KHM 11
Irmãozinho e irmãzinha
Brüderchen und Schwesterchen
Sobre este conto
Um irmão e uma irmã fogem dos maus-tratos da madrasta e encontram fontes enfeitiçadas na floresta. Ao beber de uma delas, o menino se transforma em corço. A irmã promete não abandoná-lo e passa a cuidar dele numa casinha isolada, até que uma caçada do rei chega à floresta e muda a vida dos dois.
Personagens e estrutura
- Personagens
- O irmãozinho, transformado em corcinho, A irmãzinha, que se torna rainha, A madrasta, uma bruxa, A filha da bruxa, que tem um só olho, O rei, Os caçadores e o caçador que descobre a casinha, O filho recém-nascido do rei e da rainha, A ama que presencia as visitas da rainha, Os guardas do castelo
- Onde se passa
- A casa dos irmãos, a floresta com três fontes enfeitiçadas e uma casinha vazia, e o castelo do rei, incluindo o jardim, o quarto de banho e o quarto da criança.
- Acontecimentos
- Os irmãos fogem da madrasta; a menina ouve os avisos das fontes sobre tigre, lobo e corço, mas o menino bebe da terceira e se transforma.
- A irmã cuida do corcinho na floresta. Em três dias de caçada, ele sai de casa; no segundo é ferido, e um caçador descobre a entrada.
- O rei chega à casinha, pede a menina em casamento e aceita levar o corcinho. Eles se casam e vivem no castelo.
- Após o nascimento do menino, a bruxa e sua filha matam a rainha por sufocamento no quarto de banho e a filha toma seu lugar.
- A verdadeira rainha volta à noite, amamenta o filho e acaricia o corcinho; depois anuncia em versos que suas visitas vão terminar.
- Avisado pela ama, o rei reconhece a esposa. Ela recobra a vida pela graça de Deus e relata o crime; as culpadas são julgadas.
- Desfecho
- Ao ser reconhecida pelo rei, a rainha recupera a vida pela graça de Deus e conta o crime. A filha da bruxa é levada à floresta e despedaçada pelas feras; a bruxa é queimada entre lamentos. Quando a bruxa se reduz a cinzas, o corcinho recupera a forma humana. A irmãzinha e o irmãozinho vivem felizes juntos até o fim de seus dias.
O irmãozinho pegou a irmãzinha pela mão e disse: “Desde que nossa mãe morreu, não tivemos mais uma hora feliz. A madrasta nos bate todos os dias e, quando chegamos perto dela, nos afasta a pontapés. Nossa comida são as cascas duras de pão que sobram, e o cachorrinho debaixo da mesa passa melhor do que nós: de vez em quando ela ainda lhe joga um bom bocado. Que Deus tenha piedade, se nossa mãe soubesse disso! Venha, vamos sair juntos pelo mundo.” Andaram o dia inteiro por prados, campos e pedras, e, quando chovia, a irmãzinha dizia: “Deus e nossos corações estão chorando juntos!” À noite chegaram a uma grande floresta e estavam tão cansados de tristeza, de fome e do longo caminho que se sentaram dentro de uma árvore oca e adormeceram.
