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EK 17

As cegonhas

Hans Christian Andersen

Storkene

Sobre este conto

Quatro filhotes de cegonha crescem num ninho sobre um telhado. Enquanto a mãe os prepara para o primeiro voo e para a migração, meninos da rua cantam uma cantiga cruel que os assusta e desperta seu desejo de vingança.

Personagens e estrutura
Personagens
A mãe cegonha, O pai cegonha, Os quatro filhotes, O menino que inicia a cantiga, Peter, que se recusa a zombar dos animais
Onde se passa
Uma cidadezinha, seu telhado e os pântanos próximos, antes da migração de outono para os países quentes; o Egito é descrito pela mãe como destino da viagem.
Acontecimentos
  1. Meninos cantam ameaças aos quatro filhotes; só Peter se recusa a participar.
  2. A mãe consola os filhotes e descreve as manobras de voo e a viagem ao Egito.
  3. Os filhotes aprendem a voar, mas insistem em se vingar do menino que começou a cantiga.
  4. Nas manobras de outono, recebem a melhor nota, acompanhada de uma rã e uma cobra.
  5. A mãe planeja levar bebês às crianças que não zombaram das cegonhas e nenhum às outras.
Desfecho
A mãe decide entregar um bebê morto ao menino que começou a cantiga e levar um irmão e uma irmã ao bondoso Peter. Também dá o nome Peter a todas as cegonhas; o narrador afirma que o plano se cumpriu e que elas ainda se chamam assim.

Na última casa de uma cidadezinha havia um ninho de cegonhas. A mãe estava no ninho com seus quatro filhotinhos, que esticavam a cabeça com o pequeno bico preto, pois ele ainda não tinha ficado vermelho. Um pouco adiante, na cumeeira do telhado, o pai se mantinha muito ereto e rígido. Recolhera uma perna debaixo do corpo, para ao menos ter algum incômodo enquanto montava guarda. De tão imóvel, parecia talhado em madeira.

“Deve parecer muito distinto minha mulher ter uma sentinela ao lado do ninho!”, pensava ele. “Ninguém pode saber que sou o marido dela; devem pensar que recebi ordens para ficar aqui. Fica tão vistoso!” E continuava sobre uma perna só.

Lá embaixo, na rua, brincava um bando de crianças. Quando viram as cegonhas, um dos meninos mais atrevidos começou a cantar, e depois todos o acompanharam na velha cantiga das cegonhas. Mas cantavam do jeito que ele conseguia se lembrar:

Cegonha, cegonha Steie,
Voe de volta para o que é seu!
Sua mulher está no ninho
Com quatro filhotes grandes.
Um será enforcado,
O outro será espetado,
O terceiro será queimado,
O quarto será revirado!

— Escute o que os meninos estão cantando! — disseram os filhotinhos. — Dizem que vamos ser enforcados e queimados!

— Não se preocupem com isso! — disse a mãe. — Basta não dar ouvidos, e não faz mal algum!

Mas os meninos continuavam cantando e apontavam o dedo para as cegonhas. Só um menino, chamado Peter, disse que era maldade zombar dos animais e não quis participar de jeito nenhum. A mãe também consolava os filhotes:

— Não liguem para isso. Vejam como seu pai está tranquilo, e sobre uma perna só!

— Estamos com tanto medo! — disseram os filhotes, encolhendo as cabeças bem no fundo do ninho.

No dia seguinte, quando as crianças se reuniram de novo para brincar e viram as cegonhas, começaram sua cantiga:

Um será enforcado,
O outro será queimado! —

— Será que vamos mesmo ser enforcados e queimados? — perguntaram os filhotes.

— Claro que não! — disse a mãe. — Vocês vão aprender a voar; eu tratarei de treiná-los! Depois iremos ao prado visitar as rãs. Elas fazem reverências para nós dentro da água, cantam “coax, coax!”, e então nós as comemos. Vai ser uma verdadeira diversão!

— E depois? — perguntaram os filhotes.

— Depois se reúnem todas as cegonhas do país e começam as manobras de outono. É preciso voar bem; isso é da maior importância, pois o general mata com o bico quem não sabe voar. Por isso, tratem de aprender alguma coisa quando os exercícios começarem!

— Então vamos mesmo ser espetados, como disseram os meninos! E escute, já estão cantando de novo!

