KHM 6
O fiel João
Der treue Johannes
Sobre este conto
Ao morrer, um rei confia seu filho aos cuidados do fiel João e proíbe que lhe mostre o retrato de uma princesa. O jovem insiste em vê-lo e se apaixona. Para ajudá-lo, João organiza uma viagem e depois ouve três corvos anunciarem perigos que só poderá evitar à custa de sua própria vida.
Personagens e estrutura
- Personagens
- O fiel João, O velho rei, O jovem rei, filho do velho rei, A princesa do telhado de ouro, depois rainha, A camareira da princesa, Três corvos, Os outros criados do rei, Os dois filhos gêmeos do rei e da rainha
- Onde se passa
- O castelo do velho rei, a cidade da princesa do telhado de ouro, um navio em alto-mar e o castelo do jovem rei.
- Acontecimentos
- O velho rei pede a João que cuide do filho e esconda o retrato de uma princesa; o jovem vê o quadro e se apaixona.
- Disfarçados de mercadores, João e o rei atraem a princesa para um navio com objetos de ouro; ela é raptada e depois aceita casar-se.
- Três corvos anunciam um cavalo perigoso, uma camisa de enxofre e piche e o desmaio mortal da noiva; revelar os segredos transforma o informante em pedra.
- João mata o cavalo, queima a camisa e salva a rainha sugando três gotas de sangue de seu seio direito. O rei manda prendê-lo.
- Condenado à forca, João explica suas ações e se transforma em pedra. Mais tarde, diz ao rei como pode recuperar a vida.
- O rei decapita os dois filhos e usa o sangue para reanimar João, que recoloca as cabeças e cura as crianças.
- Desfecho
- A rainha dá à luz dois meninos gêmeos. Enquanto ela está na igreja, João, transformado em pedra, diz que voltará à vida se o rei cortar a cabeça dos filhos e untá-lo com o sangue deles. O rei o faz. João revive, recoloca as cabeças das crianças e cura suas feridas com o sangue. O rei os esconde num armário e pergunta à rainha se aceitaria sacrificar os filhos para salvar João. Ela aceita, por gratidão à fidelidade dele. O rei revela que todos estão vivos, louva a Deus e conta o ocorrido. Vivem juntos em felicidade até o fim.
Era uma vez um velho rei que estava doente e pensava: “Este deve ser o leito de morte em que estou deitado.” Então disse:
— Mandem chamar o fiel João.
O fiel João era seu servidor mais querido. Tinha esse nome porque lhe fora fiel a vida inteira. Quando chegou diante da cama, o rei lhe disse:
— Meu fidelíssimo João, sinto que meu fim se aproxima, e minha única preocupação é meu filho. Ele ainda é jovem e nem sempre sabe o que fazer. Se você não me prometer ensinar-lhe tudo o que precisa saber e cuidar dele como um pai, não poderei fechar os olhos em paz.
O fiel João respondeu:
— Não vou abandoná-lo. Vou servi-lo com fidelidade, mesmo que isso me custe a vida.
— Assim morro tranquilo e em paz — disse o velho rei.
E continuou:
— Depois da minha morte, mostre a ele o castelo inteiro, todos os aposentos, salões e câmaras abobadadas, e todos os tesouros que há neles. Mas não lhe mostre o último quarto do longo corredor, onde está guardado o retrato da princesa do telhado de ouro. Se vir o retrato, sentirá por ela um amor violento, cairá desmaiado e, por causa dela, correrá grandes perigos. Você deve protegê-lo disso.
Quando o fiel João voltou a apertar a mão do velho rei, dando sua palavra, este ficou quieto, pousou a cabeça no travesseiro e morreu.
Depois que o velho rei foi enterrado, o fiel João contou ao jovem rei o que prometera a seu pai no leito de morte e disse:
— Vou cumprir minha promessa e ser fiel a você como fui a ele, ainda que isso me custe a vida.
Passou o luto, e o fiel João lhe disse:
— Agora é hora de conhecer sua herança. Vou mostrar o castelo que foi de seu pai.
Levou-o por toda parte, para cima e para baixo, e deixou que visse todas as riquezas e os magníficos aposentos. Só não abriu o quarto onde estava o retrato perigoso. O quadro fora colocado de tal maneira que, ao abrir a porta, os olhos davam diretamente nele. Era tão bem-feito que parecia vivo em carne e osso, e nada no mundo parecia mais encantador e belo. Mas o jovem rei percebeu que o fiel João sempre passava diante de uma porta sem abri-la e perguntou:
— Por que você nunca abre esta porta para mim?
— Há uma coisa aí dentro que vai assustá-lo — respondeu ele.
