EK 16
A mala voadora
Den flyvende Kuffert
Sobre este conto
Depois de gastar a herança, o filho de um comerciante recebe uma mala capaz de voar. Ela o leva à terra dos turcos, onde ele conhece uma princesa mantida afastada de visitantes por causa de uma profecia.
Personagens e estrutura
- Personagens
- O filho do comerciante, A princesa, O rei e a rainha, Os utensílios da cozinha e os fósforos, no conto narrado
- Onde se passa
- Uma cidade de origem não nomeada; depois, a terra dos turcos, seu palácio e uma floresta próxima. O conto narrado pelo rapaz se passa numa cozinha.
- Acontecimentos
- O herdeiro gasta a fortuna e descobre que a velha mala recebida de um amigo pode voar.
- Ele visita a princesa, apresenta-se como o deus dos turcos e a pede em casamento.
- Ao rei e à rainha, conta uma história sobre fósforos orgulhosos e utensílios de cozinha.
- Os soberanos aprovam o casamento para segunda-feira; na véspera, ele solta fogos de artifício voando na mala.
- Uma faísca deixada na mala provoca um incêndio enquanto ele ouve os relatos da população.
- Desfecho
- A mala é reduzida a cinzas e o rapaz já não consegue voar de volta à noiva. A princesa continua esperando no telhado; ele percorre o mundo contando histórias que já não são tão alegres quanto a dos fósforos.
Era uma vez um comerciante tão rico que poderia pavimentar a rua inteira, e quase uma viela a mais, com moedas de prata. Mas ele não fazia isso: sabia empregar seu dinheiro de outro modo, e, quando gastava um skilling, recebia um táler de volta. Era esse tipo de comerciante — e então morreu.
O filho ficou com todo aquele dinheiro e levou uma vida de prazeres: ia a bailes de máscaras todas as noites, fazia pipas com notas de táler e, em vez de pedras, lançava moedas de ouro sobre o lago para vê-las saltar na água. Assim o dinheiro tinha mesmo de acabar, e acabou. Por fim, só lhe restavam quatro skillings, e ele não tinha outra roupa além de um par de chinelos e um velho roupão. Seus amigos já não queriam saber dele, pois não poderiam sair juntos pela rua daquele jeito. Mas um deles, que era bom, mandou-lhe uma velha mala e disse:
— Arrume suas coisas!
Era uma boa ideia, só que ele não tinha coisa alguma para arrumar; então se meteu dentro da mala.
Era uma mala muito esquisita. Bastava apertar a fechadura para ela voar. E foi o que aconteceu: zás! Subiu com ele pela chaminé, bem acima das nuvens, para cada vez mais longe. O fundo estalava, e ele estava apavorado, com medo de que a mala se desmanchasse, pois nesse caso daria uma bela cambalhota! Deus nos acuda! Assim ele chegou à terra dos turcos. Escondeu a mala na floresta, debaixo das folhas secas, e entrou na cidade. Podia fazer isso perfeitamente, pois ali todos os turcos andavam, como ele, de roupão e chinelos. Encontrou então uma ama com uma criancinha.
— Escute, ama turca! — disse ele. — Que grande palácio é aquele perto da cidade? As janelas ficam tão no alto!
— Ali mora a filha do rei! — respondeu ela. — Foi previsto que ela será muito infeliz por causa de um namorado. Por isso, ninguém pode visitá-la sem que o rei e a rainha estejam presentes!
— Obrigado! — disse o filho do comerciante.
Foi até a floresta, entrou na mala, voou para o telhado e se esgueirou pela janela até a princesa.
Ela dormia no sofá e era tão linda que o filho do comerciante não pôde deixar de beijá-la. Ela acordou muito assustada, mas ele disse que era o deus dos turcos, que descera pelos ares para visitá-la, e isso lhe agradou.
Os dois se sentaram lado a lado, e ele contou histórias sobre os olhos dela: eram os mais belos lagos escuros, onde os pensamentos nadavam como sereias. Contou também sobre a testa dela: era uma montanha de neve com os mais esplêndidos salões e quadros. E contou sobre a cegonha que traz as criancinhas tão doces.
Eram mesmo histórias encantadoras! Então ele pediu a princesa em casamento, e ela aceitou imediatamente.
— Mas o senhor precisa voltar no sábado — disse ela. — O rei e a rainha virão tomar chá comigo! Ficarão muito orgulhosos de que eu me case com o deus dos turcos. Mas trate de saber um conto realmente bonito, porque meus pais gostam muito disso. Minha mãe quer que seja moral e distinto, e meu pai quer que seja divertido, para fazer rir!
