KHM 20
O alfaiate valente
Das tapfere Schneiderlein
Sobre este conto
Um pequeno alfaiate, atraído pelo pregão de uma camponesa, compra doce e o passa no pão. Incomodado pelas moscas, mata sete de uma vez e borda num cinto a inscrição “Sete de um só golpe”. Considerando a oficina pequena para sua valentia, sai pelo mundo com um queijo e um pássaro. A inscrição faz um gigante imaginar que ele matou pessoas.
Personagens e estrutura
- Personagens
- O pequeno alfaiate, A camponesa vendedora de doce, O gigante encontrado na montanha e seus companheiros da caverna, O rei e sua única filha, depois esposa do alfaiate, Os soldados e os cem cavaleiros, Os dois gigantes da floresta, O unicórnio, O javali, Os caçadores, O cortesão enviado pelo rei, O escudeiro e os criados do rei
- Onde se passa
- A oficina do alfaiate numa manhã de verão; uma montanha, floresta e caverna de gigantes; o palácio real, uma capela na floresta e o quarto do casal real.
- Acontecimentos
- O alfaiate mata sete moscas e borda a façanha no cinto. Parte com queijo e pássaro e engana um gigante em provas de força, arremesso e transporte.
- Escapa de uma tentativa de assassinato na caverna. No palácio, a inscrição é tomada como feito de guerra; os soldados pedem dispensa por medo dele.
- O rei promete filha e meio reino pela morte de dois gigantes. O alfaiate atira pedras do alto de uma árvore e os faz brigar até ambos morrerem.
- O rei exige mais duas provas: o alfaiate prende um unicórnio pelo chifre numa árvore e captura um javali dentro de uma capela.
- O casamento acontece. Ao ouvi-lo falar de costura em sonho, a esposa descobre sua profissão; o rei planeja amarrá-lo e mandá-lo para longe num navio.
- Avisado pelo escudeiro, o alfaiate finge dormir e proclama suas façanhas. Os criados fogem de medo, e ele permanece rei por toda a vida.
- Desfecho
- O escudeiro revela ao alfaiate o plano de capturá-lo enquanto dorme e levá-lo para longe num navio. Ele finge dormir e grita ordens de costura, acrescentando que matou sete de um golpe e dois gigantes, levou um unicórnio e capturou um javali, e não temeria os homens diante do quarto. Os criados fogem como se fossem perseguidos pelo exército selvagem e não tornam a enfrentá-lo. O conto termina afirmando que ele foi rei e continuou rei por toda a vida.
Numa manhã de verão, um pequeno alfaiate estava sentado em sua mesa junto à janela, bem-disposto, e costurava com todas as forças. Passou pela rua uma camponesa gritando: “Bom doce à venda! Bom doce à venda!” Aquilo soou tão agradavelmente aos ouvidos do alfaiate que ele pôs sua delicada cabecinha para fora da janela e gritou: “Suba aqui, minha senhora, aqui vai vender sua mercadoria!” A mulher subiu os três lances de escada com seu pesado cesto e teve de tirar todos os potes diante do alfaiate. Ele examinou todos, ergueu-os, aproximou o nariz e por fim disse: “Esse doce me parece bom; pese quatro lot para mim, minha senhora. Mesmo que seja um quarto de libra, não me importo.” A mulher, que esperava fazer uma boa venda, deu-lhe o que pedira, mas foi embora muito zangada e resmungando. “Que Deus abençoe este doce!”, exclamou o alfaiate. “Que ele me dê força e vigor!” Tirou o pão do armário, cortou uma fatia atravessando o pão inteiro e espalhou o doce por cima. “Isso não vai ter gosto amargo”, disse, “mas primeiro vou terminar o gibão, antes de dar uma mordida.” Pôs o pão ao lado e continuou costurando, dando pontos cada vez maiores de tanta alegria. Enquanto isso, o cheiro do doce subia até a parede, onde havia muitas moscas, que foram atraídas e pousaram em bandos sobre o pão. “Ora, quem convidou vocês?”, disse o alfaiate, espantando as visitas indesejadas. Mas as moscas, que não entendiam alemão, não se deixavam afastar e voltavam em grupos cada vez maiores. Por fim, como se costuma dizer, o alfaiate perdeu as estribeiras, apanhou um retalho no canto dos retalhos debaixo de sua mesa e, dizendo “Esperem, vou dar uma lição em vocês!”, bateu sem piedade. Quando levantou o pano e contou, nada menos que sete estavam mortas à sua frente, de pernas esticadas. “Você é mesmo um sujeito desses?”, disse, obrigado a admirar sua própria valentia. “A cidade inteira precisa saber disso!” Às pressas cortou um cinto, costurou-o e bordou em letras grandes: “Sete de um só golpe!” “Ora, que cidade!”, continuou. “O mundo inteiro precisa saber!” E seu coração sacudia de alegria como o rabinho de um cordeiro.
