AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

KHM 2

O gato e o rato em sociedade

Irmãos Grimm

Katze und Maus in Gesellschaft

Sobre este conto

Um gato convence um rato a dividir a mesma casa e os afazeres. Para se prepararem para o inverno, compram um potinho de gordura e o escondem debaixo do altar de uma igreja, onde acreditam que ninguém se atreverá a tirá-lo. Pouco depois, o gato diz que precisa sair para ser padrinho de uma criança, deixando o rato encarregado da casa.

Personagens e estrutura
Personagens
Gato que propõe a moradia e a reserva em comum, Rato que cuida da casa e concorda com as saídas do gato, Prima e três crianças alegadas nos pretextos do gato, sem comparecerem à ação
Onde se passa
Casa compartilhada por gato e rato, igreja com um altar sob o qual guardam gordura, telhados da cidade e caminho junto à muralha. A ação atravessa os preparativos para o inverno e a chegada da escassez.
Acontecimentos
  1. Gato e rato passam a morar juntos. Compram gordura para o inverno e escondem o potinho debaixo do altar de uma igreja.
  2. O gato inventa convite para ser padrinho, lambe a película da gordura e passa o dia nos telhados e ao sol. Diz que a criança se chama Tira-Película.
  3. Com um segundo pretexto de batismo, o gato come metade da gordura. Ao voltar, diz ao rato que a criança se chama Metade-Fora.
  4. Numa terceira saída, o gato come toda a gordura enquanto o rato arruma a casa. Informa o nome Tudo-Fora, que desperta suspeita; o rato se enrosca e dorme.
  5. Quando chega o inverno e falta comida lá fora, os dois vão buscar a reserva. O pote está vazio, e o rato relaciona os nomes ao que o gato comeu.
  6. O gato ameaça devorar o rato se disser mais uma palavra. Quando o rato completa tudo fora, o gato salta, agarra-o e o engole.
Desfecho
Diante do pote vazio, o rato percebe a mentira e enumera o que o gato fez nas supostas visitas de batismo: primeiro tira a película, depois metade fora. O gato manda que se cale e ameaça devorá-lo se falar mais uma palavra. O rato já tem tudo fora na ponta da língua; mal diz as palavras, o gato salta, agarra-o e o engole. O narrador encerra dizendo que é assim que as coisas são no mundo.

Um gato fizera amizade com um rato e lhe falara tanto do grande amor e da amizade que sentia por ele que o rato acabou concordando em morar com o gato na mesma casa e cuidar dos afazeres em comum. “Mas precisamos nos prevenir para o inverno, senão passaremos fome”, disse o gato. “Você, ratinho, não pode se aventurar por toda parte e ainda acaba me caindo numa armadilha.” O bom conselho foi seguido, e compraram um potinho de gordura. Mas não sabiam onde guardá-lo. Por fim, depois de muito pensar, o gato disse: “Não conheço lugar onde fique mais bem guardado do que a igreja. Lá ninguém se atreve a tirar nada. Vamos pô-lo debaixo do altar e só mexeremos nele quando precisarmos.” Assim, o potinho foi posto em segurança. Mas não demorou muito para o gato sentir vontade de prová-lo, e ele disse ao rato: “O que eu ia lhe dizer, ratinho: minha prima me convidou para ser padrinho. Ela deu à luz um filhinho branco com manchas marrons, e eu devo segurá-lo no batismo. Deixe-me sair hoje e cuide da casa sozinho.” “Sim, sim”, respondeu o rato, “vá em nome de Deus. Se comer alguma coisa boa, lembre-se de mim: eu também gostaria de beber uma gotinha daquele doce vinho tinto servido às mulheres que acabam de dar à luz.” Mas era tudo mentira: o gato não tinha prima e não fora convidado para ser padrinho. Foi direto à igreja, esgueirou-se até o potinho de gordura, começou a lamber e lambeu toda a película de gordura da superfície. Depois deu um passeio pelos telhados da cidade, examinou os arredores, em seguida se estendeu ao sol e limpava os bigodes toda vez que pensava no potinho de gordura. Só voltou para casa ao anoitecer. “Ora, aí está você de volta”, disse o rato. “Deve ter passado um dia divertido.” “Não foi ruim”, respondeu o gato. “E que nome deram à criança?”, perguntou o rato. “Tira-Película”, disse o gato, muito seco. “Tira-Película!”, exclamou o rato. “Mas que nome esquisito e estranho! É comum na sua família?” “E daí?”, disse o gato. “Não é pior que Ladrão-de-Migalhas, como se chamam os seus afilhados.”