— Pois não trarei outro presente de casamento além de um conto! — disse ele.
E se despediram. A princesa, porém, lhe deu um sabre enfeitado com moedas de ouro, e disso ele estava precisando especialmente.
Ele voou dali, comprou um roupão novo e se sentou na floresta para inventar um conto. Precisava terminá-lo até sábado, e isso não é tão fácil assim.
Então o conto ficou pronto, e então era sábado.
O rei, a rainha e toda a corte esperavam com o chá nos aposentos da princesa. Ele foi recebido com muita gentileza!
— Então conte-nos uma história! — disse a rainha. — Uma que seja profunda e instrutiva!
— Mas da qual a gente também possa rir! — disse o rei.
— Pois não! — respondeu ele, e começou. Agora é preciso prestar muita atenção.
— Era uma vez um maço de fósforos. Eram extraordinariamente orgulhosos, porque tinham origem nobre. Sua árvore genealógica, isto é, o grande pinheiro do qual cada um deles fora uma lasquinha, tinha sido uma grande árvore antiga da floresta. Agora os fósforos estavam numa prateleira, entre um acendedor de pederneira e uma velha panela de ferro, e lhes contavam sobre sua juventude:
“Ah, quando estávamos no ramo verde!”, diziam. “Naquele tempo, sim, estávamos num ramo verde! Todas as manhãs e todas as tardes tínhamos chá de diamantes — era o orvalho. Tínhamos luz do sol o dia inteiro, quando o sol brilhava, e todos os passarinhos tinham de nos contar histórias. Bem podíamos perceber que éramos ricos, porque as árvores de folhas caducas só estavam vestidas no verão, mas nossa família podia se dar ao luxo de usar roupas verdes tanto no verão como no inverno. Então vieram os lenhadores: foi a grande revolução, e nossa família se dispersou. O senhor da linhagem conseguiu um lugar como mastro principal de um navio magnífico, capaz de dar a volta ao mundo, se quisesse; os outros ramos foram para outros lugares, e agora temos a missão de acender a luz para a plebe desprezível. Foi por isso que nós, gente distinta, viemos parar aqui na cozinha.”
“Pois comigo as coisas são diferentes!”, disse a panela de ferro ao lado da qual estavam os fósforos. “Desde que vim ao mundo, já me esfregaram e me puseram a ferver muitas vezes! Cuido do que é substancial e, para dizer a verdade, sou a primeira aqui nesta casa. Minha única alegria é, depois da refeição, ficar limpa e bonita na prateleira, conversando sensatamente com os companheiros. Mas, com exceção do balde de água, que de vez em quando desce ao pátio, vivemos sempre dentro de casa. Nossa única portadora de notícias é a cesta de compras, mas ela fala de um jeito tão inquietante sobre o governo e o povo! Outro dia, uma velha panela caiu de susto e se quebrou em pedaços! Aquela cesta tem ideias liberais, eu lhes digo!”
“Você já está falando demais!”, disse o acendedor de pederneira, e o aço bateu na pedra, soltando faíscas. “Não deveríamos passar uma noite alegre?”
“Sim, vamos conversar sobre quem é mais distinto!”, disseram os fósforos.
“Não, eu não gosto de falar de mim mesma”, disse a panela de barro. “Vamos ter uma diversão noturna! Eu começo: vou contar algo que todo mundo já viveu. É tão agradável reconhecer essas coisas, e tão divertido: junto ao mar Báltico, junto às faias dinamarquesas!”
“Que belo começo!”, disseram todos os pratos. “Com certeza vai ser uma história de que gostarei!”
“Sim, ali passei minha juventude numa família sossegada. Os móveis eram encerados, o chão era lavado, punham-se cortinas limpas a cada quinze dias!”
“Como a senhora conta coisas interessantes!”, disse o espanador. “Logo se percebe que é uma mulher quem está contando; há um ar tão asseado em tudo isso!”
“Sim, a gente sente isso!”, disse o balde de água, e deu um pulinho de alegria, fazendo plá! no chão.
E a panela continuou a contar, e o fim foi tão bom quanto o começo.
Todos os pratos tilintavam de alegria. O espanador pegou salsa verde no buraco da areia e fez uma coroa para a panela, porque sabia que isso irritaria os outros. “Se eu a coroo hoje”, pensou ele, “ela me coroará amanhã.”