Mas o rei disse:
— Vi o castelo inteiro, e quero saber também o que há aí dentro.
Foi até a porta e quis abri-la à força. O fiel João o conteve e disse:
— Prometi a seu pai, antes de ele morrer, que você não veria o que há nesse quarto. Isso poderia trazer uma grande desgraça para nós dois.
— Ah, não! — respondeu o jovem rei. — Se eu não entrar, será minha perdição certa. Não terei sossego de dia nem de noite até ver com meus próprios olhos. Não saio daqui enquanto você não abrir.
O fiel João viu que não havia mais como evitar aquilo. Com o coração pesado e muitos suspiros, procurou a chave no grande molho. Quando abriu a porta, entrou primeiro, pensando em cobrir o retrato para que o rei não o visse por trás dele. Mas de que adiantou? O rei ficou na ponta dos pés e olhou por cima de seu ombro. Quando viu o retrato da moça, tão magnífico, resplandecente de ouro e pedras preciosas, caiu desmaiado no chão. O fiel João o levantou, levou-o para a cama e pensou, aflito: “A desgraça aconteceu. Senhor Deus, o que será disso?” Depois o reanimou com vinho, até que recuperasse os sentidos. As primeiras palavras que o rei disse foram:
— Ah! Quem é a bela mulher do retrato?
— É a princesa do telhado de ouro — respondeu o fiel João.
O rei continuou:
— Meu amor por ela é tão grande que, se todas as folhas das árvores fossem línguas, não conseguiriam exprimi-lo. Arrisco minha vida para conquistá-la. Você é meu fidelíssimo João e precisa me ajudar.
O fiel servidor pensou por muito tempo em como começar, pois já era difícil conseguir chegar à presença da princesa. Por fim, teve uma ideia e disse ao rei:
— Tudo o que ela tem ao redor é de ouro: mesas, cadeiras, travessas, taças, tigelas e todos os utensílios da casa. Em seu tesouro há cinco tonéis de ouro. Mande os ourives do reino transformar um deles em toda espécie de recipientes e utensílios, em aves, animais de caça e animais extraordinários. Isso vai agradá-la. Vamos viajar até lá com essas coisas e tentar a sorte.
O rei mandou chamar todos os ourives. Eles tiveram de trabalhar dia e noite, até ficarem prontos os mais magníficos objetos. Quando tudo foi carregado num navio, o fiel João vestiu roupas de mercador, e o rei teve de fazer o mesmo para ficar inteiramente irreconhecível. Atravessaram o mar e viajaram até chegar à cidade onde morava a princesa do telhado de ouro.
O fiel João mandou o rei ficar no navio e esperá-lo.
— Talvez eu traga a princesa comigo — disse. — Por isso, cuide para que tudo esteja em ordem. Mande expor os objetos de ouro e enfeitar o navio inteiro.
Depois juntou no avental alguns daqueles objetos, desembarcou e foi direto ao castelo real. Quando chegou ao pátio, havia junto ao poço uma bela moça, com dois baldes de ouro nas mãos, tirando água. Quando ela se virou para levar a água cintilante, viu o estrangeiro e perguntou quem era.
— Sou um mercador — respondeu ele.
Abriu o avental e a deixou olhar.
— Ah, que belas peças de ouro! — exclamou ela.
Pousou os baldes e examinou uma por uma. Então disse:
— A princesa precisa ver isso. Ela gosta tanto de objetos de ouro que vai comprar tudo do senhor.
Pegou-o pela mão e o levou para cima, pois era a camareira. Quando viu as mercadorias, a princesa ficou encantada e disse:
— São tão bem-feitas que quero comprar tudo.
Mas o fiel João respondeu:
— Sou apenas o criado de um rico mercador. O que tenho aqui não é nada perto do que meu senhor tem em seu navio. São as peças mais primorosas e preciosas que já se fizeram em ouro.
Ela quis que trouxessem tudo para o castelo, mas ele disse:
— Seriam necessários muitos dias, tamanha é a quantidade, e tantos salões para expor tudo que sua casa não teria espaço suficiente.
A curiosidade e a vontade dela aumentaram tanto que, por fim, disse:
— Leve-me ao navio. Quero ir pessoalmente ver os tesouros de seu senhor.
O fiel João, muito contente, levou-a até o navio. Quando o rei a viu, percebeu que sua beleza era ainda maior do que o retrato mostrava, e sentiu como se o coração fosse arrebentar. Ela embarcou, e o rei a conduziu para dentro. O fiel João ficou junto ao timoneiro e mandou afastar o navio da costa.
— Abram todas as velas, para que ele voe como um pássaro no ar!