O alfaiate amarrou o cinto à cintura e quis sair pelo mundo, pois achava que a oficina era pequena demais para sua valentia. Antes de partir, procurou pela casa alguma coisa que pudesse levar, mas só encontrou um queijo velho e o guardou. Diante do portão viu um pássaro que ficara preso nos arbustos; ele teve de ir para o bolso junto do queijo. Então se pôs corajosamente a caminho e, como era leve e ágil, não sentia cansaço. O caminho o levou a uma montanha e, quando alcançou o pico mais alto, ali estava sentado um enorme gigante, olhando tranquilamente ao redor. O pequeno alfaiate se aproximou com coragem, dirigiu-lhe a palavra e disse: “Bom dia, companheiro! Então está aí sentado contemplando o vasto mundo? Pois vou justamente para lá tentar minha sorte. Quer vir comigo?” O gigante olhou para ele com desprezo e disse: “Seu traste! Seu sujeito miserável!” “Ora essa!”, respondeu o alfaiate, desabotoando o casaco e mostrando-lhe o cinto. “Aí pode ler que homem eu sou.” O gigante leu “Sete de um só golpe”, pensou que fossem pessoas que o alfaiate havia matado e começou a respeitar um pouco o pequeno sujeito. Mas quis primeiro pô-lo à prova: pegou uma pedra e a apertou na mão até pingar água. “Faça o mesmo”, disse, “se você tem força.” “Só isso?”, perguntou o alfaiate. “Para gente como eu é brincadeira.” Meteu a mão no bolso, tirou o queijo mole e o apertou até escorrer o líquido. “E então?”, disse. “Não foi um pouco melhor?” O gigante não sabia o que dizer e não conseguia acreditar naquilo vindo daquele homenzinho. Apanhou então uma pedra e a atirou tão alto que mal se podia vê-la. “Agora, seu baixinho, faça o mesmo.” “Bem arremessado”, disse o alfaiate, “mas a pedra teve de cair de novo na terra; vou jogar uma que não voltará de jeito nenhum.” Enfiou a mão no bolso, pegou o pássaro e o lançou no ar. Feliz com a liberdade, o pássaro subiu, voou para longe e não voltou. “Que tal esse truquezinho, companheiro?”, perguntou o alfaiate. “Arremessar você sabe”, disse o gigante. “Mas agora vamos ver se consegue carregar alguma coisa de verdade.” Levou-o até um enorme carvalho derrubado no chão e disse: “Se tem força, ajude-me a carregar esta árvore para fora da floresta.” “Com prazer”, respondeu o pequeno homem. “Ponha o tronco no ombro; eu levanto e carrego os galhos com toda a ramagem, que é a parte mais pesada.” O gigante pôs o tronco no ombro, mas o alfaiate se sentou num galho, e o gigante, que não podia olhar para trás, teve de carregar a árvore inteira e o alfaiate ainda por cima. Lá atrás o pequeno ia muito alegre e bem-disposto, assobiando a cantiguinha “Três alfaiates saíram a cavalo pelo portão”, como se carregar a árvore fosse brincadeira de criança. Depois de arrastar a pesada carga por um trecho, o gigante não aguentou mais e gritou: “Escute, tenho que largar a árvore!” O alfaiate saltou ligeiro, agarrou a árvore com os dois braços, como se a tivesse carregado, e disse: “Você é tão grande e nem consegue carregar a árvore!”
Continuaram juntos e, ao passarem por uma cerejeira, o gigante agarrou a copa onde pendiam os frutos mais maduros, curvou-a, entregou-a ao alfaiate e mandou que comesse. Mas o pequeno alfaiate era fraco demais para segurar a árvore; quando o gigante a soltou, ela se ergueu e o arremessou pelos ares. Quando ele tornou a cair sem se machucar, o gigante disse: “O que é isso? Não tem força para segurar essa varinha fraca?” “Força é o que não me falta”, respondeu o alfaiate. “Acha que isso é alguma coisa para quem acertou sete de um golpe? Pulei por cima da árvore porque os caçadores estão atirando nos arbustos ali embaixo. Pule também, se conseguir.” O gigante tentou, mas não conseguiu passar por cima da árvore e ficou preso nos galhos; assim o alfaiate levou a melhor também dessa vez.
O gigante disse: “Se é tão valente assim, venha à nossa caverna passar a noite conosco.” O alfaiate aceitou e o seguiu. Quando chegaram à caverna, havia outros gigantes sentados ao fogo, cada um com um carneiro assado na mão, comendo. O alfaiate olhou ao redor e pensou: “Aqui é bem mais espaçoso que na minha oficina.” O gigante lhe indicou uma cama e disse que se deitasse e dormisse à vontade. Mas a cama era grande demais para o alfaiate; ele não se deitou nela, e sim se enfiou num canto. À meia-noite, julgando que o alfaiate dormia profundamente, o gigante se levantou, pegou uma grande barra de ferro e partiu a cama com um golpe, pensando que tivesse dado cabo do gafanhoto. Bem cedo os gigantes foram à floresta e tinham esquecido inteiramente o alfaiate, quando de repente ele apareceu caminhando, todo alegre e atrevido. Os gigantes se assustaram, temeram que os matasse a todos e fugiram às pressas.