— Prestem atenção em mim, não neles — disse a mãe. — Depois das grandes manobras, voaremos para os países quentes, ah, para tão longe daqui, por cima de montanhas e florestas! Voaremos para o Egito, onde há casas de pedra triangulares, que sobem em ponta acima das nuvens. Chamam-se pirâmides e são mais antigas do que qualquer cegonha pode imaginar. Lá existe um rio que transborda e transforma a terra em lama. A gente anda pela lama e come rãs.

— Oh! — disseram todos os filhotes.

— Sim! É uma delícia! Não se faz outra coisa além de comer o dia inteiro. Enquanto estamos tão bem, aqui neste país não resta uma folha verde nas árvores. Faz tanto frio que as nuvens congelam, se quebram e caem em pequenos pedaços brancos!

Ela queria dizer a neve, mas não podia explicar com mais clareza.

— Então os meninos malcriados também congelam e se quebram? — perguntaram os filhotes.

— Não, eles não chegam a se quebrar! Mas ficam quase nesse ponto e precisam permanecer trancados num quarto escuro, amuados. Vocês, em compensação, poderão voar por terras estrangeiras, onde há flores e um sol quentinho!

Já tinha passado algum tempo, e os filhotes estavam tão grandes que podiam ficar em pé no ninho e olhar para longe. Todos os dias o pai chegava voando com belas rãs, pequenas cobras-de-água e todas as guloseimas de cegonha que conseguia encontrar. Ah, era divertido vê-lo fazer suas habilidades diante deles! Virava a cabeça até encostá-la na cauda, batia o bico como se fosse uma pequena matraca e lhes contava histórias, todas do pântano.

— Escutem, agora precisam aprender a voar! — disse a mãe um dia.

Os quatro filhotes tiveram de sair para a cumeeira. Como cambaleavam! Como se equilibravam com as asas e, mesmo assim, estavam quase caindo!

— Agora olhem para mim! — disse a mãe. — É assim que devem segurar a cabeça! Assim que devem pôr as pernas! Um, dois! Um, dois! É isso que vai ajudá-los a avançar no mundo!

Ela voou um pequeno trecho, e os filhotes deram um pulinho desajeitado. Bum! Lá estavam caídos, porque eram pesados de corpo.

— Eu não quero voar! — disse um deles, voltando para dentro do ninho. — Não faço questão de ir aos países quentes!

— Então quer morrer de frio aqui, quando chegar o inverno? Quer que os meninos venham enforcar, queimar e assar você? Vou chamá-los agora!

— Ah, não! — disse o filhote.

E tornou a saltar para o telhado, como os outros. No terceiro dia já conseguiam voar um pouco de verdade. Então acharam que também podiam sentar no ar para descansar. Tentaram, mas bum! Despencaram e tiveram de mexer as asas novamente. Os meninos apareceram lá embaixo, na rua, e cantaram sua cantiga:

Cegonha, cegonha Steie!

— Não devíamos voar lá embaixo e arrancar os olhos deles a bicadas? — disseram os filhotes.

— Não, deixem disso! — disse a mãe. — Prestem atenção em mim, é muito mais importante! Um, dois, três! Agora voamos para a direita! Um, dois, três! Agora para a esquerda, em volta da chaminé! Vejam, foi muito bom! A última batida de asas foi tão bonita e correta que amanhã vocês poderão ir comigo ao pântano. Outras boas famílias de cegonhas irão com seus filhos. Tratem de fazer com que os meus sejam os mais bonitos! E levantem bem a cabeça: fica bonito e dá prestígio!

— Mas não vamos nos vingar dos meninos malcriados? — perguntaram os filhotes.

— Deixem que gritem o que quiserem! Vocês voarão até as nuvens e chegarão à terra das pirâmides, enquanto eles terão de passar frio, sem uma folha verde nem uma maçã doce!

— Sim, vamos nos vingar! — cochicharam uns para os outros.

E recomeçaram os exercícios.

De todos os meninos da rua, ninguém cantava a cantiga de zombaria com tanta insistência quanto aquele que a começara. Era bem pequeno, não devia ter mais de seis anos. Os filhotes, porém, achavam que ele tinha cem, pois era muito maior do que a mãe e o pai deles; e o que sabiam eles da idade que podiam ter as crianças e as pessoas grandes? Toda a vingança deles deveria cair sobre aquele menino, pois ele tinha começado e nunca parava. Os filhotes estavam muito irritados e, quanto mais cresciam, menos queriam suportar aquilo. Por fim, a mãe teve de prometer que eles se vingariam, mas ela só faria isso no último dia em que estivessem naquele país.

