EK 6
O menino malcriado
Den uartige Dreng
Sobre este conto
Durante uma noite de temporal, um velho poeta ouve uma criança chorando à porta e a deixa entrar. O menino está nu, encharcado e tremendo de frio, com um arco e flechas cujas cores a chuva misturou. O poeta o acolhe junto à estufa, aquece suas mãos e lhe oferece vinho doce e uma maçã. Recuperado, o visitante dança ao redor dele e se apresenta.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Velho poeta, Amor, menino que pede abrigo, Crianças a quem o poeta conta o ocorrido, Estudantes, Moças junto do pastor e na igreja, Pastor mencionado na passagem das moças, Pessoas no teatro, Pai e mãe do leitor, na fala do narrador, Velha avó, na fala do narrador
- Onde se passa
- Casa de um velho poeta durante um temporal noturno, com estufa acesa. Depois o relato menciona a saída das aulas, a igreja, o teatro, o Jardim do Rei e a muralha. Não se declara na prosa a cidade nem uma data da ação.
- Acontecimentos
- O poeta abriga o menino nu e molhado, seca seus cabelos, aquece suas mãos e ferve vinho doce. O visitante se recupera e dança; diz chamar-se Amor.
- Amor afirma que o arco está seco e intacto. Para experimentá-lo, mira e atinge o poeta bem no coração, ri alto e foge. O poeta fica no chão, chorando.
- O poeta conta às crianças o que aconteceu e pede que tomem cuidado. Mesmo assim, Amor as engana; disfarçado com livro e casaca preta, acompanha estudantes e lhes enfia a flecha no peito.
- Amor também persegue moças junto do pastor e na igreja, arde em chama viva no lustre do teatro e corre pelo Jardim do Rei e pela muralha.
- O narrador afirma que Amor atingiu o pai e a mãe do leitor no coração e que também lançou uma flecha na velha avó, muito tempo antes.
- Desfecho
- O narrador diz que o que aconteceu à avó já passou, mas que ela nunca esquece uma coisa dessas. Depois volta a chamar Amor de malvado e encerra dirigindo-se ao leitor, dizendo que agora ele o conhece e sabe como é malcriado.
Era uma vez um velho poeta, um velho poeta muito bondoso. Uma noite, enquanto estava em casa, caiu lá fora um temporal terrível. A chuva desabava, mas o velho poeta estava bem aquecido e confortável junto à sua estufa, onde o fogo ardia e as maçãs chiavam.
— Não vai sobrar um fio seco na roupa dos coitados que estão lá fora com este tempo! — disse ele, pois era um poeta muito bondoso.
— Ah, abra a porta! Estou com frio e tão molhado! — gritou uma criancinha lá fora. Chorava e batia à porta, enquanto a chuva desabava e o vento sacudia todas as janelas.
— Pobrezinho! — disse o velho poeta, e foi abrir a porta. Ali estava um menino pequeno, completamente nu, com a água escorrendo de seus longos cabelos louros. Tremia de frio. Se não tivesse entrado, certamente teria morrido naquele temporal.
— Pobrezinho! — disse o velho poeta, tomando-o pela mão. — Venha cá, que vou aquecê-lo! Você vai ganhar vinho e uma maçã, pois é um lindo menino!
E era mesmo. Seus olhos pareciam duas estrelas brilhantes e, embora a água escorresse de seus cabelos louros, eles se encaracolavam tão lindamente! Parecia um anjinho, mas estava muito pálido de frio e tremia pelo corpo inteiro. Tinha na mão um belo arco, mas ele estava completamente estragado pela chuva: todas as cores das belas flechas se misturavam por causa da umidade.
O velho poeta sentou-se junto à estufa, pôs o menino no colo, espremeu a água de seus cabelos, aqueceu-lhe as mãos entre as suas e ferveu vinho doce para ele. Então o menino se recuperou, ficou com as faces coradas, saltou para o chão e dançou ao redor do velho poeta.
— Você é um menino alegre! — disse o velho. — Como se chama?
— Eu me chamo Amor! — respondeu ele. — Não me conhece? Ali está meu arco! É com ele que atiro, pode acreditar! Veja, agora o tempo está melhorando lá fora; a lua brilha!
— Mas seu arco está estragado! — disse o velho poeta.
— Que pena! — disse o menino, pegando-o e examinando-o. — Ah, está completamente seco, não sofreu dano nenhum! A corda está bem esticada! Agora vou experimentá-lo! — Então armou o arco, pôs uma flecha, mirou e atingiu o bondoso velho poeta bem no coração. — Está vendo agora que meu arco não estava estragado? — disse ele, rindo bem alto e saindo correndo. Que menino malcriado! Atirar assim no velho poeta, que o tinha deixado entrar na sala quentinha, sido tão bom com ele e lhe dado aquele delicioso vinho e a melhor maçã!
O bondoso poeta estava deitado no chão, chorando. Tinha sido realmente atingido bem no coração e disse: — Que feio! Como esse Amor é um menino malcriado! Vou contar isso a todas as boas crianças, para que tomem cuidado e nunca brinquem com ele, pois ele lhes faz mal!
