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EK 18

O príncipe perverso

Hans Christian Andersen

Den onde Fyrste

Sobre este conto

Um príncipe conquista países pelo terror, acumula riquezas e exige honras cada vez maiores. Quando os sacerdotes recusam pôr sua estátua diante do altar do Senhor, ele decide enfrentar o próprio Deus.

Personagens e estrutura
Personagens
O príncipe perverso, também chamado rei, Seus soldados, Os povos e reis vencidos, Os sacerdotes, Deus, Um anjo, As águias, Os mosquitos
Onde se passa
Países conquistados, a capital do príncipe, os ares e uma floresta; a narrativa inclui sete anos de preparação militar.
Acontecimentos
  1. Os soldados destroem campos e casas, enquanto o príncipe acumula tesouros e é elogiado por suas construções.
  2. Ele subjuga reis vizinhos e exige que sua estátua seja colocada nas igrejas.
  3. Constrói um navio voador, puxado por cem águias e armado com mil espingardas, para combater Deus.
  4. Um anjo repele os tiros; uma gota de sangue pesa sobre o navio e o faz cair numa floresta.
  5. Após sete anos preparando outra ofensiva, o príncipe é cercado por mosquitos e se manda envolver em tapetes.
Desfecho
Um mosquito entra no ouvido do rei e o pica. Enlouquecido pela dor, ele arranca os tapetes, rasga as roupas e dança nu diante dos soldados, que zombam de quem quis combater Deus e foi vencido por um único mosquito.

Uma lenda.

Era uma vez um príncipe mau e arrogante, cujo único pensamento era conquistar todos os países do mundo e fazer seu nome inspirar terror. Avançava com fogo e espada; seus soldados pisoteavam o trigo nos campos e incendiavam a casa do camponês, de modo que as chamas vermelhas lambiam as folhas das árvores, e as frutas pendiam assadas nos galhos negros e chamuscados. Muitas mães infelizes se escondiam, com seu bebê nu ainda de peito, atrás do muro fumegante. Os soldados as procuravam e, quando encontravam a mãe e a criança, começava sua alegria diabólica. Espíritos malignos não poderiam agir pior. Mas o príncipe achava que tudo ia como devia: dia após dia crescia seu poder, seu nome era temido por todos, e a sorte o acompanhava em tudo o que fazia. Das cidades conquistadas trazia ouro e grandes tesouros. Em sua capital se acumulava uma riqueza sem igual em qualquer outro lugar. Mandou então construir magníficos palácios, igrejas e arcadas, e todos os que viam aquelas maravilhas diziam: “Que grande príncipe!” Não pensavam na miséria que ele levara a outros países; não ouviam os suspiros e lamentos vindos das cidades incendiadas.

O príncipe olhava seu ouro e suas construções esplêndidas e pensava como a multidão: “Que grande príncipe! Mas preciso ter mais, muito mais! Nenhum poder pode ser chamado igual ao meu, quanto mais superior!” Fez guerra a todos os vizinhos e venceu todos. Mandava prender os reis derrotados à sua carruagem com correntes de ouro, quando passava pelas ruas. Quando se sentava à mesa, eles tinham de ficar deitados a seus pés e aos dos cortesãos, apanhando os pedaços de pão que lhes atiravam.

Então o príncipe mandou erguer sua estátua nas praças e nos palácios reais. Queria até que ela fosse posta nas igrejas, diante do altar do Senhor. Mas os sacerdotes disseram:

— Príncipe, você é grande, mas Deus é maior. Não ousamos fazer isso.

— Pois bem — disse o príncipe perverso —, então vencerei também a Deus!

