AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

EK 22

O anjo

Hans Christian Andersen

Engelen

Sobre este conto

Um anjo de Deus leva uma criança morta para o Céu e recolhe flores dos lugares de que ela gostava. Entre jardins e uma rua estreita da cidade, encontram plantas desprezadas e uma flor do campo murcha, jogada fora com seu torrão. Durante o voo, o anjo conta à criança a história dessa flor.

Personagens e estrutura
Personagens
Criança morta levada por um anjo ao Céu, Anjo de Deus que recolhe flores e narra a história de um menino doente, Menino pobre e doente que cultivou uma flor junto à cama, Filho do vizinho que leva um ramo de faia e flores ao menino, Flor do campo cultivada pelo menino e recolhida pelo anjo, Deus, que recebe a criança e as flores
Onde se passa
Lugares da casa onde a criança brincou, jardins e uma rua estreita de uma grande cidade à noite. O relato do anjo se passa num porão, junto à cama e à janela de um menino doente. A viagem termina no Céu de Deus.
Acontecimentos
  1. A criança pede que levem uma roseira de tronco quebrado. O anjo também recolhe flores esplêndidas, uma calêndula e um amor-perfeito silvestre.
  2. Numa rua cheia de restos de mudança, o anjo recolhe uma flor do campo murcha e conta a história de seu dono.
  3. Um menino doente cultivava a flor junto à cama, regando-a e procurando dar-lhe cada raio de sol. Depois da morte dele, a planta passa um ano esquecida e acaba jogada fora.
  4. O anjo revela que era o menino doente. No Céu, Deus dá asas à criança e beija a flor, que ganha voz para cantar.
Desfecho
O anjo revela ter sido o menino que andava de muletas e cuidava da flor. Deus aperta a criança morta contra o coração; ela ganha asas e voa de mãos dadas com o anjo. A flor murcha recebe um beijo, ganha voz e canta com a criança e os anjos, que pairam em círculos ao redor de Deus, todos igualmente felizes.

— Toda vez que uma criança boa morre, um anjo de Deus desce à Terra, toma a criança morta nos braços, abre as grandes asas brancas, voa sobre todos os lugares de que a criança gostava e colhe um grande punhado de flores, que leva para Deus, para que lá floresçam ainda mais belas do que na Terra. O bom Deus aperta todas as flores contra o coração, mas dá um beijo na flor que lhe é mais querida; então ela ganha voz e pode cantar junto na grande bem-aventurança.

Tudo isso contava um anjo de Deus enquanto levava uma criança morta para o Céu, e a criança ouvia como em sonhos. Voavam sobre os lugares de sua casa onde a pequena havia brincado e passavam por jardins com belas flores.

— Quais vamos levar agora para plantar no Céu? — perguntou o anjo.

Ali havia uma roseira esguia e abençoada, mas uma mão maldosa lhe quebrara o tronco, de modo que todos os ramos, cheios de grandes botões entreabertos, pendiam murchos ao redor.

— Pobre árvore! — disse a criança. — Leve-a, para que possa florescer lá em cima, junto de Deus!

O anjo a levou e beijou a criança por isso, e a pequena entreabriu os olhos. Colheram flores esplêndidas e exuberantes, mas levaram também a desprezada calêndula e o amor-perfeito silvestre.

— Agora temos flores! — disse a criança, e o anjo assentiu com a cabeça, mas ainda não subiram em direção a Deus. Era noite, tudo estava muito quieto; permaneceram na grande cidade e pairaram por uma das ruas mais estreitas, onde havia montes de palha, cinzas e tralhas. Tinha sido dia de mudança; havia pedaços de pratos, fragmentos de gesso, trapos e velhas copas de chapéus, tudo o que não tinha boa aparência.

Em meio àquela desordem, o anjo apontou para alguns cacos de um vaso e um torrão de terra que caíra dele e se mantinha unido pelas raízes de uma grande flor do campo, murcha, que já não servia para nada e por isso fora jogada na rua.

— Vamos levar esta! — disse o anjo. — Vou lhe contar enquanto voamos!