Na manhã seguinte, quando acordaram, o sol já estava alto no céu e seus raios quentes entravam pela árvore. Então o irmãozinho disse: “Irmãzinha, estou com sede. Se eu soubesse de uma fonte, iria beber um pouco. Acho que ouvi uma murmurar.” O irmãozinho se levantou, pegou a irmãzinha pela mão e foram procurar a fonte. Mas a madrasta má era uma bruxa e tinha visto muito bem os dois filhos partirem. Seguiu-os às escondidas, sorrateira como andam as bruxas, e enfeitiçou todas as fontes da floresta. Quando encontraram uma fonte cuja água saltava cintilante sobre as pedras, o irmãozinho quis beber dela. Mas a irmãzinha ouviu o que ela dizia em seu murmúrio: “Quem beber de mim se tornará um tigre. Quem beber de mim se tornará um tigre.” Então a irmãzinha gritou: “Por favor, irmãozinho, não beba, senão você vai se tornar uma fera e me despedaçar.” O irmãozinho não bebeu, embora estivesse com tanta sede, e disse: “Vou esperar até a próxima fonte.” Quando chegaram à segunda fonte, a irmãzinha ouviu que ela também dizia: “Quem beber de mim se tornará um lobo. Quem beber de mim se tornará um lobo.” Então a irmãzinha gritou: “Irmãozinho, por favor, não beba, senão você vai se tornar um lobo e me devorar.” O irmãozinho não bebeu e disse: “Vou esperar até chegarmos à próxima fonte, mas então terei de beber, você pode dizer o que quiser: minha sede é grande demais.” E, quando chegaram à terceira fonte, a irmãzinha ouviu o que ela dizia em seu murmúrio: “Quem beber de mim se tornará um corço. Quem beber de mim se tornará um corço.” Então a irmãzinha disse: “Ah, irmãozinho, por favor, não beba, senão você vai se tornar um corço e fugir de mim.” Mas o irmãozinho já se ajoelhara junto à fonte, se inclinara e bebera da água. Assim que as primeiras gotas lhe tocaram os lábios, ali estava ele, transformado em um corcinho.
A irmãzinha chorou pelo pobre irmãozinho enfeitiçado, e o corcinho também chorava, sentado tão triste ao lado dela. Por fim a menina disse: “Sossegue, querido corcinho, eu nunca vou abandonar você.” Então desamarrou sua liga dourada, colocou-a ao redor do pescoço do corcinho, arrancou juncos e trançou com eles uma corda macia. Prendeu nela o bichinho e o levou adiante, entrando cada vez mais fundo na floresta. Depois de andarem por muito, muito tempo, chegaram enfim a uma casinha. A menina olhou para dentro e, como estava vazia, pensou: “Podemos ficar e morar aqui.” Reuniu folhas e musgo para fazer uma cama macia para o corcinho. Todas as manhãs saía para colher raízes, frutos e nozes para si, e trazia capim tenro para ele, que comia de sua mão, contente, e brincava ao seu redor. À noite, quando a irmãzinha estava cansada e já tinha feito sua oração, deitava a cabeça nas costas do corcinho. Esse era seu travesseiro, sobre o qual adormecia suavemente. Se o irmãozinho tivesse sua forma humana, teria sido uma vida maravilhosa.
Assim passaram algum tempo sozinhos na floresta. Aconteceu, porém, que o rei daquele país organizou uma grande caçada ali. O toque das trompas, os latidos dos cães e os gritos alegres dos caçadores ecoavam por entre as árvores. O corcinho ouviu tudo e ficou com muita vontade de participar. “Ah”, disse à irmãzinha, “deixe-me sair para a caçada, não aguento mais”, e pediu tanto que ela consentiu. “Mas”, disse-lhe ela, “volte à noite, sem falta. Vou fechar minha portinha por causa dos caçadores selvagens. Para que eu reconheça você, bata e diga: ‘Minha irmãzinha, deixe-me entrar.’ Se não disser isso, não abrirei a portinha.” O corcinho saltou para fora e se sentiu tão bem, tão alegre ao ar livre! O rei e seus caçadores viram o belo animal e o perseguiram, mas não conseguiam alcançá-lo. Quando pensavam que já o tinham apanhado, ele saltava por cima dos arbustos e desaparecia. Ao escurecer, correu até a casinha, bateu e disse: “Minha irmãzinha, deixe-me entrar.” Abriram-lhe a portinha, ele saltou para dentro e descansou a noite inteira em sua cama macia. Na manhã seguinte a caçada recomeçou. Quando o corcinho ouviu de novo a trompa de caça e o “ô, ô!” dos caçadores, não teve mais sossego e disse: “Irmãzinha, abra para mim, preciso sair.” A irmãzinha abriu a porta e disse: “Mas à noite você tem de estar de volta e dizer sua frase.” Quando o rei e seus caçadores tornaram a ver o corcinho de coleira dourada, todos o perseguiram, mas ele era rápido e ágil demais. Isso durou o dia inteiro. Por fim, à noite, os caçadores o cercaram, e um deles o feriu levemente numa pata, de modo que teve de fugir devagar, mancando. Um caçador o seguiu às escondidas até a casinha e ouviu quando ele chamou: “Minha irmãzinha, deixe-me entrar.” Viu que lhe abriram a porta e logo a fecharam outra vez. O caçador guardou tudo muito bem na memória, foi até o rei e lhe contou o que tinha visto e ouvido. Então o rei disse: “Amanhã haverá outra caçada.”