Na arrogância e insensatez de seu coração, mandou construir um engenhoso navio em que pudesse percorrer os ares. Era colorido como a cauda do pavão e parecia coberto de mil olhos, mas cada olho era um cano de espingarda. O príncipe se sentava no meio do navio e só precisava apertar uma mola: mil balas saíam voando, e as espingardas já estavam carregadas novamente. Cem águias fortes foram atreladas à frente do navio, e assim ele voou em direção ao sol. A Terra ficava muito abaixo. Primeiro, com suas montanhas e florestas, parecia apenas um campo arado, em que o verde desponta entre os torrões de relva revolvidos; depois parecia um mapa plano, e logo desapareceu inteiramente na névoa e nas nuvens. As águias voavam cada vez mais alto. Deus enviou então um só de seus incontáveis anjos, e o príncipe perverso mandou disparar mil balas contra ele. Mas as balas caíram como granizo, repelidas pelas asas brilhantes do anjo. Uma gota de sangue, uma única gota, pingou da pena branca da asa e caiu sobre o navio em que o príncipe estava. Cravou-se ali, queimando; pesava como mil quintais de chumbo e arrastou o navio em queda vertiginosa para a Terra. As fortes asas das águias se quebraram, o vento assobiava em torno da cabeça do príncipe, e as nuvens ao redor — nascidas, afinal, das cidades incendiadas — tomavam formas ameaçadoras: lagostins que mediam milhas e estendiam para ele suas garras poderosas; blocos de rocha que rolavam; dragões que cuspiam fogo. Ele estava quase morto no navio, que por fim ficou preso entre os galhos grossos da floresta.

— Vencerei a Deus! — disse. — Eu jurei! Minha vontade será feita!

Durante sete anos mandou construir navios engenhosos para percorrer os ares e forjar raios com o aço mais duro, pois queria explodir as fortificações do céu. Reuniu grandes exércitos de todos os seus países. Postados lado a lado, os homens cobriam uma extensão de muitas milhas. Subiram nos navios engenhosos, e o próprio rei se aproximava do seu quando Deus enviou um enxame de mosquitos, um único pequeno enxame. Ele zumbia em torno do rei, picando-lhe o rosto e as mãos. Furioso, o rei puxou a espada, mas só golpeou o ar vazio; não conseguia atingir os mosquitos. Ordenou então que trouxessem tapetes preciosos e o envolvessem neles. Nenhum mosquito conseguiria atravessá-los com seu ferrão. Fizeram como ele mandou. Mas um único mosquito pousou no tapete mais interno, entrou no ouvido do rei e o picou ali. Ardia como fogo; o veneno lhe subiu ao cérebro. Ele se desvencilhou, arrancou os tapetes, rasgou as roupas e dançou nu diante dos soldados brutais e ferozes, que agora zombavam do príncipe enlouquecido: quisera assaltar a Deus e logo fora vencido por um único mosquito pequenino.


Sobre esta edição

Obra
Den onde Fyrste
Autoria original
Hans Christian Andersen
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

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Den onde Fyrste (Et Sagn)

Eventyr og Historier · Tredie Bind · Tredie Udgave · 1900 · Dinamarquês · Tredie Bind · Tredie Udgave · edição póstuma com rosto de1900
Volume Tredie Bind · Tredie Udgave. Página 150–154. Consultar esta edição ↗
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Fonte deste texto ↗

Et Sagn.

Der var engang en ond og overmodig Fyrste, hvis hele Tanke gik ud paa at vinde alle Verdens Lande og indjage Skræk ved sit Navn; han for frem med Ild og Sværd; hans Soldater nedtraadte Kornet paa Marken, de antændte Bondens Hus, saa den røde Lue slikkede Bladene af Træerne, og Frugten hang stegt paa de sorte, svedne Grene. Mangen stakkels Moder skjulte sig med sit nøgne, diende Barn bag ved den rygende Mur, og Soldaterne søgte hende, og fandt de hende og Barnet, da begyndte deres djævelske Glæde; onde Aander kunde ikke handle værre; men Fyrsten syntes just, det gik, som det skulde; Dag for Dag vokste hans Magt, hans Navn blev frygtet af alle, og Lykken fulgte ham i al hans Gerning. Fra de erobrede Byer førte han Guld og store Skatte; der opdyngedes i hans Kongestad en Rigdom, hvortil der ikke fandtes Mage paa noget andet Sted. Nu lod han bygge prægtige Slotte, Kirker og Buegange, og enhver, som saa disse Herligheder, sagde: „Hvilken stor Fyrste!“ de tænkte ikke paa den Nød, han havde bragt over andre Lande, de hørte ikke de Suk og den Jammer, der lød fra de afbrændte Byer.