O pequeno alfaiate seguiu adiante, sempre atrás de seu nariz pontudo. Depois de muito caminhar, chegou ao pátio de um palácio real e, sentindo cansaço, deitou-se na grama e adormeceu. Enquanto estava ali, as pessoas se aproximaram, examinaram-no de todos os lados e leram no cinto “Sete de um só golpe”. “Ah!”, disseram. “O que quer esse grande herói de guerra aqui em plena paz? Deve ser um homem poderoso.” Foram contar ao rei e disseram que, se estourasse uma guerra, seria um homem importante e útil, que não se devia deixar partir por preço algum. O conselho agradou ao rei, que mandou um cortesão oferecer serviço militar ao alfaiate quando ele acordasse. O enviado ficou ao lado do homem adormecido, esperou que esticasse os membros e abrisse os olhos e então apresentou a proposta. “Foi justamente por isso que vim”, respondeu ele. “Estou pronto para entrar a serviço do rei.” Foi, pois, recebido com honras, e lhe deram uma moradia própria.
Os soldados, porém, implicavam com o alfaiate e desejavam que estivesse a mil milhas dali. “O que vai ser disso?”, diziam entre si. “Se brigarmos com ele e ele nos golpear, caem sete de cada vez. Nenhum de nós pode resistir.” Tomaram então uma resolução, foram todos ao rei e pediram dispensa. “Não fomos feitos”, disseram, “para aguentar ao lado de um homem que derruba sete de um só golpe.” O rei ficou triste por perder todos os seus fiéis servidores por causa de um só; desejou nunca o ter visto e queria muito se livrar dele. Mas não se atrevia a dispensá-lo, pois temia que matasse a ele e a seu povo e ocupasse o trono real. Pensou muito, de um lado e de outro, até encontrar uma saída. Mandou dizer ao alfaiate que, por ser um grande herói de guerra, queria lhe fazer uma proposta. Numa floresta de seu reino viviam dois gigantes que causavam grandes estragos, roubando, assassinando, devastando e incendiando; ninguém podia se aproximar sem arriscar a vida. Se ele vencesse e matasse os dois gigantes, o rei lhe daria sua única filha por esposa e metade do reino como dote; cem cavaleiros também iriam acompanhá-lo e ajudá-lo. “Isso é coisa para um homem como você!”, pensou o alfaiate. “Não é todo dia que oferecem uma bela princesa e meio reino!” “Pois sim”, respondeu. “Vou dominar os gigantes e não preciso dos cem cavaleiros: quem acerta sete de um só golpe não precisa temer dois.”
O alfaiate partiu, e os cem cavaleiros o seguiram. Ao chegar à borda da floresta, disse aos companheiros: “Fiquem parados aqui; vou resolver sozinho o caso dos gigantes.” Então entrou na floresta e olhou para todos os lados. Pouco depois avistou os dois: deitados debaixo de uma árvore, dormiam e roncavam tanto que os galhos se moviam para cima e para baixo. O alfaiate não perdeu tempo: encheu os dois bolsos de pedras e subiu na árvore. Ao chegar ao meio, deslizou por um galho até ficar bem sobre os que dormiam e deixou cair pedra após pedra no peito de um deles. O gigante não sentiu nada por muito tempo, mas acabou acordando, cutucou o companheiro e perguntou: “Por que está me batendo?” “Está sonhando”, disse o outro. “Não estou batendo em você.” Voltaram a dormir, e o alfaiate jogou uma pedra sobre o segundo. “O que é isso?”, gritou ele. “Por que joga coisas em mim?” “Não estou jogando nada”, respondeu o primeiro, resmungando. Discutiram um pouco, mas, como estavam cansados, deixaram por isso mesmo e os olhos tornaram a se fechar. O alfaiate recomeçou a brincadeira, escolheu a pedra mais grossa e a arremessou com toda a força no peito do primeiro gigante. “Isso já é demais!”, gritou ele, levantando-se como um louco e empurrando o companheiro contra a árvore, que tremeu. O outro pagou na mesma moeda, e ficaram tão furiosos que arrancaram árvores e bateram um no outro até que, por fim, caíram ambos mortos ao mesmo tempo. Então o alfaiate desceu. “Ainda bem”, disse, “que não arrancaram a árvore em que eu estava; senão teria de pular para outra como um esquilo. Mas gente como eu é ligeira!” Tirou a espada e deu em cada um alguns bons golpes no peito; depois saiu até os cavaleiros e disse: “O trabalho está feito, dei cabo dos dois. Mas foi duro; no aperto arrancaram árvores e se defenderam, mas nada disso adianta quando chega alguém como eu, que mata sete de um só golpe.” “E não ficou ferido?”, perguntaram os cavaleiros. “Nem pensar”, respondeu. “Não me entortaram um fio de cabelo.” Os cavaleiros não quiseram acreditar e entraram na floresta: ali encontraram os gigantes banhados em sangue e, ao redor, as árvores arrancadas.