A irmãzinha levou um grande susto ao ver seu corcinho ferido. Lavou-lhe o sangue, pôs ervas sobre a ferida e disse: “Vá para sua cama, querido corcinho, para sarar.” Mas o ferimento era tão leve que, de manhã, o corcinho já não sentia nada. E, quando ouviu de novo lá fora a animação da caçada, disse: “Não aguento, tenho de participar. Ninguém vai me pegar tão depressa.” A irmãzinha chorou e disse: “Agora vão matar você, e eu vou ficar aqui sozinha na floresta, abandonada por todo mundo. Não vou deixar você sair.” “Então vou morrer aqui de tristeza”, respondeu o corcinho. “Quando ouço a trompa de caça, parece que vou saltar para fora dos sapatos!” A irmãzinha não pôde fazer outra coisa: abriu-lhe a porta com o coração pesado, e o corcinho saltou para a floresta, saudável e alegre. Quando o rei o avistou, disse a seus caçadores: “Agora persigam-no o dia inteiro, até a noite, mas que ninguém lhe faça mal.” Assim que o sol se pôs, o rei disse ao caçador: “Venha agora me mostrar a casinha da floresta.” Diante da portinha, bateu e chamou: “Querida irmãzinha, deixe-me entrar.” A porta se abriu e o rei entrou. Ali estava uma menina tão bonita como nenhuma que ele já tivesse visto. A menina se assustou quando viu que entrava um homem com uma coroa dourada na cabeça, em vez de seu corcinho. Mas o rei a olhou com bondade, estendeu-lhe a mão e disse: “Quer ir comigo para meu castelo e ser minha querida esposa?” “Ah, sim”, respondeu a menina, “mas o corcinho também tem de ir. Eu não o abandono.” O rei disse: “Ele ficará com você enquanto você viver, e nada lhe faltará.” Nesse momento o corcinho entrou saltando. A irmãzinha o prendeu outra vez à corda de juncos, pegou-a na mão e saiu com ele da casinha da floresta.
O rei pôs a bela menina em seu cavalo e a levou ao castelo, onde celebraram o casamento com grande pompa. Agora ela era a rainha, e viveram juntos, felizes, por muito tempo. O corcinho era bem tratado e cuidado e saltava pelo jardim do castelo. Mas a madrasta má, por causa de quem os filhos tinham saído pelo mundo, acreditava que a irmãzinha fora despedaçada pelas feras na floresta e o irmãozinho, como um filhote de corço, morto a tiros pelos caçadores. Quando soube que estavam tão felizes e passavam tão bem, a inveja e o despeito despertaram em seu coração e não lhe deram sossego. Não pensava em outra coisa senão em como ainda poderia levar os dois à desgraça. Sua própria filha, que era feia como a noite e tinha um só olho, a censurava e dizia: “A sorte de me tornar rainha devia ter sido minha.” “Fique quieta”, dizia a velha para acalmá-la. “Quando chegar a hora, estarei pronta.” Quando chegou o momento e a rainha deu à luz um belo menino, o rei estava justamente numa caçada. A velha bruxa tomou a aparência da camareira, entrou no quarto onde a rainha estava deitada e disse à doente: “Venha, o banho está pronto, vai lhe fazer bem e devolver suas forças. Depressa, antes que esfrie.” Sua filha também estava a postos. Carregaram a rainha enfraquecida até o quarto de banho e a deitaram na banheira. Depois trancaram a porta e fugiram. Mas tinham acendido no quarto de banho um verdadeiro fogo do inferno, de modo que a bela e jovem rainha logo teve de morrer sufocada.