— Primeiro precisamos ver como vocês se saem nas grandes manobras! Se saírem mal e o general lhes enfiar o bico no peito, então os meninos terão razão, ao menos de certa maneira! Vamos ver!

— Pois vai ver! — disseram os filhotes.

Eles se empenharam de verdade. Praticavam todos os dias e voavam com tanta beleza e leveza que dava gosto.

Chegou o outono, e todas as cegonhas começaram a se reunir para partir para os países quentes, enquanto aqui temos inverno. Que manobras! Tinham de passar por cima de florestas e cidades, só para mostrar como sabiam voar, pois uma grande viagem as esperava. Os filhotes fizeram tudo tão bem que receberam “Excelente, com rã e cobra”. Era a melhor nota de todas, e eles podiam comer a rã e a cobra. Foi o que fizeram.

— Agora precisamos nos vingar! — disseram.

— Certamente! — respondeu a mãe. — O que planejei é exatamente o que convém! Sei onde fica o lago em que estão todos os bebezinhos humanos, até que a cegonha venha buscá-los para seus pais. Os lindos bebezinhos dormem e sonham com uma beleza com que nunca mais sonharão. Todos os pais gostariam de ter um bebê assim, e todas as crianças querem uma irmã ou um irmão. Agora voaremos até o lago e buscaremos um para cada criança que não cantou a cantiga maldosa nem zombou das cegonhas. As outras crianças não receberão nenhum!

— Mas e aquele que começou a cantar, o menino mau e horrível? — gritaram as jovens cegonhas. — O que faremos com ele?

— Há no lago um bebezinho morto; ele morreu de tanto sonhar. Vamos levá-lo para aquele menino: assim terá de chorar porque lhe trouxemos um irmãozinho morto. Mas o menino bom, vocês não esqueceram dele, aquele que disse: “É maldade zombar dos animais!” Para ele levaremos um irmão e uma irmã. E, como aquele menino se chamava Peter, vocês todos também se chamarão Peter!

E aconteceu o que ela disse. Todas as cegonhas passaram a se chamar Peter, e ainda hoje são chamadas assim.


Sobre esta edição

Obra
Storkene
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Storkene

Eventyr, fortalte for Børn · Ny Samling · Andet Hefte · 1839 · Dinamarquês · Ny Samling · Andet Hefte · rosto de 1839
Volume Ny Samling · Andet Hefte. Página 43–53. Consultar esta edição ↗
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Paa det sidste Huus i en lille By stod der en Storkerede. Storkemoderen sad i Reden hos sine fire smaa Unger, der stak Hovedet frem med det lille sorte Næb, for det var ikke blevet rødt endnu. Et lille Stykke derfra paa Tagryggen stod saa strunk og stiv Storkefaderen, han havde trukket det ene Been op under sig, for dog at have nogen Uleilighed, idet han stod Skildvagt. Man skulde troe, han var hugget ud af Træ, saa stille stod han; „det seer vist nok saa fornemt ud, at min Kone har en Skildvagt ved Reden!“ tænkte han, „de kan jo ikke vide, at jeg er hendes Mand, de troe vist, jeg er commanderet til at staae her. Det seer saa raskt ud!“ og saa blev han ved at staae paa det ene Been.

Nede paa Gaden legede en heel Flok Børn, og da de saae Storkene, saa sang en af de modigste Drenge, og siden de Allesammen, det gamle Vers om Storkene, men de sang det nu, som han kunde huske det:

„Storke, Storke Steie Flyv hjem til dit Eie! Din Kone ligger i Reden sin Med fire store Unger. Den ene skal hænges, Den anden skal stænges, Den tredie skal brændes, Den fjerde endevendes!“

„Hør dog hvad Drengene synge!“ sagde de smaa Storkeunger, „de sige vi skulle hænges og brændes!“

„Det skal I ikke bryde Eder om!“ sagde Storkemoderen; „hør bare ikke efter, saa gjør det ikke noget!“

Men Drengene bleve ved at synge, og de pegede Fingre af Storkene; kun een Dreng, han hed Peter, sagde, at det var Synd at gjøre Nar af Dyrene, og vilde slet ikke være med. Storkemoderen trøstede ogsaa sine Unger; „bryd Jer ikke derom,“ sagde hun, „see bare, hvor rolig Jer Fader staaer, og det paa eet Been!“

„Vi ere saa angst!“ sagde Ungerne, og trak Hovederne dybt ned i Reden.

