AsVerdadeiras HistóriasOs contos originais, em nossa língua

KHM 4

O rapaz que saiu para aprender a ter medo

Irmãos Grimm

Mährchen von einem, der auszog das Fürchten zu lernen

Sobre este conto

Um rapaz não entende o que as pessoas querem dizer quando afirmam sentir arrepios. Ao contrário do irmão, não teme os lugares sinistros e deseja aprender essa sensação como se fosse uma profissão. Depois de uma tentativa desastrosa de ensiná-lo, o pai o manda conhecer o mundo. O jovem segue pela estrada repetindo seu desejo e aceita propostas para descobrir o que são arrepios.

Personagens e estrutura
Personagens
Rapaz mais novo que quer aprender a sentir arrepios e depois se torna rei, Pai que o expulsa e lhe dá cinquenta táleres, Irmão mais velho, que tem medo de lugares sinistros, Sacristão que se disfarça e sua mulher, Homem da estrada que indica a forca, Sete enforcados que o rapaz leva ao fogo e torna a pendurar, Carroceiro que o conduz à estalagem, Estalajadeiro e sua mulher, Rei que promete sua filha a quem passar três noites no castelo, Dois gatos pretos, outros gatos e cães com correntes incandescentes, Homem em duas metades e outros homens que jogam com ossos e crânios, Seis carregadores e cadáver que o rapaz chama de primo, Espírito de velho barbudo que revela caixas de ouro, Filha do rei, depois esposa do rapaz, Criada de quarto que organiza a solução com água fria e peixes
Onde se passa
Casa paterna, torre da igreja, estrada, forca e estalagem. A parte central ocorre num castelo enfeitiçado, com aposento, chaminé, cama móvel, corredores, forja e porão. O final se passa após o casamento, com peixes de um riacho que atravessa o jardim.
Acontecimentos
  1. O rapaz quer aprender a sentir arrepios. Empurra pela escada o sacristão disfarçado, que quebra uma perna. O pai o manda embora com cinquenta táleres.
  2. Ele passa a noite sob a forca, desce sete enforcados para aquecê-los e torna a pendurá-los quando suas roupas queimam. Continua sem aprender a sentir arrepios.
  3. O rei promete sua filha a quem passar três noites no castelo. Na primeira, o rapaz mata gatos e cães e enfrenta uma cama que corre e vira sobre ele.
  4. Na segunda noite, aparece um homem em duas metades e depois outros homens. Jogam boliche com nove ossos e dois crânios, que o rapaz arredonda no torno.
  5. Na terceira, ele aquece um morto que o ameaça e vence um velho, prendendo-lhe a barba na bigorna. Recebe indicação de três caixas de ouro e liberta o castelo.
  6. O rapaz se casa, mas continua querendo sentir arrepios. A criada manda buscar góbios; a esposa despeja sobre ele água fria e peixes enquanto dorme. Ele acorda dizendo que agora sabe.
Desfecho
Após a terceira noite, o velho barbudo mostra três caixas de ouro: uma parte para os pobres, outra para o rei e a terceira para o rapaz. O rei diz que ele libertou o castelo e deve se casar com sua filha. Mesmo casado e feliz, o jovem rei continua repetindo que gostaria de sentir arrepios. A criada da esposa manda buscar um balde de góbios do riacho do jardim. À noite, a esposa tira a coberta e despeja sobre ele água fria com os peixes, que se agitam em torno de seu corpo. Ele acorda exclamando que está arrepiado e finalmente sabe o que são arrepios.

Um pai tinha dois filhos. O mais velho era inteligente e esperto e sabia se arranjar em tudo; o mais novo, porém, era tolo, não conseguia compreender nem aprender coisa alguma. Quando as pessoas o viam, diziam: “Esse ainda vai dar trabalho ao pai!” Sempre que havia algo a fazer, era o mais velho quem tinha de resolver. Mas, se o pai lhe mandava buscar alguma coisa tarde da noite, e o caminho passava pelo cemitério ou por outro lugar sinistro, ele respondia: “Ah, não, pai, não vou lá! Fico arrepiado!”, pois tinha medo. Ou, quando contavam histórias à noite, junto ao fogo, daquelas que fazem a pele se arrepiar, os ouvintes às vezes diziam: “Ah, fico arrepiado!” O mais novo ficava sentado num canto, ouvindo, sem entender o que aquilo queria dizer. “Sempre dizem: fico arrepiado, fico arrepiado! Eu não sinto arrepios. Deve ser uma arte da qual também não entendo nada.”

