men føle sig for og høre efter, det forstaar den. De vente fremmede i Elverhøj, fornemme fremmede, men hvem, vilde Regnormen ikke sige, eller han vidste det nok ikke. Alle Lygtemændene ere tilsagte for at gøre Fakkeltog, som man kalder det, og Sølv og Guld, hvoraf der er nok i Højen, bliver poleret og stillet ud i Maaneskin.«

»Hvem kan dog de fremmede være!« sagde alle Firbenene. »Hvad mon der er paa Færde? Hør, hvor det summer! hør, hvor det brummer!«

Lige i det samme skiltes Elverhøj ad, og en gammel Elverpige, rygløs var hun, men ellers meget anstændigt klædt paa, kom trippende ud, det var den gamle Elverkonges Husholderske, hun var langt ude af Familien og havde Ravhjerte paa Panden. Benene gik saa flinke paa hende: trip, trip! hille den, hvor hun kunde trippe og det lige ned i Mosen til Natravnen.

»De bliver inviteret til Elverhøj, og det i Nat!« sagde hun, »men vil De ikke først gøre os en stor Tjeneste, at tage Dem af Indbydelserne! Gavn maa De gøre, da De ikke selv holder Hus! Vi faa nogle højfornemme fremmede, Troldfolk, der have noget at sige, og derfor vil den gamle Elverkonge vise sig!«

»Hvem skal inviteres?« spurgte Natravnen.

»Ja, til det store Bal kan al Verden komme, selv Mennesker, naar de bare kunne tale i Søvne eller gøre saadan en lille Smule af hvad der falder i vor Art. Men til det første Gilde skal der være strengt Udvalg, vi ville kun have de allerfornemste. Jeg har stridt med Elverkongen, thi jeg holder for, vi kunne ikke engang have Spøgelser med. Havmanden og hans Døtre maa først inviteres, de holde vel ikke meget af at komme paa det tørre, men de skal nok hver faa en vaad Sten at sidde paa eller noget bedre, og saa tænker jeg nok, de ikke sige af denne Gang. Alle gamle Trolde af første Klasse med Hale, Aamanden og Nisserne maa vi have, og saa tænker jeg, at vi kunne ikke forbigaa Gravsoen, Helhesten og Kirkegrimen; de høre jo rigtignok med til Gejstligheden, som ikke ere af vore Folk, men det er nu deres Embede, de ere os nær i Familie, og de gøre stadigen Visitter.«

»Bra!« sagde Natravnen og fløj af Sted for at invitere.

Elverpigerne dansede allerede paa Elverhøj, og de dansede med Langsjal, vævet af Taage og Maaneskin, og det ser nydeligt ud for dem, der synes om det Slags. Midt inde i Elverhøj var den store Sal ordentlig pudset op; Gulvet var vadsket med Maaneskin, og Væggene vare gnedne med Heksefedt, saa at de skinnede som Tulipanblade foran Lyset. I Køkkenet var der fuldt op med Frøer paa Spid, Snogeskind med smaa Børnefingre i og Salater af Paddehattefrø, vaade Musesnuder og Skarntyde, Øl af Mosekonens Bryg, skinnende Salpetervin fra Gravkælderen, alt meget solidt; rustne Søm og Kirkerudeglas hørte til Knaset.

Den gamle Elverkonge lod sin Guldkrone polere i stødt Griffel, det var Duksegriffel, og det er meget vanskeligt for Elverkongen at faa Duksegriffel. I Sovekamret hængte de Gardiner op og hæftede dem fast med Snogespyt. Jo, der var rigtignok en Summen og Brummen.

»Nu skal her ryges med Krølhaar og Svinebørster, saa tror jeg, at jeg har gjort mit!« sagde den gamle Elverpige.

»Søde Fader!« sagde den mindste af Døtrene, »faar jeg saa at vide, hvem de fornemme fremmede ere?«

»Naa da!« sagde han, »saa maa jeg vel sige det! To af mine Døtre maa holde sig parate til Giftermaal! To blive vist bortgiftede. Troldgubben oppe fra Norge, han, der bor i det gamle Dovrefjeld og har mange Klippeslotte af Kampesten og et Guldværk, som er bedre, end man tror, kommer herned med sine to Drenge, de skulle søge sig en Kone ud; Troldgubben er saadan en rigtig gammel, ærlig norsk Gubbe, lystig og ligefrem; jeg kender ham fra gamle Dage, da vi drak dus; han var hernede at hente sin Kone, nu er hun død, hun var en Datter af Klintekongen paa Møen. Han tog sin Kone paa Kridt, som man siger! Oh, hvor jeg længes efter den norske Troldgubbe! Drengene siger man, skulle være nogle uvorne, kæphøje Unger, men man kan jo ogsaa gøre dem Uret, og de blive nok gode, naar de blive gemte. Lad mig se, at I sætte Skik paa dem!«

»Og naar komme de?« spurgte den ene Datter.