Feito isso, a velha pegou a filha, pôs-lhe uma touca e a deitou na cama no lugar da rainha. Também lhe deu a forma e a aparência da rainha; só não pôde devolver-lhe o olho perdido. Para que o rei não percebesse, ela teve de se deitar sobre o lado em que não tinha olho. À noite, quando ele voltou para casa e soube que lhe nascera um filhinho, ficou muito contente e quis ir até a cama de sua querida esposa para ver como estava. Então a velha gritou depressa: “De modo nenhum, deixem as cortinas fechadas! A rainha ainda não pode olhar para a luz e precisa de repouso.” O rei recuou, sem saber que havia uma falsa rainha na cama.
Mas, à meia-noite, quando todos dormiam, a ama, que estava sentada junto ao berço no quarto da criança e era a única ainda acordada, viu a porta se abrir e a verdadeira rainha entrar. Ela tirou a criança do berço, tomou-a nos braços e lhe deu de mamar. Depois sacudiu seu travesseiro, deitou-a novamente no berço e a cobriu com a cobertinha. Também não se esqueceu do corcinho: foi até o canto onde ele estava deitado e lhe acariciou as costas. Em seguida saiu outra vez pela porta, sem dizer palavra. Na manhã seguinte, a ama perguntou aos guardas se alguém tinha entrado no castelo durante a noite, mas eles responderam: “Não, não vimos ninguém.” Assim ela veio por muitas noites, sem nunca dizer uma palavra. A ama sempre a via, mas não tinha coragem de contar nada a ninguém.
Depois que algum tempo se passou, a rainha começou a falar durante a noite e disse:
“Como está meu filho? Como está meu corcinho?
Virei ainda duas vezes, depois nunca mais.”
A ama não lhe respondeu. Mas, quando ela desapareceu outra vez, foi até o rei e lhe contou tudo. O rei disse: “Ah, meu Deus, o que é isso! Na próxima noite vou ficar acordado junto da criança.” À noite foi para o quarto da criança, e à meia-noite a rainha apareceu novamente e disse:
“Como está meu filho? Como está meu corcinho?
Virei ainda uma vez, depois nunca mais.”
Então cuidou da criança como de costume, antes de desaparecer. O rei não teve coragem de lhe dirigir a palavra, mas ficou acordado também na noite seguinte. Ela disse mais uma vez:
“Como está meu filho? Como está meu corcinho?
Venho só mais desta vez, depois nunca mais.”
Então o rei não pôde se conter, correu até ela e disse: “Você não pode ser outra pessoa senão minha querida esposa.” Ela respondeu: “Sim, sou sua querida esposa”, e naquele instante, pela graça de Deus, recobrou a vida: estava viçosa, corada e saudável. Depois contou ao rei o crime que a bruxa má e sua filha tinham cometido contra ela. O rei mandou levar as duas ao tribunal, e foi pronunciada a sentença. A filha foi levada à floresta, onde as feras a despedaçaram; a bruxa foi posta no fogo e teve de morrer queimada entre lamentos. Quando ela ficou reduzida a cinzas, o corcinho se transformou e recuperou sua forma humana. A irmãzinha e o irmãozinho, porém, viveram felizes juntos até o fim de seus dias.
Sobre esta edição
- Obra
- Brüderchen und Schwesterchen
- Autoria original
- Irmãos Grimm
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
Conheça as edições desta história e consulte os textos de origem.