Certa vez, o pai lhe disse: “Escute, você aí no canto! Está ficando grande e forte; precisa aprender alguma coisa para ganhar seu pão. Veja como seu irmão se esforça, mas com você tudo é trabalho perdido.” “Ora, pai”, respondeu ele, “quero muito aprender alguma coisa. Se fosse possível, gostaria de aprender a sentir arrepios; disso ainda não entendo absolutamente nada.” O mais velho riu ao ouvir aquilo e pensou: “Meu Deus, como meu irmão é pateta! Nunca vai dar em nada. Para virar gancho, é preciso se curvar desde cedo.” O pai suspirou e respondeu: “Sentir arrepios você há de aprender, mas não vai ganhar seu pão com isso.”

Pouco depois, o sacristão foi visitar a casa. O pai lhe contou suas aflições e disse que o filho mais novo era tão pouco instruído em tudo: não sabia nada e não aprendia nada. “Imagine: quando lhe perguntei como queria ganhar seu pão, ele disse que desejava aprender a sentir arrepios!” “Se é só isso”, respondeu o sacristão, “pode aprender comigo. Mande-o para minha casa; vou desbastá-lo direitinho.” O pai concordou, pensando: “O rapaz ao menos será aparado um pouco.” O sacristão o levou para casa, e ele tinha de tocar o sino. Alguns dias depois, acordou-o à meia-noite e mandou que se levantasse, subisse à torre da igreja e tocasse o sino. “Você vai aprender o que são arrepios”, pensou. Foi escondido na frente e, quando o rapaz chegou ao alto e se virou para pegar a corda do sino, viu uma figura branca parada na escada, diante da abertura por onde saía o som. “Quem está aí?”, gritou. Mas a figura não respondeu, não se mexeu nem se moveu. “Responda”, gritou o rapaz, “ou trate de ir embora! Você não tem nada que fazer aqui à noite.” O sacristão continuou imóvel para que o rapaz acreditasse que era um fantasma. O rapaz gritou pela segunda vez: “O que você quer aqui? Fale, se é um sujeito honesto, ou vou jogá-lo escada abaixo!” O sacristão pensou: “Ele não deve estar falando tão sério.” Não soltou um som e ficou como se fosse de pedra. O rapaz o chamou pela terceira vez e, como também não adiantou, tomou impulso e empurrou o fantasma pela escada. Ele caiu dez degraus e ficou deitado num canto. Depois disso, o rapaz tocou o sino, foi para casa, deitou-se sem dizer uma palavra e dormiu. A mulher do sacristão esperou muito pelo marido, mas ele não voltava. Por fim, ficou aflita, acordou o rapaz e perguntou: “Você não sabe onde meu marido foi parar? Ele subiu à torre antes de você.” “Não”, respondeu o rapaz, “mas havia alguém parado na escada, diante da abertura do sino. Como não queria responder nem ir embora, achei que fosse um patife e o empurrei lá para baixo. Vá até lá e veja se era ele; eu ficaria muito triste.” A mulher correu e encontrou o marido deitado num canto, gemendo, com uma perna quebrada. Levou-o para baixo e depois foi aos gritos até o pai do rapaz. “Seu filho”, gritou, “causou uma grande desgraça! Jogou meu marido escada abaixo e lhe quebrou uma perna. Tire esse imprestável da nossa casa!” O pai se assustou, veio correndo e repreendeu o rapaz: “Que diabruras ímpias são essas? Só podem ter sido ideia do Maligno!” “Pai”, respondeu ele, “escute: sou inteiramente inocente. Ele estava ali à noite como alguém que pretende fazer o mal. Eu não sabia quem era e o avisei três vezes para falar ou ir embora.” “Ah”, disse o pai, “com você só me acontecem desgraças! Saia da minha frente, não quero mais vê-lo!” “Sim, pai, com muito gosto. Espere apenas amanhecer: vou sair e aprender a sentir arrepios. Assim ao menos saberei uma arte que pode me sustentar.” “Aprenda o que quiser”, disse o pai, “para mim tanto faz. Aqui tem cinquenta táleres; vá pelo vasto mundo e não diga a ninguém de onde veio nem quem é seu pai, pois tenho de me envergonhar de você.” “Sim, pai, como quiser. Se não exige mais nada, posso me lembrar disso facilmente.”