»Det kommer an paa Vind og Vejr!« sagde Elverkongen. »De rejse økonomisk! De komme herned med Skibslejlighed. Jeg vilde, at de skulde gaa over Sverrig, men den gamle hælder endnu ikke til den Side! Han følger ikke med Tiderne, og det kan jeg ikke lide!«

I det samme kom der to Lygtemænd hoppende, den ene hurtigere end den anden, og derfor kom den ene først.

»De komme! de komme!« raabte de.

»Giv mig min Krone, og lad mig staa i Maaneskinnet!« sagde Elverkongen.

Døtrene løftede paa Langsjalerne og nejede lige til Jorden.

Der stod Troldgubben fra Dovre, med Krone af hærdede Istappe og polerede Grankogler, iøvrigt havde han Bjørnepels og Kanestøvler; Sønnerne derimod gik barhalsede og uden Seler, for de vare Kraftmænd.

»Er det en Høj?« spurgte den mindste af Drengene og pegede paa Elverhøj. »Det kalde vi oppe i Norge for et Hul!«

»Gutter!« sagde den gamle. »Hul gaar indad, Høj gaar opad! har I ikke Øjne i Hovedet!«

Det eneste, der undrede dem hernede, sagde de, var, at de saaledes uden videre kunde forstaa Sproget.

»Skab jer nu ikke!« sagde den gamle, »man kunde tro, at I var ikke rigtig gennembagte!«

Og saa gik de ind i Elverhøj, hvor der rigtignok var fint Selskab, og det i en Hast, saa man skulde tro, at de vare blæste sammen, og nydeligt og net var der indrettet for enhver. Havfolkene sad til Bords i store Vandkar; de sagde, det var, ligesom de vare hjemme. Alle holdt de Bordskik, undtagen de to smaa norske Trolde, de lagde Benene op paa Bordet, men de troede nu, at alting klædte dem.

»Fødderne af Fadet!« sagde den gamle Trold, og saa lystrede de, men de gjorde det da ikke lige straks. Deres Borddame kildrede de med Grankogler, som de havde med i Lommen, og saa trak de deres Støvler af for at sidde mageligt og gav hende Støvlerne at holde, men Faderen, den gamle Dovretrold, han var rigtignok ganske anderledes; han fortalte saa dejligt om de stolte norske Fjelde og om Fosser, der styrtede skumhvide ned med et Bulder som Tordenskrald og Orgelklang; han fortalte om Laksen, der sprang op mod de styrtende Vande, naar Nøkken spillede paa Guldharpe. Han fortalte om de skinnende Vinternætter, naar Kanebjælderne klang, og Knøsene løb med brændende Blus hen over den blanke Is, der var saa gennemsigtig, at de saa Fiskene blive bange under deres Fødder. Jo, han kunde fortælle, saa at man saa og hørte, hvad han sagde; det var, ligesom Savmøllerne gik, som om Karle og Piger sang Viser og dansede Hallingedans; hussa! lige med eet gav Troldgubben den gamle Elverpige et Morbrodersmask, det var et ordentligt Kys, og de vare dog slet ikke i Familie.

Nu maatte Elverpigerne danse, og det baade simpelt og det med at trampe, og det klædte dem godt; saa kom Kunstdansen, eller som det kaldtes »at træde uden for Dansen«, hille den, hvor de kunde strække Ben; man vidste ikke, hvad der var Ende, og hvad der var Begyndelse, man vidste ikke, hvad der var Arme, og hvad der var Ben, det gik imellem hinanden ligesom Savspaaner, og saa snurrede de rundt, saa Helhesten fik ondt og maatte gaa fra Bordet.

»Prrrrr!« sagde Troldgubben, »det er Kommers med Bentøjet! Men hvad kan de mere end danse, strække Ben og gøre Hvirvelvind?«

»Det skal du faa at vide!« sagde Elverkongen, og saa kaldte han den yngste af sine Døtre frem ; hun var saa spinkel og klar som Maaneskin, hun var den fineste af alle Søstrene; hun tog en hvid Pind i Munden, og saa var hun rent borte, det var hendes Kunst.

Men Troldgubben sagde, at den Kunst kunde han ikke lide hos sin Kone, og han troede heller ikke, at hans Drenge holdt af den.

Den anden kunde gaa ved Siden af sig selv, ligesom om hun havde Skygge, og det har nu Troldfolk ikke.

