AC 004

A Romãzeira do Macaco

Adolfo Coelho

A romanzeira do macaco

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Era uma vez um macaco que estava em cima de uma oliveira comendo uma romã. Aconteceu que caiu um grão da romã na terra em que estava a oliveira e, passado pouco tempo, nasceu uma romãzeira. Quando o macaco viu a romãzeira nascida, foi procurar o dono da oliveira e lhe disse:

— Arranque a sua oliveira para crescer a minha romãzeira.

O homem respondeu:

— Não estou para isso.

O macaco foi procurar a justiça e lhe disse:

— Justiça, prenda o homem para que arranque a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

A justiça respondeu:

— Não estou para isso.

O macaco foi procurar o rei e lhe disse:

— Rei, tire a vara da justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.

O rei respondeu:

— Não estou para isso.

O macaco foi procurar a rainha:

— Rainha, fique de mal com o rei, para ele tirar a vara da justiça, etc.

A rainha respondeu:

— Não estou para isso.

Foi procurar o rato:

— Rato, roa as fraldas da rainha para ela ficar de mal com o rei, etc.

O rato respondeu:

— Não estou para isso.

Foi procurar o gato:

— Ó gato, coma o rato, para ele roer as fraldas da rainha, etc.

O gato respondeu:

— Não estou para isso.

Foi procurar o cão:

— Ó cão, morda o gato, para ele comer o rato, etc.

O cão respondeu:

— Não estou para isso.

Foi ao pau e lhe disse:

— Pau, bata no cão, para o cão morder o gato, etc.

— Não estou para isso.

Foi procurar o fogo:

— Fogo, queime o pau, para ele bater no cão, etc.

— Não estou para isso.

Foi procurar a água:

— Ó água, apague o fogo para ele queimar o pau, etc.

— Não estou para isso.

Foi ao boi:

— Ó boi, beba a água para ela apagar o fogo, etc.

— Não estou para isso.

Foi ao carniceiro:

— Carniceiro, mate o boi para ele beber a água, etc.

— Não estou para isso.

Foi procurar a morte:

— Ó morte, leve o carniceiro, para ele matar o boi, etc.

A morte ia levar o carniceiro, e ele lhe disse:

— Não me leve, que eu mato o boi.

O boi disse:

— Não me mate, que eu bebo a água.

A água disse:

— Não me beba, que eu apago o fogo.

O fogo disse:

— Não me apague, que eu queimo o pau.

O pau disse:

— Não me queime, que eu bato no cão.

O cão disse:

— Não me bata, que eu mato o gato.

O gato disse:

— Não me morda, que eu como o rato.

O rato disse:

— Não me coma, que eu roo as fraldas da rainha.

A rainha disse:

— Não roa minhas fraldas, que eu fico de mal com o rei.

O rei disse:

— Não fique de mal comigo, que eu tiro a vara da justiça.

A justiça disse:

— Rei, não me tire a vara, que eu prendo o homem.

O homem disse:

— Justiça, não me prenda, que eu arranco a oliveira.

E o homem arrancou a oliveira, e o macaco ficou com a sua romãzeira.

(Coimbra)


Sobre esta edição

Obra
A romanzeira do macaco
Autoria original
Adolfo Coelho
Texto em português
Texto original
Edição publicada
1.0.0
Produção
Codex · edição textual por IA (Coelho)
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
03/11/2026

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A Romãzeira do Macaco

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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