O alfaiate exigiu do rei a recompensa prometida, mas ele se arrependera da promessa e tornou a pensar em como se livrar do herói. “Antes de receber minha filha e metade do reino”, disse-lhe, “você ainda precisa realizar uma façanha. Na floresta anda um unicórnio que causa grandes estragos; primeiro tem de capturá-lo.” “Tenho menos medo de um unicórnio que de dois gigantes; sete de um só golpe, essa é minha especialidade.” Levou uma corda e um machado, foi à floresta e mandou de novo os que o acompanhavam esperarem do lado de fora. Não precisou procurar muito; logo apareceu o unicórnio, que avançou direto para ele, como se quisesse atravessá-lo sem cerimônia. “Devagar, devagar”, disse. “Não é assim tão depressa.” Ficou parado e esperou até o animal chegar bem perto; então saltou ligeiro para trás da árvore. O unicórnio correu com toda a força contra a árvore e enfiou o chifre tão firmemente no tronco que não teve força para arrancá-lo. Assim ficou preso. “Agora peguei o passarinho”, disse o alfaiate, saindo de trás da árvore. Primeiro passou a corda no pescoço do unicórnio; depois cortou com o machado o chifre para fora da árvore e, quando tudo estava em ordem, levou o animal ao rei.
O rei ainda não quis lhe conceder a recompensa prometida e fez uma terceira exigência. Antes do casamento, o alfaiate devia capturar um javali que causava grandes estragos na floresta; os caçadores o ajudariam. “Com prazer”, disse o alfaiate. “É brincadeira de criança.” Não levou os caçadores para dentro da floresta, e eles ficaram bem satisfeitos, pois o javali já os recebera várias vezes de tal modo que não tinham vontade de persegui-lo. Quando o porco viu o alfaiate, correu contra ele espumando pela boca e rangendo os dentes, querendo jogá-lo no chão; mas o herói ligeiro saltou para dentro de uma capela que havia ali perto e, num salto, saiu de novo pela janela lá em cima. O porco correra atrás dele, mas o alfaiate deu a volta por fora e fechou a porta atrás do animal. A fera furiosa ficou presa: era pesada e desajeitada demais para saltar pela janela. O alfaiate chamou os caçadores, que tiveram de ver o prisioneiro com os próprios olhos; o herói, porém, foi ao rei, que agora, querendo ou não, precisou cumprir a promessa e lhe entregou a filha e metade do reino. Se soubesse que diante dele não estava um herói de guerra, mas um pequeno alfaiate, teria sentido ainda mais. O casamento foi celebrado, pois, com grande pompa e pouca alegria, e de um alfaiate se fez um rei.
Algum tempo depois, a jovem rainha ouviu de noite seu marido dizer em sonho: “Rapaz, faça meu gibão e remende minhas calças, ou vou lhe bater com a régua de côvado nas orelhas.” Percebeu então de que rua vinha o jovem senhor; na manhã seguinte queixou-se ao pai de sua desgraça e pediu que a livrasse daquele homem, que não passava de alfaiate. O rei a consolou e disse: “Deixe seu quarto aberto na próxima noite. Meus criados ficarão do lado de fora e, quando ele dormir, entrarão, vão amarrá-lo e levá-lo a um navio que o conduza para o vasto mundo.” A mulher ficou satisfeita, mas o escudeiro do rei, que ouvira tudo, era afeiçoado ao jovem senhor e lhe revelou o plano inteiro. “Vou pôr uma tranca nisso”, disse o alfaiate. À noite deitou-se com a mulher à hora de sempre; quando ela pensou que dormia, levantou-se, abriu a porta e tornou a deitar-se. O alfaiate, que só fingia dormir, começou a gritar em voz alta: “Rapaz, faça meu gibão e remende minhas calças, ou vou lhe bater com a régua de côvado nas orelhas! Acertei sete de um golpe, matei dois gigantes, levei um unicórnio e capturei um javali, e haveria de temer os que estão lá fora diante do quarto!” Quando o ouviram falar assim, foram tomados de grande medo e fugiram como se o exército selvagem os perseguisse; ninguém quis tornar a enfrentá-lo. Assim o pequeno alfaiate foi rei e continuou rei por toda a vida.
