EK 1
O isqueiro
Fyrtøiet
Sobre este conto
Voltando da guerra, um soldado encontra uma velha bruxa que lhe oferece acesso a três baús de dinheiro escondidos numa árvore oca. Cada baú é guardado por um cachorro de olhos enormes. Em troca, ela pede apenas um velho isqueiro. A descoberta muda a vida do soldado e o aproxima de uma princesa mantida num castelo de cobre.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Soldado que retorna da guerra, Velha bruxa, Três cachorros que guardam baús com moedas de cobre, de prata e de ouro, Princesa, Rei, Rainha, Velha dama da corte, Aprendiz de sapateiro, Criado da hospedaria, Amigos do soldado, Pobres a quem o soldado dá dinheiro, Oficiais, juízes, conselheiros, soldados e povo da cidade
- Onde se passa
- Estrada com uma árvore oca e aposentos subterrâneos; cidade com hospedaria, castelo de cobre, prisão e forca fora de seus limites. Copenhague e a Torre Redonda são mencionadas em comparações; o texto não afirma que a cidade da ação seja Copenhague.
- Acontecimentos
- O soldado retira dinheiro dos baús, obtém o isqueiro, decapita a bruxa e passa a viver na cidade; depois gasta sua fortuna e descobre que o isqueiro convoca os três cachorros.
- A seu pedido, um cachorro traz a princesa adormecida; o soldado a beija. Uma dama tenta marcar a casa com giz, mas o cachorro marca todos os portões da cidade.
- A rainha prende um saco furado de trigo-sarraceno à princesa; o rastro leva ao soldado, que é preso e condenado ao enforcamento. Um aprendiz recupera seu isqueiro por quatro skillings.
- Na forca, o soldado pede para fumar um último cachimbo e usa o isqueiro para chamar os cachorros, que atiram juízes, conselheiros, rei e rainha para o alto.
- Desfecho
- O povo proclama o soldado rei e lhe dá a princesa como esposa. A princesa sai do castelo de cobre e se torna rainha, o que lhe agrada. O casamento dura oito dias; os cachorros se sentam à mesa e arregalam os olhos.
Um soldado vinha marchando pela estrada: um, dois! Um, dois! Levava a mochila nas costas e um sabre ao lado, pois estivera na guerra e agora voltava para casa. Encontrou então uma velha bruxa na estrada; ela era tão repugnante: o lábio inferior lhe pendia até o peito. A bruxa disse: “Boa noite, soldado! Que belo sabre e que mochila grande você tem! Você é um soldado de verdade! Agora vai ter tanto dinheiro quanto quiser!”
“Obrigado, sua velha bruxa!”, disse o soldado.
“Está vendo aquela árvore grande?”, perguntou a bruxa, apontando para uma árvore ao lado deles. “Ela é inteiramente oca! Você deve subir até o alto; lá verá um buraco pelo qual poderá escorregar até bem fundo no tronco. Vou amarrar uma corda à sua cintura para puxá-lo de volta quando você me chamar!”
“E o que vou fazer lá dentro da árvore?”, perguntou o soldado.
“Buscar dinheiro!”, disse a bruxa. “Saiba que, quando chegar ao fundo da árvore, estará num grande corredor, todo iluminado, pois ali ardem mais de cem lâmpadas. Você verá três portas e poderá abri-las: a chave está na fechadura. Entrando no primeiro aposento, verá um grande baú no meio do chão e, sentado sobre ele, um cachorro. Ele tem olhos do tamanho de xícaras de chá, mas não se preocupe com isso! Vou lhe dar meu avental xadrez azul; estenda-o no chão, vá depressa até o cachorro, pegue-o e ponha-o sobre o avental. Abra o baú e pegue quantas moedas de skilling quiser. São todas de cobre. Mas, se preferir prata, entre no aposento seguinte. Ali há um cachorro com olhos do tamanho de uma roda de moinho; mas não se preocupe com isso: ponha-o no meu avental e pegue o dinheiro! Se quiser ouro, também poderá conseguir, tanto quanto puder carregar, entrando no terceiro aposento. Mas o cachorro sentado sobre o baú do dinheiro tem dois olhos, cada um do tamanho da Torre Redonda. Esse é um cachorro e tanto, pode acreditar! Mas não se preocupe com isso! Basta colocá-lo no meu avental, e ele não lhe fará nada. Então tire do baú tanto ouro quanto quiser!”
