KHM 21
Cinderela
Aschenputtel
Sobre este conto
Depois da morte da mãe e do novo casamento do pai, uma menina passa a trabalhar na cozinha e a dormir nas cinzas, sendo chamada de Cinderela. Ela planta um ramo no túmulo da mãe e recebe a ajuda de um passarinho. Quando o rei convida as moças do país para uma festa de três dias, Cinderela também quer ir, mas a madrasta lhe impõe tarefas e a impede de acompanhar as irmãs.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Cinderela, filha de um homem rico, obrigada a trabalhar e dormir nas cinzas, Mãe de Cinderela, que morre no início, Pai de Cinderela, que volta a se casar e lhe traz um ramo de aveleira, Madrasta de Cinderela, Duas filhas da madrasta, a mais velha e a mais nova, Rei que organiza a festa para o filho escolher uma noiva, Filho do rei, que dança com Cinderela e procura a dona do sapato, Passarinho branco que atende aos desejos junto à aveleira, Duas pombinhas brancas, rolinhas e outros passarinhos que ajudam a separar lentilhas
- Onde se passa
- Casa da família, com cozinha, cinzas junto ao fogão, pombal e jardim com pereira; túmulo da mãe onde cresce uma aveleira; castelo do rei e sua escadaria; igreja na cerimônia final. O país não é nomeado.
- Acontecimentos
- A mãe pede à filha que continue piedosa e boa e morre. O pai se casa novamente; a madrasta e as duas filhas obrigam Cinderela a trabalhar e dormir nas cinzas.
- O pai traz um ramo de aveleira. Cinderela o planta no túmulo da mãe, rega-o com lágrimas e vai ali três vezes por dia, chorando e rezando; um passarinho atende a seus desejos.
- A madrasta exige uma tigela de lentilhas em duas horas, depois duas em uma hora. As aves terminam a primeira tarefa em uma hora e a segunda antes de meia hora; mesmo assim, Cinderela não pode acompanhá-las.
- Com roupas recebidas do passarinho, Cinderela dança nos três dias. Escapa pelo pombal e pela pereira, que o pai destrói; no terceiro dia, perde o sapatinho esquerdo de ouro na escada coberta de pez.
- A mãe manda uma filha cortar o dedo e a outra cortar parte do calcanhar para calçar o sapato. O filho do rei parte com cada falsa noiva, mas as pombinhas apontam o sangue e ele as devolve.
- Cinderela lava mãos e rosto e experimenta o sapato, que serve perfeitamente. É reconhecida como a moça da festa e parte a cavalo; as duas pombinhas brancas pousam em seus ombros.
- Desfecho
- Na celebração do casamento de Cinderela com o filho do rei, as irmãs tentam agradá-la e participar de sua felicidade. A mais velha acompanha os noivos à direita e a mais nova à esquerda; as pombas arrancam um olho de cada uma. Na saída da igreja, as posições se invertem e as aves arrancam o outro olho de ambas. O narrador diz que ficam cegas pelo resto da vida, como castigo por sua maldade e falsidade.
A mulher de um homem rico adoeceu. Ao sentir que seu fim se aproximava, chamou a única filhinha para junto da cama e disse: “Querida filha, continue piedosa e boa. Assim, o bom Deus sempre a ajudará, e eu olharei por você lá do céu e estarei ao seu redor.” Então fechou os olhos e morreu. A menina ia todos os dias ao túmulo da mãe, chorava e continuava piedosa e boa. Quando chegou o inverno, a neve cobriu o túmulo com um lencinho branco. Na primavera, depois que o sol o retirou de novo, o homem tomou outra mulher.
A mulher trouxe para casa duas filhas, belas e brancas de rosto, mas feias e negras de coração. Começou então um tempo terrível para a pobre enteada. “Essa gansa boba vai ficar sentada conosco na sala?”, diziam. “Quem quer comer pão precisa merecê-lo. Fora daqui com a criada da cozinha!” Tiraram-lhe as roupas bonitas, vestiram nela uma velha bata cinzenta e lhe deram sapatos de madeira. “Vejam só a orgulhosa princesa, como está enfeitada!”, gritavam, rindo, e a levaram para a cozinha. Ali, ela tinha de fazer trabalhos pesados de manhã até a noite: levantar antes de amanhecer, carregar água, acender o fogo, cozinhar e lavar. Além disso, as irmãs lhe causavam todos os sofrimentos imagináveis, zombavam dela e despejavam ervilhas e lentilhas nas cinzas, obrigando-a a ficar sentada, separando-as outra vez. À noite, quando estava exausta de tanto trabalhar, não ia para uma cama: precisava deitar nas cinzas, junto ao fogão. E, como por isso estava sempre empoeirada e suja, passaram a chamá-la de Cinderela.
