KHM 28
O osso que canta
Der singende Knochen
Sobre este conto
Um javali devasta os campos, mata o gado e fere as pessoas. O rei promete sua única filha por esposa a quem capturar ou matar o animal. Dois irmãos pobres se apresentam e entram na floresta por lados opostos. O mais novo encontra um homenzinho que lhe oferece uma lança preta, dizendo que, com ela, poderá enfrentar a fera sem sofrer dano.
Personagens e estrutura
- Personagens
- Rei que promete sua única filha a quem capturar ou matar o javali, Javali que destrói campos, mata gado e fere pessoas, Irmão mais velho, astuto, esperto, orgulhoso, invejoso e maldoso, Irmão mais novo, inocente, tolo e de bom coração, Homenzinho que dá uma lança preta ao mais novo, Filha única do rei, dada em casamento ao mais velho, Pastor que encontra o ossinho enquanto conduz seu rebanho
- Onde se passa
- Um país não nomeado; floresta em que vive o javali; casa à entrada da floresta onde há dança e vinho; ponte sobre um riacho, areia sob a ponte, presença do rei e cemitério da igreja.
- Acontecimentos
- O rei anuncia que quem capturar ou matar o javali terá sua filha. Dois irmãos se apresentam e entram na floresta, um pelo oeste e outro pelo leste.
- O homenzinho dá ao mais novo uma lança preta; o javali investe contra ela, tem o coração cortado em dois e é levado pelo rapaz.
- O mais velho oferece vinho ao irmão, retém-no até a noite, mata-o com um golpe por trás na ponte e o enterra debaixo dela. Leva o javali ao rei, alega tê-lo matado e recebe a filha por esposa.
- Muitos anos depois, um pastor acha um ossinho na areia sob a ponte e talha nele um bocal para seu instrumento de chifre.
- O ossinho canta que o irmão o matou e enterrou por causa do javali e da filha do rei; diante do rei, torna a cantar, e a terra sob a ponte é escavada.
- Encontrado o esqueleto, o irmão malvado não pode negar o crime; ele é costurado num saco e afogado vivo, e os ossos do assassinado recebem uma sepultura.
- Desfecho
- O rei compreende a cantiga e manda escavar a terra sob a ponte, revelando o esqueleto inteiro do assassinado. O irmão malvado não pode negar o crime: é costurado dentro de um saco e afogado vivo. Os ossos do irmão morto são postos para descansar numa bela sepultura no cemitério da igreja.
Era uma vez um país em que havia grandes queixas por causa de um javali que revolvia os campos dos lavradores, matava o gado e rasgava o corpo das pessoas com suas presas. O rei prometeu uma grande recompensa a quem livrasse o país daquela praga. Mas o animal era tão grande e forte que ninguém ousava chegar perto da floresta onde ele vivia. Por fim, o rei mandou anunciar que quem capturasse ou matasse o javali teria sua única filha por esposa.
Viviam naquele país dois irmãos, filhos de um homem pobre, que se apresentaram para enfrentar o perigo. O mais velho, que era astuto e esperto, fez isso por orgulho; o mais novo, que era inocente e tolo, por bondade de coração. O rei disse: “Para terem mais certeza de encontrar o animal, vocês devem entrar na floresta por lados opostos.” O mais velho entrou pelo oeste, e o mais novo, pelo leste. Depois de caminhar um pouco, o mais novo encontrou um homenzinho que segurava uma lança preta e lhe disse: “Dou esta lança a você porque seu coração é inocente e bom. Com ela, pode enfrentar o javali sem receio: ele não lhe fará mal algum.” O rapaz agradeceu ao homenzinho, pôs a lança no ombro e seguiu sem medo. Não demorou a avistar o animal, que avançou correndo contra ele. Mas o rapaz apontou-lhe a lança, e o javali, em sua fúria cega, lançou-se contra ela com tanta força que seu coração foi cortado em dois. O rapaz pôs a fera no ombro e voltou para casa, querendo levá-la ao rei.
Quando saiu pelo outro lado da floresta, havia à entrada uma casa onde as pessoas se divertiam com danças e vinho. Seu irmão mais velho tinha entrado ali, pensando que o javali não lhe escaparia e que antes queria beber para tomar uma boa dose de coragem. Ao ver o mais novo sair da floresta carregado com sua presa, seu coração invejoso e maldoso não lhe deu sossego. Chamou-o: “Entre, querido irmão! Descanse e fortaleça-se com uma taça de vinho.” O mais novo, sem desconfiar de maldade alguma, entrou e contou-lhe sobre o bom homenzinho que lhe dera a lança com que havia matado o javali. O mais velho o reteve até a noite, e então partiram juntos. Quando chegaram, no escuro, à ponte sobre um riacho, o mais velho deixou o mais novo ir à frente e, quando ele estava bem sobre a água, deu-lhe um golpe por trás, fazendo-o cair morto lá embaixo. Enterrou-o debaixo da ponte, pegou o javali e o levou ao rei, alegando tê-lo matado. Assim recebeu a filha do rei por esposa. Como o irmão mais novo não voltava, disse: “O javali deve ter rasgado o corpo dele.” E todos acreditaram.
Mas, como nada fica escondido diante de Deus, também aquele crime tenebroso haveria de vir à luz. Muitos anos depois, um pastor conduzia seu rebanho pela ponte quando viu, lá embaixo, na areia, um ossinho branco como a neve. Pensou que daria um bom bocal. Desceu, apanhou-o e talhou nele um bocal para seu instrumento de chifre. Quando soprou pela primeira vez, para grande espanto do pastor, o ossinho começou a cantar sozinho:
“Ah, querido pastorzinho,
você sopra no meu ossinho,
meu irmão me matou,
debaixo da ponte me enterrou,
por causa do javali,
pela filhinha do rei.”