“Até que não é nada mau!”, disse o soldado. “Mas o que devo dar a você, sua velha bruxa? Imagino que também queira alguma coisa!”
“Não”, disse a bruxa, “não quero nem um único skilling! Você só precisa trazer para mim um velho isqueiro que minha avó esqueceu na última vez em que esteve lá embaixo!”
“Pois bem! Amarre a corda na minha cintura!”, disse o soldado.
“Aqui está!”, disse a bruxa. “E aqui está meu avental xadrez azul.”
O soldado subiu na árvore, deixou-se cair pelo buraco e, como a bruxa dissera, foi parar no grande corredor onde ardiam muitas centenas de lâmpadas.
Abriu a primeira porta. Ui! Lá estava o cachorro, com olhos do tamanho de xícaras de chá, encarando-o.
“Você é uma bela figura!”, disse o soldado. Pôs o cachorro no avental da bruxa, pegou tantas moedas de cobre quanto cabiam no bolso, fechou o baú, recolocou o cachorro em cima dele e entrou no segundo aposento. Ora essa! Lá estava o cachorro com olhos do tamanho de uma roda de moinho.
“Você não devia olhar tanto para mim!”, disse o soldado. “Pode acabar com dor nos olhos!” Pôs o cachorro no avental da bruxa, mas, quando viu todas aquelas moedas de prata no baú, jogou fora as moedas de cobre que tinha e encheu o bolso e a mochila só com prata. Entrou então no terceiro aposento! Não, aquilo era assustador! O cachorro de lá realmente tinha dois olhos do tamanho de torres redondas, que giravam na cabeça como rodas!
“Boa noite!”, disse o soldado, levando a mão ao boné, pois nunca vira um cachorro daqueles. Mas, depois de olhá-lo um pouco, pensou: já chega. Ergueu o cachorro, colocou-o no chão e abriu o baú. Valha-me Deus! Quanto ouro! Dava para comprar Copenhague inteira e os porquinhos de açúcar das vendedoras de doces, todos os soldados de estanho, os chicotes e os cavalinhos de balanço que havia no mundo! Aquilo sim era dinheiro! O soldado jogou fora todos os skillings de prata com que enchera os bolsos e a mochila e pôs ouro no lugar. Sim, todos os bolsos, a mochila, o boné e as botas ficaram tão cheios que ele mal conseguia andar! Agora tinha dinheiro! Recolocou o cachorro em cima do baú, bateu a porta e gritou para o alto, pelo tronco:
“Puxe-me agora, sua velha bruxa!”
“Está com o isqueiro?”, perguntou a bruxa.
“É mesmo!”, disse o soldado. “Tinha me esquecido completamente!” Foi buscá-lo, e a bruxa o puxou para cima. Lá estava ele outra vez na estrada, com os bolsos, as botas, a mochila e o boné cheios de dinheiro.
“Mas o que você quer com esse isqueiro?”, perguntou o soldado.
“Isso não é da sua conta!”, disse a bruxa. “Você já conseguiu dinheiro! Dê-me o isqueiro!”
“Conversa fiada!”, disse o soldado. “Diga já o que quer com ele, ou saco meu sabre e corto sua cabeça!”
“Não”, disse a bruxa.
Então o soldado cortou a cabeça dela. Ali ficou a bruxa! Ele, porém, embrulhou todo o dinheiro no avental dela, pôs a trouxa nas costas, guardou o isqueiro no bolso e foi direto para a cidade.
Era uma bela cidade. Instalou-se na mais bela hospedaria, pediu os melhores quartos e as comidas de que gostava, pois agora era rico, já que tinha tanto dinheiro.
O criado encarregado de engraxar suas botas achou muito esquisito que um senhor tão rico usasse aquelas botas velhas, mas o soldado ainda não comprara outras. No dia seguinte, arranjou botas novas e roupas bonitas! Agora se tornara um senhor elegante. Contaram-lhe todas as coisas esplêndidas que havia na cidade, falaram de seu rei e de como era bonita a princesa, filha dele.
“Onde se pode vê-la?”, perguntou o soldado.