Certa vez, o pai quis ir a uma feira e perguntou às duas enteadas o que deveria trazer para elas. “Roupas bonitas”, disse uma; “pérolas e pedras preciosas”, disse a outra. “E você, Cinderela”, perguntou ele, “o que quer ganhar?” “Pai, quebre para mim o primeiro ramo que bater no seu chapéu quando estiver voltando para casa.” Ele comprou roupas bonitas, pérolas e pedras preciosas para as duas irmãs. No caminho de volta, ao passar a cavalo por um arbusto verde, um ramo de aveleira roçou nele e lhe derrubou o chapéu. Ele quebrou o ramo e o levou consigo. Quando chegou em casa, deu às enteadas o que haviam pedido e entregou a Cinderela o ramo da aveleira. Cinderela agradeceu, foi ao túmulo da mãe e plantou ali o ramo. Chorou tanto que as lágrimas caíram sobre ele e o regaram. O ramo cresceu e se tornou uma bela árvore. Cinderela ia até ela três vezes por dia, chorava e rezava. Todas as vezes, um passarinho branco pousava na árvore e, quando ela expressava um desejo, o passarinho lhe jogava o que havia pedido.
Aconteceu que o rei organizou uma festa que deveria durar três dias. Todas as belas moças do país foram convidadas, para que seu filho pudesse escolher uma noiva. As duas irmãs ficaram muito contentes ao saber que também deveriam comparecer. Chamaram Cinderela e disseram: “Penteie nossos cabelos, escove nossos sapatos e aperte nossas fivelas. Vamos à festa no castelo do rei.” Cinderela obedeceu, mas chorou, pois também gostaria muito de ir dançar, e pediu à madrasta que deixasse. “Você, Cinderela”, disse ela, “coberta de poeira e sujeira, quer ir à festa? Não tem roupas nem sapatos e quer dançar!” Como a menina continuasse a implorar, ela disse por fim: “Despejei uma tigela de lentilhas nas cinzas. Se conseguir separar todas em duas horas, poderá ir conosco.” A menina saiu pela porta dos fundos para o jardim e chamou: “Pombinhas mansas, rolinhas, todos os passarinhos debaixo do céu, venham me ajudar a separar:
as boas na panelinha,
as ruins no papinho.”
Duas pombinhas brancas entraram pela janela da cozinha; depois vieram as rolinhas e, por fim, todos os passarinhos debaixo do céu chegaram voando e esvoaçando e pousaram ao redor das cinzas. As pombinhas balançavam a cabeça e começaram: pic, pic, pic, pic. Os outros também começaram: pic, pic, pic, pic, e puseram todos os grãozinhos bons na tigela. Mal se passara uma hora, já haviam terminado e voaram todos para fora outra vez. A menina levou a tigela à madrasta, contente, acreditando que agora poderia ir à festa. Mas ela disse: “Não, Cinderela, você não tem roupas e não sabe dançar. Só vão rir de você.” Como a menina chorasse, ela disse: “Se conseguir separar para mim duas tigelas cheias de lentilhas das cinzas em uma hora, poderá ir conosco.” E pensou: “Isso ela nunca conseguirá.” Depois que despejou as duas tigelas de lentilhas nas cinzas, a menina saiu pela porta dos fundos para o jardim e chamou: “Pombinhas mansas, rolinhas, todos os passarinhos debaixo do céu, venham me ajudar a separar:
as boas na panelinha,
as ruins no papinho.”
Duas pombinhas brancas entraram pela janela da cozinha, depois vieram as rolinhas e, por fim, todos os passarinhos debaixo do céu chegaram voando e esvoaçando e pousaram ao redor das cinzas. As pombinhas balançavam a cabeça e começaram: pic, pic, pic, pic. Os outros também começaram: pic, pic, pic, pic, e puseram todos os grãos bons nas tigelas. Antes de passar meia hora, já haviam terminado e voaram todos para fora outra vez. A menina levou as tigelas à madrasta, contente, acreditando que agora poderia ir à festa. Mas ela disse: “Não adianta nada. Você não vai conosco, porque não tem roupas e não sabe dançar. Teríamos vergonha de você.” Deu-lhe as costas e saiu apressada com suas duas filhas orgulhosas.