Ao amanhecer, o rapaz pôs os cinquenta táleres no bolso, saiu para a grande estrada e ia dizendo consigo mesmo: “Se ao menos eu sentisse arrepios! Se ao menos eu sentisse arrepios!” Um homem se aproximou e ouviu o rapaz conversando sozinho. Quando já tinham andado um pouco e se avistava a forca, o homem lhe disse: “Está vendo? Ali está a árvore onde sete se casaram com a filha do cordoeiro e agora aprendem a voar. Sente-se debaixo dela e espere a noite chegar; então vai aprender a sentir arrepios.” “Se é só isso que precisa”, respondeu o rapaz, “é fácil. Mas, se eu aprender tão depressa a sentir arrepios, você ficará com meus cinquenta táleres. Volte aqui amanhã cedo.” O rapaz foi até a forca, sentou-se debaixo dela e esperou até anoitecer. Como estava com frio, acendeu uma fogueira; mas à meia-noite o vento soprava tão gelado que, apesar do fogo, ele não conseguia se aquecer. Quando o vento batia os enforcados uns contra os outros, fazendo-os se mexer de um lado para outro, pensou: “Você está com frio aqui embaixo, junto ao fogo; imagine como eles devem estar com frio e se agitando lá em cima!” Como tinha pena deles, encostou a escada, subiu, desatou um após outro e trouxe os sete para baixo. Atiçou o fogo, soprou as brasas e os sentou em volta, para que se aquecessem. Mas eles ficavam parados, e o fogo pegou em suas roupas. Então disse: “Tomem cuidado, ou vou pendurá-los lá em cima de novo!” Os mortos não ouviam; ficavam calados e deixavam seus farrapos queimar. Ele se zangou e disse: “Se não querem prestar atenção, não posso ajudar. Não vou queimar junto com vocês!” E tornou a pendurá-los, um após outro. Depois se sentou junto ao fogo e adormeceu. Na manhã seguinte, o homem veio para receber os cinquenta táleres e perguntou: “Então, já sabe o que são arrepios?” “Não”, respondeu ele. “Como haveria de saber? Aqueles lá em cima não abriram a boca e foram tão tolos que deixaram queimar os poucos trapos velhos que traziam no corpo.” O homem viu que não levaria os cinquenta táleres naquele dia, foi embora e disse: “Nunca encontrei ninguém assim!”

O rapaz também seguiu seu caminho e tornou a dizer consigo mesmo: “Ah, se ao menos eu sentisse arrepios! Ah, se ao menos eu sentisse arrepios!” Um carroceiro que vinha atrás dele ouviu aquilo e perguntou: “Quem é você?” “Não sei”, respondeu o rapaz. O carroceiro continuou: “De onde você vem?” “Não sei.” “Quem é seu pai?” “Isso não posso dizer.” “O que fica resmungando o tempo todo?” “Ora”, respondeu o rapaz, “queria sentir arrepios, mas ninguém consegue me ensinar.” “Deixe essa conversa tola”, disse o carroceiro. “Venha comigo, vou ver se encontro onde você ficar.” O rapaz o acompanhou e, à noite, chegaram a uma estalagem onde queriam pernoitar. Ao entrar na sala, ele tornou a dizer bem alto: “Se ao menos eu sentisse arrepios! Se ao menos eu sentisse arrepios!” O estalajadeiro ouviu, riu e disse: “Se é isso que deseja, aqui deve haver uma boa oportunidade.” “Ah, fique quieto”, disse a mulher do estalajadeiro. “Tantos curiosos já perderam a vida! Seria uma pena e uma lástima se esses belos olhos nunca mais vissem a luz do dia.” Mas o rapaz disse: “Por mais difícil que seja, quero aprender de uma vez; foi para isso que saí de casa.” Não deu sossego ao estalajadeiro até ele contar que, ali perto, havia um castelo enfeitiçado onde alguém poderia aprender o que eram arrepios, bastando passar três noites de vigília lá dentro. O rei havia prometido sua filha em casamento a quem se arriscasse; ela era a moça mais bela sobre a qual o sol brilhava. No castelo também havia grandes tesouros, guardados por espíritos malignos; eles ficariam livres e poderiam tornar um pobre bastante rico. Muitos já haviam entrado, mas nenhum voltara a sair. Na manhã seguinte, o rapaz foi à presença do rei e disse: “Se me permitir, gostaria de passar três noites de vigília no castelo enfeitiçado.” O rei o olhou e, como gostou dele, disse: “Você pode pedir mais três coisas, mas precisam ser coisas sem vida, que possa levar para o castelo.” Ele respondeu: “Então peço um fogo, um torno e uma bancada de entalhe com uma faca.”