“Agora vou dançar!”, disse a tenaz do fogo, e dançou. Sim, Deus nos acuda, como ela conseguia jogar uma perna para o alto! O velho revestimento da cadeira, ali no canto, se rasgou só de olhar! “Posso ser coroada, então?”, perguntou a tenaz, e foi.
“Não passam de plebe!”, pensaram os fósforos.
Agora o aparelho de chá devia cantar, mas disse que estava resfriado: não podia cantar sem estar fervendo. Era, porém, pura afetação; só queria cantar quando estivesse sobre a mesa, lá dentro, junto aos donos da casa.
Na janela havia uma velha pena de escrever, que a criada costumava usar. Não havia nada de especial nela, além de ter sido mergulhada fundo demais no tinteiro; mas era por isso que se dava tanta importância. “Se o aparelho de chá não quer cantar”, disse ela, “que não cante! Lá fora há um rouxinol numa gaiola, e ele sabe cantar. É verdade que nunca aprendeu nada, mas hoje à noite não vamos falar mal disso!”
“Acho muitíssimo impróprio”, disse a chaleira, que era cantora de cozinha e meia-irmã do aparelho de chá, “que se dê ouvidos a um pássaro estrangeiro! Isso é patriótico? Vou deixar que a cesta de compras julgue!”
“Eu só me aborreço”, disse a cesta de compras. “Fico tão profundamente aborrecida quanto se possa imaginar! Isso é maneira de passar a noite? Não seria mais acertado pôr a casa em ordem? Cada um ficaria no seu lugar, e eu comandaria toda a coisa. Aí, sim, seria diferente!”
“Sim, vamos fazer barulho!”, disseram todos ao mesmo tempo. Naquele instante, a porta se abriu. Era a criada, e todos ficaram imóveis, sem dar um pio. Mas não havia uma só panela que não soubesse muito bem do que era capaz e de como era distinta. “Ah, se eu tivesse querido”, pensavam, “aí, sim, teríamos passado uma noite alegre!”
A criada pegou os fósforos e acendeu o fogo com eles. Deus nos acuda, como eles crepitavam e ardiam em chamas!
“Agora qualquer um pode ver”, pensaram eles, “que somos os primeiros! Que esplendor temos! Que luz!” E então se consumiram.
— Foi um conto maravilhoso! — disse a rainha. — Senti-me inteiramente na cozinha, junto dos fósforos. Sim, agora você terá nossa filha.
— Certamente! — disse o rei. — Você terá nossa filha na segunda-feira!
Pois agora eles o tratavam por “você”, já que ele faria parte da família.
O casamento ficou marcado. Na véspera, toda a cidade foi iluminada; pãezinhos e rosquinhas eram atirados à multidão; os meninos de rua ficavam na ponta dos pés, gritavam vivas e assobiavam com os dedos na boca. Era tudo extraordinariamente esplêndido.
“Bem, eu também preciso tratar de fazer alguma coisa!”, pensou o filho do comerciante. Comprou foguetes, estalinhos e todos os fogos de artifício imagináveis, colocou tudo na mala e voou pelos ares com eles.
Zás, como aquilo corria! E como estourava!
Todos os turcos saltavam, e seus chinelos voavam em torno das orelhas. Nunca tinham visto uma aparição daquelas no céu. Agora podiam compreender que era o próprio deus dos turcos quem se casaria com a princesa.
Assim que o filho do comerciante desceu novamente à floresta com sua mala, pensou: “Vou até a cidade para saber como foi visto lá de baixo!” Era muito natural que tivesse vontade de saber.
Nossa, como as pessoas contavam! Cada uma a quem ele perguntava tinha visto a coisa à sua maneira, mas para todos tinha sido maravilhoso.
— Vi o próprio deus dos turcos! — dizia um. — Tinha olhos como estrelas brilhantes e barba como águas espumantes!
— Voava num manto de fogo! — dizia outro. — Os mais lindos anjinhos espiavam por entre as pregas!
Sim, eram coisas maravilhosas as que ele ouvia, e no dia seguinte seria seu casamento.
Voltou então à floresta para entrar na mala — mas onde estava ela? A mala tinha pegado fogo. Uma faísca dos fogos de artifício ficara ali, provocara um incêndio, e a mala virara cinzas. Ele já não podia voar, já não podia voltar à sua noiva.
Ela ficou o dia inteiro no telhado, esperando, e ainda espera. Ele, porém, anda pelo mundo contando histórias, mas elas já não são tão alegres como aquela que contou sobre os fósforos.