Quando já não havia ninguém em casa, Cinderela foi ao túmulo da mãe, debaixo da aveleira, e chamou:
“Arvorezinha, balance e se sacuda,
jogue ouro e prata sobre mim.”
O passarinho lhe jogou um vestido de ouro e prata e sapatinhos bordados com seda e prata. Ela vestiu a roupa às pressas e foi à festa. As irmãs e a madrasta não a reconheceram e acharam que devia ser uma princesa de outro lugar, tão bonita ela estava com o vestido dourado. Nem pensaram em Cinderela: acreditavam que estivesse em casa, na sujeira, separando lentilhas das cinzas. O filho do rei veio ao encontro dela, tomou-a pela mão e dançou com ela. Não queria dançar com mais ninguém e não lhe soltava a mão. Quando outro vinha convidá-la, dizia: “Esta é minha dançarina.”
Ela dançou até anoitecer e então quis voltar para casa. Mas o filho do rei disse: “Vou com você, vou acompanhá-la”, pois queria ver a que família pertencia aquela bela moça. Ela, porém, escapou dele e entrou de um salto no pombal. O filho do rei esperou o pai chegar e lhe disse que a moça desconhecida havia saltado para dentro do pombal. O velho pensou: “Será que é Cinderela?” Tiveram de lhe trazer machado e picareta para que pudesse despedaçar o pombal, mas não havia ninguém lá dentro. Quando entraram em casa, Cinderela estava deitada nas cinzas com suas roupas sujas, e uma fraca lamparina de óleo ardia na chaminé. Ela havia saltado depressa pela parte de trás do pombal e corrido até a aveleirinha. Ali, tirara as belas roupas e as colocara sobre o túmulo; o passarinho as levara outra vez. Depois, de bata cinzenta, sentara-se na cozinha, nas cinzas.
No dia seguinte, quando a festa recomeçou e os pais e as irmãs já haviam saído outra vez, Cinderela foi até a aveleira e disse:
“Arvorezinha, balance e se sacuda,
jogue ouro e prata sobre mim.”
O passarinho lhe jogou um vestido ainda muito mais suntuoso que o do dia anterior. Quando ela apareceu na festa com aquele vestido, todos ficaram admirados com sua beleza. O filho do rei esperara por ela, tomou-a logo pela mão e dançou somente com ela. Quando os outros vinham convidá-la, dizia: “Esta é minha dançarina.” Ao anoitecer, ela quis ir embora. O filho do rei a seguiu para ver em que casa entrava, mas ela escapou dele e correu para o jardim atrás da casa. Ali havia uma grande e bela árvore, carregada das mais magníficas peras. Ela subiu pelos galhos tão depressa quanto um esquilo, e o filho do rei não soube onde havia se metido. Esperou o pai chegar e lhe disse: “A moça desconhecida escapou de mim, e acho que subiu na pereira.” O pai pensou: “Será que é Cinderela?” Mandou buscar o machado e derrubou a árvore, mas não havia ninguém nela. Quando chegaram à cozinha, Cinderela estava deitada nas cinzas como sempre: havia descido da árvore pelo outro lado, devolvido as belas roupas ao passarinho na aveleirinha e vestido sua bata cinzenta.
No terceiro dia, depois que os pais e as irmãs saíram, Cinderela voltou ao túmulo da mãe e disse à arvorezinha:
“Arvorezinha, balance e se sacuda,
jogue ouro e prata sobre mim.”
O passarinho lhe jogou um vestido tão magnífico e reluzente como nenhum que ela tivera antes, e os sapatinhos eram inteiramente de ouro. Quando chegou à festa com aquele vestido, ninguém sabia o que dizer de tanta admiração. O filho do rei dançou somente com ela e, quando alguém a convidava, dizia: “Esta é minha dançarina.”