Sobre esta edição
- Obra
- Das tapfere Schneiderlein
- Autoria original
- Irmãos Grimm
- Texto em português
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- 1.0.0
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- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
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Das tapfere Schneiderlein
Ler o original em alemão
An einem Sommermorgen saß ein Schneiderlein auf seinem Tisch am Fenster, war guter Dinge und nähte aus Leibeskräften. Da kam eine Bauersfrau die Straße herab und rief ‘gut Mus feil! gut Mus feil!’ Das klang dem Schneiderlein lieblich in die Ohren, er steckte sein zartes Haupt zum Fenster hinaus und rief ‘hier herauf, liebe Frau, hier wird sie ihre Waare los!’ Die Frau stieg die drei Treppen mit ihrem schweren Korbe zu dem Schneider herauf und mußte die Töpfe sämmtlich vor ihm auspacken. Er besah sie alle, hob sie in die Höhe, hielt die Nase dran und sagte endlich ‘das Mus scheint mir gut, wieg sie mir doch vier Loth ab, liebe Frau, wenns auch ein Viertelpfund ist, kommt es mir nicht darauf an.’ Die Frau, welche gehofft hatte einen guten Absatz zu finden, gab ihm was er verlangte, gieng aber ganz ärgerlich und brummig fort. ‘Nun das Mus soll mir Gott gesegnen,’ rief das Schneiderlein, ‘und soll mir Kraft und Stärke geben,’ holte das Brot aus dem Schrank, schnitt sich ein Stück über den ganzen Laib und strich das Mus darüber. ‘Das wird nicht bitter schmecken,’ sprach er, ‘aber erst will ich den Wams fertig machen, eh ich anbeiße.’ Er legte das Brot neben sich, nähte weiter und machte vor Freude immer größere Stiche. Indeß stieg der Geruch von dem süßen Mus hinauf an die Wand, wo die Fliegen in großer Menge saßen, so daß sie heran gelockt wurden und sich scharenweiß darauf nieder ließen. ‘Ei, wer hat euch eingeladen?’ sprach das Schneiderlein und jagte die ungebetenen Gäste fort. Die Fliegen aber, die kein deutsch verstanden, ließen sich nicht abweisen, sondern kamen in immer größerer Gesellschaft wieder. Da lief dem Schneiderlein endlich, wie man sagt, die Laus über die Leber, es langte aus seiner Hölle nach einem Tuchlappen, und ‘wart, ich will es euch geben!’ schlug es unbarmherzig drauf. Als es abzog und zählte, so lagen nicht weniger als sieben vor ihm todt und streckten die Beine. ‘Bist du so ein Kerl?’ sprach er, und mußte selbst seine Tapferkeit bewundern, ‘das soll die ganze Stadt erfahren.’ Und in der Hast schnitt sich das Schneiderlein einen Gürtel, nähte ihn und stickte mit großen Buchstaben darauf ‘siebene auf einen Streich!’ ‘Ei was Stadt!’ sprach er weiter, ‘die ganze Welt solls erfahren!’ und sein Herz wackelte ihm vor Freude wie ein Lämmerschwänzchen.
Der Schneider band sich den Gürtel um den Leib, und wollte in die Welt hinaus, weil er meinte die Werkstätte sei zu klein für seine Tapferkeit. Eh er abzog, suchte er im Haus herum ob nichts da wäre, was er mitnehmen könnte, er fand aber nichts als einen alten Käs, den steckte er ein. Vor dem Thore bemerkte er einen Vogel, der sich im Gesträuch gefangen hatte, der mußte zu dem Käse in die Tasche. Nun nahm er den Weg tapfer zwischen die Beine, und weil er leicht und behend war fühlte er keine Müdigkeit. Der Weg führte ihn auf einen Berg, und als er den höchsten Gipfel erreicht hatte, so saß da ein gewaltiger Riese und schaute sich ganz gemächlich um. Das Schneiderlein gieng beherzt auf ihn zu, redete ihn an und sprach ‘guten Tag, Kamerad, gelt, du sitzest da und besiehst dir die weitläuftige Welt! ich bin eben auf dem Wege dahin und will mich versuchen. Hast du Lust mit zu gehen?’ Der Riese sah den Schneider verächtlich an und sprach ‘du Lump! du miserabler Kerl!’ ‘Das wäre!’ antwortete das Schneiderlein, knöpfte den Rock auf und zeigte dem Riesen den Gürtel, ‘da kannst du lesen was ich für ein Mann bin.’ Der Riese las ‘siebene auf einen Streich,’ meinte das wären Menschen gewesen, die der Schneider erschlagen hätte, und kriegte ein wenig Respekt vor dem kleinen Kerl. Doch wollte er ihn erst prüfen, nahm einen Stein in die Hand und drückte ihn zusammen daß das Wasser heraus tropfte. ‘Das mach mir nach,’ sprach der Riese, ‘wenn du Stärke hast.’ ‘Ists weiter nichts?’ sagte das Schneiderlein, ‘das ist bei unser einem Spielwerk,’ griff in die Tasche, holte den weichen Käs und drückte ihn daß der Saft heraus lief. ‘Gelt,’ sprach er, ‘das war ein wenig besser?’ Der Riese wußte nicht was er sagen sollte und konnte es von dem Männlein nicht glauben. Da hob der Riese einen Stein auf und warf ihn so hoch, daß man ihn mit Augen kaum noch sehen konnte: ‘nun, du Erpelmännchen, das thu mir nach.’ ‘Gut geworfen,’ sagte der Schneider, ‘aber der Stein hat doch wieder zur Erde herabfallen müssen, ich will dir einen werfen, der soll gar nicht wieder kommen,’ griff in die Tasche, nahm den Vogel und warf ihn in die Luft. Der Vogel, froh über seine Freiheit, stieg auf, flog fort und kam nicht wieder. ‘Wie gefällt dir das Stückchen, Kamerad?’ fragte der Schneider. ‘Werfen kannst du wohl,’ sagte der Riese, ‘aber nun wollen wir sehen ob du im Stande bist etwas ordentliches zu tragen.’ Er führte das Schneiderlein zu einem mächtigen Eichbaum, der da gefällt auf dem Boden lag, und sagte ‘wenn du stark genug bist, so hilf mir den Baum aus dem Walde heraus tragen.’ ‘Gerne,’ antwortete der kleine Mann, ‘nimm du nur den Stamm auf deine Schulter, ich will die Äste mit dem Gezweig aufheben und tragen, das ist doch das schwerste.’ Der Riese nahm den Stamm auf die Schulter, der Schneider aber setzte sich auf einen Ast, und der Riese, der sich nicht umsehen konnte, mußte den ganzen Baum und das Schneiderlein noch obendrein forttragen. Es war da hinten ganz lustig und guter Dinge, pfiff das Liedchen ‘es ritten drei Schneider zum Thore hinaus,’ als wäre das Baumtragen ein Kinderspiel. Der Riese, nachdem er ein Stück Wegs die schwere Last fortgeschleppt hatte, konnte nicht weiter und rief ‘hör, ich muß den Baum fallen lassen.’ Der Schneider sprang behendiglich herab, faßte den Baum mit beiden Armen, als wenn er ihn getragen hätte, und sprach zum Riesen ‘du bist ein so großer Kerl und kannst den Baum nicht einmal tragen.’
