AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

EK 11

A margarida

Hans Christian Andersen

Gaaseurten

Sobre este conto

À beira de uma vala, fora da cerca de um jardim, uma pequena margarida cresce sob o sol e escuta o canto de uma cotovia. Ela admira as peônias e tulipas do jardim e imagina que a ave preferirá visitá-las. A cotovia, porém, desce até a margarida, canta e a beija. Depois desse encontro, a flor reconhece a mesma voz num canto triste que vem de uma gaiola perto da janela aberta.

Personagens e estrutura
Personagens
Pequena margarida que cresce na relva, Cotovia que canta e visita a margarida, Peônias e tulipas do jardim, Menina com a faca que corta as tulipas, Dois meninos que cortam o torrão de relva
Onde se passa
Campo perto de uma estrada, junto a uma casa de veraneio com jardim e cerca pintada; relva à beira de uma vala, gaiola perto de uma janela aberta e, no final, a poeira da estrada.
Acontecimentos
  1. A margarida admira as flores do jardim e a cotovia. A ave desce até ela, elogia seu ouro e prata figurados, canta e a beija. Uma menina corta as tulipas com uma faca.
  2. Na manhã seguinte, a cotovia está presa numa gaiola perto da janela aberta. A margarida reconhece o canto triste e quer ajudar, mas não sabe como.
  3. Dois meninos cortam um torrão quadrado de relva ao redor da margarida para pôr na gaiola. Primeiro sugerem arrancar a flor, depois a deixam ficar; ela entra com o torrão.
  4. Sem água, a ave sofre de sede. Nota o perfume mais forte da margarida, arranca folhas da relva durante a agonia e não toca na flor. À noite convulsiona e morre.
  5. Só na manhã seguinte os meninos encontram a ave morta. Choram e a enterram numa caixa vermelha, em sepultura enfeitada com pétalas; o torrão com a margarida é jogado na poeira da estrada.
Desfecho
Ninguém traz água à cotovia até a noite. Ela sacode as asas em convulsões, sua cabeça se inclina para a margarida e seu coração se parte de privação e saudade. A flor não consegue fechar as pétalas para dormir e pende doente e aflita. Na manhã seguinte, os meninos choram muitas lágrimas e enterram a ave numa bela caixa vermelha, numa sepultura enfeitada com pétalas. O narrador contrapõe essa pompa ao esquecimento enquanto ela vivia. O torrão com a margarida é jogado na poeira da estrada; ninguém pensa na flor que tanto sentira pela ave e desejara consolá-la.

Agora escute! —

No campo, bem perto da estrada, havia uma casa de veraneio; com certeza você mesmo já a viu alguma vez! Na frente há um pequeno jardim com flores e uma cerca pintada; bem ali, à beira da vala, no meio da mais bela relva verde, crescia uma pequena margarida. O sol brilhava sobre ela com tanto calor e beleza quanto sobre as grandes e ricas flores de enfeite dentro do jardim, e por isso ela crescia de hora em hora. Certa manhã estava inteiramente aberta, com suas pequenas pétalas de um branco brilhante, dispostas como raios ao redor do pequeno sol amarelo lá dentro. Não pensava nem um pouco que ninguém a via ali na relva e que era uma flor pobre e desprezada; não, estava tão contente! Voltava-se diretamente para o sol quente, olhava para ele e escutava a cotovia que cantava no céu.

A pequena margarida estava tão feliz como se fosse um grande dia santo, embora fosse apenas uma segunda-feira. Todas as crianças estavam na escola; enquanto elas se sentavam em seus bancos e aprendiam alguma coisa, a flor ficava em seu pequeno caule verde e também aprendia, com o sol quente e tudo ao redor, como Deus é bom. Parecia-lhe que a pequena cotovia cantava com muita clareza e beleza tudo o que ela sentia em silêncio. A margarida olhava com uma espécie de reverência para a ave feliz, capaz de cantar e voar, mas não ficava nem um pouco triste por não poder fazer o mesmo. “Mas eu vejo e ouço!”, pensava. “O sol brilha sobre mim, e o vento me beija! Oh, quantos presentes recebi!”