Lá dentro, o rei mostrava a ela cada peça de ouro: as travessas, as taças, as tigelas, as aves, os animais de caça e os animais extraordinários. Muitas horas se passaram enquanto ela examinava tudo. Em sua alegria, não percebeu que o navio seguia viagem. Depois de olhar o último objeto, agradeceu ao mercador e quis voltar para casa. Mas, quando chegou à borda do navio, viu que ele já estava longe da terra, em alto-mar, avançando a toda vela.
— Ah! — gritou, assustada. — Fui enganada, fui raptada e caí em poder de um mercador! Preferia morrer!
O rei, porém, pegou sua mão e disse:
— Não sou um mercador. Sou um rei, e minha origem não é inferior à sua. Se a raptei por meio de um ardil, foi por um amor imenso. Na primeira vez em que vi seu retrato, caí desmaiado no chão.
Ao ouvir isso, a princesa do telhado de ouro se consolou, e seu coração se inclinou para ele. Assim, consentiu de boa vontade em tornar-se sua esposa.
Enquanto viajavam em alto-mar, aconteceu de o fiel João, que estava sentado na proa fazendo música, avistar três corvos que voavam pelo ar. Parou de tocar e escutou o que diziam uns aos outros, pois entendia sua linguagem. Um deles gritou:
— Vejam, lá vai ele levando para casa a princesa do telhado de ouro!
— Sim — respondeu o segundo —, mas ainda não a tem.
— Tem, sim — disse o terceiro. — Ela está sentada ao lado dele no navio.
O primeiro tornou a falar:
— De que adianta? Quando chegarem à terra, um cavalo alazão virá saltando ao seu encontro. Ele vai querer montá-lo. Se fizer isso, o cavalo disparará com ele, subirá pelos ares, e nunca mais ele tornará a ver sua moça.
— Não há salvação? — perguntou o segundo.
— Há, sim. Se outra pessoa montar depressa, tirar a arma de fogo que deve estar nos coldres e matar o cavalo com um tiro, o jovem rei estará salvo. Mas quem sabe disso? E quem souber e contar a ele se transformará em pedra, dos dedos dos pés até os joelhos.
O segundo disse:
— Sei de mais uma coisa. Mesmo que o cavalo seja morto, o jovem rei não conservará sua noiva. Quando chegarem juntos ao castelo, haverá numa travessa uma camisa de casamento pronta, que parecerá tecida de ouro e prata, mas não será nada além de enxofre e piche. Se ele a vestir, ela o queimará até a medula e os ossos.
— Não há salvação? — perguntou o terceiro.
— Há, sim — respondeu o segundo. — Se alguém pegar a camisa com luvas e a jogar no fogo para que queime, o jovem rei estará salvo. Mas de que adianta? Quem souber disso e contar a ele terá metade do corpo transformada em pedra, dos joelhos até o coração.
O terceiro disse:
— Sei de mais uma coisa. Mesmo que a camisa de casamento seja queimada, o jovem rei ainda não terá sua noiva. Quando a dança começar depois do casamento e a jovem rainha estiver dançando, ela de repente ficará pálida e cairá como morta. Se ninguém a levantar, extrair três gotas de sangue de seu seio direito e cuspi-las, ela morrerá. Mas, se alguém que sabe disso o revelar, terá o corpo inteiro transformado em pedra, do alto da cabeça até os dedos dos pés.
Depois dessa conversa, os corvos seguiram voando. O fiel João entendera tudo muito bem, mas, desde então, ficou calado e triste. Se escondesse de seu senhor o que ouvira, ele seria infeliz. Se revelasse, teria de dar a própria vida. Por fim, disse a si mesmo:
— Vou salvar meu senhor, mesmo que eu próprio pereça por isso.
Quando chegaram à terra, aconteceu como o corvo previra: um magnífico cavalo alazão veio galopando ao encontro deles.
— Muito bem — disse o rei —, ele me levará ao meu castelo.
Quis montar, mas o fiel João se adiantou, saltou depressa sobre o cavalo, tirou a arma dos coldres e o matou com um tiro. Os outros criados do rei, que não gostavam do fiel João, gritaram:
— Que vergonha matar o belo animal que deveria levar o rei ao castelo!
Mas o rei disse:
— Calem-se e deixem-no! É meu fidelíssimo João. Quem sabe para que isso serve?
Foram então para o castelo. No salão havia uma travessa com a camisa de casamento pronta, que parecia mesmo ser de ouro e prata. O jovem rei se aproximou e quis pegá-la, mas o fiel João o afastou, agarrou a camisa com luvas, levou-a depressa ao fogo e a deixou queimar. Os outros criados tornaram a resmungar:
— Vejam, agora ele está queimando até a camisa de casamento do rei!
