SCH 010

O Bolo

Christoph von Schmid

Der Kuchen

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Fritz, um menino vivo e alegre de dez anos, era filho do caçador de Grünenthal. Certa manhã, seu pai devia levar uma carta do senhor de Grünenthal a Rauhenstein, um castelo que ficava solitário, além de montanhas ásperas, numa floresta grande e densa. — Essa caminhada vai me custar — disse o pai. — Desde que torci o pé outro dia, na caçada, ele ainda não sarou inteiramente. E até Rauhenstein são umas três horas de caminho. Mas, como o senhor manda, vou arriscar. Fritz, porém, ofereceu-se para levar a carta. — Mande-me, querido pai! — disse ele. — É verdade que o caminho passa quase todo por matas, mas eu não tenho medo! Até a nossa pedra de divisa eu o conheço; e, dali em diante, hei de encontrá-lo e entregar a carta direitinho.

— Pois bem — disse o pai —, mas entregue a carta nas próprias mãos do senhor de Rauhenstein, que você conhece bem. Há muito dinheiro na carta, e você certamente receberá uma boa gorjeta. O pai ainda lhe descreveu com a maior precisão o caminho da divisa até Rauhenstein. Fritz pôs a pequena bolsa de caça a tiracolo, tomou às costas sua espingarda de caçar pássaros e partiu sem demora.

Fritz chegou sem dificuldade ao castelo de Rauhenstein e pediu aos criados que o anunciassem, pois recebera ordem de entregar a carta ao próprio senhor. Um criado o conduziu pela larga escadaria de pedra e o fez entrar numa sala magnífica. O senhor de Rauhenstein jogava cartas com alguns oficiais que o visitavam. Fritz fez uma reverência a todos os senhores e entregou a carta, na qual havia cem florins em ouro. O senhor de Rauhenstein foi à escrivaninha e escreveu algumas linhas para acusar o recebimento da carta. — Está bem — disse então, tornando a sentar-se à mesa de jogo. — Agora você pode ir embora. Por enquanto não é necessária outra resposta; ela virá depois.

Fritz desceu a escada de pedra bastante triste, pois estava com fome e sede e bastante cansado. Ao atravessar o pátio do castelo, encontrou a cozinheira, que vinha do jardim trazendo numa das mãos alguns pés de couve-flor e, na outra, uma faca. Pelo rosto do pobre menino, ela percebeu o que ele sentia no coração. — Venha comigo, caçadorzinho — disse com a bondade de um anjo. — Vou lhe dar alguma coisa para comer e um gole de cerveja. Do contrário, você pode desfalecer no caminho. Sua casa fica muito longe, e em todo o trajeto mal se encontra uma estalagem. Aliás, não leve a mal que o senhor não tenha mandado lhe dar comida. Ele não pensa nessas coisas; mas não se opõe a que se dê alguma coisa às pessoas.

A cozinheira levou Fritz à cozinha, onde o fogo ardia alto no fogão e havia muitas panelas e assadeiras espalhadas. — Deixe aqui sua bolsa de caça e sua arma e sente-se aqui! — disse ela, apontando uma mesinha no canto da cozinha, ao lado da qual havia um banco preso à parede. Trouxe sopa, carne e legumes, além de pão e uma pequena caneca de cerveja. O bom Fritz saboreou tudo como poucas vezes na vida. Sentiu-se inteiramente refeito e disse várias vezes à bondosa cozinheira: — Deus lhe pague! E, com uma reverência como se ela fosse a senhora do castelo, beijou-lhe a mão, embora ela não quisesse consentir nisso.