E voaram, e o anjo contou:

— Lá embaixo, naquela rua estreita, no porão baixo, morava um menino pobre e doente. Desde muito pequeno, sempre estivera preso à cama; quando estava melhor, conseguia percorrer o quartinho umas duas vezes, para lá e para cá, de muletas. Era tudo. Em alguns dias de verão, os raios de sol entravam por cerca de meia hora no vestíbulo do porão. Quando o menino se sentava ali, deixava o sol quente brilhar sobre ele e via o sangue vermelho através dos dedos delicados, que erguia diante do rosto, diziam: “Sim, hoje ele saiu!” Só conhecia a floresta com seu belo verde primaveril porque o filho do vizinho lhe trazia o primeiro ramo de faia; ele o segurava sobre a cabeça e sonhava que estava debaixo das faias, onde o sol brilhava e os pássaros cantavam. Um dia de primavera, o menino do vizinho lhe trouxe também flores do campo e, por acaso, entre elas havia uma com raiz. Por isso, plantaram-na num vaso e a puseram na janela, perto da cama. A flor fora plantada por uma mão feliz: cresceu, deu novos brotos e florescia todos os anos. Tornou-se o mais belo jardim do menino doente, seu pequeno tesouro nesta Terra. Ele a regava, cuidava dela e se certificava de que recebesse cada raio de sol, até o último que deslizava pela janela baixa. A própria flor crescia dentro de seus sonhos, pois era para ele que florescia, espalhava seu perfume e alegrava os olhos; para ela se voltou ao morrer, quando Nosso Senhor o chamou. Faz agora um ano que ele está com Deus; faz um ano que a flor ficou esquecida na janela e murchou, e por isso, na mudança, foi jogada com o lixo na rua. É essa flor, essa pobre flor murcha, que levamos no buquê, pois ela deu mais alegria do que a mais esplêndida flor do jardim de uma rainha.

— Mas como você sabe tudo isso? — perguntou a criança que o anjo levava para o Céu.

— Eu sei! — disse o anjo. — Eu mesmo era o menininho doente que andava de muletas! Conheço muito bem a minha flor!

A criança abriu os olhos por completo e olhou para o rosto belo e alegre do anjo. No mesmo instante, estavam no Céu de Deus, onde havia alegria e bem-aventurança. Deus apertou a criança morta contra o coração, e ela ganhou asas como o outro anjo e voou de mãos dadas com ele. Deus apertou todas as flores contra o coração, mas beijou a pobre flor do campo, murcha, e ela ganhou voz e cantou com todos os anjos que pairavam em torno de Deus: alguns bem perto, outros em grandes círculos ao redor deles, sempre mais longe, no infinito, mas todos igualmente felizes. Todos cantavam, pequenos e grandes, a criança boa e abençoada e a pobre flor do campo que estivera murcha, jogada no lixo, entre as tralhas do dia de mudança, na rua estreita e escura.


Sobre esta edição

Obra
Engelen
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Engelen

H. C. Andersens Eventyr og Historier · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind · 1905 · Dinamarquês · Jubilæumsudgave for danske Børn · Første Bind
Volume 1. Página 226–229. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

»Hver Gang et godt Barn dør, kommer der en Guds Engel ned til Jorden, tager det døde Barn paa sine Arme, breder de store, hvide Vinger ud, flyver hen over alle de Steder, Barnet har holdt af, og plukker en hel Haandfuld Blomster, som den bringer op til Gud for der at blomstre endnu smukkere end paa Jorden. Den gode Gud trykker alle Blomsterne til sit Hjerte, men den Blomst, som er ham kærest, giver han et Kys, og da faar den Stemme og kan synge med i den store Lyksalighed.«

Se, alt dette fortalte en Guds Engel, idet den bar et dødt Barn bort til Himlen, og Barnet hørte ligesom i Drømme; og de foer hen over de Steder i Hjemmet, hvor den lille havde leget, og de kom gennem Haver med dejlige Blomster.

»Hvilke skulle vi nu tage med og plante i Himlen?« spurgte Engelen.

Og der stod et slankt, velsignet Rosentræ, men en ond Haand havde knækket Stammen, saa at alle Grenene, fulde af store, halvudsprungne Knopper, hang visne ned rundt om.