O rei mandou levar tudo para o castelo durante o dia. Ao cair da noite, o rapaz subiu, acendeu um fogo forte num aposento, pôs ao lado a bancada de entalhe com a faca e se sentou no torno. “Ah, se ao menos eu sentisse arrepios!”, disse. “Mas aqui também não vou aprender.” Perto da meia-noite, quis atiçar o fogo; enquanto soprava, ouviu de repente um grito vindo de um canto: “Ai, miau! Como estamos com frio!” “Seus tolos!”, gritou ele. “Por que estão gritando? Se estão com frio, venham se sentar junto ao fogo e se aquecer.” Assim que disse isso, dois grandes gatos pretos chegaram num salto enorme, sentaram-se um de cada lado dele e o encararam ferozmente com seus olhos de fogo. Depois de um tempo, quando já estavam aquecidos, disseram: “Camarada, vamos jogar uma partida de cartas?” “Por que não?”, respondeu. “Mas mostrem suas patas.” Eles estenderam as garras. “Ora”, disse ele, “que unhas compridas! Esperem, primeiro preciso cortá-las.” Pegou-os pelo cangote, ergueu-os até a bancada de entalhe e prendeu suas patas com os parafusos. “Estou de olho nos seus dedos”, disse. “Assim perco a vontade de brincadeira de gato.” Matou-os a golpes e os jogou na água lá fora. Mas, depois de dar sossego àqueles dois, quando ia se sentar novamente junto ao fogo, vieram de todos os cantos gatos pretos e cães pretos com correntes incandescentes, cada vez mais, tantos que ele não tinha onde se esconder. Gritavam horrivelmente, pisavam no fogo, espalhavam-no e queriam apagá-lo. Ele ficou olhando tranquilamente por algum tempo, mas, quando aquilo passou da conta, pegou a faca de entalhe e gritou: “Fora daqui, sua corja!” E começou a golpeá-los. Alguns saltaram para longe; matou os outros e os jogou lá fora, na lagoa. Quando voltou, soprou as faíscas até reacender o fogo e se aqueceu. Enquanto estava ali, seus olhos já não queriam ficar abertos, e sentiu vontade de dormir. Olhou em volta e viu uma cama grande num canto. “É disso mesmo que preciso!”, disse, e se deitou. Mas, quando ia fechar os olhos, a cama começou a andar sozinha e correu pelo castelo inteiro. “Muito bem”, disse ele, “mais depressa!” A cama rolava como se seis cavalos a puxassem, subindo e descendo por soleiras e escadas. De repente, zás, zás!, virou de cabeça para baixo e caiu sobre ele como uma montanha. Mas ele lançou cobertas e travesseiros para o alto, saiu debaixo dela e disse: “Agora pode andar nela quem quiser!” Deitou-se junto ao fogo e dormiu até amanhecer. Pela manhã, o rei chegou e, vendo-o deitado no chão, achou que os fantasmas o haviam matado. Disse: “Que pena de um rapaz tão bonito!” O jovem ouviu, ergueu-se e respondeu: “Ainda não chegamos a esse ponto!” O rei se espantou, mas ficou contente e perguntou como ele havia passado. “Muito bem”, respondeu. “Uma noite já passou; as outras duas também passarão.” Quando voltou à estalagem, o dono arregalou os olhos. “Não achei que voltaria a vê-lo vivo”, disse. “Já aprendeu o que são arrepios?” “Não”, respondeu. “Tudo em vão! Se ao menos alguém pudesse me dizer!”

Na segunda noite, tornou a subir ao velho castelo, sentou-se junto ao fogo e recomeçou a velha cantilena: “Se ao menos eu sentisse arrepios!” Quando se aproximava a meia-noite, ouviu-se uma barulheira, primeiro baixa, depois cada vez mais forte; em seguida houve um breve silêncio. Por fim, com grandes gritos, metade de um homem caiu pela chaminé e aterrissou diante dele. “Ei!”, gritou. “Ainda falta outra metade; isso é pouco.” O barulho recomeçou, rugindo e uivando, e a outra metade também caiu. “Espere”, disse ele, “primeiro vou soprar um pouco o fogo para você.” Quando fez isso e olhou de novo, os dois pedaços haviam se juntado, e um homem horrendo estava sentado em seu lugar. “Não foi isso que combinamos”, disse o rapaz. “O banco é meu.” O homem quis empurrá-lo, mas ele não aceitou, afastou-o à força e se sentou outra vez em seu lugar. Então caíram mais homens, um após outro. Trouxeram nove ossos de mortos e dois crânios, arrumaram tudo e começaram a jogar boliche. O rapaz também ficou com vontade e perguntou: “Escutem, posso entrar?” “Sim, se tiver dinheiro.” “Dinheiro tenho de sobra”, respondeu, “mas suas bolas não estão bem redondas.” Pegou os crânios, prendeu-os no torno e os torneou até ficarem redondos. “Pronto, agora vão rolar melhor”, disse. “Vamos, agora vai ser divertido!” Entrou no jogo e perdeu um pouco de seu dinheiro; mas, quando bateram doze horas, tudo desapareceu diante de seus olhos. Deitou-se e dormiu tranquilamente. Na manhã seguinte, o rei veio saber como fora. “Como passou desta vez?”, perguntou. “Joguei boliche”, respondeu, “e perdi alguns hellers.” “E não sentiu arrepios?” “Ora, essa!”, disse ele. “Eu me diverti. Se ao menos soubesse o que são arrepios!”