Ao anoitecer, Cinderela quis ir embora, e o filho do rei quis acompanhá-la. Ela, porém, escapou tão depressa que ele não pôde segui-la. Mas o filho do rei havia usado de astúcia: mandara cobrir toda a escadaria com pez. Quando a menina desceu correndo, seu sapatinho esquerdo ficou preso. O filho do rei o apanhou: era pequeno, delicado e inteiramente de ouro. Na manhã seguinte, levou-o ao homem e disse: “Nenhuma outra será minha esposa senão aquela em cujo pé este sapato de ouro servir.” As duas irmãs ficaram contentes, porque tinham pés bonitos. A mais velha levou o sapato para o quarto e quis experimentá-lo, com a mãe ao lado. Mas não conseguia enfiar o dedão, pois o sapato era pequeno demais. A mãe lhe deu uma faca e disse: “Corte o dedo. Quando for rainha, não precisará mais andar a pé.” A moça cortou o dedo, forçou o pé dentro do sapato, conteve a dor e foi ao encontro do filho do rei. Ele a tomou como noiva, colocou-a no cavalo e partiu com ela. Mas tiveram de passar pelo túmulo, onde as duas pombinhas estavam na aveleirinha e chamaram:
“Rucu-di-gucu, rucu-di-gucu,
há sangue no sapato:
o sapato é pequeno demais,
a noiva certa ainda está em casa.”
Ele olhou para o pé dela e viu o sangue jorrar. Virou o cavalo, levou a falsa noiva de volta para casa e disse que não era a certa: a outra irmã deveria experimentar o sapato. Ela foi para o quarto e conseguiu enfiar os dedos, mas o calcanhar era grande demais. A mãe lhe deu uma faca e disse: “Corte um pedaço do calcanhar. Quando for rainha, não precisará mais andar a pé.” A moça cortou um pedaço do calcanhar, forçou o pé dentro do sapato, conteve a dor e foi ao encontro do filho do rei. Ele a tomou como noiva, colocou-a no cavalo e partiu com ela. Ao passarem pela aveleirinha, as duas pombinhas estavam nela e chamaram:
“Rucu-di-gucu, rucu-di-gucu,
há sangue no sapato:
o sapato é pequeno demais,
a noiva certa ainda está em casa.”
Ele olhou para o pé dela e viu o sangue sair do sapato e subir pelas meias brancas, que estavam inteiramente vermelhas. Virou o cavalo e levou a falsa noiva de volta para casa. “Esta também não é a certa”, disse. “Não têm outra filha?” “Não”, disse o homem. “Da minha falecida mulher só resta uma Cinderela pequena e mirrada. Não pode ser a noiva de jeito nenhum.” O filho do rei pediu que a mandassem subir, mas a mãe respondeu: “Ah, não, ela é suja demais, não pode aparecer.” Ele, porém, insistiu, e tiveram de chamar Cinderela. Primeiro ela lavou bem as mãos e o rosto, depois foi até o filho do rei e se inclinou diante dele. Ele lhe entregou o sapato de ouro. Ela se sentou num banquinho, tirou o pé do pesado sapato de madeira e o pôs no sapatinho, que lhe serviu como uma luva. Quando ela se levantou e o rei lhe olhou o rosto, reconheceu a bela moça com quem havia dançado e exclamou: “Esta é a noiva certa!” A madrasta e as duas irmãs se assustaram e ficaram pálidas de raiva. Ele, porém, colocou Cinderela no cavalo e partiu com ela. Ao passarem pela aveleirinha, as duas pombinhas brancas chamaram:
“Rucu-di-gucu, rucu-di-gucu,
não há sangue no sapato:
o sapato não é pequeno demais,
ele leva para casa a noiva certa.”
Depois de dizerem isso, as duas desceram voando, pousaram nos ombros de Cinderela, uma à direita, outra à esquerda, e ali ficaram.
Quando chegou a hora do casamento com o filho do rei, as falsas irmãs vieram querendo agradar e participar da felicidade dela. Ao irem os noivos para a igreja, a mais velha estava à direita e a mais nova à esquerda. As pombas arrancaram, a bicadas, um olho de cada uma. Depois, quando saíram, a mais velha estava à esquerda e a mais nova à direita: as pombas arrancaram, a bicadas, o outro olho de cada uma. Assim, foram castigadas por sua maldade e falsidade com a cegueira pelo resto da vida.