Do outro lado da cerca havia muitas flores empertigadas e distintas; quanto menos perfume tinham, mais erguiam a cabeça. As peônias se inflavam para ficar maiores que uma rosa, mas não é o tamanho que faz a diferença! As tulipas tinham as cores mais bonitas de todas, sabiam muito bem disso e se mantinham tão eretas para que todos as vissem ainda melhor. Não davam a menor atenção à pequena margarida lá fora, mas ela olhava ainda mais para elas e pensava: “Como são ricas e belas! Sim, com certeza aquela magnífica ave desce até elas para visitá-las! Graças a Deus estou tão perto; assim ao menos poderei ver essa pompa!” E, bem quando pensava nisso, “quirrevit!”, lá veio a cotovia voando, mas não desceu até as peônias e as tulipas; não, desceu à relva, até a pobre margarida, que ficou tão assustada de pura alegria que nem sabia mais o que pensar.

A pequena ave dançava ao redor dela e cantava: “Ora, como a relva é macia! E vejam que florzinha doce, com ouro no coração e prata no vestido!” O pontinho amarelo da margarida realmente parecia ouro, e as pequenas pétalas ao redor eram de um branco prateado e brilhante.

Ninguém pode imaginar como a pequena margarida estava feliz! A ave a beijou com o bico, cantou para ela e depois tornou a voar para o céu azul. Com certeza passou um quarto de hora inteiro antes que a flor conseguisse se recompor. Um pouco envergonhada e, no entanto, contente de todo o coração, olhou para as flores do jardim. Elas tinham visto a honra e a felicidade que lhe haviam acontecido; deviam entender que alegria era aquela! Mas as tulipas estavam duas vezes mais empertigadas que antes, com o rosto tão pontudo e tão vermelho, pois tinham ficado irritadas. As peônias estavam inteiramente de cabeça inchada; bu! Ainda bem que não sabiam falar, senão a margarida teria levado uma bela reprimenda. A pobre florzinha bem podia ver que elas não estavam de bom humor, e isso lhe causava uma profunda tristeza. Naquele instante apareceu no jardim uma menina com uma faca grande, tão afiada e brilhante; foi direto ao meio das tulipas e cortou uma depois da outra. “Ui!”, suspirou a pequena margarida. “Que horror! Agora acabou para elas!” Então a menina foi embora com as tulipas. A margarida estava contente por ficar lá fora, na relva, e ser uma florzinha pobre; sentia-se muito agradecida e, quando o sol se pôs, dobrou as pétalas, adormeceu e sonhou a noite inteira com o sol e a pequena ave.

Na manhã seguinte, quando a flor, novamente feliz, estendeu todas as pétalas brancas como pequenos braços para o ar e a luz, reconheceu a voz da ave; mas era tão triste o que ela cantava! Sim, a pobre cotovia tinha bons motivos para isso: fora capturada e agora estava numa gaiola, bem perto da janela aberta. Cantava sobre voar livre e feliz, sobre o cereal novo e verde no campo e sobre a bela viagem que poderia fazer com suas asas, bem alto no céu. A pobre ave não estava de bom humor: ficava ali presa na gaiola.

A pequena margarida queria tanto ajudar! Mas como poderia fazer isso? Sim, era difícil descobrir. Esquecia por completo como tudo ao redor era bonito, como o sol brilhava quente e como suas pétalas eram belas e brancas. Ah, só conseguia pensar na ave prisioneira, por quem não era capaz de fazer coisa alguma.

Naquele instante saíram do jardim dois meninos pequenos. Um deles tinha na mão uma faca, grande e afiada como a que a menina usara para cortar as tulipas. Foram direto até a pequena margarida, que não conseguia entender o que queriam.

“Aqui podemos cortar um belo torrão de relva para a cotovia!”, disse um dos meninos, e começou a cortar fundo em forma de quadrado, ao redor da margarida, de modo que ela ficou bem no meio do torrão.

“Arranque essa flor!”, disse o outro menino, e a margarida tremia de medo, pois ser arrancada era perder a vida; agora queria tanto viver, já que iria, com o torrão, para a gaiola da cotovia prisioneira!