Não muito tempo depois, o gato voltou a sentir vontade. Disse ao rato: “Você precisa me fazer o favor de cuidar da casa sozinho mais uma vez. Fui convidado pela segunda vez para ser padrinho, e como a criança tem um anel branco em volta do pescoço, não posso recusar.” O bom rato concordou, mas o gato se esgueirou por trás da muralha da cidade até a igreja e comeu metade da gordura do pote. “Nada tem gosto melhor”, disse ele, “do que aquilo que a gente mesmo come.” E ficou muito satisfeito com o trabalho daquele dia. Quando voltou para casa, o rato perguntou: “Como foi batizada essa criança?” “Metade-Fora”, respondeu o gato. “Metade-Fora! Veja só! Nunca ouvi esse nome em toda a minha vida. Aposto que não está no calendário.”

Logo a boca do gato tornou a se encher de água por causa daquela guloseima. “Tudo o que é bom vem em três”, disse ele ao rato. “Lá vou eu ser padrinho outra vez. A criança é toda preta, só tem as patas brancas e nem mais um pelo branco no corpo inteiro. Isso só acontece uma vez a cada tantos anos. Você vai me deixar sair, não vai?” “Tira-Película! Metade-Fora!”, respondeu o rato. “São nomes tão curiosos, me deixam tão pensativo!” “Você fica aí em casa com seu casaco felpudo cinza-escuro e sua longa trança de cabelo”, disse o gato, “e põe essas cismas na cabeça. É isso que acontece quando a gente não sai durante o dia.” Enquanto o gato estava fora, o rato arrumou tudo e pôs a casa em ordem; já o gato guloso comeu toda a gordura do pote. “Quando a gente acaba com tudo, fica em paz”, disse a si mesmo. E só voltou para casa de noite, saciado e gordo. O rato perguntou logo que nome a terceira criança recebera. “Você provavelmente também não vai gostar deste”, disse o gato. “Chama-se Tudo-Fora.” “Tudo-Fora!”, exclamou o rato. “Esse é o nome mais suspeito de todos! Nunca o vi escrito. Tudo-Fora! O que isso quer dizer?” Balançou a cabeça, enroscou-se e foi dormir.

Dali em diante, ninguém mais quis convidar o gato para ser padrinho. Mas, quando o inverno chegou e já não havia nada para encontrar lá fora, o rato se lembrou da reserva e disse: “Venha, gato, vamos ao nosso pote de gordura que guardamos. Vai ser uma delícia!” “Ah, sim”, respondeu o gato, “vai ser uma delícia, como se você pusesse essa sua língua delicada para fora da janela.” Puseram-se a caminho e, quando chegaram, o pote de gordura ainda estava no mesmo lugar, mas vazio. “Ah!”, disse o rato, “agora percebo o que aconteceu, agora tudo vem à tona. Você é mesmo um belo amigo! Comeu tudo quando foi ser padrinho: primeiro tira a película, depois metade fora, depois...” “Quer ficar calado?”, gritou o gato. “Mais uma palavra, e eu devoro você!” O pobre rato já tinha “tudo fora” na ponta da língua. Mal as palavras saíram, o gato deu um salto em sua direção, agarrou-o e o engoliu. Está vendo? É assim que as coisas são no mundo.


Sobre esta edição

Obra
Katze und Maus in Gesellschaft
Autoria original
Irmãos Grimm
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Katze und Maus in Gesellschaft

Kinder- und Hausmärchen · 1857 · Alemão · 7. Große Ausgabe
Volume 1. Página 6–8. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

Eine Katze hatte Bekanntschaft mit einer Maus gemacht und ihr so viel von der großen Liebe und Freundschaft vorgesagt, die sie zu ihr trüge, daß die Maus endlich einwilligte mit ihr zusammen in einem Hause zu wohnen und gemeinschaftliche Wirthschaft zu führen. ‘Aber für den Winter müssen wir Vorsorge tragen, sonst leiden wir Hunger,’ sagte die Katze, ‘du Mäuschen, kannst dich nicht überall hinwagen und geräthst mir am Ende in eine Falle.’ Der gute Rath ward also befolgt und ein Töpfchen mit Fett angekauft. Sie wußten aber nicht wo sie es hinstellen sollten, endlich nach langer Überlegung sprach die Katze ‘ich weiß keinen Ort, wo es besser aufgehoben wäre, als die Kirche, da getraut sich Niemand etwas wegzunehmen: wir stellen es unter den Altar und rühren es nicht eher an als bis wir es nöthig haben.’ Das Töpfchen ward also in Sicherheit gebracht, aber es dauerte nicht lange, so trug die Katze Gelüsten danach und sprach zur Maus ‘was ich dir sagen wollte, Mäuschen, ich bin von meiner Base zu Gevatter gebeten: sie hat ein Söhnchen zur Welt gebracht, weiß mit braunen Flecken, das soll ich über die Taufe halten. Laß mich heute ausgehen und besorge du das Haus allein.’ ‘Ja, ja,’ antwortete die Maus, ‘geh in Gottes Namen, wenn du was Gutes issest, so denk an mich: von dem süßen rothen Kindbetterwein tränk ich auch gerne ein Tröpfchen.’ Es war aber alles nicht wahr, die Katze hatte keine Base und war nicht zu Gevatter gebeten. Sie gieng geradesweges nach der Kirche, schlich zu dem Fetttöpfchen, fieng an zu lecken und leckte die fette Haut ab. Dann machte sie einen Spaziergang auf den Dächern der Stadt, besah sich die Gelegenheit, streckte sich hernach in der Sonne aus und wischte sich den Bart so oft sie an das Fetttöpfchen dachte. Erst als es Abend war, kam sie wieder nach Haus. ‘Nun, da bist du ja wieder,’ sagte die Maus, ‘du hast gewiß einen lustigen Tag gehabt.’ ‘Es gieng wohl an’ antwortete die Katze. ‘Was hat denn das Kind für einen Namen bekommen?’ fragte die Maus. ‘Hautab’ sagte die Katze ganz trocken. ‘Hautab,’ rief die Maus, ‘das ist ja ein wunderlicher und seltsamer Name, ist der in eurer Familie gebräuchlich?’ ‘Was ist da weiter,’ sagte die Katze, ‘er ist nicht schlechter als Bröseldieb, wie deine Pathen heißen.’