Sie giengen zusammen weiter, und als sie an einem Kirschbaum vorbei kamen, faßte der Riese die Krone des Baums, wo die zeitigsten Früchte hiengen, bog sie herab, gab sie dem Schneider in die Hand und hieß ihn essen. Das Schneiderlein aber war viel zu schwach um den Baum zu halten, und als der Riese los ließ, fuhr der Baum in die Höhe und der Schneider ward mit in die Luft geschnellt. Als er wieder ohne Schaden herabgefallen war, sprach der Riese ‘was ist das, hast du nicht Kraft die schwache Gerte zu halten?’ ‘An der Kraft fehlt es nicht,’ antwortete das Schneiderlein, ‘meinst du das wäre etwas für einen, der siebene mit einem Streich getroffen hat? ich bin über den Baum gesprungen, weil die Jäger da unten in das Gebüsch schießen. Spring nach, wenn dus vermagst.’ Der Riese machte den Versuch, konnte aber nicht über den Baum kommen sondern blieb in den Ästen hängen, also daß das Schneiderlein auch hier die Oberhand behielt.
Der Riese sprach ‘wenn du ein so tapferer Kerl bist, so komm mit in unsere Höhle und übernachte bei uns.’ Das Schneiderlein war bereit und folgte ihm. Als sie in der Höhle anlangten, saßen da noch andere Riesen beim Feuer, und jeder hatte ein gebratenes Schaf in der Hand und aß davon. Das Schneiderlein sah sich um und dachte ‘es ist doch hier viel weitläuftiger als in meiner Werkstatt.’ Der Riese wies ihm ein Bett an und sagte er sollte sich hineinlegen und ausschlafen. Dem Schneiderlein war aber das Bett zu groß, er legte sich nicht hinein, sondern kroch in eine Ecke. Als es Mitternacht war, und der Riese meinte das Schneiderlein läge in tiefem Schlafe, so stand er auf, nahm eine große Eisenstange und schlug das Bett mit einem Schlag durch, und meinte er hätte dem Grashüpfer den Garaus gemacht. Mit dem frühsten Morgen giengen die Riesen in den Wald und hatten das Schneiderlein ganz vergessen, da kam es auf einmal ganz lustig und verwegen daher geschritten. Die Riesen erschracken, fürchteten es schlüge sie alle todt und liefen in einer Hast fort.
Das Schneiderlein zog weiter, immer seiner spitzen Nase nach. Nachdem es lange gewandert war, kam es in den Hof eines königlichen Palastes, und da es Müdigkeit empfand, so legte es sich ins Gras und schlief ein. Während es da lag, kamen die Leute, betrachteten es von allen Seiten und lasen auf dem Gürtel ‘siebene auf einen Streich.’ ‘Ach,’ sprachen sie, ‘was will der große Kriegsheld hier mitten im Frieden? Das muß ein mächtiger Herr sein.’ Sie giengen und meldeten es dem König, und meinten wenn Krieg ausbrechen sollte, wäre das ein wichtiger und nützlicher Mann, den man um keinen Preis fortlassen dürfte. Dem König gefiel der Rath und er schickte einen von seinen Hofleuten an das Schneiderlein ab, der sollte ihm, wenn es aufgewacht wäre, Kriegsdienste anbieten. Der Abgesandte blieb bei dem Schläfer stehen, wartete bis er seine Glieder streckte und die Augen aufschlug, und brachte dann seinen Antrag vor. ‘Eben deshalb bin ich hierher gekommen,’ antwortete er, ‘ich bin bereit in des Königs Dienste zu treten.’ Also ward er ehrenvoll empfangen und ihm eine besondere Wohnung angewiesen.
