KHM 183
O gigante e o alfaiate
Der Riese und der Schneider
Sobre este conto
Um alfaiate fanfarrão encontra na floresta um gigante que o contrata. Suas respostas exageradas às ordens fazem o gigante desconfiar de seus poderes.
Personagens e estrutura
- Personagens
- O alfaiate fanfarrão e mau pagador., O gigante crédulo, que o toma a seu serviço.
- Onde se passa
- Uma floresta junto de uma montanha e um pântano rodeado de salgueiros.
- Acontecimentos
- O alfaiate aceita servir ao gigante pelo salário irônico de 365 dias por ano, mais um se for bissexto.
- Ao receber ordem de buscar uma jarra de água, propõe trazer o poço com a nascente.
- Ao receber ordem de cortar lenha, propõe derrubar a floresta inteira de uma vez.
- Quando deve abater dois ou três porcos selvagens para o jantar, propõe abater mil num só tiro.
- O gigante, assustado, leva-o ao pântano e o desafia a vergar um ramo de salgueiro.
- Desfecho
- O alfaiate prende a respiração e verga o ramo. Ao respirar de novo, é lançado tão alto que desaparece de vista, para alegria do gigante. O narrador diz que, se não caiu, ainda flutua no ar.
Um alfaiate, que era muito fanfarrão, mas mau pagador, teve a ideia de sair um pouco e dar uma olhada pela floresta. Assim que pôde, deixou sua oficina,
seguiu por seu caminho,
por pontes e passagens,
ora aqui, ora ali,
sempre adiante, sempre adiante.
Quando já estava lá fora, avistou, na distância azulada, uma montanha íngreme e, atrás dela, uma torre alta até o céu, que se erguia de uma floresta selvagem e escura.
— Raios e trovões! — exclamou o alfaiate. — O que é aquilo?
E, como a curiosidade o espicaçava fortemente, foi decidido naquela direção. Mas como arregalou os olhos e abriu a boca quando chegou perto! Pois a torre tinha pernas, saltou por cima da montanha íngreme de uma só vez e se pôs diante dele como um gigante enorme e poderoso.
— O que quer aqui, sua minúscula perna de mosca? — gritou o gigante com uma voz que parecia trovejar de todos os lados.
O alfaiate sussurrou:
— Quero ver se consigo ganhar meu pedacinho de pão nesta floresta.
— Se é esse o caso — disse o gigante —, você pode entrar para o meu serviço.
— Se tem de ser, por que não? Mas que salário vou receber?
— Que salário vai receber? — disse o gigante. — Pois escute: por ano, trezentos e sessenta e cinco dias; e, se for ano bissexto, mais um por cima. Está bom para você?
— Por mim, está — respondeu o alfaiate, pensando consigo: “É preciso se esticar conforme o cobertor. Logo vou procurar me livrar disso outra vez.”
Então o gigante lhe disse:
— Vá, seu patifezinho, e traga uma jarra de água para mim.
— Por que não logo o poço com a nascente e tudo? — perguntou o fanfarrão, e foi com a jarra buscar água.
— O quê? O poço com a nascente e tudo? — resmungou o gigante para dentro da barba, pois era um tanto desajeitado e tolo, e começou a sentir medo. — Esse sujeito sabe fazer mais do que assar maçãs: tem uma mandrágora no corpo. Cuidado, velho Hans, este não é criado para você.
Depois que o alfaiate trouxe a água, o gigante mandou que ele cortasse algumas achas de lenha na floresta e as trouxesse para casa.
— Por que não a floresta inteira de um só golpe,
a floresta inteira,
com as novas e as velhas,
com tudo o que ela tem,
retorcido e liso?
— perguntou o alfaiatezinho e foi cortar a lenha.
— O quê?
A floresta inteira,
com as novas e as velhas,
com tudo o que ela tem,
retorcido e liso?
— E o poço com a nascente e tudo? — resmungou o crédulo gigante para dentro da barba, ficando ainda mais assustado. — Esse sujeito sabe fazer mais do que assar maçãs, tem uma mandrágora no corpo. Cuidado, velho Hans, este não é criado para você.
Quando o alfaiate trouxe a lenha, o gigante mandou que ele abatesse a tiros dois ou três porcos selvagens para o jantar.
— Por que não logo mil com um só tiro e todos aqui para dentro? — perguntou o alfaiate arrogante.
— O quê? — exclamou o gigante covarde, terrivelmente assustado. — Por hoje basta; vá dormir.
O gigante sentiu tanto medo que não conseguiu pregar os olhos a noite inteira, pensando de um lado para outro no que fazer para se livrar o mais depressa possível daquele maldito feiticeiro de criado. Com o tempo vem o conselho. Na manhã seguinte, o gigante e o alfaiate foram a um pântano rodeado por muitos salgueiros. Então o gigante disse:
— Escute, alfaiate, sente-se num desses ramos de salgueiro; eu daria tudo para ver se você é capaz de vergá-lo para baixo.
Num instante, o alfaiatezinho estava lá em cima, prendia a respiração e se fazia pesado, tão pesado que o ramo se vergou. Mas, quando precisou respirar de novo, o ramo o lançou — pois, para sua desgraça, ele não tinha posto um ferro de passar no bolso — tão alto que já não se podia vê-lo, para grande alegria do gigante.
Se ele não caiu de volta, deve estar até hoje flutuando lá em cima, no ar.
Sobre esta edição
- Obra
- Der Riese und der Schneider
- Autoria original
- Irmãos Grimm
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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