Sobre esta edição
- Obra
- Den flyvende Kuffert
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Den flyvende Kuffert
Ler o original em dinamarquês
Der var engang en Kjøbmand, han var saa riig, at han kunde brolægge den hele Gade og næsten et lille Stræde til med Sølvpenge; men det gjorde han ikke, han vidste anderledes at bruge sine Penge, og gav han en Skilling ud, fik han en Daler igjen; saadan en Kjøbmand var han — og saa døde han.
Sønnen fik nu alle disse Penge, og han levede lystigt, gik paa Maskerade hver Nat, gjorde Papirsdrager af Rigsdaler-Sedler og slog Smut henover Søen med Guldpenge, istedetfor med en Steen, saa kunde Pengene sagtens gaae, og det gjorde de; tilsidst eiede han ikke mere end fire Skilling, og havde ingen andre Klæder end et Par Tøfler og en gammel Sloprok. Nu brød hans Venner sig ikke længer om ham, da de jo ikke kunde gaae paa Gaden sammen, men een af dem, som var god, sendte ham en gammel Kuffert og sagde: „pak ind!“ ja, det var nu meget godt, men han havde ikke noget at pakke ind, saa satte han sig selv i Kufferten.
Det var en løierlig Kuffert. Saa snart man trykkede paa Laasen, kunde Kufferten flyve; det gjorde den, vips fløi den med ham op igjennem Skorstenen, høit op over Skyerne, længer og længer bort; det knagede i Bunden, og han var saa forskrækket, for at den skulde gaae i Stykker, for saa havde han gjort en ganske artig Volte! Gud bevar’ os! og saa kom han til Tyrkernes Land. Kufferten skjulte han i Skoven, under de visne Blade og gik saa ind i Byen; det kunde han godt gjøre, for hos Tyrkerne gik jo alle ligesom han i Sloprok og Tøfler. Saa mødte han en Amme med et lille Barn. „Hør du Tyrke-Amme!“ sagde han, „hvad er det for et stort Slot her tæt ved Byen, Vinduerne sidde saa høit!“
„Der boer Kongens Datter!“ sagde hun, „der er spaaet hende, at hun skal blive saa ulykkelig over en Kjæreste, og derfor maa der ingen komme til hende, uden Kongen og Dronningen er med!“
„Tak!“ sagde Kjøbmandssønnen, og saa gik han ud i Skoven, satte sig i sin Kuffert, fløi op paa Taget og krøb ind af Vinduet til Prindsessen.
Hun laae i Sophaen og sov; hun var saa deilig, at Kjøbmandssønnen maatte kysse hende; hun vaagnede og blev ganske forskrækket, men han sagde, han var Tyrkeguden, som var kommen ned igjennem Luften til hende, og det syntes hun godt om.
Saa sad de ved Siden af hinanden, og han fortalte Historier om hendes Øine: de vare de deiligste, mørke Søer, og Tankerne svømmede der som Havfruer; og han fortalte om hendes Pande: den var et Sneebjerg med de prægtigste Sale og Billeder, og han fortalte om Storken, som bringer de søde smaa Børn.
Jo, det var nogle deilige Historier! saa friede han til Prindsessen, og hun sagde strax ja!
„Men de maa komme her paa Løverdag,“ sagde hun, „da er Kongen og Dronningen hos mig til Theevand! de ville være meget stolte af, at jeg faaer Tyrkeguden, men see til, de kan et rigtigt deiligt Eventyr, for det holder mine Forældre særdeles meget af; min Moder vil have det moralsk og fornemt og min Fader lystigt, saa man kan lee!“
„Ja, jeg bringer ingen anden Brudegave end et Eventyr!“ sagde han, og saa skiltes de, men Prindsessen gav ham en Sabel, der var besat med Guldpenge, og den kunde han især bruge.
Nu fløi han bort, kjøbte sig en ny Sloprok og sad saa ude i Skoven og digtede paa et Eventyr, det skulde være færdigt til om Løverdagen, og det er ikke saa let endda.
Saa var han færdig, og saa var det Løverdag.
Kongen, Dronningen og hele Hoffet ventede med Theevand hos Prindsessen. Han blev saa nydeligt modtaget!
„Vil De saa fortælle et Eventyr!“ sagde Dronningen, „eet, som er dybsindigt og belærende!“
„Men som man dog kan lee af!“ sagde Kongen.
„Ja nok!“ sagde han og fortalte: det maa man nu høre godt efter.