Die Kriegsleute aber waren dem Schneiderlein aufgesessen und wünschten es wäre tausend Meilen weit weg. ‘Was soll daraus werden?’ sprachen sie untereinander, ‘wenn wir Zank mit ihm kriegen und er haut zu, so fallen auf jeden Streich siebene. Da kann unser einer nicht bestehen.’ Also faßten sie einen Entschluß, begaben sich allesammt zum König und baten um ihren Abschied. ‘Wir sind nicht gemacht,’ sprachen sie, ‘neben einem Mann auszuhalten, der siebene auf einen Streich schlägt.’ Der König war traurig daß er um des Einen willen alle seine treuen Diener verlieren sollte, wünschte daß seine Augen ihn nie gesehen hätten und wäre ihn gerne wieder los gewesen. Aber er getrauete sich nicht ihm den Abschied zu geben, weil er fürchtete er möchte ihn sammt seinem Volke todt schlagen und sich auf den königlichen Thron setzen. Er sann lange hin und her, endlich fand er einen Rath. Er schickte zu dem Schneiderlein und ließ ihm sagen weil er ein so großer Kriegsheld wäre, so wollte er ihm ein Anerbieten machen. In einem Walde seines Landes hausten zwei Riesen, die mit Rauben Morden Sengen und Brennen großen Schaden stifteten; niemand dürfte sich ihnen nahen, ohne sich in Lebensgefahr zu setzen. Wenn er diese beiden Riesen überwände und tödtete, so wollte er ihm seine einzige Tochter zur Gemahlin geben und das halbe Königreich zur Ehesteuer; auch sollten hundert Reiter mit ziehen und ihm Beistand leisten. ‘Das wäre so etwas für einen Mann, wie du bist!’ dachte das Schneiderlein, ‘eine schöne Königstochter und ein halbes Königreich wird einem nicht alle Tage angeboten!’ ‘O ja,’ gab er zur Antwort, ‘die Riesen will ich schon bändigen und habe die hundert Reiter dabei nicht nöthig: wer siebene auf einen Streich trifft, braucht sich vor zweien nicht zu fürchten.’
Das Schneiderlein zog aus, und die hundert Reiter folgten ihm. Als er zu dem Rand des Waldes kam, sprach er zu seinen Begleitern ‘bleibt hier nur halten, ich will schon allein mit den Riesen fertig werden.’ Dann sprang er in den Wald hinein und schaute sich rechts und links um. Über ein Weilchen erblickte er beide Riesen: sie lagen unter einem Baume und schliefen und schnarchten dabei daß sich die Äste auf und nieder bogen. Das Schneiderlein, nicht faul, las beide Taschen voll Steine und stieg damit auf den Baum. Als es in der Mitte war, rutschte es auf einem Ast bis es gerade über die Schläfer zu sitzen kam, und ließ dem einen Riesen einen Stein nach dem andern auf die Brust fallen. Der Riese spürte lange nichts, doch endlich wachte er auf, stieß seinen Gesellen an und sprach ‘was schlägst du mich?’ ‘Du träumst,’ sagte der andere, ‘ich schlage dich nicht.’ Sie legten sich wieder zum Schlaf, da warf der Schneider auf den zweiten einen Stein herab. ‘Was soll das?’ rief der andere, ‘warum wirfst du mich?’ ‘Ich werfe dich nicht,’ antwortete der erste und brummte. Sie zankten sich eine Weile herum, doch weil sie müde waren ließen sies gut sein, und die Augen fielen ihnen wieder zu. Das Schneiderlein fieng sein Spiel von neuem an, suchte den dicksten Stein aus und warf ihn dem ersten Riesen mit aller Gewalt auf die Brust. ‘Das ist zu arg!’ schrie er, sprang wie ein Unsinniger auf und stieß seinen Gesellen wider den Baum daß dieser zitterte. Der andere zahlte mit gleicher Münze, und sie geriethen in solche Wuth, daß sie Bäume ausrissen, auf einander los schlugen, so lang bis sie endlich beide zugleich todt auf die Erde fielen. Nun sprang das Schneiderlein herab. ‘Ein Glück nur,’ sprach es, ‘daß sie den Baum, auf dem ich saß, nicht ausgerissen haben, sonst hätte ich, wie ein Eichhörnchen auf einen andern springen müssen: doch unser einer ist flüchtig!’ Es zog sein Schwert und versetzte jedem ein paar tüchtige Hiebe in die Brust, dann gieng es hinaus zu den Reitern und sprach ‘die Arbeit ist gethan, ich habe beiden den Garaus gemacht: aber hart ist es hergegangen, sie haben in der Noth Bäume ausgerissen und sich gewehrt, doch das hilft alles nichts wenn einer kommt wie ich, der siebene auf einen Streich schlägt.’ ‘Seid ihr denn nicht verwundet?’ fragten die Reiter. ‘Das hat gute Wege,’ antwortete der Schneider, ‘kein Haar haben sie mir gekrümmt.’ Die Reiter wollten ihm keinen Glauben beimessen und ritten in den Wald hinein: da fanden sie die Riesen in ihrem Blute schwimmend, und rings herum lagen die ausgerissenen Bäume.