Brüderchen und Schwesterchen
Ler o original em alemão
Brüderchen nahm sein Schwesterchen an der Hand und sprach ‘seit die Mutter todt ist, haben wir keine gute Stunde mehr; die Stiefmutter schlägt uns alle Tage, und wenn wir zu ihr kommen, stößt sie uns mit den Füßen fort. Die harten Brotkrusten, die übrig bleiben, sind unsere Speise, und dem Hündlein unter dem Tisch gehts besser: dem wirft sie doch manchmal einen guten Bissen zu. Daß Gott erbarm, wenn das unsere Mutter wüßte! Komm, wir wollen miteinander in die weite Welt gehen.’ Sie giengen den ganzen Tag über Wiesen, Felder und Steine, und wenn es regnete, sprach das Schwesterchen ‘Gott und unsere Herzen, die weinen zusammen!’ Abends kamen sie in einen großen Wald und waren so müde von Jammer, Hunger und dem langen Weg, daß sie sich in einen hohlen Baum setzten und einschliefen.
Am andern Morgen, als sie aufwachten, stand die Sonne schon hoch am Himmel und schien heiß in den Baum hinein. Da sprach das Brüderchen ‘Schwesterchen, mich dürstet, wenn ich ein Brünnlein wüßte, ich gieng und tränk einmal: ich mein, ich hört eins rauschen.’ Brüderchen stand auf, nahm Schwesterchen an der Hand, und sie wollten das Brünnlein suchen. Die böse Stiefmutter aber war eine Hexe und hatte wohl gesehen wie die beiden Kinder fortgegangen waren, war ihnen nachgeschlichen, heimlich, wie die Hexen schleichen, und hatte alle Brunnen im Walde verwünscht. Als sie nun ein Brünnlein fanden, das so glitzerig über die Steine sprang, wollte das Brüderchen daraus trinken: aber das Schwesterchen hörte wie es im Rauschen sprach ‘wer aus mir trinkt, wird ein Tiger: wer aus mir trinkt, wird ein Tiger.’ Da rief das Schwesterchen ‘ich bitte dich, Brüderchen, trink nicht, sonst wirst du ein wildes Thier und zerreißest mich.’ Das Brüderchen trank nicht, ob es gleich so großen Durst hatte, und sprach ‘ich will warten bis zur nächsten Quelle.’ Als sie zum zweiten Brünnlein kamen, hörte das Schwesterchen wie auch dieses sprach ‘wer aus mir trinkt, wird ein Wolf: wer aus mir trinkt, wird ein Wolf.’ Da rief das Schwesterchen ‘Brüderchen, ich bitte dich, trink nicht, sonst wirst du ein Wolf und frissest mich.’ Das Brüderchen trank nicht und sprach ‘ich will warten, bis wir zur nächsten Quelle kommen, aber dann muß ich trinken, du magst sagen, was du willst: mein Durst ist gar zu groß.’ Und als sie zum dritten Brünnlein kamen, hörte das Schwesterlein wie es im Rauschen sprach ‘wer aus mir trinkt, wird ein Reh: wer aus mir trinkt, wird ein Reh.’ Da sprach das Schwesterchen ‘ach Brüderchen, ich bitte dich, trink nicht, sonst wirst du ein Reh und läufst mir fort.’ Aber das Brüderchen hatte sich gleich beim Brünnlein nieder geknieet, hinab gebeugt und von dem Wasser getrunken, und wie die ersten Tropfen auf seine Lippen gekommen waren, lag es da als ein Rehkälbchen.