„Der var engang et Bundt Svovlstikker, de vare saa overordentligt stolte paa det, fordi de vare af høi Herkomst; deres Stamtræ, det vil sige, det store Fyrretræ, de hver var en lille Pind af, havde været et stort gammelt Træ i Skoven. Svovlstikkerne laae nu paa Hylden mellem et Fyrtøi og en gammel Jerngryde, og for dem fortalte de om deres Ungdom. „Ja, da vi vare paa den grønne Green!“ sagde de, „da vare vi rigtignok paa en grøn Green! hver Morgen og Aften Diamant-Thee, det var Duggen, hele Dagen havde vi Solskin, naar Solen skinnede, og alle de smaa Fugle maatte fortælle os Historier. Vi kunde godt mærke, at vi ogsaa vare rige, for Løvtræerne de vare kun klædt paa om Sommeren, men vor Familie havde Raad til grønne Klæder baade Sommer og Vinter. Men saa kom Brændehuggerne, det var den store Revolution, og vor Familie blev splittet ad; Stamherren fik Plads som Stormast paa et prægtigt Skib, der kunde seile Verden rundt, dersom det vilde, de andre Grene kom andre Steder, og vi have nu det Hverv at tænde Lyset for den nedrige Mængde; derfor ere vi fornemme Folk komne her i Kjøkkenet.“
„Ja jeg har det nu paa en anden Maade!“ sagde Jerngryden, som Svovlstikkerne laae ved Siden af. „Lige fra jeg kom ud i Verden er jeg skuret og kogt mange Gange! jeg sørger for det Solide og er egentlig talt den Første her i Huset. Min eneste Glæde er, saadan efter Bordet, at ligge reen og pæn paa Hylden og føre en fornuftig Passiar med Kammeraterne; men naar jeg undtager Vandspanden, som engang imellem kommer ned i Gaarden saa leve vi altid inden Døre. Vort eneste Nyhedsbud er Torvekurven, men den snakker saa uroligt om Regjeringen og Folket; ja, forleden var der en gammel Potte, som af Forskrækkelse derover faldt ned og slog sig i Stykker! den er frisksindet, skal jeg sige dem!“ — „Nu snakker du for meget!“ sagde Fyrtøiet, og Staalet slog til Flintestenen, saa den gnistrede. „Skulde vi nu ikke have en munter Aften?“
„Ja, lad os tale om, hvem der er meest fornemme!“ sagde Svovlstikkerne.
„Nei, jeg holder ikke af at tale om mig selv,“ sagde Leerpotten, „lad os faae en Aftenunderholdning! jeg vil begynde, jeg skal fortælle saadant noget, Enhver har oplevet; det kan man saa rart sætte sig ind i, og det er saa fornøieligt: „Ved Østersøen ved de danske Bøge!“
„Det er en deilig Begyndelse!“ sagde alle Talerknerne, „det bliver bestemt en Historie, jeg kan lide!“
„Ja, der tilbragte jeg min Ungdom hos en stille Familie; Møblerne bleve bonede, Gulvet vasket, der kom rene Gardiner hver fjortende Dag!“
„Hvor De dog fortæller interessant!“ sagde Støvekosten. „Man kan strax høre, at det er et Fruentimmer, som fortæller; der gaaer saadant noget Reenligt derigjennem!“
„Ja det føler man!“ sagde Vandspanden, og saa gjorde den af Glæde et lille Hop, saa det sagde Klask paa Gulvet.
Og Potten blev ved at fortælle, og Enden var ligesaa god som Begyndelsen.
Alle Talerknerne de raslede af Glæde, og Støvekosten tog grøn Petersilie af Sandhullet og bekrandsede Potten, for den vidste, det vilde ærgre de Andre, og: „bekrandser jeg hende idag,“ tænkte han, „saa bekrandser hun mig imorgen.“
„Nu vil jeg dandse!“ sagde Ildklemmen, og dandsede; ja, Gud bevar’ os, hvor den kunde sætte det ene Been i Veiret. Det gamle Stolebetræk henne i Krogen revnede ved at see paa det! „Maa jeg saa blive bekrandset!“ sagde Ildklemmen, og det blev hun.
„Det er dog kun Pøbel!“ tænkte Svovlstikkerne.
Nu skulde Theemaskinen synge, men den var forkjølet, sagde den, den kunde ikke uden den var i Kog; men det var af bar Fornemhed, den vilde ikke synge, uden naar den stod paa Bordet inde hos Herskabet.