Alegre e satisfeito, Fritz tomou o caminho de casa. Mas, depois de ter andado cerca de meia hora pela floresta, avistou um esquilo numa clareira onde havia alguns carvalhos velhos. Aquele animalzinho bonito e vivo era uma raridade para ele, pois no território de caça de Grünenthal mal havia visto um ou dois. Ele ainda era um tanto infantil, e talvez a boa cerveja também lhe tivesse subido um pouco à cabeça. Ocorreu-lhe apanhar vivo o esquilo, que parecia ainda novo. Atirou nele um pedaço de galho seco que encontrou debaixo das árvores, perseguiu-o de carvalho em carvalho até a parte mais densa da floresta e, com isso, perdeu o caminho certo. Vagou pela mata durante o resto do dia e metade da noite, até que, cansado de tanto correr de um lado para outro e de tanto medo, se meteu debaixo de um arbusto baixo e adormeceu. Dormiu muito inquieto e se levantou quase mais exausto do que quando se deitara. Olhou em volta e seguiu adiante, ainda sem saber para que lado se voltar. Toda a região lhe era desconhecida. Os muitos cervos que, assustados por ele, fugiam aqui e ali fizeram-no supor que devia estar numa parte da floresta onde ninguém costumava ir. Uma vara de porcos selvagens, entre os quais havia um javali feroz e extraordinariamente grande que o ameaçava com as presas afiadas, encheu-o de pavor, e ele fugiu com medo de morrer. Por fim chegou o meio-dia, e ele estava tão cansado e faminto que já não podia continuar. Gritara até ficar rouco, mas não ouvira resposta senão o eco. Em parte alguma encontrava uma baga ou sequer uma gota de água para matar a fome e a sede. Desolado, atirou-se debaixo de um abeto. Rezou fervorosamente, pedindo a Deus que não o deixasse morrer à míngua. Atormentado pela fome, procurou na bolsa de caça alguma migalha do pão que trouxera de casa e comera no caminho de Rauhenstein. Mas que espanto, que alegria o tomou de repente! Na bolsa de caça havia um belo e grande pedaço de bolo, junto com algumas peras suculentas. — Foi a boa cozinheira que pôs isto na minha bolsa de caça sem que eu percebesse! — exclamou. Agradeceu a Deus com lágrimas e fez-Lhe a promessa sagrada de ser caridoso com todos os necessitados, sobretudo com os desconhecidos. Também decidiu retribuir generosamente esse benefício à caridosa Rosalie — assim se chamava a cozinheira —, se algum dia viesse a ser suficientemente rico. — Pois, depois de Deus, foi a bondade dela que salvou minha vida — disse ele. — Sem sua generosa dádiva, eu certamente teria morrido à míngua aqui nesta floresta selvagem.

Fritz levantou-se com forças renovadas e tornou a pôr-se corajosamente a caminho. Pelo que conseguia deduzir da posição do sol, caminhou na direção de Grünenthal. Depois de uma hora, ouviu ao longe os golpes de um machado. Seguiu o som e encontrou dois lenhadores que derrubavam um grande abeto. Eles lhe mostraram o caminho para Grünenthal, e assim ele finalmente voltou são e salvo para casa, para grande alegria dos pais, que haviam passado muita aflição por sua causa.

O pai, entretanto, deu ao menino uma repreensão severa e muitas boas lições. — É isso que acontece — disse, entre outras coisas — quando a gente se deixa levar por algum desejo e se afasta do caminho certo. Você poderia ter morrido à míngua na floresta selvagem, longe da casa paterna, e nem sequer realizou seu desejo insensato de apanhar aquele esquilinho. Nosso caminho pela vida se parece com o caminho por uma floresta perigosa: também nele muitos prazeres dançam diante dos nossos olhos, como aquele animalzinho sedutor, e procuram nos desviar da senda da virtude. Assim como eu lhe descrevi fielmente o caminho certo por aquela floresta, querido Fritz, Deus nos traça, por Seus mandamentos, o caminho certo para a peregrinação pela vida. Não se deixe seduzir por nenhum prazer terreno a desviar-se dele, para a direita ou para a esquerda. Do contrário, você facilmente poderá cair na perdição e jamais alcançar a verdadeira casa paterna, lá no alto.

— De modo geral — acrescentou o pai —, a ânsia de prazeres desvia o senso reto do homem e torna seu coração insensível aos sentimentos melhores. O senhor de Rauhenstein, de quem você ficou tão descontente, não é, de resto, um homem mau. Mas, como estava absorvido pelo jogo, nem lhe ocorreu o quanto você precisava se refazer, e ele nem sequer pensou em lhe dar uma pequena gorjeta, embora pudesse tê-lo alegrado muito com a centésima parte do que talvez tenha perdido no jogo naquela manhã. Mas guarde-se daquilo que lhe desagrada nos outros; em meio ao seu prazer, não se esqueça de alegrar seus semelhantes e fazer-lhes o bem. Faça também aquilo que lhe agrada nos outros; seja sempre tão compassivo e caridoso com todas as pessoas como a boa cozinheira do castelo, Rosalie, foi com você.