Fyrsten saa paa sit Guld, saa paa sine prægtige Bygninger og tænkte da som Mængden: „Hvilken stor Fyrste! men jeg maa have mere! meget mere! Ingen Magt maa nævnes lig, end sige større, end min!“ og han gik i Krig mod alle sine Naboer, og han besejrede dem alle. De overvundne Konger lod han, med Guldkæder, lænke til sin Vogn, naar han kørte gennem Gaderne; og sad han til Bords, da maatte de ligge ved hans og Hoffolkenes Fødder og tage de Stykker Brød, man der kastede til dem.

Nu lod Fyrsten sin Billedstøtte oprejse paa Torvene og i de kongelige Slotte, ja, han vilde, at den skulde staa i Kirkerne foran Herrens Alter; men Præsterne sagde: „Fyrste, du er stor, men Gud er større, vi vove det ikke.“

„Vel,“ sagde den onde Fyrste, „saa overvinder jeg Gud med!“ og i sit Hjertes Overmod og Taabelighed lod han bygge et kunstigt Skib, hvormed han kunde gennemfare Luften; det var broget som Paafuglens Hale og syntes besat med tusinde Øjne, men hvert Øje var en Bøssepibe; Fyrsten sad midt i Skibet, han behøvede kun at trykke paa en Fjeder, da fløj tusinde Kugler ud, og Bøsserne vare igen ladte som før. Hundrede stærke Ørne spændtes foran Skibet, og saaledes fløj han nu mod Solen. Jorden laa dybt nede; først syntes den, med sine Bjerge og Skove, kun som en oppløjet Ager, hvor det grønne titter frem fra den væltede Græstørv, siden lignede den det flade Landkort, og snart var den ganske skjult i Taage og Skyer. Højere og højere fløj Ørnene opad; da udsendte Gud en eneste af sine utallige Engle, og den onde Fyrste lod tusinde Kugler skyde imod ham; men Kuglerne faldt som Hagl tilbage fra Englens skinnende Vinger; en Bloddraabe, kun en eneste, dryppede fra den hvide Vingefjer, og denne Draabe faldt paa Skibet, hvori Fyrsten sad; den brændte sig fast, den tyngede som tusind Centner Bly og rev Skibet i styrtende Fart ned mod Jorden; Ørnenes stærke Vinger knækkedes, Vinden suste om Fyrstens Hoved, og Skyerne rundt om, de vare jo skabte af de afbrændte Byer, formede sig i truende Skikkelser, som milestore Krebs, der strakte deres stærke Klo ud efter ham, som rullende Klippestykker og ildspyende Drager; halv død laa han i Skibet, der til sidst blev hængende mellem Skovens tykke Trægrene.

„Jeg vil besejre Gud!“ sagde han, „jeg har svoret det, min Villie skal ske!“ og han lod i syv Aar bygge kunstige Skibe til at gennemfare Luften med, han lod smede Lynstraaler af det haardeste Staal; thi han vilde sprænge Himlens Befæstning. Fra alle sine Lande samlede han store Krigshære, de bedækkede en Omkreds af flere Mile, da de stod opstillede Mand ved Mand. De besteg de kunstige Skibe, Kongen selv nærmede sig sit, da udsendte Gud en Myggesværm, en eneste lille Myggesværm, den surrede om Kongen og stak hans Ansigt og Hænder; han drog i Harme sit Sværd, men slog kun i den tomme Luft, Myggene kunde han ikke ramme. Da bød han, at der skulde bringes kostelige Tæpper, disse maatte man vikle om ham, der kunde ingen Myg trænge igennem med sin Braad, og man gjorde, som han bød; men en eneste Myg satte sig paa det inderste Tæppe, den krøb ind i Kongens Øre og stak ham der; det brændte som Ild, Giften slog op i hans Hjerne, han rev sig løs, sled Tæpperne af sig, sønderrev sine Klæder og dansede nøgen for de raa, vilde Soldater, som nu spottede den gale Fyrste, der vilde bestorme Gud og straks var overvunden af en eneste lille Myg.

O príncipe perverso

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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