“Não, deixe-a ficar!”, disse o outro menino. “Ela enfeita tão bem!” E assim ela ficou onde estava e foi para dentro da gaiola com a cotovia.

Mas a pobre ave lamentava em voz alta a liberdade perdida e batia as asas contra os arames de ferro da gaiola. A pequena margarida não sabia falar, não podia dizer uma palavra de consolo, por mais que desejasse. Assim passou toda a manhã.

“Aqui não há água!”, disse a cotovia prisioneira. “Todos saíram e se esqueceram de me deixar uma gota para beber! Minha garganta está seca e ardendo! Há fogo e gelo dentro de mim, e o ar está tão pesado! Ah, vou ter de morrer, longe da luz quente do sol, do verde fresco, de toda a beleza que Deus criou!” Então enfiou seu pequeno bico no torrão fresco para se reanimar um pouco. Seus olhos caíram sobre a margarida; a ave fez um aceno para ela, beijou-a com o bico e disse: “Você também terá de murchar aqui dentro, pobre florzinha! Deram-me você e esse pequeno pedaço de relva verde em troca de todo o mundo que eu tinha lá fora! Cada folhinha de relva deverá ser para mim uma árvore verde; cada uma de suas pétalas brancas, uma flor perfumada! Ah, vocês só me dizem quanto perdi!”

“Se ao menos alguém pudesse consolá-lo!”, pensava a margarida, mas não conseguia mover uma pétala. O perfume que emanava das delicadas pétalas, porém, era muito mais forte do que o habitual nessa flor. A ave também o percebeu e, embora definhasse de sede e, em sua dor, arrancasse as folhas verdes da relva, não tocava na flor.

Chegou a noite, e ninguém ainda viera trazer uma gota d’água à pobre ave. Então ela estendeu suas belas asas e as sacudiu em convulsões; seu canto era um piu-piu triste. A pequena cabeça se inclinou para a flor, e o coração da ave se partiu de privação e saudade. A flor já não podia, como na noite anterior, fechar as pétalas e dormir; pendia doente e aflita em direção à terra.

Só na manhã seguinte os meninos chegaram. Quando viram a ave morta, choraram, choraram muitas lágrimas, e lhe cavaram uma bonita sepultura, enfeitada com pétalas de flores. O corpo da ave foi posto numa bela caixa vermelha. Seria enterrada como um rei, a pobre ave! Enquanto vivia e cantava, eles se esqueciam dela, deixavam-na na gaiola sofrendo privações; agora lhe davam pompa e muitas lágrimas.

Mas o torrão com a margarida foi jogado na poeira da estrada. Ninguém pensou nela, que, no entanto, sentira mais do que todos pela pequena ave e tanto desejava consolá-la!


Sobre esta edição

Obra
Gaaseurten
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Gaaseurten

Eventyr, fortalte for Børn · Ny Samling · Første Hefte · 1838 · Dinamarquês · Ny Samling · Første Hefte · primeira edição
Volume Ny Samling · Første Hefte. Página 5–13. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

Nu skal Du høre! —

Ude paa Landet, tæt ved Veien, laae et Lyststed; Du har bestemt selv engang seet det! der er foran en lille Have med Blomster og et Stakit, som er malet; tæt herved paa Grøften, midt i det deiligste grønne Græs, voxte en lille Gaaseurt; Solen skinnede ligesaa varmt og smukt paa den, som paa de store rige Pragtblomster inde i Haven, og derfor voxte den Time for Time. En Morgen stod den ganske udsprunget med sine smaa, skinnende hvide Blade, der sidde som Straaler rundtom den lille gule Sol indeni. Den tænkte slet ikke paa, at intet Menneske saae den der i Græsset og at den var en fattig, foragtet Blomst; nei den var saa fornøiet, den vendte sig lige imod den varme Sol, saae op i den og hørte paa Lærken, som sang i Luften.