Na terceira noite, sentou-se de novo em seu banco e disse muito contrariado: “Se ao menos eu sentisse arrepios!” Já era tarde quando seis homens grandes entraram carregando um caixão. Então disse: “Ah, ah, deve ser meu priminho, que morreu há poucos dias!” Fez sinal com o dedo e chamou: “Venha, priminho, venha!” Eles puseram o caixão no chão; ele se aproximou e tirou a tampa. Dentro havia um homem morto. Tocou-lhe o rosto, mas estava frio como gelo. “Espere”, disse, “vou aquecer você um pouco.” Foi até o fogo, esquentou a mão e a pôs sobre o rosto do morto, mas ele continuou frio. Então o tirou do caixão, sentou-se junto ao fogo, colocou-o no colo e lhe esfregou os braços para fazer o sangue voltar a circular. Como isso também não adiantou, pensou: “Quando dois ficam juntos na cama, um aquece o outro.” Levou-o para a cama, cobriu-o e se deitou a seu lado. Depois de um tempo, o morto também ficou quente e começou a se mexer. O rapaz disse: “Está vendo, priminho? Se eu não tivesse aquecido você!” Mas o morto começou a gritar: “Agora vou estrangular você!” “O quê?”, disse ele. “É assim que me agradece? Vai voltar agora mesmo para seu caixão!” Ergueu-o, jogou-o lá dentro e fechou a tampa. Os seis homens vieram e o levaram embora outra vez. “Não consigo sentir arrepios”, disse. “Aqui nunca vou aprender.”

Então entrou um homem maior que todos os outros, de aparência terrível. Era velho e tinha uma longa barba branca. “Ah, seu miserável!”, gritou. “Agora vai aprender logo o que são arrepios, pois vai morrer!” “Não tão depressa”, respondeu o rapaz. “Se tenho de morrer, também preciso participar disso.” “Vou pegar você”, disse o monstro. “Calma, calma, não se faça de tão importante! Sou tão forte quanto você, e talvez ainda mais.” “Vamos ver”, disse o velho. “Se for mais forte que eu, vou deixá-lo ir. Venha, vamos tentar.” Conduziu-o por corredores escuros até uma forja, pegou um machado e, com um só golpe, cravou uma das bigornas na terra. “Isso eu faço ainda melhor”, disse o rapaz, indo até a outra bigorna. O velho ficou a seu lado para olhar, com a barba branca pendendo. O rapaz pegou o machado, partiu a bigorna com um golpe e prendeu nela a barba do velho. “Agora peguei você”, disse o rapaz. “Agora é sua vez de morrer.” Pegou uma barra de ferro e começou a bater no velho, até ele gemer e pedir que parasse: daria ao rapaz grandes riquezas. O jovem puxou o machado e o soltou. O velho o conduziu de volta ao castelo e lhe mostrou, num porão, três caixas cheias de ouro. “Disto”, disse, “uma parte é para os pobres, outra para o rei e a terceira para você.” Nisso bateram doze horas, e o espírito desapareceu, deixando o rapaz no escuro. “Hei de conseguir sair daqui”, disse. Tateou até encontrar o caminho de volta ao aposento e adormeceu junto ao fogo. Na manhã seguinte, o rei veio e disse: “Agora deve ter aprendido o que são arrepios!” “Não”, respondeu. “O que são, afinal? Meu primo morto esteve aqui, e veio um homem barbudo que me mostrou muito dinheiro lá embaixo; mas ninguém me disse o que são arrepios.” Então o rei disse: “Você libertou o castelo do encanto e vai se casar com minha filha.” “Tudo isso é muito bom”, respondeu, “mas ainda não sei o que são arrepios.”

Trouxeram o ouro para cima e celebraram o casamento. Mas o jovem rei, por mais que amasse sua esposa e estivesse feliz, vivia dizendo: “Se ao menos eu sentisse arrepios, se ao menos eu sentisse arrepios!” Por fim, ela se irritou. Sua criada de quarto disse: “Vou dar um jeito. Ele vai aprender o que são arrepios!” Foi até o riacho que corria pelo jardim e mandou buscar um balde inteiro de góbios. À noite, enquanto o jovem rei dormia, sua esposa teve de puxar a coberta e despejar sobre ele o balde de água fria com os góbios, de modo que os peixinhos se agitassem em torno dele. Ele acordou e gritou: “Ah, que arrepios, que arrepios, querida esposa! Sim, agora sei o que são arrepios!”