Nun weinte das Schwesterchen über das arme verwünschte Brüderchen und das Rehchen weinte auch und saß so traurig neben ihm. Da sprach das Mädchen endlich ‘sei still, liebes Rehchen, ich will dich ja nimmermehr verlassen.’ Dann band es sein goldenes Strumpfband ab und that es dem Rehchen um den Hals, und rupfte Binsen und flocht ein weiches Seil daraus. Daran band es das Thierchen und führte es weiter, und gieng immer tiefer in den Wald hinein. Und als sie lange lange gegangen waren, kamen sie endlich an ein kleines Haus, und das Mädchen schaute hinein, und weil es leer war, dachte es ‘hier können wir bleiben und wohnen.’ Da suchte es dem Rehchen Laub und Moos zu einem weichen Lager, und jeden Morgen gieng es aus und sammelte sich Wurzeln, Beeren und Nüsse, und für das Rehchen brachte es zartes Gras mit, das fraß es ihm aus der Hand, war vergnügt und spielte vor ihm herum. Abends wenn Schwesterchen müde war und sein Gebet gesagt hatte, legte es seinen Kopf auf den Rücken des Rehkälbchens, das war sein Kissen, darauf es sanft einschlief. Und hätte das Brüderchen nur seine menschliche Gestalt gehabt, es wäre ein herrliches Leben gewesen.
Das dauerte eine Zeitlang, daß sie so allein in der Wildnis waren. Es trug sich aber zu, daß der König des Landes eine große Jagd in dem Wald hielt. Da schallte das Hörnerblasen, Hundegebell und das lustige Geschrei der Jäger durch die Bäume, und das Rehlein hörte es und wäre gar zu gerne dabei gewesen. ‘Ach,’ sprach es zum Schwesterlein, ‘laß mich hinaus in die Jagd, ich kanns nicht länger mehr aushalten,’ und bat so lange, bis es einwilligte. ‘Aber,’ sprach es zu ihm, ‘komm mir ja Abends wieder, vor den wilden Jägern schließ ich mein Thürlein; und damit ich dich kenne, so klopf und sprich mein Schwesterlein, laß mich herein: und wenn du nicht so sprichst, so schließ ich mein Thürlein nicht auf.’ Nun sprang das Rehchen hinaus, und war ihm so wohl und war so lustig in freier Luft. Der König und seine Jäger sahen das schöne Thier und setzten ihm nach, aber sie konnten es nicht einholen, und wenn sie meinten, sie hätten es gewiß, da sprang es über das Gebüsch weg und war verschwunden. Als es dunkel ward, lief es zu dem Häuschen, klopfte und sprach ‘mein Schwesterlein, laß mich herein.’ Da ward ihm die kleine Thür aufgethan, es sprang hinein und ruhete sich die ganze Nacht auf seinem weichen Lager aus. Am andern Morgen gieng die Jagd von neuem an, und als das Rehlein wieder das Hifthorn hörte und das ho, ho! der Jäger, da hatte es keine Ruhe, und sprach ‘Schwesterchen, mach mir auf, ich muß hinaus.’ Das Schwesterchen öffnete ihm die Thüre und sprach ‘aber zu Abend mußt du wieder da sein und dein Sprüchlein sagen.’ Als der König und seine Jäger das Rehlein mit dem goldenen Halsband wieder sahen, jagten sie ihm alle nach, aber es war ihnen zu schnell und behend. Das währte den ganzen Tag, endlich aber hatten es die Jäger Abends umringelt, und einer verwundete es ein wenig am Fuß, so daß es hinken mußte und langsam fortlief. Da schlich ihm ein Jäger nach bis zu dem Häuschen und hörte wie es rief ‘mein Schwesterlein, laß mich herein,’ und sah daß die Thür ihm aufgethan und alsbald wieder zugeschlossen ward. Der Jäger behielt das alles wohl im Sinn, gieng zum König und erzählte ihm was er gesehen und gehört hatte. Da sprach der König ‘morgen soll noch einmal gejagt werden.’