Sobre esta edição
- Obra
- Aschenputtel
- Autoria original
- Irmãos Grimm
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Publicação
- 30/10/2026
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Aschenputtel
Ler o original em alemão
Einem reichen Manne dem wurde seine Frau krank, und als sie fühlte daß ihr Ende heran kam, rief sie ihr einziges Töchterlein zu sich ans Bett und sprach ‘liebes Kind, bleib fromm und gut, so wird dir der liebe Gott immer beistehen, und ich will vom Himmel auf dich herabblicken, und will um dich sein.’ Darauf that sie die Augen zu und verschied. Das Mädchen gieng jeden Tag hinaus zu dem Grabe der Mutter und weinte, und blieb fromm und gut. Als der Winter kam, deckte der Schnee ein weißes Tüchlein auf das Grab, und als die Sonne im Frühjahr es wieder herabgezogen hatte, nahm sich der Mann eine andere Frau.
Die Frau hatte zwei Töchter mit ins Haus gebracht, die schön und weiß von Angesicht waren, aber garstig und schwarz von Herzen. Da gieng eine schlimme Zeit für das arme Stiefkind an. ‘Soll die dumme Gans bei uns in der Stube sitzen!’ sprachen sie, ‘wer Brot essen will, muß es verdienen: hinaus mit der Küchenmagd.’ Sie nahmen ihm seine schönen Kleider weg, zogen ihm einen grauen alten Kittel an, und gaben ihm hölzerne Schuhe. ‘Seht einmal die stolze Prinzessin, wie sie geputzt ist!’ riefen sie, lachten und führten es in die Küche. Da mußte es von Morgen bis Abend schwere Arbeit thun, früh vor Tag aufstehn, Wasser tragen, Feuer anmachen, kochen und waschen. Obendrein thaten ihm die Schwestern alles ersinnliche Herzeleid an, verspotteten es und schütteten ihm die Erbsen und Linsen in die Asche, so daß es sitzen und sie wieder auslesen mußte. Abends, wenn es sich müde gearbeitet hatte, kam es in kein Bett, sondern mußte sich neben den Herd in die Asche legen. Und weil es darum immer staubig und schmutzig aussah, nannten sie es Aschenputtel.
Es trug sich zu, daß der Vater einmal in die Messe ziehen wollte, da fragte er die beiden Stieftöchter was er ihnen mitbringen sollte? ‘Schöne Kleider’ sagte die eine, ‘Perlen und Edelsteine’ die zweite. ‘Aber du, Aschenputtel,’ sprach er, ‘was willst du haben?’ ‘Vater, das erste Reis, das euch auf eurem Heimweg an den Hut stößt, das brecht für mich ab.’ Er kaufte nun für die beiden Stiefschwestern schöne Kleider, Perlen und Edelsteine, und auf dem Rückweg, als er durch einen grünen Busch ritt, streifte ihn ein Haselreis und stieß ihm den Hut ab. Da brach er das Reis ab und nahm es mit. Als er nach Haus kam, gab er den Stieftöchtern was sie sich gewünscht hatten, und dem Aschenputtel gab er das Reis von dem Haselbusch. Aschenputtel dankte ihm, gieng zu seiner Mutter Grab und pflanzte das Reis darauf, und weinte so sehr, daß die Thränen darauf niederfielen und es begossen. Es wuchs aber, und ward ein schöner Baum. Aschenputtel gieng alle Tage dreimal darunter, weinte und betete, und allemal kam ein weißes Vöglein auf den Baum, und wenn es einen Wunsch aussprach, so warf ihm das Vöglein herab was es sich gewünscht hatte.
Es begab sich aber, daß der König ein Fest anstellte, das drei Tage dauern sollte, und wozu alle schönen Jungfrauen im Lande eingeladen wurden, damit sich sein Sohn eine Braut aussuchen möchte. Die zwei Stiefschwestern als sie hörten daß sie auch dabei erscheinen sollten, waren guter Dinge, riefen Aschenputtel, und sprachen ‘kämm uns die Haare, bürste uns die Schuhe und mache uns die Schnallen fest, wir gehen zur Hochzeit auf des Königs Schloß.’ Aschenputtel gehorchte, weinte aber, weil es auch gern zum Tanz mitgegangen wäre, und bat die Stiefmutter sie möchte es ihm erlauben. ‘Du Aschenputtel,’ sprach sie, ‘bist voll Staub und Schmutz und willst zur Hochzeit? du hast keine Kleider und Schuhe, und willst tanzen!’ Als es aber mit Bitten anhielt, sprach sie endlich ‘da habe ich dir eine Schüssel Linsen in die Asche geschüttet, wenn du die Linsen in zwei Stunden wieder ausgelesen hast, so sollst du mitgehen.’ Das Mädchen gieng durch die Hinterthüre nach dem Garten und rief ‘ihr zahmen Täubchen, ihr Turteltäubchen, all ihr Vöglein unter dem Himmel, kommt und helft mir lesen,
die guten ins Töpfchen,
die schlechten ins Kröpfchen.’