Den tredie var af et ganske andet Slags, hun havde lært i Mosekonens Bryggerhus, og det var hende, som forstod at spække Elletrunter med Sankt-Hans-Orme.

»Hun bliver en god Husmoder!« sagde Troldgubben, og saa klinkede han med Øjnene, for han vilde ikke drikke saa meget.

Nu kom den fjerde Elverpige, hun havde en stor Guldharpe at spille paa, og da hun slog paa den første Streng, løftede alle det venstre Ben, for Troldfolkene ere kejtbenede, og da hun slog den anden Streng, maatte de alle gøre, hvad hun vilde.

»Det er et farligt Fruentimmer!« sagde Troldgubben, men begge Sønner gik ud af Højen, for nu vare de kede af det.

»Og hvad kan den næste Datter?« spurgte Troldgubben.

»Jeg har lært at holde af de Norske!« sagde hun, »og aldrig gifter jeg mig, uden at jeg kan komme til Norge!«

Men den mindste af Søstrene hviskede til Troldgubben: »Det er kun, fordi hun har hørt af en norsk Vise, at naar Verden forgaar, saa vil dog de norske Klipper staa som Bauta, og derfor vil hun derop, for hun er saa bange for at forgaa.«

»Ho, ho!« sagde Troldgubben, »slap det der ud. Men hvad kan den syvende og sidste?«

»Den sjette kommer før den syvende!« sagde Elverkongen, for han kunde regne, men den sjette vilde ikke rigtig komme frem.

»Jeg kan kun sige Folk Sandhed!« sagde hun, »mig bryder ingen sig om, og jeg har nok at gøre med at sy paa mit Ligtøj!«

Nu kom den syvende og sidste, og hvad kunde hun? Ja, hun kunde fortælle Eventyr og det saa mange, hun vilde.

»Her er alle mine fem Fingre!« sagde Troldgubben, »fortæl mig et om hver!«

Og Elverpigen tog ham om Haandleddet, og han lo, saa det klukkede i ham, og da hun kom til Guldbrand, der havde Guldring om Livet, ligesom den vidste, at der skulde være Forlovelse, sagde Troldgubben: »Hold fast hvad du har, Haanden er din! Dig vil jeg selv have til Kone!«

Og Elverpigen sagde, at der var endnu tilbage om Guldbrand og om lille Per Spillemand.

»Dem skulle vi høre til Vinter!« sagde Troldgubben, »og om Granen skulle vi høre og om Birken og om Huldregaverne og den klingrende Frost! Du skal nok komme til at fortælle, for det gør endnu ingen rigtig deroppe, og saa skulle vi sidde i Stenstuen, hvor Fyrrespaanen brænder, og drikke Mjød af de gamle norske Kongers Guldhorn; Nøkken har skænket mig et Par Stykker! og naar vi saa sidde, saa kommer Garboen og gør Visit; han synger dig alle Sæterpigens Sange. Det skal blive lystigt! Laksen vil springe i Fossen og slaa mod Stenvæggen, men den kommer dog ikke ind! — Ja, du kan tro, der er godt i det kære, gamle Norge! Men hvor ere Gutterne?«

Ja, hvor vare Gutterne. De løb omkring paa Marken og blæste Lygtemændene ud, der kom saa skikkeligt og vilde gøre Fakkeltog.

»Er det at føjte om?« sagde Troldgubben, »nu har jeg taget en Moder til eder, nu kunne I tage en Moster!«

Men Gutterne sagde, at de vilde helst holde en Tale og drikke dus, gifte sig, det havde de ingen Lyst til. — Og saa holdt de Tale, drak dus og satte Glasset paa Neglen for at vise, at de havde drukket ud, trak saa Kjolerne af og lagde sig paa Bordet at sove, for de generede sig ikke. Men Troldgubben dansede Stuen rundt med sin unge Brud og byttede Støvler med hende, for det er finere end at bytte Ringe.

»Nu galer Hanen!« sagde den gamle Elverpige, som holdt Hus. »Nu maa vi lukke Vinduesskodderne, at ikke Solen brænder os inde!«

Og saa lukkede Højen sig.

Men udenfor løb Firbenene op og ned ad det revnede Træ, og den ene sagde til den anden:

»Oh, hvor jeg godt kunde lide den norske Troldgubbe!«

»Jeg holder mere af Drengene!« sagde Regnormen, men den kunde jo ikke se, det elendige Dyr.

A colina dos elfos

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
Consultar esta edição ↗
Encontrou um erro?

Uma palavra, uma passagem, uma referência: sua observação chega à mesa editorial vinculada à edição 1.0.0 que você leu.