Den lille Gaaseurt var saa lykkelig, som om det var en stor Helligdag, og saa var det dog en Mandag; alle Børn vare i Skole; mens de sad paa deres Bænke og lærte noget, sad den paa sin lille grønne Stilk og lærte ogsaa af den varme Sol og Alt rundt omkring, hvor god Gud er, og den syntes ret at den lille Lærke sang saa tydeligt og smukt Alt, hvad den i Stilhed følte; og Gaaseurten saae med en Slags Ærbødighed op til den lykkelige Fugl, der kunde synge og flyve, men var slet ikke bedrøvet, fordi den selv ikke kunde det. „Jeg seer og hører jo!“ tænkte den, „Solen skinner paa mig og Vinden kysser mig! o, hvor jeg dog er blevet begavet!“

Indenfor Stakittet stode saa mange stive, fornemme Blomster; jo mindre Duft de havde, desmere kneisede de. Pionerne blæste sig op, for at være større end en Rose, men det er slet ikke Størrelsen, som gjør det! Tulipanerne havde de allersmukkeste Couleurer, og det vidste de nok og holdt sig saa ranke, for at man endnu bedre skulde see det. De lagde slet ikke Mærke til den lille Gaaseurt udenfor, men den saae desmere paa dem og tænkte: „hvor de ere rige og deilige! ja, dem flyver vist den prægtige Fugl ned til og besøger! Gud skee Lov, at jeg staaer saa nær herved, saa kan jeg dog faae den Stads at see!“ og lige idet den tænkte det, „qvirrevit!“ der kom Lærken flyvende, men ikke ned til Pioner og Tulipaner, nei, ned i Græsset til den fattige Gaaseurt, der blev saa forskrækket af bare Glæde, at den vidste slet ikke mere, hvad den skulde tænke.

Den lille Fugl dandsede rundt omkring den og sang: „nei, hvor dog Græsset er blødt! og see, hvilken sød lille Blomst med Guld i Hjertet og Sølv paa Kjolen!“ den gule Prik i Gaaseurten saae jo ogsaa ud som Guld, og de smaa Blade rundtom vare skinnende sølvhvide.

Saa lykkelig som den lille Gaaseurt var, nei, det kan ingen begribe! Fuglen kyssede den med sit Næb, sang for den og fløi saa igjen op i den blaa Luft. Det varede bestemt et heelt Qvarteer, før Blomsten kunde komme sig igjen. Halv undseelig og dog inderlig fornøiet saae den til Blomsterne inde i Haven; de havde jo seet den Ære og Lyksalighed, der var vederfaret hende, de maatte jo begribe, hvilken Glæde det var; men Tulipanerne stode nok engang saa stive som før, og saa vare de saa spidse i Ansigtet og saa røde, for de havde ærgret sig. Pionerne vare ganske tykhovedede, bu! det var godt, at de ikke kunde tale, ellers havde Gaaseurten faaet en ordentlig Tiltale. Den stakkels lille Blomst kunde nok see, at de vare ikke i godt Humeur, og det gjorde den saa inderligt ondt. I det samme kom der inde i Haven en Pige med en stor Kniv saa skarp og skinnende, hun gik lige hen mellem Tulipanerne og skar den ene af efter den anden. „Uh!“ sukkede den lille Gaaseurt, „det var jo forskrækkeligt, nu er det forbi med dem!“ Saa gik Pigen bort med Tulipanerne. Gaaseurten var glad ved, at den stod ude i Græsset og var en lille, fattig Blomst; den følte sig ret saa taknemmelig, og da Solen gik ned, foldede den sine Blade, sov ind og drømte hele Natten om Solen og den lille Fugl.

Næste Morgen, da Blomsten igjen, lykkelig, strakte alle de hvide Blade ligesom smaa Arme ud mod Luft og Lys, kjendte den Fuglens Stemme, men det var saa sørgeligt, hvad den sang. Ja, den stakkels Lærke havde god Grund dertil, den var blevet fanget og sad nu i et Buur tætved det aabne Vindue. Den sang om at flyve fri og lykkelig omkring, sang om det unge, grønne Korn paa Marken og om den deilige Reise, den kunde gjøre paa sine Vinger høit op i Luften. Den stakkels Fugl var ikke i godt Humeur, fangen sad den der i Buret.