Mas o jovem rei disse:
— Quem sabe para que isso serve? Deixem-no! É meu fidelíssimo João.
Celebraram o casamento. Começou a dança, e a noiva também entrou na roda. O fiel João ficou atento, observando seu rosto. De repente, ela empalideceu e caiu no chão como morta. Ele correu até ela, levantou-a e a levou para um quarto. Ali a deitou, ajoelhou-se, sugou três gotas de sangue de seu seio direito e as cuspiu. Ela logo tornou a respirar e se recuperou. Mas o jovem rei vira tudo sem saber por que o fiel João fizera aquilo. Enfurecido, gritou:
— Joguem-no na prisão!
Na manhã seguinte, o fiel João foi condenado e levado à forca. Quando já estava lá em cima, prestes a ser executado, disse:
— Todo aquele que vai morrer pode falar mais uma vez antes do fim. Terei também esse direito?
— Sim — respondeu o rei. — Isso lhe será permitido.
Então o fiel João disse:
— Fui condenado injustamente e sempre lhe fui fiel.
Contou como ouvira no mar a conversa dos corvos e como tivera de fazer tudo aquilo para salvar seu senhor. O rei gritou:
— Ah, meu fidelíssimo João! Perdão! Perdão! Tirem-no daí!
Mas, ao pronunciar a última palavra, o fiel João caíra sem vida e se transformara em pedra.
O rei e a rainha ficaram profundamente aflitos. O rei disse:
— Ah, como recompensei mal tamanha fidelidade!
Mandou erguer a estátua de pedra e colocá-la em seu quarto, ao lado da cama. Sempre que olhava para ela, chorava e dizia:
— Ah, se eu pudesse devolver a vida a você, meu fidelíssimo João!
Passou algum tempo, e a rainha deu à luz gêmeos, dois meninos, que cresceram e eram sua alegria. Um dia, enquanto a rainha estava na igreja e as duas crianças estavam sentadas junto do pai, brincando, ele tornou a olhar tristemente para a estátua de pedra, suspirou e disse:
— Ah, se eu pudesse devolver a vida a você, meu fidelíssimo João!
Então a pedra começou a falar:
— Sim, você pode me devolver a vida, se quiser sacrificar o que tem de mais querido.
O rei exclamou:
— Tudo o que tenho no mundo, eu daria por você!
A pedra continuou:
— Se, com sua própria mão, você cortar a cabeça de seus dois filhos e me untar com o sangue deles, recuperarei a vida.
O rei se assustou ao ouvir que deveria matar seus queridos filhos. Mas pensou na grande fidelidade de João e em como ele morrera por sua causa. Sacou a espada e, com a própria mão, cortou a cabeça dos filhos. Quando untou a pedra com o sangue deles, a vida retornou, e o fiel João voltou a estar diante dele, vivo e são.
— Sua fidelidade não ficará sem recompensa — disse ao rei.
Pegou as cabeças das crianças, recolocou-as e untou a ferida com o sangue delas. No mesmo instante, elas ficaram curadas, puseram-se a saltar e continuaram brincando como se nada lhes tivesse acontecido. O rei ficou cheio de alegria. Quando viu a rainha se aproximando, escondeu o fiel João e as duas crianças num grande armário. Assim que ela entrou, perguntou:
— Você rezou na igreja?
— Sim — respondeu ela. — Mas pensei o tempo todo no fiel João e na desgraça que sofreu por nossa causa.
Então ele disse:
— Querida esposa, podemos devolver a vida a ele, mas isso nos custará nossos dois filhinhos. Teremos de sacrificá-los.
A rainha empalideceu e se assustou no íntimo, mas disse:
— Devemos isso a ele por sua grande fidelidade.
O rei se alegrou ao ver que ela pensava como ele pensara. Foi abrir o armário, tirou de lá os filhos e o fiel João e disse:
— Louvado seja Deus! Ele está salvo, e temos nossos filhinhos de volta!
Contou a ela como tudo acontecera. E viveram juntos em felicidade até o fim de seus dias.