“Não se pode vê-la de jeito nenhum!”, responderam todos. “Ela mora num grande castelo de cobre, cercado de tantas muralhas e torres! Só o rei pode entrar e sair de lá, porque profetizaram que ela se casará com um simples soldado, e o rei não gosta disso!”
“Bem que eu gostaria de vê-la!”, pensou o soldado. Mas isso não lhe era permitido!
Passou a viver alegremente: ia ao teatro, passeava de carruagem pelo jardim do rei e dava muito dinheiro aos pobres. E isso era bonito de sua parte! Ele sabia, dos velhos tempos, como era ruim não ter nem um skilling! Agora era rico, tinha roupas bonitas e fez muitos amigos. Todos diziam que era um bom sujeito, um verdadeiro cavalheiro, e o soldado gostava muito disso! Mas todos os dias ele gastava dinheiro, sem receber nada, e por fim só lhe restaram dois skillings. Precisou deixar os belos quartos onde morava e mudar-se para um quartinho minúsculo, bem debaixo do telhado, engraxar as próprias botas e remendá-las com uma agulha de cerzir. Nenhum dos amigos ia visitá-lo, pois havia muitas escadas para subir.
Era uma noite muito escura, e ele não tinha dinheiro nem para comprar uma vela. Lembrou-se, porém, de que havia um toquinho de vela no isqueiro que pegara dentro da árvore oca, onde a bruxa o ajudara a descer. Tirou o isqueiro e o toquinho de vela, mas, assim que fez fogo e as faíscas saltaram da pederneira, a porta se abriu de repente. O cachorro de olhos do tamanho de xícaras de chá, que ele vira sob a árvore, apareceu diante dele e disse: “O que meu senhor ordena?”
“Ora essa!”, disse o soldado. “Que isqueiro curioso! Então posso conseguir o que quiser? Arranje-me algum dinheiro!”, ordenou ao cachorro. Num instante ele desapareceu! Num instante voltou, trazendo na boca um grande saco cheio de skillings.
Agora o soldado sabia que isqueiro maravilhoso possuía! Se batesse uma vez, vinha o cachorro sentado no baú das moedas de cobre; se batesse duas vezes, vinha o da prata; se batesse três vezes, vinha o do ouro. Voltou a morar nos belos quartos, vestiu suas boas roupas, e todos os amigos logo voltaram a reconhecê-lo e a gostar muito dele.
Certa vez, pensou: é mesmo uma coisa esquisita não poder ver aquela princesa! Todos dizem que ela é tão bonita! Mas de que adianta, se precisa ficar sempre trancada no grande castelo de cobre, com suas muitas torres? Será que não posso vê-la de jeito nenhum? Onde está meu isqueiro? Fez fogo, e num instante apareceu o cachorro de olhos do tamanho de xícaras de chá.
“É verdade que estamos no meio da noite”, disse o soldado, “mas eu gostaria tanto de ver a princesa, nem que fosse só por um instante!”
O cachorro saiu imediatamente. Antes que o soldado se desse conta, estava de volta com a princesa: ela vinha sentada, dormindo, nas costas do cachorro e era tão bonita que qualquer um podia ver que era uma princesa de verdade. O soldado não pôde se conter: precisou beijá-la, pois era um soldado de verdade.
O cachorro levou a princesa de volta. Pela manhã, enquanto o rei e a rainha serviam o chá, a princesa contou que naquela noite tivera um sonho muito estranho com um cachorro e um soldado. Cavalgara nas costas do cachorro, e o soldado a beijara.
“Essa é uma bela história, não há dúvida!”, disse a rainha.
Na noite seguinte, uma das velhas damas da corte deveria vigiar ao lado da cama da princesa para descobrir se aquilo era mesmo um sonho ou o que poderia ser.
O soldado estava tão ansioso para ver novamente a bela princesa que o cachorro veio à noite, pegou-a e correu o mais depressa que pôde. Mas a velha dama da corte calçou botas impermeáveis e correu atrás com a mesma rapidez. Quando os viu desaparecer dentro de uma casa grande, pensou: agora sei onde é. Com um pedaço de giz, desenhou uma grande cruz no portão.