Sobre esta edição

Obra
Mährchen von einem, der auszog das Fürchten zu lernen
Autoria original
Irmãos Grimm
Texto em português
Tradução do original
Edição publicada
1.0.0
Tradução
Codex · tradução assistida por IA
Revisão
Codex · revisão independente por IA
Produção
Bons Filhos Educação
Publicação
30/10/2026
Edições e fontes

Conheça as edições desta história e consulte os textos de origem.

Mährchen von einem, der auszog das Fürchten zu lernen

Kinder- und Hausmärchen · 1857 · Alemão · 7. Große Ausgabe
Volume I. Página 15–25. Consultar esta edição ↗
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Ein Vater hatte zwei Söhne, davon war der älteste klug und gescheidt, und wußte sich in alles wohl zu schicken, der jüngste aber war dumm, konnte nichts begreifen und lernen: und wenn ihn die Leute sahen, sprachen sie ‘mit dem wird der Vater noch seine Last haben!’ Wenn nun etwas zu thun war, so mußte es der älteste allzeit ausrichten: hieß ihn aber der Vater noch spät oder gar in der Nacht etwas holen, und der Weg gieng dabei über den Kirchhof oder sonst einen schaurigen Ort, so antwortete er wohl ‘ach nein, Vater, ich gehe nicht dahin, es gruselt mir!’ denn er fürchtete sich. Oder, wenn Abends beim Feuer Geschichten erzählt wurden, wobei einem die Haut schaudert, so sprachen die Zuhörer manchmal ‘ach, es gruselt mir!’ Der jüngste saß in einer Ecke und hörte das mit an, und konnte nicht begreifen was es heißen sollte. ‘Immer sagen sie es gruselt mir! es gruselt mir! mir gruselts nicht: das wird wohl eine Kunst sein, von der ich auch nichts verstehe.’

Nun geschah es, daß der Vater einmal zu ihm sprach ‘hör du, in der Ecke dort, du wirst groß und stark, du mußt auch etwas lernen womit du dein Brot verdienst. Siehst du, wie dein Bruder sich Mühe gibt, aber an dir ist Hopfen und Malz verloren.’ ‘Ei, Vater,’ antwortete er, ‘ich will gerne was lernen; ja, wenns angienge, so möchte ich lernen daß mirs gruselte; davon verstehe ich noch gar nichts.’ Der älteste lachte als er das hörte, und dachte bei sich ‘du lieber Gott, was ist mein Bruder ein Dummbart, aus dem wird sein Lebtag nichts: was ein Häckchen werden will, muß sich bei Zeiten krümmen.’ Der Vater seufzte und antwortete ihm ‘das Gruseln, das sollst du schon lernen, aber dein Brot wirst du damit nicht verdienen.’