Da kamen zum Küchenfenster zwei weiße Täubchen herein, und danach die Turteltäubchen, und endlich schwirrten und schwärmten alle Vöglein unter dem Himmel herein, und ließen sich um die Asche nieder. Und die Täubchen nickten mit den Köpfchen und fiengen an pik, pik, pik, pik, und da fiengen die übrigen auch an pik, pik, pik, pik, und lasen alle guten Körnlein in die Schüssel. Kaum war eine Stunde herum, so waren sie schon fertig und flogen alle wieder hinaus. Da brachte das Mädchen die Schüssel der Stiefmutter, freute sich und glaubte es dürfte nun mit auf die Hochzeit gehen. Aber sie sprach ‘nein, Aschenputtel, du hast keine Kleider, und kannst nicht tanzen: du wirst nur ausgelacht.’ Als es nun weinte, sprach sie ‘wenn du mir zwei Schüsseln voll Linsen in einer Stunde aus der Asche rein lesen kannst, so sollst du mitgehen,’ und dachte ‘das kann es ja nimmermehr.’ Als sie die zwei Schüsseln Linsen in die Asche geschüttet hatte, gieng das Mädchen durch die Hinterthüre nach dem Garten und rief ‘ihr zahmen Täubchen, ihr Turteltäubchen, all ihr Vöglein unter dem Himmel, kommt und helft mir lesen,
die guten ins Töpfchen,
die schlechten ins Kröpfchen.’
Da kamen zum Küchenfenster zwei weiße Täubchen herein und danach die Turteltäubchen, und endlich schwirrten und schwärmten alle Vöglein unter dem Himmel herein, und ließen sich um die Asche nieder. Und die Täubchen nickten mit ihren Köpfchen und fiengen an pik, pik, pik, pik, und da fiengen die übrigen auch an pik, pik, pik, pik, und lasen alle guten Körner in die Schüsseln. Und eh eine halbe Stunde herum war, waren sie schon fertig, und flogen alle wieder hinaus. Da trug das Mädchen die Schüsseln zu der Stiefmutter, freute sich und glaubte nun dürfte es mit auf die Hochzeit gehen. Aber sie sprach ‘es hilft dir alles nichts: du kommst nicht mit, denn du hast keine Kleider und kannst nicht tanzen; wir müßten uns deiner schämen.’ Darauf kehrte sie ihm den Rücken zu und eilte mit ihren zwei stolzen Töchtern fort.
Als nun niemand mehr daheim war, gieng Aschenputtel zu seiner Mutter Grab unter den Haselbaum und rief
‘Bäumchen, rüttel dich und schüttel dich,
wirf Gold und Silber über mich.’
Da warf ihm der Vogel ein golden und silbern Kleid herunter, und mit Seide und Silber ausgestickte Pantoffeln. In aller Eile zog es das Kleid an und gieng zur Hochzeit. Seine Schwestern aber und die Stiefmutter kannten es nicht, und meinten es müßte eine fremde Königstochter sein, so schön sah es in dem goldenen Kleide aus. An Aschenputtel dachten sie gar nicht und dachten es säße daheim im Schmutz und suchte die Linsen aus der Asche. Der Königssohn kam ihm entgegen, nahm es bei der Hand und tanzte mit ihm. Er wollte auch mit sonst niemand tanzen, also daß er ihm die Hand nicht los ließ, und wenn ein anderer kam, es aufzufordern, sprach er ‘das ist meine Tänzerin.’