Fritz tornou-se um caçador muito hábil, fiel e incansável no serviço, amável e prestativo com todos, e toda a sua conduta era irrepreensível. Mas era especialmente compassivo e caridoso com os viajantes honrados que passavam necessidade. Não se esquecera do benefício que Rosalie lhe fizera. Por isso, chegou a ir de propósito a Rauhenstein para lhe contar quanto tinha a agradecer. Ela, porém, já havia deixado o serviço, e ninguém no castelo sabia informar onde se encontrava. Ele não teve mais notícias de sua benfeitora.

Alguns anos depois, por sua extraordinária habilidade e honestidade, Fritz passou a servir como ajudante do mestre de caça do príncipe e, mais tarde, obteve o lucrativo posto de caçador em Tanneck. Contava à esposa, que tinha sentimentos tão bons quanto os dele, muitas coisas dos dias de sua infância, sobretudo a respeito da amável Rosalie, cuja caridade lhe salvara a vida. Como não podiam retribuir à boa Rosalie o benefício recebido, ambos decidiram ser tão caridosos com todos os necessitados quanto estivesse ao seu alcance. E tinham muitas oportunidades para isso, pois a bela casa nova do caçador, em Tanneck, ficava a poucos passos da estrada, à entrada da floresta.

Certa tarde abafada, a mulher do caçador foi buscar um copo de água na fonte próxima. Ali viu uma mulher da cidade vestida um tanto pobremente, mas com muito asseio, que descansava e parecia bastante cansada. Estava sentada no banco de relva que seu marido fizera para comodidade dos viajantes, à sombra de dois abetos, perto da fonte. Uma cesta trançada com tampa estava ao lado dela no banco de relva, e uma bengala se apoiava ali. A expressão suave, mas melancólica da mulher tocou o coração da esposa do caçador, que a cumprimentou amavelmente e a convidou a entrar na sala, onde lhe serviria alguma coisa para se refazer. A desconhecida aceitou com gratidão o amável convite e entrou. A mulher do caçador serviu-lhe um pedaço de assado de cervo que sobrara e um copo de cerveja. As duas logo se tornaram íntimas, e a desconhecida contou a preocupação que lhe pesava no coração.

— Moro a umas doze horas daqui — disse ela. — Meu marido é um mestre muito bom na fabricação de rifles, espingardas e pistolas. Trabalhava dia e noite e ganhava o suficiente para sustentar a nós e aos dois filhos com que Deus abençoou nosso casamento, e ainda podíamos guardar alguma coisa. Mas há algum tempo o bom Deus nos tem visitado com toda espécie de desgraças. Meu marido teve o infortúnio de ver explodir uma espingarda nova que experimentava; sua mão ficou tão ferida que há cerca de um ano ele já não consegue ganhar nada. A guerra, que também devastou nossa região, já nos fizera perder muita coisa. A falta de ganhos e os gastos com o tratamento nos fizeram regredir ainda mais. Por fim, uma doença do gado nos tirou as vacas. Como já tivemos de contrair dívidas sobre nossa casa e nossos prados, ninguém quis nos adiantar dinheiro para comprar pelo menos outra vaca, que nos é absolutamente necessária para viver. Tenho um irmão que possui uma boa fortuna e mora a umas duas longas jornadas da minha terra. “Meu irmão há de me emprestar o dinheiro necessário!”, pensei. Empreendi a longa viagem para lhe contar minha necessidade e buscar auxílio. Com vinte a trinta florins, eu poderia ter comprado uma vaca, e estaríamos socorridos. Meu irmão estava muito disposto a me dar o dinheiro de presente, mas minha cunhada nem sequer consentiu em que ele mo adiantasse. Ficou muito zangada comigo e me fez duras censuras por eu ter me casado com um homem sem fortuna. Meu irmão, contudo, deu-me às escondidas uma pequena quantia, com a qual mal posso pagar metade da viagem. Era, no entanto, todo o dinheiro de bolso que lhe deixavam para seus divertimentos. Acabo de vir de lá.