Bald darnach kam der Küster zum Besuch ins Haus, da klagte ihm der Vater seine Noth und erzählte wie sein jüngster Sohn in allen Dingen so schlecht beschlagen wäre, er wüßte nichts und lernte nichts. ‘Denkt euch, als ich ihn fragte, womit er sein Brot verdienen wollte, hat er gar verlangt das Gruseln zu lernen.’ ‘Wenns weiter nichts ist,’ antwortete der Küster, ‘das kann er bei mir lernen; thut ihn nur zu mir, ich will ihn schon abhobeln.’ Der Vater war es zufrieden, weil er dachte ‘der Junge wird doch ein wenig zugestutzt.’ Der Küster nahm ihn also ins Haus, und er mußte die Glocke läuten. Nach ein paar Tagen weckte er ihn um Mitternacht, hieß ihn aufstehen, in den Kirchthurm steigen und läuten. ‘Du sollst schon lernen was Gruseln ist,’ dachte er, gieng heimlich voraus, und als der Junge oben war, und sich umwendete und das Glockenseil fassen wollte, so sah er auf der Treppe, dem Schallloch gegenüber, eine weiße Gestalt stehen. ‘Wer da?’ rief er, aber die Gestalt gab keine Antwort, regte und bewegte sich nicht. ‘Gib Antwort,’ rief der Junge, ‘oder mache daß du fort kommst, du hast hier in der Nacht nichts zu schaffen.’ Der Küster aber blieb unbeweglich stehen, damit der Junge glauben sollte es wäre ein Gespenst. Der Junge rief zum zweitenmal ‘was willst du hier? sprich, wenn du ein ehrlicher Kerl bist, oder ich werfe dich die Treppe hinab.’ Der Küster dachte ‘das wird so schlimm nicht gemeint sein,’ gab keinen Laut von sich und stand als wenn er von Stein wäre. Da rief ihn der Junge zum drittenmale an, und als das auch vergeblich war, nahm er einen Anlauf und stieß das Gespenst die Treppe hinab, daß es zehn Stufen hinab fiel und in einer Ecke liegen blieb. Darauf läutete er die Glocke, gieng heim, legte sich, ohne ein Wort zu sagen, ins Bett und schlief fort. Die Küsterfrau wartete lange Zeit auf ihren Mann, aber er wollte nicht wieder kommen. Da ward ihr endlich angst, sie weckte den Jungen und fragte ‘weißt du nicht, wo mein Mann geblieben ist? er ist vor dir auf den Thurm gestiegen.’ ‘Nein,’ antwortete der Junge, ‘aber da hat einer dem Schallloch gegenüber auf der Treppe gestanden, und weil er keine Antwort geben und auch nicht weggehen wollte, so habe ich ihn für einen Spitzbuben gehalten und hinunter gestoßen. Geht nur hin, so werdet Ihr sehen ob ers gewesen ist, es sollte mir leid thun.’ Die Frau sprang fort und fand ihren Mann, der in einer Ecke lag und jammerte, und ein Bein gebrochen hatte. Sie trug ihn herab und eilte dann mit lautem Geschrei zu dem Vater des Jungen. ‘Euer Junge,’ rief sie, ‘hat ein großes Unglück angerichtet, meinen Mann hat er die Treppe hinab geworfen daß er ein Bein gebrochen hat: schafft den Taugenichts aus unserm Haus.’ Der Vater erschrak, kam herbeigelaufen und schalt den Jungen aus. ‘Was sind das für gottlose Streiche, die muß dir der Böse eingegeben haben.’ ‘Vater,’ antwortete er, ‘hört nur an, ich bin ganz unschuldig: er stand da in der Nacht, wie einer der böses im Sinne hat. Ich wußte nicht wers war, und habe ihn dreimal ermahnt zu reden oder wegzugehen.’ ‘Ach,’ sprach der Vater, ‘mit dir erleb ich nur Unglück, geh mir aus den Augen, ich will dich nicht mehr ansehen.’ ‘Ja, Vater, recht gerne, wartet nur bis Tag ist, da will ich ausgehen und das Gruseln lernen, so versteh ich doch eine Kunst, die mich ernähren kann.’ ‘Lerne was du willst,’ sprach der Vater, ‘mir ist Alles einerlei. Da hast du funfzig Thaler, damit geh in die weite Welt und sage keinem Menschen wo du her bist und wer dein Vater ist, denn ich muß mich deiner schämen.’ ‘Ja, Vater, wie ihrs haben wollt, wenn ihr nicht mehr verlangt, das kann ich leicht in Acht behalten.’

Als nun der Tag anbrach, steckte der Junge seine funfzig Thaler in die Tasche, gieng hinaus auf die große Landstraße und sprach immer vor sich hin ‘wenn mirs nur gruselte! wenn mirs nur gruselte!’ Da kam ein Mann heran, der hörte das Gespräch, das der Junge mit sich selber führte, und als sie ein Stück weiter waren, daß man den Galgen sehen konnte, sagte der Mann zu ihm ‘siehst du, dort ist der Baum, wo siebene mit des Seilers Tochter Hochzeit gehalten haben und jetzt das Fliegen lernen: setz dich darunter und warte bis die Nacht kommt, so wirst du schon das Gruseln lernen.’ ‘Wenn weiter nichts dazu gehört,’ antwortete der Junge, ‘das ist leicht gethan; lerne ich aber so geschwind das Gruseln, so sollst du meine funfzig Thaler haben: komm nur Morgen früh wieder zu mir.’ Da gieng der Junge zu dem Galgen, setzte sich darunter und wartete bis der Abend kam. Und weil ihn fror, machte er sich ein Feuer an: aber um Mitternacht gieng der Wind so kalt, daß er trotz des Feuers nicht warm werden wollte. Und als der Wind die Gehenkten gegen einander stieß, daß sie sich hin und her bewegten, so dachte er ‘du frierst unten bei dem Feuer, was mögen die da oben erst frieren und zappeln.’ Und weil er mitleidig war, legte er die Leiter an, stieg hinauf, knüpfte einen nach dem andern los, und holte sie alle sieben herab. Darauf schürte er das Feuer, blies es an und setzte sie rings herum, daß sie sich wärmen sollten. Aber sie saßen da und regten sich nicht, und das Feuer ergriff ihre Kleider. Da sprach er ‘nehmt euch in Acht, sonst häng ich euch wieder hinauf.’ Die Todten aber hörten nicht, schwiegen und ließen ihre Lumpen fort brennen. Da ward er bös und sprach ‘wenn ihr nicht Acht geben wollt, so kann ich euch nicht helfen, ich will nicht mit euch verbrennen,’ und hieng sie nach der Reihe wieder hinauf. Nun setzte er sich zu seinem Feuer und schlief ein, und am andern Morgen, da kam der Mann zu ihm, wollte die funfzig Thaler haben und sprach ‘nun, weißt du was gruseln ist?’ ‘Nein,’ antwortete er, ‘woher sollte ichs wissen? die da droben haben das Maul nicht aufgethan und waren so dumm, daß sie die paar alten Lappen, die sie am Leibe haben, brennen ließen.’ Da sah der Mann daß er die funfzig Thaler heute nicht davon tragen würde, gieng fort und sprach ‘so einer ist mir noch nicht vorgekommen.’