Todas as boas crianças, meninas e meninos, a quem ele contou aquilo tomaram muito cuidado com o malvado Amor, mas ele as enganou assim mesmo, pois é muito ardiloso! Quando os estudantes saem das aulas, ele corre ao lado deles, com um livro debaixo do braço e uma casaca preta. Eles não o reconhecem de modo algum, dão-lhe o braço e pensam que também é um estudante. Mas então ele lhes enfia a flecha no peito. Quando as moças voltam de junto do pastor e quando estão de pé na igreja para a confirmação, ele também vai atrás delas. Sim, está sempre atrás das pessoas! Senta-se no grande lustre do teatro e arde em chama viva, de modo que as pessoas pensam que é uma lâmpada, mas depois percebem outra coisa. Corre pelo Jardim do Rei e pelo alto da muralha! Sim, certa vez atingiu seu pai e sua mãe bem no coração! Pergunte a eles, e ouvirá o que dizem. Sim, esse Amor é um menino malvado; você nunca deve se meter com ele! Ele vai atrás de todo mundo. Imagine: chegou até a atirar uma flecha na velha vovó, mas isso foi há muito tempo, já passou; uma coisa dessas, porém, ela nunca esquece. Que feio, aquele malvado Amor! Mas agora você o conhece! Sabe que menino malcriado ele é!
Sobre esta edição
- Obra
- Den uartige Dreng
- Autoria original
- Hans Christian Andersen
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Publicação
- 29/10/2026
Edições e fontes
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Den uartige Dreng
Ler o original em dinamarquês
Der var engang en gammel Digter, saadan en rigtig god gammel Digter. En Aften, han sad hjemme, blev det et forskrækkeligt ondt Veir udenfor; Regnen skyllede ned, men den gamle Digter sad luunt og godt ved sin Kakkelovn, hvor Ilden brændte og Æblerne snurrede.
»Der bliver da ikke en tør Traad paa de Stakler, som ere ude i det Veir!« sagde han, for han var saadan en god Digter.
»O, luk mig op! jeg fryser og er saa vaad!« raabte et lille Barn udenfor. Det græd og bankede paa Døren, medens Regnen skyllede ned og Blæsten ruskede i alle Vinduer.
»Din lille Stakkel!« sagde den gamle Digter og gik hen at lukke Døren op. Der stod en lille Dreng; han var ganske nøgen og Vandet drev af hans lange gule Haar. Han rystede af Kulde, var han ikke kommet ind, havde han vist maattet døe i det onde Veir.
»Din lille Stakkel!« sagde den gamle Digter og tog ham ved Haanden. »Kom Du til mig, saa skal jeg nok faae Dig varmet! Viin og et Æble skal Du faae, for Du er en deilig Dreng!«
Det var han ogsaa. Hans Øine saae ud som to klare Stjerner, og skjøndt Vandet flød ned af hans gule Haar, krøllede det sig dog saa smukt. Han saae ud, som et lille Englebarn, men var saa bleg af Kulde og rystede over sin hele Krop. I Haanden havde han en deilig Flitsbue, men den var ganske fordærvet af Regnen; alle Couleurerne paa de smukke Pile løbe ud i hinanden af det vaade Veir.
Den gamle Digter satte sig ved Kakkelovnen, tog den lille Dreng paa sit Skjød, vred Vandet af hans Haar, varmede hans Hænder i sine, og kogte sød Viin til ham; saa kom han sig, fik røde Kinder, sprang ned paa Gulvet, og dandsede rundt om den gamle Digter.
»Du er en lystig Dreng!« sagde den Gamle. »Hvad hedder Du?«
»Jeg hedder Amor!« svarede han, »kjender Du mig ikke? Der ligger min Flitsbue! den skyder jeg med, kan Du troe! See, nu bliver Veiret godt udenfor; Maanen skinner!«
»Men Din Flitsbue er fordærvet!« sagde den gamle Digter.
»Det var slemt!« sagde den lille Dreng, tog den op og saae paa den. »O, den er ganske tør, har slet ikke lidt nogen Skade! Strængen sidder ganske stram! nu skal jeg prøve den!« saa spændte han den, lagde en Piil paa, sigtede og skjød den gode gamle Digter lige ind i Hjertet: »Kan Du nu see, at min Flitsbue ikke var fordærvet!« sagde han, loe ganske høit og løb sin Vei. Den uartige Dreng! saaledes at skyde paa den gamle Digter, der havde lukket ham ind i den varme Stue, været saa god mod ham og givet ham den deilige Viin og det bedste Æble.
Den gode Digter laae paa Gulvet og græd, han var virkelig skudt lige ind i Hjertet, og saa sagde han: »fy! hvor den Amor er en uartig Dreng! det skal jeg fortælle til alle gode Børn, at de kunne tage sig iagt, og aldrig lege med ham, for han gjør dem Fortræd!«
Alle de gode Børn, Piger og Drenge, han fortalte det til, toge sig saadan iagt for den slemme Amor, men han narrede dem alligevel, for han er saa udspekuleret! Naar Studenterne gaae fra Forelæsninger, saa løber han ved Siden af dem, med en Bog under Armen og en sort Kjole paa. De kunne slet ikke kjende ham, og saa tage de ham under Armen og troe, det er ogsaa en Student, men saa stikker han dem Pilen ind i Brystet. Naar Pigerne gaae fra Præsten, og naar de staae paa Kirkegulvet, saa er han ogsaa efter dem. Ja, han er alle Tider efter Folk! Han sidder i den store Lysekrone paa Theatret og brænder i lys Lue, saa Folk troe, det er en Lampe, men de mærke siden noget andet. Han løber i Kongenshave og paa Volden! ja, han har engang skudt Din Fader og Moder lige ind i Hjertet! Spørg dem kun ad, saa skal Du høre, hvad de sige. Ja, det er en slem Dreng, den Amor, ham skal Du aldrig have noget med at gjøre! han er efter alle Folk. Tænk engang, han skjød endogsaa en Piil paa gamle Bedstemoder, men det er længe siden, det er gaaet over; men saadan noget glemmer hun aldrig. Fy, den slemme Amor! Men nu kjender Du ham! veed, hvad han er for en uartig Dreng!
O menino malcriado
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