Depois voltou para casa e foi se deitar. O cachorro também levou a princesa de volta, mas, quando viu a cruz no portão da casa em que morava o soldado, pegou um pedaço de giz e marcou uma cruz em todos os portões da cidade. Foi esperto de sua parte: a dama da corte não poderia encontrar o portão certo se todos tivessem uma cruz.
De manhã cedo, o rei e a rainha, a velha dama da corte e todos os oficiais saíram para ver onde a princesa estivera.
“É ali!”, disse o rei, ao ver o primeiro portão com uma cruz.
“Não, é ali, meu querido marido!”, disse a rainha, que vira um segundo portão marcado.
“Mas há uma ali e outra acolá!”, disseram todos. Por toda parte, viam cruzes nos portões. Perceberam então que não adiantava procurar.
A rainha, porém, era uma mulher muito esperta, que sabia fazer mais do que andar de carruagem. Pegou sua grande tesoura de ouro, cortou um grande pedaço de seda e costurou um saquinho bonito. Encheu-o de pequenos e finos grãos de trigo-sarraceno e amarrou-o às costas da princesa. Feito isso, abriu um pequeno furo no saquinho, para que os grãos caíssem por todo o caminho por onde a princesa passasse.
À noite, o cachorro veio outra vez, colocou a princesa nas costas e levou-a ao soldado, que gostava tanto dela e bem que desejava ser um príncipe, para poder se casar com ela.
O cachorro nem percebeu que os grãos iam caindo desde o castelo até a janela do soldado, onde subiu pela parede com a princesa. Pela manhã, o rei e a rainha puderam ver onde a filha estivera. Prenderam o soldado e o puseram na masmorra.
Lá ficou ele. Ui, como era escuro e aborrecido! E disseram-lhe: amanhã você será enforcado. Não foi nada agradável ouvir aquilo. Ele esquecera o isqueiro na hospedaria. De manhã, pelas grades da janelinha, viu as pessoas se apressarem para sair da cidade e assistir ao enforcamento. Ouviu os tambores e viu os soldados marchando. Todos corriam. Havia também um aprendiz de sapateiro, com avental de couro e chinelos. Galopava tão depressa que um dos chinelos saiu voando e bateu bem na parede junto à qual o soldado espiava pelas grades.
“Ei, aprendiz de sapateiro! Não precisa de tanta pressa!”, disse o soldado. “Nada vai acontecer antes de eu chegar! Mas você não quer correr até onde eu morava e buscar meu isqueiro? Eu lhe dou quatro skillings! Só precisa dar às pernas!” O aprendiz queria muito os quatro skillings. Correu para buscar o isqueiro, entregou-o ao soldado e... agora vamos ver o que aconteceu!
Fora da cidade, tinham erguido uma grande forca de alvenaria. Ao redor estavam os soldados e muitas centenas de milhares de pessoas. O rei e a rainha se sentavam num belo trono, bem diante do juiz e de todo o conselho.
O soldado já estava no alto da escada. Quando iam passar a corda em seu pescoço, disse que sempre se permitia a um pecador, antes de cumprir sua pena, ter um desejo inocente atendido. Queria tanto fumar um cachimbo de tabaco! Afinal, seria o último cachimbo que fumaria neste mundo.
O rei não quis negar-lhe isso. O soldado pegou então o isqueiro e fez fogo: um, dois, três! Lá estavam todos os cachorros: o de olhos do tamanho de xícaras de chá, o de olhos como uma roda de carruagem e o que tinha olhos do tamanho da Torre Redonda!
“Ajudem-me agora, para que eu não seja enforcado!”, disse o soldado. Os cachorros avançaram contra os juízes e todo o conselho, agarrando uns pelas pernas e outros pelo nariz, e os lançaram muitas braças para o alto. Eles caíram e se despedaçaram por completo.
“Eu não quero!”, disse o rei. Mas o maior cachorro pegou tanto ele quanto a rainha e os atirou atrás dos outros. Os soldados se assustaram, e todo o povo gritou: “Soldadinho, você será nosso rei e ficará com a bela princesa!”
Puseram então o soldado na carruagem do rei. Os três cachorros dançavam à frente e gritavam “Viva!”. Os meninos assobiavam com os dedos, e os soldados apresentavam armas. A princesa saiu do castelo de cobre e se tornou rainha, e isso lhe agradou muito! A festa de casamento durou oito dias. Os cachorros se sentaram à mesa com os outros e arregalaram os olhos.