Nicht lange danach überkam die Katze wieder ein Gelüsten. Sie sprach zur Maus ‘du mußt mir den Gefallen thun und nochmals das Hauswesen allein besorgen, ich bin zum zweitenmal zu Gevatter gebeten, und da das Kind einen weißen Ring um den Hals hat, so kann ichs nicht abschlagen.’ Die gute Maus willigte ein, die Katze aber schlich hinter der Stadtmauer zu der Kirche und fraß den Fetttopf halb aus. ‘Es schmeckt nichts besser,’ sagte sie, ‘als was man selber ißt,’ und war mit ihrem Tagwerk ganz zufrieden. Als sie heimkam, fragte die Maus ‘wie ist denn dieses Kind getauft worden?’ ‘Halbaus’ antwortete die Katze. ‘Halbaus! was du sagst! den Namen habe ich mein Lebtag noch nicht gehört, ich wette der steht nicht in dem Kalender.’

Der Katze wässerte das Maul bald wieder nach dem Leckerwerk. ‘Aller guten Dinge sind drei,’ sprach sie zu der Maus, ‘da soll ich wieder Gevatter stehn, das Kind ist ganz schwarz und hat bloß weiße Pfoten, sonst kein weißes Haar am ganzen Leib, das trifft sich alle paar Jahr nur einmal: du lässest mich doch ausgehen?’ ‘Hautab! Halbaus!’ antwortete die Maus, ‘es sind so kurios Namen, die machen mich so nachdenksam!’ ‘Da sitzest du daheim in deinem dunkelgrauen Flausrock und deinem langen Haarzopf,’ sprach die Katze, ‘und fängst Grillen: das kommt davon wenn man bei Tag nicht ausgeht.’ Die Maus räumte während der Abwesenheit der Katze auf und brachte das Haus in Ordnung, die naschhafte Katze aber fraß den Fetttopf rein aus. ‘Wenn erst alles aufgezehrt ist, so hat man Ruhe’ sagte sie zu sich selbst und kam satt und dick erst in der Nacht nach Haus. Die Maus fragte gleich nach dem Namen, den das dritte Kind bekommen hätte. ‘Er wird dir wohl auch nicht gefallen,’ sagte die Katze, ‘er heißt Ganzaus.’ ‘Ganzaus!’ rief die Maus, ‘das ist der allerbedenklichste Namen, gedruckt ist er mir noch nicht vorgekommen. Ganzaus! was soll das bedeuten?’ Sie schüttelte den Kopf, rollte sich zusammen und legte sich schlafen.

Von nun an wollte niemand mehr die Katze zu Gevatter bitten, als aber der Winter herangekommen und draußen nichts mehr zu finden war, gedachte die Maus ihres Vorraths und sprach ‘komm Katze, wir wollen zu unserm Fetttopfe gehen, den wir uns aufgespart haben, der wird uns schmecken.’ ‘Ja wohl,’ antwortete die Katze, ‘der wird dir schmecken als wenn du deine feine Zunge zum Fenster hinaus streckst.’ Sie machten sich auf den Weg, und als sie anlangten, stand zwar der Fetttopf noch an seinem Platz, er war aber leer. ‘Ach,’ sagte die Maus, ‘jetzt merke ich was geschehen ist, jetzt kommts an den Tag, du bist mir die wahre Freundin! aufgefressen hast du alles, wie du zu Gevatter gestanden hast: erst Haut ab, dann halb aus, dann —’ ‘Willst du schweigen’ rief die Katze, ‘noch ein Wort, und ich fresse dich auf.’ ‘Ganz aus’ hatte die arme Maus schon auf der Zunge, kaum war es heraus, so that die Katze einen Satz nach ihr, packte sie und schluckte sie hinunter. Siehst du, so gehts in der Welt.

O gato e o rato em sociedade

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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