»Det stakkels Træ!« sagde Barnet, »tag det, at det kan komme til at blomstre der oppe hos Gud!«

Og Engelen tog det, men kyssede Barnet derfor, og den lille aabnede halvt sine Øjne. De plukkede af de rige Pragtblomster, men tog ogsaa den foragtede Morgenfrue og den vilde Stedmoderblomst.

»Nu have vi Blomster!« sagde Barnet, og Engelen nikkede, men de fløj endnu ikke op mod Gud. Det var Nat, det var ganske stille, de bleve i den store By, de svævede om i en af de snævreste Gader, hvor der laa hele Bunker Halm, Aske og Skrimmelskrammel; der havde været Flyttedag; der laa Stykker af Tallerkener, Gipsstumper, Klude og gamle Hattepulde, alt, hvad der ikke saa godt ud.

Og Engelen pegede i al den Forstyrrelse ned paa nogle Skaar af en Urtepotte og paa en Klump Jord, der var falden ud af denne og holdtes sammen ved Rødderne af en stor, vissen Markblomst, der slet ikke duede og derfor var kastet ud paa Gaden.

»Den tage vi med!« sagde Engelen, »jeg skal fortælle dig, medens vi flyve!«

Og saa fløj de, og Engelen fortalte:

»Dernede i den snævre Gade, i den lave Kælder, boede en fattig, syg Dreng; fra ganske lille af havde han altid været sengeliggende; naar han var allermest rask, kunde han paa Krykker gaa den lille Stue et Par Gange op og ned, det var det hele. Nogle Dage om Sommeren faldt Solstraalerne en halv Times Tid ind i Kælderforstuen, og naar da den lille Dreng sad der og lod den varme Sol skinne paa sig og saa det røde Blod gennem sine fine Fingre, som han holdt op for Ansigtet, saa hed det: »Ja, i Dag har han været ude!« — Han kendte Skoven i dens dejlige Foraarsgrønne kun derved, at Naboens Søn bragte ham den første Bøgegren, og den holdt han over sit Hoved og drømte sig da at være under Bøgene, hvor Solen skinnede, og Fuglene sang. En Foraarsdag bragte Naboens Dreng ham ogsaa Markblomster, og mellem disse var, tilfældigvis, en med Rod ved, og derfor blev den plantet i en Urtepotte og stillet hen i Vinduet tæt ved Sengen. Og Blomsten var plantet med en lykkelig Haand, den voksede, skød nye Skud og bar hvert Aar sine Blomster; den blev den syge Drengs dejligste Urtegaard, hans lille Skat paa denne Jord; han vandede og passede den og sørgede for, at den fik hver Solstraale, lige til den sidste, der gled ned over det lave Vindue; og Blomsten selv voksede ind i hans Drømme, thi for ham blomstrede den, udspredte sin Duft og glædede Øjet; mod den vendte han sig i Døden, da Vor Herre kaldte ham. — Et Aar har han nu været hos Gud, et Aar har Blomsten staaet forglemt i Vinduet og er visnet, og derfor ved Flytningen kastet ud i Fejeskarnet paa Gaden. Og det er den Blomst, den fattige, visne Blomst, vi have taget med i Buketten, thi den Blomst har glædet mere end den rigeste Blomst i en Dronnings Have.«

»Men hvorfra veed du alt dette?« spurgte Barnet, som Engelen bar op mod Himlen.

»Jeg veed det!« sagde Engelen, »jeg var jo selv den syge, lille Dreng, der gik paa Krykker! min Blomst kender jeg nok!«

Og Barnet aabnede ganske sine Øjne og saa ind i Engelens dejlige, glade Ansigt, og i samme Øjeblik vare de i Guds Himmel, hvor der var Glæde og Lyksalighed. Og Gud trykkede det døde Barn til sit Hjerte, og da fik det Vinger som den anden Engel og fløj Haand i Haand med ham; og Gud trykkede alle Blomsterne til sit Hjerte, men den fattige, visne Markblomst kyssede han, og den fik Stemme og sang med alle Englene, der svævede om Gud, nogle ganske nær, andre uden om disse i store Kredse, altid længere borte i det uendelige, men alle lige lykkelige. Og alle sang de, smaa og store, det gode, velsignede Barn, og den fattige Markblomst, der havde ligget vissen, henkastet i Fejeskarnet, mellem Flyttedagsskramleriet, i den snævre, mørke Gade.

O anjo

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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