Das Schwesterchen aber erschrak gewaltig, als es sah daß sein Rehkälbchen verwundet war. Es wusch ihm das Blut ab, legte Kräuter auf und sprach ‘geh auf dein Lager, lieb Rehchen, daß du wieder heil wirst.’ Die Wunde aber war so gering, daß das Rehchen am Morgen nichts mehr davon spürte. Und als es die Jagdlust wieder draußen hörte, sprach es ‘ich kanns nicht aushalten, ich muß dabei sein; so bald soll mich keiner kriegen.’ Das Schwesterchen weinte und sprach ‘nun werden sie dich tödten, und ich bin hier allein im Wald und bin verlassen von aller Welt: ich laß dich nicht hinaus.’ ‘So sterb ich dir hier vor Betrübniß,’ antwortete das Rehchen, ‘wenn ich das Hifthorn höre, so mein ich, ich müßte aus den Schuhen springen!’ Da konnte das Schwesterchen nicht anders und schloß ihm mit schwerem Herzen die Thüre auf, und das Rehchen sprang gesund und fröhlich in den Wald. Als es der König erblickte, sprach er zu seinen Jägern ‘nun jagt ihm nach den ganzen Tag bis in die Nacht, aber daß ihm keiner etwas zu Leide thut.’ Sobald die Sonne untergegangen war, sprach der König zum Jäger ‘nun komm und zeige mir das Waldhäuschen.’ Und als er vor dem Thürlein war, klopfte er an und rief ‘lieb Schwesterlein, laß mich herein.’ Da gieng die Thür auf, und der König trat herein, und da stand ein Mädchen, das war so schön wie er noch keins gesehen hatte. Das Mädchen erschrack als es sah daß nicht sein Rehlein sondern ein Mann herein kam, der eine goldene Krone auf dem Haupt hatte. Aber der König sah es freundlich an, reichte ihm die Hand und sprach ‘willst du mit mir gehn auf mein Schloß und meine liebe Frau sein?’ ‘Ach ja,’ antwortete das Mädchen, ‘aber das Rehchen muß auch mit, das verlaß ich nicht.’ Sprach der König ‘es soll bei dir bleiben, so lange du lebst, und soll ihm an nichts fehlen.’ Indem kam es hereingesprungen, da band es das Schwesterlein wieder an das Binsenseil, nahm es selbst in die Hand und gieng mit ihm aus dem Waldhäuschen fort.
Der König nahm das schöne Mädchen auf sein Pferd und führte es in sein Schloß, wo die Hochzeit mit großer Pracht gefeiert wurde, und war es nun die Frau Königin, und lebten sie lange Zeit vergnügt zusammen; das Rehlein ward gehegt und gepflegt und sprang in dem Schloßgarten herum. Die böse Stiefmutter aber, um derentwillen die Kinder in die Welt hinausgegangen waren, die meinte nicht anders als Schwesterchen wäre von den wilden Thieren im Walde zerrissen worden und Brüderchen als ein Rehkalb von den Jägern todt geschossen. Als sie nun hörte daß sie so glücklich waren, und es ihnen so wohl gieng, da wurden Neid und Mißgunst in ihrem Herzen rege und ließen ihr keine Ruhe, und sie hatte keinen andern Gedanken, als wie sie die beiden doch noch ins Unglück bringen könnte. Ihre rechte Tochter, die häßlich war wie die Nacht, und nur ein Auge hatte, die machte ihr Vorwürfe und sprach ‘eine Königin zu werden, das Glück hätte mir gebührt.’ ‘Sei nur still,’ sagte die Alte und sprach sie zufrieden, ‘wenns Zeit ist, will ich schon bei der Hand sein.’ Als nun die Zeit heran gerückt war, und die Königin ein schönes Knäblein zur Welt gebracht hatte, und der König gerade auf der Jagd war, nahm die alte Hexe die Gestalt der Kammerfrau an, trat in die Stube, wo die Königin lag und sprach zu der Kranken ‘kommt, das Bad ist fertig, das wird euch wohlthun und frische Kräfte geben: geschwind, eh es kalt wird.’ Ihre Tochter war auch bei der Hand, sie trugen die schwache Königin in die Badstube und legten sie in die Wanne: dann schlossen sie die Thür ab und liefen davon. In der Badstube aber hatten sie ein rechtes Höllenfeuer angemacht, daß die schöne junge Königin bald ersticken mußte.