“Que pequeno instrumento estranho”, disse o pastor, “canta sozinho! Tenho de levá-lo ao senhor rei.” Quando chegou com ele diante do rei, o pequeno instrumento tornou a cantar sua cantiga. O rei a compreendeu muito bem e mandou cavar a terra debaixo da ponte. Surgiu então o esqueleto inteiro do assassinado. O irmão malvado não pôde negar o crime: foi costurado dentro de um saco e afogado vivo. Os ossos do assassinado, porém, foram postos para descansar numa bela sepultura no cemitério da igreja.
Sobre esta edição
- Obra
- Der singende Knochen
- Autoria original
- Irmãos Grimm
- Texto em português
- Tradução do original
- Edição publicada
- 1.0.0
- Tradução
- Codex · tradução assistida por IA
- Produção
- Bons Filhos Educação
- Revisão
- Codex · revisão independente por IA
- Publicação
- 30/10/2026
Edições e fontes
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Der singende Knochen
Ler o original em alemão
Es war einmal in einem Lande große Klage über ein Wildschwein, das den Bauern die Äcker umwühlte, das Vieh tödtete und den Menschen mit seinen Hauern den Leib aufriß. Der König versprach einem jeden, der das Land von dieser Plage befreien würde, eine große Belohnung: aber das Thier war so groß und stark, daß sich niemand in die Nähe des Waldes wagte, worin es hauste. Endlich ließ der König bekannt machen wer das Wildschwein einfange oder tödte solle seine einzige Tochter zur Gemahlin haben.
Nun lebten zwei Brüder in dem Lande, Söhne eines armen Mannes, die meldeten sich und wollten das Wagnis übernehmen. Der älteste, der listig und klug war, that es aus Hochmuth, der jüngste, der unschuldig und dumm war, aus gutem Herzen. Der König sagte ‘damit ihr desto sicherer das Thier findet, so sollt ihr von entgegengesetzten Seiten in den Wald gehen.’ Da gieng der älteste von Abend und der jüngste von Morgen hinein. Und als der jüngste ein Weilchen gegangen war, so trat ein kleines Männlein zu ihm: das hielt einen schwarzen Spieß in der Hand und sprach ‘diesen Spieß gebe ich dir, weil dein Herz unschuldig und gut ist: damit kannst du getrost auf das wilde Schwein eingehen, es wird dir keinen Schaden zufügen.’ Er dankte dem Männlein, nahm den Spieß auf die Schulter und gieng ohne Furcht weiter. Nicht lange so erblickte er das Thier, das auf ihn los rannte, er hielt ihm aber den Spieß entgegen, und in seiner blinden Wuth rannte es so gewaltig hinein, daß ihm das Herz entzwei geschnitten ward. Da nahm er das Ungethüm auf die Schulter, gieng heimwärts und wollte es dem Könige bringen.
Als er auf der andern Seite des Waldes heraus kam, stand da am Eingang ein Haus, wo die Leute sich mit Tanz und Wein lustig machten. Sein ältester Bruder war da eingetreten und hatte gedacht das Schwein liefe ihm doch nicht fort, erst wollte er sich einen rechten Muth trinken. Als er nun den jüngsten erblickte, der mit seiner Beute beladen aus dem Wald kam, so ließ ihm sein neidisches und boshaftes Herz keine Ruhe. Er rief ihm zu ‘komm doch herein, lieber Bruder, ruhe dich aus und stärke dich mit einem Becher Wein.’ Der jüngste, der nichts arges dahinter vermuthete, gieng hinein und erzählte ihm von dem guten Männlein, das ihm einen Spieß gegeben, womit er das Schwein getödtet hatte. Der älteste hielt ihn bis zum Abend zurück, da giengen sie zusammen fort. Als sie aber in der Dunkelheit zu der Brücke über einen Bach kamen, ließ der älteste den jüngsten vorangehen, und als er mitten über dem Wasser war, gab er ihm von hinten einen Schlag, daß er todt hinabstürzte. Er begrub ihn unter der Brücke, nahm dann das Schwein und brachte es dem König mit dem Vorgeben er hätte es getödtet: worauf er die Tochter des Königs zur Gemahlin erhielt. Als der jüngste Bruder nicht wieder kommen wollte, sagte er ‘das Schwein wird ihm den Leib aufgerissen haben,’ und das glaubte jedermann.
Weil aber vor Gott nichts verborgen bleibt, sollte auch diese schwarze That ans Licht kommen. Nach langen Jahren trieb ein Hirt einmal seine Herde über die Brücke und sah unten im Sande ein schneeweißes Knöchlein liegen und dachte das gäbe ein gutes Mundstück. Da stieg er herab, hob es auf und schnitzte ein Mundstück daraus für sein Horn. Als er zum erstenmal darauf geblasen hatte, so fieng das Knöchlein zu großer Verwunderung des Hirten von selbst an zu singen
‘Ach, du liebes Hirtelein,
du bläst auf meinem Knöchelein,
mein Bruder hat mich erschlagen,
unter der Brücke begraben,
um das wilde Schwein,
für des Königs Töchterlein.’
‘Was für ein wunderliches Hörnchen,’ sagte der Hirt, ‘das von selber singt, das muß ich dem Herrn König bringen.’ Als er damit vor den König kam, fieng das Hörnchen abermals an sein Liedchen zu singen. Der König verstand es wohl, und ließ die Erde unter der Brücke aufgraben, da kam das ganze Gerippe des Erschlagenen zum Vorschein. Der böse Bruder konnte die That nicht läugnen, ward in einen Sack genäht und lebendig ersäuft, die Gebeine des Gemordeten aber wurden auf den Kirchhof in ein schönes Grab zur Ruhe gelegt.
O osso que canta
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