Næste Dag, da Børnene kom sammen igjen for at lege, og de saae Storkene, begyndte de deres Vise:

„Den ene skal hænges, Den anden skal brændes! —“

„Skal vi vel hænges og brændes?“ spurgte Storkeungerne.

„Nei vist ikke!“ sagde Moderen, „I skal lære at flyve, jeg skal nok exercere Jer! saa tage vi ud paa Engen og gjøre Visit hos Frøerne, de neie i Vandet for os, de synge „koax, koax!“ og saa spise vi dem op, det kan rigtig blive en Fornøielse!“

„Og hvad saa!“ spurgte Storke-Ungerne.

„Saa samles alle de Storke, her ere i hele Landet, og saa begynder Høstmaneuvren, da maa man flyve godt, det er af stor Vigtighed, thi den som ikke kan flyve, stikker Generalen ihjel med sit Næb; derfor pas vel paa at lære Noget, naar Exercitsen begynder!“

„Saa blive vi jo dog stængede, som Drengene sagde! og hør, nu synge de det igjen!“

„Hør paa mig og ikke paa dem,“ sagde Storkemoderen. „Efter den store Maneuvre flyve vi til de varme Lande, o saa langt herfra, over Bjerge og Skov. Til Ægypten flyve vi, hvor der er trekantede Steenhuse, der gaae i en Spids op over Skyerne, de kaldes Pyramider og ere ældre end nogen Stork kan tænke sig. Der er en Flod, som løber over, saa Landet bliver til Mudder. Man gaaer i Mudderet og spiser Frøer.“

„O!“ sagde alle Ungerne.

„Ja! der er saa deiligt! man gjør ikke andet end spise hele Dagen, og imens vi har det saa godt, er i dette Land ikke et grønt Blad paa Træerne; her er saa koldt, saa Skyerne fryse i Stykker og falde ned i smaa hvide Lapper!“ det var Sneen, hun meente, men hun kunde jo ikke forklare det tydeligere.

„Fryse saa ogsaa de uartige Drenge i Stykker?“ spurgte Storkeungerne.

„Nei! i Stykker fryse de ikke! men de ere nær ved det og maa sidde inde i den mørke Stue og mukkelure; I kan derimod flyve om i fremmed Land, hvor der er Blomster og varmt Solskin!“

Nu var der allerede gaaet nogen Tid, og Ungerne vare saa store, at de kunde staae op i Reden og see vidt omkring, og Storkefaderen kom flyvende hver Dag med pæne Frøer, smaa Snoge og alt det Storke-Slikkeri, han kunde finde! O, det saae morsomt ud, hvor han gjorde Kunster for dem. Hovedet lagde han lige om paa Halen, Næbbet knebrede han med som var det en lille Skralde, og saa fortalte han dem Historier, allesammen fra Sumpen.

„Hør nu maae I lære at flyve!“ sagde en Dag Storkemoderen, og saa maatte alle fire Unger ud paa Tagryggen, o hvor de dinglede! hvor de balancerede med Vingerne, og vare dog færdig at falde ned!

„See nu paa mig!“ sagde Moderen, „saadan skal I holde Hovedet! saadan skal I sætte Benene! een to! een to! det er det, som skal hjelpe Jer frem i Verden!“ saa fløi hun et lille Stykke, og Ungerne, de gjorde et lille kluntet Hop, bums! der laae de, for de vare tunge i Livet.

„Jeg vil ikke flyve!“ sagde den ene Unge, og krøb op i Reden igjen, „jeg bryder mig ikke om at komme til de varme Lande!“

„Vil du da fryse ihjel her, naar det bliver Vinter! skal Drengene komme og hænge og brænde og stege dig? nu kalder jeg paa dem!“

„O nei!“ sagde Storkeungen, og saa hoppede han igjen paa Taget ligesom de Andre, den tredie Dag kunde de ordentlig flyve lidt, og saa troede de, at de kunde ogsaa sidde og hvile paa Luften; det vilde de, men bums! der dumpede de, saa maatte de til at røre Vingerne igjen. Nu kom Drengene nede paa Gaden og sang deres Vise:

„Storke, Storke Steie!“

„Skulde vi ikke flyve ned og hugge deres Øine ud?“ sagde Ungerne.