Sobre esta edição
- Obra
- Fyrtøiet
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 29/10/2026
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Fyrtøiet
Ler o original em dinamarquês
Der kom en Soldat marcherende henad Landeveien: een, to! een, to! han havde sit Tornister paa Ryggen og en Sabel ved Siden, for han havde været i Krigen, og nu skulde han hjem. Saa mødte han en gammel Hex paa Landeveien; hun var saa ækel, hendes Underlæbe hang hende lige ned paa Brystet. Hun sagde: »god Aften, Soldat! hvor Du har en pæn Sabel og et stort Tornister, Du er en rigtig Soldat! Nu skal Du faae saa mange Penge, Du vil eie!«
»Tak skal Du have, din gamle Hex!« sagde Soldaten.
»Kan Du see det store Træ?« sagde Hexen, og pegede paa et Træ, der stod ved Siden af dem. »Det er ganske huult inden i! Der skal Du krybe op i Toppen, saa seer Du et Hul, som Du kan lade dig glide igjennem og komme dybt i Træet! Jeg skal binde dig en Strikke om Livet, for at jeg kan heise Dig op igjen, naar Du raaber paa mig!«
»Hvad skal jeg saa nede i Træet?« spurgte Soldaten.
»Hente Penge!« sagde Hexen, »Du skal vide, naar Du kommer ned paa Bunden af Træet, saa er Du i en stor Gang, der er ganske lyst, for der brænde over hundrede Lamper. Saa seer Du tre Døre, Du kan lukke dem op, Nøglen sidder i. Gaaer Du ind i det første Kammer, da seer Du midt paa Gulvet en stor Kiste, oven paa den sidder en Hund; han har et Par Øine saa store som et Par Theekopper, men det skal Du ikke bryde Dig om! Jeg giver dig mit blaatærnede Forklæde, det kan Du brede ud paa Gulvet; gaae saa rask hen og tag Hunden, sæt ham paa mit Forklæde, luk Kisten op og tag ligesaa mange Skillinger, Du vil. De ere allesammen af Kobber; men vil Du heller have Sølv, saa skal Du gaae ind i det næste Værelse; men der sidder en Hund, der har et Par Øine, saa store, som et Møllehjul; men det skal Du ikke bryde dig om, sæt ham paa mit Forklæde og tag Du af Pengene! Vil Du derimod have Guld, det kan Du ogsaa faae, og det saa meget, Du vil bære, naar Du gaaer ind i det tredie Kammer. Men Hunden, som sidder paa Pengekisten, har her to Øine, hvert saa stort som Rundetaarn. Det er en rigtig Hund, kan Du troe! men det skal Du ikke bryde dig noget om! sæt ham bare paa mit Forklæde, saa gjør han dig ikke noget, og tag Du af Kisten saa meget Guld, Du vil!«
»Det var ikke saa galt!« sagde Soldaten. »Men hvad skal jeg give Dig, din gamle Hex? For noget vil Du vel have med, kan jeg tænke!«
»Nei,« sagde Hexen, »ikke en eneste Skilling vil jeg have! Du skal bare tage til mig et gammelt Fyrtøi, som min Bedstemoder glemte, da hun sidst var dernede!«
»Naa! lad mig faae Strikken om Livet!« sagde Soldaten.
»Her er den!« sagde Hexen, »og her er mit blaatærnede Forklæde.«
Saa krøb Soldaten op i Træet, lod sig dumpe ned i Hullet og stod nu, som Hexen sagde, nede i den store Gang, hvor de mange hundrede Lamper brændte.
Nu lukkede han den første Dør op. Uh! der sad Hunden med Øinene, saa store som Theekopper og gloede paa ham.
»Du er en net Fyr!« sagde Soldaten, satte ham paa Hexens Forklæde og tog ligesaamange Kobberskillinger, han kunde have i sin Lomme, lukkede saa Kisten, satte Hunden op igjen og gik ind i det andet Værelse. Eia! der sad Hunden med Øine saa store, som et Møllehjul.
