AC 004
A Romãzeira do Macaco
A romanzeira do macaco
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Texto do conto
Era uma vez um macaco que estava em cima de uma oliveira comendo uma romã. Aconteceu que caiu um grão da romã na terra em que estava a oliveira e, passado pouco tempo, nasceu uma romãzeira. Quando o macaco viu a romãzeira nascida, foi procurar o dono da oliveira e lhe disse:
— Arranque a sua oliveira para crescer a minha romãzeira.
O homem respondeu:
— Não estou para isso.
O macaco foi procurar a justiça e lhe disse:
— Justiça, prenda o homem para que arranque a oliveira, para crescer a minha romãzeira.
A justiça respondeu:
— Não estou para isso.
O macaco foi procurar o rei e lhe disse:
— Rei, tire a vara da justiça, para ela prender o homem, para ele arrancar a oliveira, para crescer a minha romãzeira.
O rei respondeu:
— Não estou para isso.
O macaco foi procurar a rainha:
— Rainha, fique de mal com o rei, para ele tirar a vara da justiça, etc.
A rainha respondeu:
— Não estou para isso.
Foi procurar o rato:
— Rato, roa as fraldas da rainha para ela ficar de mal com o rei, etc.
O rato respondeu:
— Não estou para isso.
Foi procurar o gato:
— Ó gato, coma o rato, para ele roer as fraldas da rainha, etc.
O gato respondeu:
— Não estou para isso.
Foi procurar o cão:
— Ó cão, morda o gato, para ele comer o rato, etc.
O cão respondeu:
— Não estou para isso.
Foi ao pau e lhe disse:
— Pau, bata no cão, para o cão morder o gato, etc.
— Não estou para isso.
Foi procurar o fogo:
— Fogo, queime o pau, para ele bater no cão, etc.
— Não estou para isso.
Foi procurar a água:
— Ó água, apague o fogo para ele queimar o pau, etc.
— Não estou para isso.
Foi ao boi:
— Ó boi, beba a água para ela apagar o fogo, etc.
— Não estou para isso.
Foi ao carniceiro:
— Carniceiro, mate o boi para ele beber a água, etc.
— Não estou para isso.
Foi procurar a morte:
— Ó morte, leve o carniceiro, para ele matar o boi, etc.
A morte ia levar o carniceiro, e ele lhe disse:
— Não me leve, que eu mato o boi.
O boi disse:
— Não me mate, que eu bebo a água.
A água disse:
— Não me beba, que eu apago o fogo.
O fogo disse:
— Não me apague, que eu queimo o pau.
O pau disse:
— Não me queime, que eu bato no cão.
O cão disse:
— Não me bata, que eu mato o gato.
O gato disse:
— Não me morda, que eu como o rato.
O rato disse:
— Não me coma, que eu roo as fraldas da rainha.
A rainha disse:
— Não roa minhas fraldas, que eu fico de mal com o rei.
O rei disse:
— Não fique de mal comigo, que eu tiro a vara da justiça.
A justiça disse:
— Rei, não me tire a vara, que eu prendo o homem.
O homem disse:
— Justiça, não me prenda, que eu arranco a oliveira.
E o homem arrancou a oliveira, e o macaco ficou com a sua romãzeira.
(Coimbra)
Sobre esta edição
- Obra
- A romanzeira do macaco
- Autoria original
- Adolfo Coelho
- Texto em português
- Texto original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Produção
- Codex · edição textual por IA (Coelho)
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 03/11/2026
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