Sobre esta edição
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- Der treue Johannes
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- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
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Der treue Johannes
Ler o original em alemão
Es war einmal ein alter König, der war krank und dachte „es wird wohl das Todtenbett sein, auf dem ich liege.“ Da sprach er „laßt mir den getreuen Johannes kommen.“ Der getreue Johannes war sein liebster Diener, und hieß so, weil er ihm sein Lebelang so treu gewesen war. Als er nun vor das Bett kam, sprach der König zu ihm „getreuester Johannes, ich fühle daß mein Ende heran naht, und da habe ich keine andere Sorge als um meinen Sohn: er ist noch in jungen Jahren, wo er sich nicht immer zu rathen weiß, und wenn du mir nicht versprichst ihn zu unterrichten in allem, was er wissen muß, und sein Pflegevater zu sein, so kann ich meine Augen nicht in Ruhe schließen.“ Da antwortete der getreue Johannes „ich will ihn nicht verlassen, und will ihm mit Treue dienen, wenns auch mein Leben kostet.“ Da sagte der alte König „so sterb ich getrost und in Frieden.“ Und sprach dann weiter „nach meinem Tode sollst du ihm das ganze Schloß zeigen, alle Kammern, Säle und Gewölbe, und alle Schätze, die darin liegen: aber die letzte Kammer in dem langen Gange sollst du ihm nicht zeigen, worin das Bild der Königstochter vom goldenen Dache verborgen steht. Wenn er das Bild erblickt, wird er eine heftige Liebe zu ihr empfinden, und wird in Ohnmacht niederfallen und wird ihretwegen in große Gefahren gerathen; davor sollst du ihn hüten.“ Und als der treue Johannes nochmals dem alten König die Hand darauf gegeben hatte, ward dieser still, legte sein Haupt auf das Kissen und starb. Als der alte König zu Grabe getragen war, da erzählte der treue Johannes dem jungen König was er seinem Vater auf dem Sterbelager versprochen hatte, und sagte „das will ich gewißlich halten, und will dir treu sein, wie ich ihm gewesen bin, und sollte es mein Leben kosten.“ Die Trauer gieng vorüber, da sprach der treue Johannes zu ihm „es ist nun Zeit, daß du dein Erbe siehst: ich will dir dein väterliches Schloß zeigen.“ Da führte er ihn überall herum, auf und ab, und ließ ihn alle die Reichthümer und prächtigen Kammern sehen: nur die eine Kammer öffnete er nicht, worin das gefährliche Bild stand. Das Bild war aber so gestellt, daß, wenn die Thüre aufgieng, man gerade darauf sah, und war so herrlich gemacht, daß man meinte es leibte und lebte, und es gäbe nichts lieblicheres und schöneres auf der ganzen Welt. Der junge König aber merkte wohl daß der getreue Johannes immer an einer Thür vorübergieng und sprach „warum schließest du mir diese niemals auf?“ „Es ist etwas darin,“ antwortete er, „vor dem du erschrickst.“ Aber der König antwortete „ich habe das ganze Schloß gesehen, so will ich auch wissen was darin ist,“ gieng und wollte die Thüre mit Gewalt öffnen. Da hielt ihn der getreue Johannes zurück und sagte „ich habe es deinem Vater vor seinem Tode versprochen, daß du nicht sehen sollst was in der Kammer steht: es könnte dir und mir zu großem Unglück ausschlagen.“ „Ach nein,“ antwortete der junge König, „wenn ich nicht hineinkomme, so ists mein sicheres Verderben: ich würde Tag und Nacht keine Ruhe haben, bis ichs mit meinen Augen gesehen hätte. Nun gehe ich nicht von der Stelle, bis du aufgeschlossen hast.“
Da sah der getreue Johannes daß es nicht mehr zu ändern war, und suchte mit schwerem Herzen und vielem Seufzen aus dem großen Bund den Schlüssel heraus. Als er die Thüre geöffnet hatte, trat er zuerst hinein und dachte er wolle das Bildnis bedecken daß es der König vor ihm nicht sähe: aber was half das? der König stellte sich auf die Fußspitzen und sah ihm über die Schulter. Und als er das Bildnis der Jungfrau erblickte, das so herrlich war und von Gold und Edelsteinen glänzte, da fiel er ohnmächtig zur Erde nieder. Der getreue Johannes hob ihn auf, trug ihn in sein Bett und dachte voll Sorgen „das Unglück ist geschehen, Herr Gott, was will daraus werden!“ dann stärkte er ihn mit Wein, bis er wieder zu sich selbst kam. Das erste Wort, das er sprach, war „ach! wer ist das schöne Bild?“ „Das ist die Königstochter vom goldenen Dache,“ antwortete der treue Johannes. Da sprach der König weiter „meine Liebe zu ihr ist so groß, wenn alle Blätter an den Bäumen Zungen wären, sie könntens nicht aussagen; mein Leben setze ich daran, daß ich sie erlange. Du bist mein getreuster Johannes, du mußt mir beistehen.“
Der treue Diener besann sich lange wie die Sache anzufangen wäre, denn es hielt schwer, nur vor das Angesicht der Königstochter zu kommen. Endlich hatte er ein Mittel ausgedacht und sprach zu dem König „alles, was sie um sich hat, ist von Gold, Tische, Stühle, Schüsseln, Becher, Näpfe und alles Hausgeräth; in deinem Schatze liegen fünf Tonnen Goldes, laß eine von den Goldschmieden des Reichs verarbeiten zu allerhand Gefäßen und Geräthschaften, zu allerhand Vögeln, Gewild und wunderbaren Thieren, das wird ihr gefallen, wir wollen damit hinfahren und unser Glück versuchen.“ Der König hieß alle Goldschmiede herbei holen, die mußten Tag und Nacht arbeiten, bis endlich die herrlichsten Dinge fertig waren. Als alles auf ein Schiff geladen war, zog der getreue Johannes Kaufmannskleider an, und der König mußte ein gleiches thun, um sich ganz unkenntlich zu machen. Dann fuhren sie über das Meer, und fuhren so lange, bis sie zu der Stadt kamen, worin die Königstochter vom goldenen Dache wohnte.