»Du skulde ikke see saa meget paa mig!« sagde Soldaten, »Du kunde faae ondt i Øinene!« og saa satte han Hunden paa Hexens Forklæde, men da han saae de mange Sølvpenge i Kisten, smed han alle de Kobberpenge han havde, og fyldte Lommen og sit Tornister med det bare Sølv. Nu gik han ind i det tredie Kammer! — Nei det var ækelt! Hunden derinde havde virkeligt to Øine saa store som runde Taarn! og de løb rundt i Hovedet, ligesom Hjul!
»God Aften!« sagde Soldaten og tog til Kasketten, for saadan en Hund havde han aldrig seet før; men da han nu saae lidt paa ham, tænkte han, nu kan det jo være nok, løftede ham ned paa Gulvet og lukkede Kisten op, nei Gud bevares! hvor der var meget Guld! han kunde kjøbe for det hele Kjøbenhavn og Kagekonernes Sukkergrise, alle Tinsoldater, Pidske og Gyngeheste, der var i Verden! Jo der var rigtignok Penge! — Nu kastede Soldaten alle de Sølvskillinger, han havde fyldt sine Lommer og sit Tornister med, og tog Guld i Stedet, ja alle Lommerne, Tornisteret, Kasketten og Støvlerne, bleve fyldte, saa han knap kunde gaae! nu havde han Penge! Hunden satte han op paa Kisten, slog Døren i og raabte saa op igjennem Træet:
»Heis mig nu op, du gamle Hex!«
»Har Du Fyrtøiet med?« spurgte Hexen!
»Det er sandt!« sagde Soldaten, »det havde jeg reent glemt« og nu gik han og tog det. Hexen heisede ham op, og saa stod han igjen paa Landeveien, med Lommer, Støvler, Tornister og Kasket fulde af Penge.
»Hvad vil Du nu med det Fyrtøi,« spurgte Soldaten.
»Det kommer ikke dig ved!« sagde Hexen, »nu har Du jo faaet Penge! Giv mig bare Fyrtøiet!« —
»Snik snak!« sagde Soldaten, »vil Du strax sige mig, hvad Du vil med det, eller jeg trækker min Sabel ud og hugger dit Hoved af!«
»Nei,« sagde Hexen.
Saa huggede Soldaten Hovedet af hende. Der laae hun! men han bandt alle sine Penge ind i hendes Forklæde, tog det som en Bylt paa Ryggen, puttede Fyrtøiet i Lommen og gik lige til Byen.
Det var en deilig By, og i det deiligste Vertshuus tog han ind, forlangte de allerbedste Værelser og Mad, som han holdt af, for nu var han riig da han havde saa mange Penge.
Tjeneren, som skulde pudse hans Støvler, syntes rigtignok, det vare nogle løierlige gamle Støvler, saadan en riig Herre havde, men han havde ikke endnu kjøbt sig nye; næste Dag fik han Støvler at gaae med, og Klæder som vare pæne! Nu var Soldaten bleven en fornem Herre, og de fortalte ham om al den Stads, som var i deres By, og om deres Konge, og hvilken nydelig Prindssesse hans Datter var.
»Hvor kan man faae hende at see?« spurgte Soldaten.
»Hun er slet ikke til at faae at see!« sagde de allesammen, »hun boer i et stort Kobberslot, med saa mange Mure og Taarne om! Ingen uden Kongen tør gaae ud og ind til hende, fordi der er spaaet, at hun skal blive gift med en ganske simpel Soldat, og det kan Kongen ikke lide!«
»Hende gad jeg nok see!« tænkte Soldaten, men det kunde han jo slet ikke faae Lov til!
Nu levede han saa lystig, tog paa Comedie, kjørte i Kongens Have og gav de Fattige saa mange Penge og det var smukt gjort! han, vidste nok fra gamle Dage, hvor slemt det var ikke at eie en Skilling! — Han var nu riig, havde pæne Klæder, og fik da saa mange Venner, der Alle sagde, han var en rar En, en rigtig Cavalier, og det kunde Soldaten godt lide! Men da han hver Dag gav Penge ud, og fik slet ingen ind igjen, saa havde han tilsidst ikke meer end to Skillinger tilbage og maatte flytte bort fra de smukke Værelser, hvor han havde boet, og op paa et lille bitte Kammer, heelt inde under Taget, selv børste sine Støvler og sye paa dem med en Stoppenaal, og ingen af hans Venner kom til ham, for der vare saa mange Trapper at gaae op ad.