Das Schneiderlein verlangte von dem König die versprochene Belohnung, den aber reute sein Versprechen und er sann aufs neue wie er sich den Helden vom Halse schaffen könnte. ‘Ehe du meine Tochter und das halbe Reich erhältst,’ sprach er zu ihm, ‘mußt du noch eine Heldenthat vollbringen. In dem Walde läuft ein Einhorn, das großen Schaden anrichtet, das mußt du erst einfangen.’ ‘Vor einem Einhorne fürchte ich mich noch weniger als vor zwei Riesen; siebene auf einen Streich, das ist meine Sache.’ Er nahm sich einen Strick und eine Axt mit, gieng hinaus in den Wald und hieß abermals die welche ihm zugeordnet waren, außen warten. Er brauchte nicht lange zu suchen, das Einhorn kam bald daher und sprang geradezu auf den Schneider los, als wollte es ihn ohne Umstände aufspießen. ‘Sachte, sachte,’ sprach er, ‘so geschwind geht das nicht,’ blieb stehen und wartete bis das Thier ganz nahe war, dann sprang er behendiglich hinter dem Baum. Das Einhorn rannte mit aller Kraft gegen den Baum und spießte sein Horn so fest in den Stamm, daß es nicht Kraft genug hatte es wieder heraus zu ziehen, und so war es gefangen. ‘Jetzt hab ich das Vöglein,’ sagte der Schneider, kam hinter dem Baum hervor, legte dem Einhorn den Strick erst um den Hals, dann hieb er mit der Axt das Horn aus dem Baum und als alles in Ordnung war führte er das Thier ab und brachte es dem König.
Der König wollte ihm den verheißenen Lohn noch nicht gewähren und machte eine dritte Forderung. Der Schneider sollte ihm vor der Hochzeit erst ein Wildschwein fangen, das in dem Wald großen Schaden that; die Jäger sollten ihm Beistand leisten. ‘Gerne,’ sprach der Schneider, ‘das ist ein Kinderspiel.’ Die Jäger nahm er nicht mit in den Wald, und sie warens wohl zufrieden, denn das Wildschwein hatte sie schon mehrmals so empfangen daß sie keine Lust hatten ihm nachzustellen. Als das Schwein den Schneider erblickte, lief es mit schäumendem Munde und wetzenden Zähnen auf ihn zu und wollte ihn zur Erde werfen: der flüchtige Held aber sprang in eine Kapelle, die in der Nähe war, und gleich oben zum Fenster in einem Satze wieder hinaus. Das Schwein war hinter ihm her gelaufen, er aber hüpfte außen herum und schlug die Thüre hinter ihm zu; da war das wüthende Thier gefangen, das viel zu schwer und unbehilflich war, um zu dem Fenster hinaus zu springen. Das Schneiderlein rief die Jäger herbei, die mußten den Gefangenen mit eigenen Augen sehen: der Held aber begab sich zum Könige, der nun, er mochte wollen oder nicht, sein Versprechen halten mußte und ihm seine Tochter und das halbe Königreich übergab. Hätte er gewußt daß kein Kriegsheld sondern ein Schneiderlein vor ihm stand, es wäre ihm noch mehr zu Herzen gegangen. Die Hochzeit ward also mit großer Pracht und kleiner Freude gehalten, und aus einem Schneider ein König gemacht.
Nach einiger Zeit hörte die junge Königin in der Nacht wie ihr Gemahl im Traume sprach ‘Junge, mach mir den Wams und flick mir die Hosen, oder ich will dir die Elle über die Ohren schlagen.’ Da merkte sie in welcher Gasse der junge Herr geboren war, klagte am andern Morgen ihrem Vater ihr Leid und bat er möchte ihr von dem Manne helfen, der nichts anders als ein Schneider wäre. Der König sprach ihr Trost zu und sagte ‘laß in der nächsten Nacht deine Schlafkammer offen, meine Diener sollen außen stehen und wenn er eingeschlafen ist, hineingehen, ihn binden und auf ein Schiff tragen, das ihn in die weite Welt führt.’ Die Frau war damit zufrieden, des Königs Waffenträger aber, der alles mit angehört hatte, war dem jungen Herrn gewogen und hinterbrachte ihm den ganzen Anschlag. ‘Dem Ding will ich einen Riegel vorschieben,’ sagte das Schneiderlein. Abends legte es sich zu gewöhnlicher Zeit mit seiner Frau zu Bett: als sie glaubte er sei eingeschlafen, stand sie auf, öffnete die Thüre und legte sich wieder. Das Schneiderlein, das sich nur stellte als wenn es schlief, fieng an mit heller Stimme zu rufen ‘Junge, mach mir den Wams und flick mir die Hosen, oder ich will dir die Elle über die Ohren schlagen! ich habe siebene mit einem Streich getroffen, zwei Riesen getödtet, ein Einhorn fortgeführt und ein Wildschwein gefangen, und sollte mich vor denen fürchten, die draußen vor der Kammer stehen!’ Als diese den Schneider also sprechen hörten, überkam sie eine große Furcht, sie liefen als wenn das wilde Heer hinter ihnen wäre, und keiner wollte sich mehr an ihn wagen. Also war und blieb das Schneiderlein sein Lebtag ein König.
O alfaiate valente
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