Der treue Johannes hieß den König auf dem Schiffe zurückbleiben und auf ihn warten. „Vielleicht,“ sprach er, „bring ich die Königstochter mit, darum sorgt daß alles in Ordnung ist, laßt die Goldgefäße aufstellen und das ganze Schiff ausschmücken.“ Darauf suchte er sich in sein Schürzchen allerlei von den Goldsachen zusammen, stieg ans Land und gieng gerade nach dem königlichen Schloß. Als er in den Schloßhof kam, stand da beim Brunnen ein schönes Mädchen, das hatte zwei goldene Eimer in der Hand und schöpfte damit. Und als es das blinkende Wasser forttragen wollte und sich umdrehte, sah es den fremden Mann und fragte wer er wäre? Da antwortete er „ich bin ein Kaufmann,“ und öffnete sein Schürzchen und ließ sie hineinschauen. Da rief sie „ei, was für schönes Goldzeug!“ setzte die Eimer nieder und betrachtete eins nach dem andern. Da sprach das Mädchen „das muß die Königstochter sehen, die hat so große Freude an den Goldsachen, daß sie euch alles abkauft.“ Es nahm ihn bei der Hand und führte ihn hinauf, denn es war die Kammerjungfer. Als die Königstochter die Waare sah, war sie ganz vergnügt und sprach „es ist so schön gearbeitet, daß ich dir alles abkaufen will.“ Aber der getreue Johannes sprach „ich bin nur der Diener von einem reichen Kaufmann: was ich hier habe ist nichts gegen das, was mein Herr auf seinem Schiff stehen hat, und das ist das künstlichste und köstlichste, was je in Gold ist gearbeitet worden.“ Sie wollte alles herauf gebracht haben, aber er sprach „dazu gehören viele Tage, so groß ist die Menge, und so viel Säle um es aufzustellen, daß euer Haus nicht Raum dafür hat.“ Da ward ihre Neugierde und Lust immer mehr angeregt, so daß sie endlich sagte „führe mich hin zu dem Schiff, ich will selbst hingehen und deines Herrn Schätze betrachten.“
Da führte sie der getreue Johannes zu dem Schiffe hin und war ganz freudig, und der König, als er sie erblickte, sah daß ihre Schönheit noch größer war, als das Bild sie dargestellt hatte, und meinte nicht anders als das Herz wollte ihm zerspringen. Nun stieg sie in das Schiff, und der König führte sie hinein; der getreue Johannes aber blieb zurück bei dem Steuermann und hieß das Schiff abstoßen, „spannt alle Segel auf, daß es fliegt wie ein Vogel in der Luft.“ Der König aber zeigte ihr drinnen das goldene Geschirr, jedes einzeln, die Schüsseln, Becher, Näpfe, die Vögel, das Gewild und die wunderbaren Thiere. Viele Stunden giengen herum, während sie alles besah, und in ihrer Freude merkte sie nicht daß das Schiff dahin fuhr. Nachdem sie das letzte betrachtet hatte, dankte sie dem Kaufmann und wollte heim, als sie aber an des Schiffes Rand kam, sah sie daß es fern vom Land auf hohem Meere gieng und mit vollen Segeln forteilte. „Ach,“ rief sie erschrocken, „ich bin betrogen, ich bin entführt und in die Gewalt eines Kaufmanns gerathen; lieber wollt ich sterben!“ Der König aber faßte sie bei der Hand und sprach „ein Kaufmann bin ich nicht, ich bin ein König und nicht geringer an Geburt als du bist: aber daß ich dich mit List entführt habe, das ist aus übergroßer Liebe geschehen. Das erstemal, als ich dein Bildnis gesehen habe, bin ich ohnmächtig zur Erde gefallen.“ Als die Königstochter vom goldenen Dache das hörte, ward sie getröstet, und ihr Herz ward ihm geneigt, so daß sie gerne einwilligte seine Gemahlin zu werden.