— Ah! — suspirou ela, enxugando os olhos. — Tenho pena de meu irmão; mas tenho ainda mais pena de meu bom marido e de meus queridos filhos! Esperam minha volta com angústia e contam com auxílio certo; como lhes doerá se eu voltar de mãos vazias!

Nesse meio-tempo, o caçador voltou da caçada com a bolsa bem cheia. Cumprimentou a desconhecida com muita amabilidade. Sua esposa contou como havia chamado a mulher para entrar e qual era a preocupação daquela boa senhora.

— Muito bem, Dorchen! — disse o caçador. — Alegra-me a alma que você tenha agido de acordo com meus sentimentos e repartido com essa desconhecida aflita aquilo que Deus nos concedeu. A caridade, sobretudo para com desconhecidos e viajantes, é um dos deveres mais sagrados.

— Tenho ainda uma razão especial para isso! — disse à desconhecida, puxando uma cadeira, sentando-se à mesa e pedindo à esposa que lhe trouxesse uma caneca de cerveja. Começou a contar a história de sua juventude: como a boa Rosalie, cozinheira em Rauhenstein, o salvara de morrer de fome com um pedaço de bolo.

— Santo Deus! — exclamou então a desconhecida, juntando as mãos. — Aquela cozinheira era eu. Chamo-me Rosalie; o senhor se chama Friedrich, e seu falecido pai era guarda-florestal em Grünenthal. Ainda posso lhe recordar algumas pequenas circunstâncias que não mencionou em sua história. A comida que lhe servi consistia, além da sopa, em ervilhas verdes e cenouras com carne defumada; a pequena caneca de vidro transparente em que lhe trouxe a cerveja tinha uma tampa de estanho com um cervo representado, de que o senhor gostou muito. Mas estava descontente com o senhor de Rauhenstein e disse que ele não tinha esse nome à toa; eu, porém, o defendi e disse que era mais brando do que parecia. Na despedida, o senhor beijou minha mão por gratidão, contra minha vontade. Nem posso dizer como me alegra ter lhe prestado tão grande serviço com aquele pedacinho de bolo e reencontrá-lo tão inesperadamente e em tão boas condições. Como Deus dispõe tudo de maneira maravilhosa! Mas eu já não o teria reconhecido. O pequeno caçadorzinho se tornou um homem robusto e imponente, e Deus, pelo que vejo, o abençoou em tudo.

O caçador tornou a cumprimentar Rosalie e deu-lhe mil vezes as boas-vindas. — Logo à primeira vista, a senhora me pareceu conhecida — disse ele —, mas não consegui me lembrar claramente de imediato. Pouco depois, porém, pareceu-me que, embora o tempo a tivesse mudado um pouco, era aquela bondosa Rosalie. Quis primeiro ter certeza e, por isso, lhe contei aquela história. Agora, graças a Deus, eu a reencontrei; minha alegria é indescritível. Hoje a senhora não pode seguir viagem. Dorchen, ponha na mesa tudo o que a cozinha e a adega puderem oferecer!

Rosalie não queria deixar-se deter. — Amanhã à tarde tenho de chegar em casa — disse. — Como o maior calor já passou, quero caminhar ainda algumas horas hoje, pois doze horas seriam demais para o dia de amanhã.

Mas o caçador disse: — Isso se recupera. Amanhã atrelarei meu cavalo tordilho à minha carroça leve e aberta e a levarei tão longe quanto o animal puder correr. Se depois de amanhã eu não tivesse necessariamente de comparecer a uma caçada que o príncipe oferece a alguns hóspedes ilustres, eu a levaria até sua casa.

A mulher do caçador também demonstrou grande alegria por conhecer a salvadora de seu marido. Rosalie teve de ceder aos pedidos unidos daquela boa gente. Ficou, e a mulher do caçador preparou um jantar campestre excepcionalmente bom. Ao fim da refeição, trouxe ainda um bolo. Fora preparado da mesma maneira que aquele bolo de Rosalie e estava, além disso, cercado das mais belas flores. No meio dele, porém, estavam dispostas, com grandes pérolas de açúcar branco, as palavras: “Por gratidão”.