Als das vollbracht war, nahm die Alte ihre Tochter, setzte ihr eine Haube auf, und legte sie ins Bett an der Königin Stelle. Sie gab ihr auch die Gestalt und das Ansehen der Königin, nur das verlorene Auge konnte sie ihr nicht wieder geben. Damit es aber der König nicht merkte, mußte sie sich auf die Seite legen, wo sie kein Auge hatte. Am Abend, als er heim kam und hörte daß ihm ein Söhnlein geboren war, freute er sich herzlich, und wollte ans Bett seiner lieben Frau gehn und sehen was sie machte. Da rief die Alte geschwind ‘bei Leibe, laßt die Vorhänge zu, die Königin darf noch nicht ins Licht sehen und muß Ruhe haben.’ Der König gieng zurück und wußte nicht daß eine falsche Königin im Bette lag.
Als es aber Mitternacht war und alles schlief, da sah die Kinderfrau, die in der Kinderstube neben der Wiege saß und allein noch wachte, wie die Thüre aufgieng und die rechte Königin herein trat. Sie nahm das Kind aus der Wiege, legte es in ihren Arm und gab ihm zu trinken. Dann schüttelte sie ihm sein Kissen, legte es wieder hinein und deckte es mit dem Deckbettchen zu. Sie vergaß aber auch das Rehchen nicht, gieng in die Ecke, wo es lag, und streichelte ihm über den Rücken. Darauf gieng sie ganz stillschweigend wieder zur Thüre hinaus, und die Kinderfrau fragte am andern Morgen die Wächter ob jemand während der Nacht ins Schloß gegangen wäre, aber sie antworteten ‘nein, wir haben niemand gesehn.’ So kam sie viele Nächte und sprach niemals ein Wort dabei; die Kinderfrau sah sie immer, aber sie getraute sich nicht jemand etwas davon zu sagen.
Als nun so eine Zeit verflossen war, da hub die Königin in der Nacht an zu reden und sprach
‘was macht mein Kind? was macht mein Reh?
Nun komm ich noch zweimal und dann nimmermehr.’
Die Kinderfrau antwortete ihr nicht, aber als sie wieder verschwunden war, gieng sie zum König und erzählte ihm alles. Sprach der König ‘Ach Gott, was ist das! ich will in der nächsten Nacht bei dem Kinde wachen.’ Abends gieng er in die Kinderstube, aber um Mitternacht erschien die Königin wieder und sprach
‘was macht mein Kind? was macht mein Reh?
Nun komm ich noch einmal und dann nimmermehr.’
Und pflegte dann des Kindes, wie sie gewöhnlich that, ehe sie verschwand. Der König getraute sich nicht sie anzureden, aber er wachte auch in der folgenden Nacht. Sie sprach abermals
‘was macht mein Kind? was macht mein Reh?
Nun komm ich noch diesmal und dann nimmermehr.’
Da konnte sich der König nicht zurückhalten, sprang zu ihr und sprach ‘du kannst niemand anders sein, als meine liebe Frau.’ Da antwortete sie ‘ja, ich bin deine liebe Frau,’ und hatte in dem Augenblick durch Gottes Gnade das Leben wieder erhalten, war frisch, roth und gesund. Darauf erzählte sie dem König den Frevel, den die böse Hexe und ihre Tochter an ihr verübt hatten. Der König ließ beide vor Gericht führen, und es ward ihnen das Urtheil gesprochen. Die Tochter ward in Wald geführt, wo sie die wilden Thiere zerrissen, die Hexe aber ward ins Feuer gelegt und mußte jammervoll verbrennen. Und wie sie zu Asche verbrannt war, verwandelte sich das Rehkälbchen und erhielt seine menschliche Gestalt wieder; Schwesterchen und Brüderchen aber lebten glücklich zusammen bis an ihr Ende.
Irmãozinho e irmãzinha
Encontrou um erro?
Uma palavra, uma passagem, uma referência: sua observação chega à mesa editorial vinculada à edição 1.0.0 que você leu.