Es trug sich aber zu, während sie auf dem hohen Meere dahin fuhren, daß der getreue Johannes, als er vorn auf dem Schiffe saß und Musik machte, in der Luft drei Raben erblickte, die daher geflogen kamen. Da hörte er auf zu spielen und horchte was sie mit einander sprachen, denn er verstand das wohl. Die eine rief „ei, da führt er die Königstochter vom goldenen Dache heim.“ „Ja,“ antwortete die zweite, „er hat sie noch nicht.“ Sprach die dritte „er hat sie doch, sie sitzt bei ihm im Schiffe.“ Da fieng die erste wieder an und rief „was hilft ihm das! wenn sie ans Land kommen, wird ihm ein fuchsrothes Pferd entgegenspringen: da wird er sich aufschwingen wollen, und thut er das, so sprengt es mit ihm fort und in die Luft hinein, daß er nimmer mehr seine Jungfrau wieder sieht.“ Sprach die zweite „ist gar keine Rettung?“ „O ja, wenn ein anderer schnell aufsitzt, das Feuergewehr, das in den Halftern stecken muß, heraus nimmt und das Pferd damit todt schießt, so ist der junge König gerettet. Aber wer weiß das! und wers weiß und sagts ihm, der wird zu Stein von den Fußzehen bis zum Knie.“ Da sprach die zweite „ich weiß noch mehr, wenn das Pferd auch getödtet wird, so behält der junge König doch nicht seine Braut: wenn sie zusammen ins Schloß kommen, so liegt dort ein gemachtes Brauthemd in einer Schüssel, und sieht aus als wärs von Gold und Silber gewebt, ist aber nichts als Schwefel und Pech: wenn ers anthut, verbrennt es ihn bis aufs Mark und Knochen.“ Sprach die dritte „ist da gar keine Rettung?“ „O ja,“ antwortete die zweite, „wenn einer mit Handschuhen das Hemd packt und wirft es ins Feuer, daß es verbrennt, so ist der junge König gerettet. Aber was hilfts! wers weiß und es ihm sagt, der wird halbes Leibes Stein vom Knie bis zum Herzen.“ Da sprach die dritte „ich weiß noch mehr, wird das Brauthemd auch verbrannt, so hat der junge König seine Braut doch noch nicht: wenn nach der Hochzeit der Tanz anhebt, und die junge Königin tanzt, wird sie plötzlich erbleichen und wie todt hinfallen: und hebt sie nicht einer auf und zieht aus ihrer rechten Brust drei Tropfen Blut und speit sie wieder aus, so stirbt sie. Aber verräth das einer, der es weiß, so wird er ganzes Leibes zu Stein vom Wirbel bis zur Fußzehe.“ Als die Raben das mit einander gesprochen hatten, flogen sie weiter, und der getreue Johannes hatte alles wohl verstanden, aber von der Zeit an war er still und traurig; denn verschwieg er seinem Herrn, was er gehört hatte, so war dieser unglücklich: entdeckte er es ihm, so mußte er selbst sein Leben hingeben. Endlich aber sprach er bei sich „meinen Herrn will ich retten, und sollt ich selbst darüber zu Grunde gehen.“
Als sie nun ans Land kamen, da geschah es, wie die Rabe vorher gesagt hatte, und es sprengte ein prächtiger fuchsrother Gaul daher. „Wohlan,“ sprach der König, „der soll mich in mein Schloß tragen,“ und wollte sich aufsetzen, doch der treue Johannes kam ihm zuvor, schwang sich schnell darauf, zog das Gewehr aus den Halftern, und schoß den Gaul nieder. Da riefen die andern Diener des Königs, die dem treuen Johannes doch nicht gut waren, „wie schändlich, das schöne Thier zu tödten, das den König in sein Schloß tragen sollte!“ Aber der König sprach „schweigt und laßt ihn gehen, es ist mein getreuester Johannes, wer weiß wozu das gut ist!“ Nun giengen sie ins Schloß, und da stand im Saal eine Schüssel, und das gemachte Brauthemd lag darin und sah aus nicht anders als wäre es von Gold und Silber. Der junge König gieng darauf zu und wollte es ergreifen, aber der treue Johannes schob ihn weg, packte es mit Handschuhen an, trug es schnell ins Feuer und ließ es verbrennen. Die anderen Diener fiengen wieder an zu murren und sagten „seht, nun verbrennt er gar des Königs Brauthemd.“ Aber der junge König sprach „wer weiß wozu es gut ist, laßt ihn gehen, es ist mein getreuester Johannes.