Henne i Vinduet sad en gammel Pennefjer, som Pigen pleiede at skrive med; der var ikke noget mærkværdigt ved den, uden at den var dyppet alt for dybt i Blækhuset, men deraf var nu den stor paa det. „Vil Theemaskinen ikke synge,“ sagde den, „saa kan den lade være! udenfor hænger i et Buur en Nattergal, den kan synge, den har rigtignok ikke lært noget, men det vil vi ikke tale ondt om i Aften!“
„Jeg finder det høist upassende,“ sagde Theekjedelen, der var Kjøkkensanger og Halvsøster til Theemaskinen, „at saadan en fremmed Fugl skal høres! Er det patriotisk? Jeg vil lade Torvekurven dømme!“
„Jeg ærgrer mig kun,“ sagde Torvekurven, „jeg ærgrer mig saa inderlig, som Nogen kan tænke sig! er det en passende Maade at tilbringe Aftenen paa, vilde det ikke være rigtigere at sætte Huset paa den rette Ende? Enhver skulde da komme paa sin Plads, og jeg vilde styre hele Codillen. Det vil blive noget andet!“
„Ja lad os gjøre Spektakel!“ sagde de Allesammen. I det samme gik Døren op. Det var Tjenestepigen, og saa stode de stille, Ingen sagde et Muk; men der var ikke en Potte, uden den jo nok vidste, hvad den kunde gjøre, og hvor fornem den var; „ja naar jeg havde villet,“ tænkte de, „saa skulde det rigtignok blevet en munter Aften!“
Tjenestepigen tog Svovlstikkerne, gjorde Ild med dem — Gud bevar’ os, hvor de spruttede og brændte i Lue.
„Nu kan da Enhver,“ tænkte de, „see, at vi ere de Første! hvilken Glands vi have! hvilket Lys!“ — og saa vare de brændt ud.
„Det var et deiligt Eventyr!“ sagde Dronningen, „jeg følte mig saa ganske i Kjøkkenet hos Svovlstikkerne, ja, nu skal du have vor Datter.“
„Ja vist!“ sagde Kongen, „du skal have vor Datter paa Mandag!“ for nu sagde de du til ham, da han skulde være af Familien.
Brylluppet var nu bestemt, og Aftenen forud blev hele Byen illumineret; Boller og Kringler fløi i Grams; Gadedrengene stode paa Tæerne, raabte Hurra og peb i Fingrene; det var særdeles pragtfuldt.
„Ja, jeg faaer vel ogsaa see til at gjøre Noget!“ tænkte Kjøbmandssønnen, og saa kjøbte han Raketter, Knaldperler og alt det Fyrværkeri, der tænkes kunde, lagde det i sin Kuffert, og fløi saa med det op i Luften.
Rutsch, hvor det gik! og hvor det futtede.
Alle Tyrkerne hoppede i Veiret ved det, saa deres Tøfler fløi dem om Ørene; saadant et Luftsyn havde de aldrig seet før. Nu kunde de da forstaae, at det var Tyrkeguden selv, som skulde have Prindsessen.
Saasnart Kjøbmandssønnen igjen med sin Kuffert kom ned i Skoven, tænkte han: „jeg vil dog gaae ind i Byen, for at faae at høre, hvorledes det har taget sig ud!“ og det var jo ganske rimeligt, han havde Lyst til det.
Nei, hvor dog Folk fortalte! hver evige Een, han spurgte derom, havde seet det paa sin Maade, men deiligt havde det været for dem Allesammen.
„Jeg saae Tyrkeguden selv,“ sagde den Ene, „han havde Øine, som skinnende Stjerner og et Skjæg som skummende Vande!“
„Han fløi i en Ildkaabe,“ sagde den Anden. „De deiligste Englebørn tittede frem fra Folderne!“
Jo, det var deilige Ting, han hørte, og Dagen efter skulde han have Bryllup.
Nu gik han tilbage til Skoven, for at sætte sig i sin Kuffert — men hvor var den? Kufferten var brændt op. En Gnist fra Fyrværkeriet var blevet tilbage, den havde tændt Ild, og Kufferten var i Aske. Han kunde ikke mere flyve, ikke mere komme til sin Brud.
Hun stod hele Dagen paa Taget og ventede, hun venter endnu, men han gaaer Verden rundt og fortæller Eventyr, men de ere ikke mere saa lystige, som det han fortalte om Svovlstikkerne.
A mala voadora
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