Es tanzte bis es Abend war, da wollte es nach Haus gehen. Der Königssohn aber sprach ‘ich gehe mit und begleite dich,’ denn er wollte sehen wem das schöne Mädchen angehörte. Sie entwischte ihm aber und sprang in das Taubenhaus. Nun wartete der Königssohn bis der Vater kam und sagte ihm das fremde Mädchen wär in das Taubenhaus gesprungen. Der Alte dachte ‘sollte es Aschenputtel sein,’ und sie mußten ihm Axt und Hacken bringen, damit er das Taubenhaus entzwei schlagen konnte: aber es war niemand darin. Und als sie ins Haus kamen, lag Aschenputtel in seinen schmutzigen Kleidern in der Asche, und ein trübes Öllämpchen brannte im Schornstein; denn Aschenputtel war geschwind aus dem Taubenhaus hinten herab gesprungen, und war zu dem Haselbäumchen gelaufen: da hatte es die schönen Kleider abgezogen und aufs Grab gelegt, und der Vogel hatte sie wieder weggenommen, und dann hatte es sich in seinem grauen Kittelchen in die Küche zur Asche gesetzt.
Am andern Tag, als das Fest von neuem anhub, und die Eltern und Stiefschwestern wieder fort waren, gieng Aschenputtel zu dem Haselbaum und sprach
‘Bäumchen, rüttel dich und schüttel dich,
wirf Gold und Silber über mich.’
Da warf der Vogel ein noch viel stolzeres Kleid herab, als am vorigen Tag. Und als er mit diesem Kleide auf der Hochzeit erschien, erstaunte jedermann über seine Schönheit. Der Königssohn aber hatte gewartet bis es kam, nahm es gleich bei der Hand und tanzte nur allein mit ihm. Wenn die andern kamen und es aufforderten, sprach er ‘das ist meine Tänzerin.’ Als es nun Abend war, wollte es fort, und der Königssohn gieng ihm nach und wollte sehen in welches Haus es gieng: aber es sprang ihm fort und in den Garten hinter dem Haus. Darin stand ein schöner großer Baum an dem die herrlichsten Birnen hiengen, es kletterte so behend wie ein Eichhörnchen zwischen die Äste, und der Königssohn wußte nicht wo es hingekommen war. Er wartete aber bis der Vater kam und sprach zu ihm ‘das fremde Mädchen ist mir entwischt, und ich glaube es ist auf den Birnbaum gesprungen.’ Der Vater dachte ‘sollte es Aschenputtel sein,’ ließ sich die Axt holen und hieb den Baum um, aber es war niemand darauf. Und als sie in die Küche kamen, lag Aschenputtel da in der Asche, wie sonst auch, denn es war auf der andern Seite vom Baum herabgesprungen, hatte dem Vogel auf dem Haselbäumchen die schönen Kleider wieder gebracht und sein graues Kittelchen angezogen.
Am dritten Tag, als die Eltern und Schwestern fort waren, gieng Aschenputtel wieder zu seiner Mutter Grab und sprach zu dem Bäumchen
‘Bäumchen, rüttel dich und schüttel dich,
wirf Gold und Silber über mich.’
Nun warf ihm der Vogel ein Kleid herab, das war so prächtig und glänzend wie es noch keins gehabt hatte, und die Pantoffeln waren ganz golden. Als es in dem Kleid zu der Hochzeit kam, wußten sie alle nicht was sie vor Verwunderung sagen sollten. Der Königssohn tanzte ganz allein mit ihm, und wenn es einer aufforderte, sprach er ‘das ist meine Tänzerin.’
Als es nun Abend war, wollte Aschenputtel fort, und der Königssohn wollte es begleiten, aber es entsprang ihm so geschwind daß er nicht folgen konnte. Der Königssohn hatte aber eine List gebraucht, und hatte die ganze Treppe mit Pech bestreichen lassen: da war, als es hinabsprang, der linke Pantoffel des Mädchens hängen geblieben. Der Königssohn hob ihn auf, und er war klein und zierlich und ganz golden. Am nächsten Morgen gieng er damit zu dem Mann, und sagte zu ihm ‘keine andere soll meine Gemahlin werden als die, an deren Fuß dieser goldene Schuh paßt.’ Da freuten sich die beiden Schwestern, denn sie hatten schöne Füße. Die Älteste gieng mit dem Schuh in die Kammer und wollte ihn anprobieren, und die Mutter stand dabei. Aber sie konnte mit der großen Zehe nicht hineinkommen, und der Schuh war ihr zu klein, da reichte ihr die Mutter ein Messer und sprach ‘hau die Zehe ab: wann du Königin bist, so brauchst du nicht mehr zu Fuß zu gehen.’ Das Mädchen hieb die Zehe ab, zwängte den Fuß in den Schuh, verbiß den Schmerz und gieng heraus zum Königssohn. Da nahm er sie als seine Braut aufs Pferd, und ritt mit ihr fort. Sie mußten aber an dem Grabe vorbei, da saßen die zwei Täubchen auf dem Haselbäumchen, und riefen
‘rucke di guck, rucke di guck,
Blut ist im Schuck (Schuh):
Der Schuck ist zu klein,
die rechte Braut sitzt noch daheim.’