“ Nun ward die Hochzeit gefeiert: der Tanz hub an, und die Braut trat auch hinein, da hatte der treue Johannes Acht und schaute ihr ins Antlitz; auf einmal erbleichte sie und fiel wie todt zur Erde. Da sprang er eilends hinzu, hob sie auf und trug sie in eine Kammer, da legte er sie nieder, kniete und sog die drei Blutstropfen aus ihrer rechten Brust und speite sie aus. Alsbald athmete sie wieder und erholte sich, aber der junge König hatte es mit angesehen, und wußte nicht warum es der getreue Johannes gethan hatte, ward zornig darüber, und rief „werft ihn ins Gefängnis.“ Am andern Morgen ward der getreue Johannes verurtheilt und zum Galgen geführt, und als er oben stand und gerichtet werden sollte, sprach er „jeder der sterben soll, darf vor seinem Ende noch einmal reden, soll ich das Recht auch haben?“ „Ja,“ antwortete der König, „es soll dir vergönnt sein.“ Da sprach der treue Johannes „Ich bin mit Unrecht verurtheilt und bin dir immer treu gewesen,“ und erzählte wie er auf dem Meer das Gespräch der Raben gehört, und wie er, um seinen Herrn zu retten, das alles hätte thun müssen. Da rief der König „o mein treuester Johannes, Gnade! Gnade! führt ihn herunter.“ Aber der treue Johannes war bei dem letzten Wort das er geredet hatte leblos herabgefallen, und war ein Stein.
Darüber trug nun der König und die Königin großes Leid, und der König sprach „ach, was hab ich große Treue so übel belohnt!“ und ließ das steinerne Bild aufheben und in seine Schlafkammer neben sein Bett stellen. So oft er es ansah, weinte er und sprach „ach, könnt ich dich wieder lebendig machen, mein getreuester Johannes.“ Es gieng eine Zeit herum, da gebar die Königin Zwillinge, zwei Söhnlein, die wuchsen heran und waren ihre Freude. Einmal, als die Königin in der Kirche war, und die zwei Kinder bei dem Vater saßen und spielten, sah dieser wieder das steinerne Bildnis voll Trauer an, seufzte und rief „ach, könnt ich dich wieder lebendig machen, mein getreuester Johannes.“ Da fieng der Stein an zu reden und sprach „ja, du kannst mich wieder lebendig machen, wenn du dein Liebstes daran wenden willst.“ Da rief der König „alles, was ich auf der Welt habe, will ich für dich hingeben.“ Sprach der Stein weiter „wenn du mit deiner eigenen Hand deinen beiden Kindern den Kopf abhaust und mich mit ihrem Blute bestreichst, so erhalte ich das Leben wieder.“ Der König erschrack, als er hörte daß er seine liebsten Kinder selbst tödten sollte, doch dachte er an die große Treue, und daß der getreue Johannes für ihn gestorben war, zog sein Schwert und hieb mit eigener Hand den Kindern den Kopf ab. Und als er mit ihrem Blute den Stein bestrichen hatte, so kehrte das Leben zurück, und der getreue Johannes stand wieder frisch und gesund vor ihm. Er sprach zum König „deine Treue soll nicht unbelohnt bleiben,“ und nahm die Häupter der Kinder, setzte sie auf, und bestrich die Wunde mit ihrem Blut, davon wurden sie im Augenblick wieder heil, sprangen herum und spielten fort, als wär ihnen nichts geschehen. Nun war der König voll Freude, und als er die Königin kommen sah, versteckte er den getreuen Johannes und die beiden Kinder in einen großen Schrank. Wie sie hereintrat, sprach er zu ihr „hast du gebetet in der Kirche?“ „Ja,“ antwortete sie, „aber ich habe beständig an den treuen Johannes gedacht, daß er so unglücklich durch uns geworden ist.“ Da sprach er „liebe Frau, wir können ihm das Leben wieder geben, aber es kostet uns unsere beiden Söhnlein, die müssen wir opfern.“ Die Königin ward bleich und erschrack im Herzen, doch sprach sie „wir sinds ihm schuldig wegen seiner großen Treue.“ Da freute er sich daß sie dachte wie er gedacht hatte, gieng hin und schloß den Schrank auf, holte die Kinder und den treuen Johannes heraus und sprach „Gott sei gelobt, er ist erlöst, und unsere Söhnlein haben wir auch wieder,“ und erzählte ihr wie sich alles zugetragen hatte. Da lebten sie zusammen in Glückseligkeit bis an ihr Ende.
O fiel João
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