Det var ganske mørk Aften, og han kunde ikke engang kjøbe sig et Lys, men saa huskede han paa, at der laae en lille Stump i det Fyrtøi, han havde taget i det hule Træ, hvor Hexen havde hjulpet ham ned. Han fik Fyrtøiet og Lysestumpen frem, men lige i det han slog Ild og Gnisterne fløi fra Flintestenen, sprang Døren op, og Hunden, der havde Øine saa store, som et Par Theekopper, og som han havde seet nede under Træet, stod foran ham og sagde: »Hvad befaler min Herre!«
»Hvad for noget!« sagde Soldaten, »det var jo et moersomt Fyrtøi, kan jeg saaledes faae, hvad jeg vil have! Skaf mig nogle Penge,« sagde han til Hunden, og vips var den borte! vips var den igjen, og holdt en stor Pose fuld af Skillinger i sin Mund.
Nu vidste Soldaten, hvad det var for et deiligt Fyrtøi! slog han eengang, kom Hunden der sad paa Kisten med Kobberpengene, slog han to Gange, kom den, som havde Sølvpenge, og slog han tre Gange, kom den, der havde Guld. — Nu flyttede Soldaten ned i de smukke Værelser igjen, kom i de gode Klæder, og saa kiendte strax alle hans Venner ham, og de holdt saa meget af ham. —
Saa tænkte han engang: det er dog noget løierligt noget, at man ikke maa faae den Prindsesse at see! hun skal være saa deilig, sige de allesammen! men hvad kan det hjelpe, naar hun skal alletider sidde inde i det store Kobberslot med de mange Taarne. — Kan jeg da slet ikke faae hende at see? — Hvor er nu mit Fyrtøi! og saa slog han Ild, og vips kom Hunden med Øine saa store, som Theekopper.
»Det er rigtignok midt paa Natten,« sagde Soldaten, »men jeg vilde saa inderlig gjerne see Prindsessen, bare et lille Øieblik!«
Hunden var strax ude af Døren, og før Soldaten tænkte paa det, saae han ham igjen med Prindsessen, hun sad og sov paa Hundens Ryg og var saa deilig, at enhver kunde see, det var en virkelig Prindsesse; Soldaten kunde slet ikke lade være, han maatte kysse hende, for det var en rigtig Soldat.
Hunden løb saa tilbage igjen med Prindsessen, men da det blev Morgen, og Kongen og Dronningen skjænkede Thee, sagde Prindsessen, hun havde drømt saadan en underlig Drøm i Nat om en Hund og en Soldat. Hun havde redet paa Hunden, og Soldaten havde kysset hende.
»Det var saamæn en pæn Historie!« sagde Dronningen.
Nu skulde en af de gamle Hofdamer vaage ved Prindsessens Seng næste Nat, for at see, om det var en virkelig Drøm, eller hvad det kunde være.
Soldaten længtes saa forskrækkelig efter igjen at see den deilige Prindsesse, og saa kom da Hunden om Natten, tog hende og løb alt hvad den kunde, men den gamle Hofdame tog Vandstøvler paa, og løb ligesaa stærkt bagefter; da hun nu saae, at de blev borte inde i et stort Huus, tænkte hun, nu veed jeg hvor det er, og skrev med et Stykke Kridt et stort Kors paa Porten.
Saa gik hun hjem og lagde sig, og Hunden kom ogsaa igjen med Prindsessen; men da han saae, at der var skrevet et Kors paa Porten, hvor Soldaten boede, tog han ogsaa et Stykke Kridt og satte Kors paa alle Portene i hele Byen, og det var klogt gjort, for nu kunde jo Hofdamen ikke finde den rigtige Port, naar der var Kors paa dem allesammen.
Om Morgenen tidlig kom Kongen og Dronningen, den gamle Hofdame og alle Officererne for at see, hvor det var, Prindsessen havde været!
»Der er det!« sagde Kongen, da han saae den første Port med et Kors paa.
»Nei der er det, min søde Mand!« sagde Dronningen, der saae den anden Port med Kors paa.