Den lille Gaaseurt ønskede saa gjerne at hjælpe, men hvorledes skulde den bære sig ad dermed; ja det var vanskeligt at hitte paa. Den glemte reent, hvor smukt Alt stod rundtom, hvor varmt Solen skinnede, og hvor smukke hvide dens Blade saae ud; ak, den kunde kun tænke paa den fangne Fugl, som den slet ikke var istand til at gjøre noget for.

Da kom der i det samme to smaa Drenge ud af Haven; den ene af dem havde i Haanden en Kniv, stor og skarp som den, Pigen havde til at skjære Tulipanerne af med. De gik lige hen imod den lille Gaaseurt, der slet ikke kunde begribe, hvad de vilde.

„Her kan vi skjære en deilig Græstørv til Lærken!“ sagde den ene Dreng og begyndte at skjære i en Fiirkant dybt ned, omkring Gaaseurten, saa at den kom til at staae midt i Græstørven.

„Riv den Blomst af!“ sagde den anden Dreng, og Gaaseurten rystede ordentligt af Angst, thi at blive revet af, var jo at miste Livet, og nu vilde den saa gjerne leve, da den skulde med Græstørven ind i Buret til den fangne Lærke.

„Nei, lad den sidde!“ sagde den anden Dreng, „den pynter saa net!“ og saa blev den siddende og kom med ind i Buret til Lærken.

Men den stakkels Fugl klagede høit over sin tabte Frihed og slog med Vingerne mod Jerntraadene i Buret; den lille Gaaseurt kunde ikke tale, ikke sige et trøstende Ord, ihvor gjerne den vilde. Saaledes gik hele Formiddagen.

„Her er intet Vand!“ sagde den fangne Lærke, „de ere Alle ude og have glemt mig med en Draabe at drikke! min Hals er tør og brændende! der er Ild og Iis indeni mig og Luften er saa tung! Ak, jeg maa døe, fra det varme Solskin, fra det friske Grønne, fra al den Deilighed, Gud har skabt!“ og saa borede den sit lille Næb ned i den kjølige Græstørv, for derved at opfriskes lidt; da faldt dens Øine paa Gaaseurten, og Fuglen nikkede til den, kyssede den med Næbbet og sagde: „Du maa ogsaa visne herinde, Du stakkels lille Blomst! Dig og den lille grønne Plet Græs har man givet mig for den hele Verden, jeg havde udenfor! hvert lille Græsstraa skal være mig et grønt Træ, hvert af dine hvide Blade en duftende Blomst! ak, I fortælle mig kun, hvormeget jeg har mistet!“

„Hvo der dog kunde trøste ham!“ tænkte Gaaseurten, men den kunde ikke røre et Blad; dog Duften, som strømmede ud af de fine Blade, var langt stærkere, end den ellers findes hos denne Blomst; det mærkede ogsaa Fuglen, og skjøndt den forsmægtede af Tørst og i sin Pine rev de grønne Græsstraa af, rørte den slet ikke Blomsten.

Det blev Aften, og endnu kom Ingen og bragte den stakkels Fugl en Vanddraabe; da strakte den sine smukke Vinger ud, rystede dem krampagtigt, dens Sang var et veemodigt Pipi; det lille Hoved bøiede sig henimod Blomsten, og Fuglens Hjerte brast af Savn og Længsel; da kunde Blomsten ikke, som Aftenen forud, folde sine Blade sammen og sove, den hang syg og sørgende ned mod Jorden.

Først den næste Morgen kom Drengene, og da de saae Fuglen død, græd de, græd mange Taarer og gravede den en nydelig Grav, som blev pyntet med Blomsterblade. Fuglens Liig kom i en rød, deilig Æske, kongeligt skulde den begraves, den stakkels Fugl! da han levede og sang, glemte de ham, lod ham sidde i Buret og lide Savn, nu fik han Stads og mange Taarer.

Men Græstørven med Gaaseurten blev kastet ud i Støvet paa Landeveien, ingen tænkte paa den, som dog havde følt meest for den lille Fugl og som gjerne vilde trøste den!

A margarida

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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