„Nei lad være med det!“ sagde Moderen, „hør bare efter mig, det er meget vigtigere! een, to, tre! nu flyve vi høire om! een, to, tre! nu venstre om Skorstenen! — see det var meget godt! det sidste Slag med Vingerne var saa nydeligt og rigtigt, at I skal faae Lov at komme i Sumpen med mig imorgen! der komme flere nette Storkefamilier med deres Børn, lad mig nu see, at mine ere de pæneste, og saa at I kneise, det seer godt ud, og det giver Anseelse!“

„Men skal vi da ikke have Hævn over de uartige Drenge?“ spurgte Storkeungerne.

„Lad dem skrige hvad de ville! I flyve dog mod Skyerne, komme til Pyramidernes Land naar de maae fryse og ikke have et grønt Blad eller et sødt Æble!“

„Ja hævnes ville vi!“ hviskede de til hinanden, og saa blev der igjen exerceret.

Af alle Drengene paa Gaden var Ingen værre til at synge Spottevisen, end just han, som havde begyndt, og det var en ganske lille Een, han var nok ikke mere end sex Aar; Storkeungerne troede rigtignok, at han var hundrede Aar, for han var jo saa meget større end deres Moder og Fader, og hvad vidste de om, hvor gamle Børn og store Mennesker kunde være. Hele deres Hævn skulde gaae ud over den Dreng, han havde jo først begyndt, og han blev altid ved: Storkeungerne vare saa irriterede, og alt som de bleve større, vilde de mindre taale det; Moderen maatte tilsidst love dem, at de nok skulde faae Hævn, men hun vilde ikke tage den, før paa den sidste Dag, de vare der i Landet.

„Vi maae jo først see, hvorledes I bære Jer ad ved den store Maneuvre! komme I galt fra det, saa Generalen jager Jer Næbet i Brystet, saa have jo Drengene dog Ret, i det mindste paa een Maade! lad os nu see!“

„Ja det skal du!“ sagde Ungerne, og saa gjorde de sig just Umage; de øvede sig hver Dag, og fløi saa nydeligt og let, at det var en Lyst.

Nu kom Høsten, alle Storkene begyndte at samles for at flyve bort til de varme Lande, mens vi have Vinter. Det var en Maneuvre! over Skove og Byer maatte de, bare for at see, hvor godt de kunde flyve, det var jo en stor Reise, som forestod. Storkeungerne gjorde deres Ting saa nydeligt, at de fik Udmærket Godt med Frø og Slange. Det var den allerbedste Characteer, og Frøen og Slangen kunde de spise, det gjorde de ogsaa.

„Nu skulde vi hævnes!“ sagde de.

„Ja vist!“ sagde Storkemoderen. „Hvad jeg har udtænkt, det er just det rigtige! jeg veed, hvor den Dam er, hvor alle de smaa Menneskebørn ligge, til Storken kommer og henter dem til Forældrene. De nydelige smaa Børn sove og drømme saa deiligt, som de aldrig siden komme til at drømme. Alle Forældre ville gjerne have saadant et lille Barn, og alle Børn ville have en Søster eller Broder. Nu ville vi flyve hen til Dammen, hente en til hver af de Børn, som ikke have sjunget den onde Vise og gjort Nar af Storkene, for de Børn skulle slet ingen have!

„Men han, som begyndte med at synge, den slemme, hæslige Dreng!“ skrege de unge Storke, „hvad gjøre vi ved ham?“

„Der ligger i Dammen et lille dødt Barn, det har drømt sig ihjel; det vil vi tage til ham, saa maa han græde, fordi vi have bragt ham en død lille Broder, men den gode Dreng, ham har I dog ikke glemt, han som sagde: „det er Synd at gjøre Nar af Dyrene!“ ham ville vi bringe baade en Broder og en Søster, og da den Dreng hed Peter, saa skulle I ogsaa Allesammen kaldes Peter!

Og det skete hvad hun sagde, og saa hed alle Storkene Peter, og det kaldes de endnu.

As cegonhas

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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