Da blickte er auf ihren Fuß und sah wie das Blut herausquoll. Er wendete sein Pferd um, brachte die falsche Braut wieder nach Haus und sagte das wäre nicht die rechte, die andere Schwester sollte den Schuh anziehen. Da gieng diese in die Kammer und kam mit den Zehen glücklich in den Schuh, aber die Ferse war zu groß. Da reichte ihr die Mutter ein Messer und sprach ‘hau ein Stück von der Ferse ab: wann du Königin bist, brauchst du nicht mehr zu Fuß zu gehen.’ Das Mädchen hieb ein Stück von der Ferse ab, zwängte den Fuß in den Schuh, verbiß den Schmerz und gieng heraus zum Königssohn. Da nahm er sie als seine Braut aufs Pferd und ritt mit ihr fort. Als sie an dem Haselbäumchen vorbeikamen, saßen die zwei Täubchen darauf und riefen
‘rucke di guck, rucke di guck,
Blut ist im Schuck:
der Schuck ist zu klein,
die rechte Braut sitzt noch daheim.’
Er blickte nieder auf ihren Fuß, und sah wie das Blut aus dem Schuh quoll und an den weißen Strümpfen ganz roth heraufgestiegen war. Da wendete er sein Pferd, und brachte die falsche Braut wieder nach Haus. ‘Das ist auch nicht die rechte,’ sprach er, ‘habt ihr keine andere Tochter?’ ‘Nein,’ sagte der Mann, ‘nur von meiner verstorbenen Frau ist noch ein kleines verbuttetes Aschenputtel da: das kann unmöglich die Braut sein.’ Der Königssohn sprach er sollte es heraufschicken, die Mutter aber antwortete ‘ach nein, das ist viel zu schmutzig, das darf sich nicht sehen lassen.’ Er wollte es aber durchaus haben, und Aschenputtel mußte gerufen werden. Da wusch es sich erst Hände und Angesicht rein, gieng dann hin und neigte sich vor dem Königssohn, der ihm den goldenen Schuh reichte. Dann setzte es sich auf einen Schemel, zog den Fuß aus dem schweren Holzschuh und steckte ihn in den Pantoffel, der war wie angegossen. Und als es sich in die Höhe richtete und der König ihm ins Gesicht sah, so erkannte er das schöne Mädchen, das mit ihm getanzt hatte, und rief ‘das ist die rechte Braut!’ Die Stiefmutter und die beiden Schwestern erschraken und wurden bleich vor Ärger: er aber nahm Aschenputtel aufs Pferd und ritt mit ihm fort. Als sie an dem Haselbäumchen vorbei kamen, riefen die zwei weißen Täubchen
‘rucke di guck, rucke di guck,
kein Blut im Schuck:
der Schuck ist nicht zu klein,
die rechte Braut, die führt er heim.’
Und als sie das gerufen hatten, kamen sie beide herab geflogen und setzten sich dem Aschenputtel auf die Schultern, eine rechts, die andere links, und blieben da sitzen.
Als die Hochzeit mit dem Königssohn sollte gehalten werden, kamen die falschen Schwestern, wollten sich einschmeicheln und Theil an seinem Glück nehmen. Als die Brautleute nun zur Kirche giengen, war die älteste zur rechten, die jüngste zur linken Seite: da pickten die Tauben einer jeden das eine Auge aus. Hernach als sie heraus giengen, war die älteste zur linken und die jüngste zur rechten: da pickten die Tauben einer jeden das andere Auge aus. Und waren sie also für ihre Bosheit und Falschheit mit Blindheit auf ihr Lebtag gestraft.
Cinderela
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