»Men der er eet og der er eet!« sagde de allesammen; hvor de saae, var der Kors paa Portene. Saa kunde de da nok see, det kunde ikke hjelpe noget at de søgte.
Men Dronningen, var nu en meget klog Kone, der kunde mere, end at kjøre i Kareth. Hun tog sin store Guldsax, klippede et stort Stykke Silketøi i Stykker, og syede saa en lille nydelig Pose; den fyldte hun med smaae, fine Boghvedegryn, bandt den paa Ryggen af Prindsessen, og da det var gjort, klippede hun et lille Hul paa Posen, saa Grynene kunde drysse hele Veien, hvor Prindsessen kom.
Om Natten kom da Hunden igjen, tog Prindsessen paa sin Ryg, og løb med hende hen til Soldaten, der holdt saa meget af hende, og vilde saa gjerne have været en Prinds, for at faae hende til Kone.
Hunden mærkede slet ikke, hvorledes Grynene dryssede lige henne fra Slottet og til Soldatens Vindue, hvor han løb op ad Muren med Prindsessen. Om Morgenen saae da Kongen og Dronningen, nok hvor deres Datter havde været henne, og saa tog de Soldaten og satte ham i Cachotten.
Der sad han. Uh, hvor der var mørkt og kjedeligt, og saa sagde de til ham: imorgen skal du hænges. Det var ikke morsomt at høre, og sit Fyrtøi havde han glemt hjemme paa Vertshuset. Om Morgenen kunde han mellem Jernstængerne i det lille Vindue see Folk skynde sig ud af Byen, for at see ham hænges. Han hørte Trommerne og saae Soldaterne marchere. Alle Mennesker løb afsted; der var ogsaa en Skomagerdreng med Skjødskind og Tøfler paa, han travede saadan i Gallop, at hans ene Tøffel fløi af og lige hen mod Muren hvor Soldaten sad og kigede ud mellem Jernstængerne.
»Ei, du Skomagerdreng! Du skal ikke have saadant et Hastværk,« sagde Soldaten til ham, »der bliver ikke noget af, før jeg kommer! men vil du ikke løbe hen, hvor jeg har boet, og hente mig mit Fyrtøi, saa skal Du faae fire Skilling! men Du maa tage Benene med Dig!« Skomagerdrengen vilde gjerne have de fire Skilling, og pilede afsted hen efter Fyrtøiet, gav Soldaten det, og — ja nu skal vi faae at høre!
Udenfor Byen var der muret en stor Galge, rundt om stod Soldaterne og mange hundrede tusinde Mennesker. Kongen og Dronningen sad paa en deilig Throne lige over for Dommeren og det hele Raad.
Soldaten stod allerede oppe paa Stigen, men da de vilde slaae Strikken om hans Hals, sagde han, at man jo altid tillod en Synder før han udstod sin Straf, at faae et uskyldigt Ønske opfyldt. Han vilde saa gjerne ryge en Pibe Tobak, det var jo den sidste Pibe han fik i denne Verden.
Det vilde nu Kongen ikke sige nei til, og saa tog Soldaten sit Fyrtøi og slog Ild, een, to, tre! og der stod alle Hundene, den med Øine saa store som Theekopper, den med Øine som et Karethjul og den, der havde Øine saa store som Rundetaarn!
»Hjelp mig nu, at jeg ikke bliver hængt!« sagde Soldaten, og saa foer Hundene ind paa Dommerne og hele Raadet, tog en ved Benene og en ved Næsen og kastede dem mange Favne op i Veiret, saa de faldt ned og sloges reent i Stykker.
»Jeg vil ikke!« sagde Kongen, men den største Hund tog baade ham og Dronningen, og kastede dem bagefter alle de Andre; da blev Soldaterne forskrækkede og alle Folkene raabte: »lille Soldat, Du skal være vor Konge og have den deilige Prindsesse!«
Saa satte de Soldaten i Kongens Kareth, og alle tre Hunde dandsede foran og raabte »Hurra!« og Drengene peeb i Fingrene og Soldaterne presenterede. Prindsessen kom ud af Kobberslottet og blev Dronning, og det kunde hun godt lide! Brylluppet varede i otte Dage, og Hundene sad med til Bords og gjorde store Øine.
O isqueiro
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