— Ah! — disse Rosalie. — Não cortem esse belo bolo; estou tão satisfeita que não poderia comer nem mais um bocado dele.

— Pois bem — disse a mulher do caçador —, então amanhã deverá levar o bolo para seus filhos, na cesta.

O caçador também mandara trazer vinho de sua adega, e ele e sua Dorchen beberam várias vezes à saúde de Rosalie, que precisava brindar com eles a cada vez. — Pois, sem sua caridade, não estaríamos sentados aqui — disse-lhe o caçador —, e esta casa, na qual eu e minha Dorothea somos tão felizes, seria habitada por outras pessoas.

Na manhã seguinte, o caçador atrelou o cavalo assim que surgiu a aurora, para poder levar sua salvadora bem longe. Sua esposa cuidara de um farto café da manhã e encheu a cesta quase vazia da boa mulher com o bolo, alguns outros alimentos para a viagem e toda espécie de pequenos presentes para seus dois filhos. O caçador a levou muito além da metade do caminho. Por fim, despediu-se e prometeu que ele e a esposa logo iriam visitá-la e encomendariam algumas armas novas a seu marido, o que de fato aconteceu mais tarde.

Rosalie continuou alegremente a viagem. Ao se aproximar de onde morava, avistou seus dois filhos, Wilhelm e Therese, que tinham percorrido parte do caminho para encontrá-la. Assim que viram a mãe, as crianças correram ao seu encontro com altos gritos de alegria. Quiseram saber imediatamente o que ela trouxera na cesta. — Esperem até chegarmos em casa — disse a mãe. — Não se deve ser tão curioso e guloso.

O marido veio ao seu encontro à porta, e todos entraram juntos na casa. Primeiro, a mãe contou como a cunhada a havia tratado com dureza e disse então que, infelizmente, não trazia dinheiro. O marido ficou muito triste com isso, e nada do que ela contou sobre a boa acolhida do caçador conseguiu alegrá-lo. A mãe, entretanto, abriu a cesta e tirou o bolo. Diante do belo bolo, as crianças esqueceram todas as aflições e fizeram uma grande festa. O pai, porém, mal podia conter as lágrimas.

— De que nos serve o bolo? — disse ele. — Pois onde arranjaremos agora vinte a trinta florins para uma vaca? Mas eis que, quando a mãe quis cortar o bolo e repartir os pedaços com as crianças, a faca ficou presa nele, e ela não conseguiu cortá-lo de lado a lado.

— Que bolo estranho! — disse ela. — Deve ter ido parar alguma coisa dura dentro dele por engano, quando foi assado! Quebrou o bolo e apareceram primeiro um par de táleres de coroa novos e, pouco a pouco, uma dúzia inteira desses táleres. A boa mãe teve uma alegria tão grande e inesperada como a do pequeno caçador Fritz, quando encontrara tão de repente o pedaço de bolo na bolsa de caça. — Meu Deus! — disse ela. — O bom caçador Friedrich mandou sua bondosa esposa assar este dinheiro dentro do bolo para que possamos comprar uma vaca e sejamos socorridos em nossa necessidade.

— O dinheiro dá exatamente trinta e dois florins e vinte e quatro kreuzer — disse o pequeno Wilhelm, que já aprendia cálculo mental na escola. — Com isso podemos comprar uma vaca muito bonita.

— E então teremos de novo leite e pão com manteiga! — exclamou a pequena Therese, saltando de alegria pela sala.

O pai, porém, tirou o gorro e agradeceu a Deus com lágrimas, e a mãe e os filhos se uniram à sua ação de graças. — O pedacinho de bolo que você deu ao jovem caçador há muitos anos foi um capital bem aplicado — disse ele. — Agora o recebemos de volta com juros de cem, de mil vezes o seu valor.

— Sim — disse a mãe —, e cada dádiva, mesmo a menor, que dermos a um necessitado será um dia recompensada no Céu de modo infinitamente mais abundante!

— Ó filhos — disse o pai —, sejamos misericordiosos, e encontraremos misericórdia.


Sobre esta edição

Obra
Der Kuchen
Autoria original
Christoph von Schmid
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
03/11/2026

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As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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