Der Junge gieng auch seines Weges und fieng wieder an vor sich hin zu reden ‘ach, wenn mirs nur gruselte! ach, wenn mirs nur gruselte!’ Das hörte ein Fuhrmann, der hinter ihm her schritt, und fragte ‘wer bist du?’ ‘Ich weiß nicht,’ antwortete der Junge. Der Fuhrmann fragte weiter ‘wo bist du her?’ ‘Ich weiß nicht.’ ‘Wer ist dein Vater?’ ‘Das darf ich nicht sagen.’ ‘Was brummst du beständig in den Bart hinein?’ ‘Ei,’ antwortete der Junge, ‘ich wollte, daß mirs gruselte, aber niemand kann mirs lehren.’ ‘Laß dein dummes Geschwätz,’ sprach der Fuhrmann, ‘komm, geh mit mir, ich will sehen daß ich dich unterbringe.’ Der Junge gieng mit dem Fuhrmann, und Abends gelangten sie zu einem Wirthshaus, wo sie übernachten wollten. Da sprach er beim Eintritt in die Stube wieder ganz laut ‘wenn mirs nur gruselte! wenn mirs nur gruselte!’ Der Wirth, der das hörte, lachte und sprach ‘wenn dich darnach lüstet, dazu sollte hier wohl Gelegenheit sein.’ ‘Ach schweig stille,’ sprach die Wirthsfrau, ‘so mancher Vorwitzige hat schon sein Leben eingebüßt, es wäre Jammer und Schade um die schönen Augen, wenn die das Tageslicht nicht wieder sehen sollten.’ Der Junge aber sagte ‘wenns noch so schwer wäre, ich wills einmal lernen, deshalb bin ich ja ausgezogen.’ Er ließ dem Wirth auch keine Ruhe, bis dieser erzählte nicht weit davon stände ein verwünschtes Schloß, wo einer wohl lernen könnte was gruseln wäre, wenn er nur drei Nächte darin wachen wollte. Der König hätte dem, ders wagen wollte, seine Tochter zur Frau versprochen, und die wäre die schönste Jungfrau, welche die Sonne beschien: in dem Schlosse steckten auch große Schätze, von bösen Geistern bewacht, die würden dann frei und könnten einen Armen reich genug machen. Schon viele wären wohl hinein aber noch keiner wieder heraus gekommen. Da gieng der Junge am andern Morgen vor den König und sprach ‘wenns erlaubt wäre, so wollte ich wohl drei Nächte in dem verwünschten Schlosse wachen.’ Der König sah ihn an, und weil er ihm gefiel, sprach er ‘du darfst dir noch dreierlei ausbitten, aber es müssen leblose Dinge sein, und darfst das du mit ins Schloß nehmen.’ Da antwortete er ‘so bitt ich um ein Feuer, eine Drehbank und eine Schnitzbank mit dem Messer.’

Der König ließ ihm das alles bei Tage in das Schloß tragen. Als es Nacht werden wollte, gieng der Junge hinauf, machte sich in einer Kammer ein helles Feuer an, stellte die Schnitzbank mit dem Messer daneben und setzte sich auf die Drehbank. ‘Ach, wenn mirs nur gruselte!’ sprach er, ‘aber hier werde ichs auch nicht lernen.’ Gegen Mitternacht wollte er sich sein Feuer einmal aufschüren: wie er so hinein blies, da schrie es plötzlich aus einer Ecke ‘au, miau! was uns friert!’ ‘Ihr Narren,’ rief er, ‘was schreit ihr? wenn euch friert, kommt, setzt euch ans Feuer und wärmt euch.’ Und wie er das gesagt hatte, kamen zwei große schwarze Katzen in einem gewaltigen Sprunge herbei, setzten sich ihm zu beiden Seiten und sahen ihn mit ihren feurigen Augen ganz wild an. Über ein Weilchen, als sie sich gewärmt hatten, sprachen sie ‘Kamerad, wollen wir eins in der Karte spielen?’ ‘warum nicht?’ antwortete er, ‘aber zeigt einmal eure Pfoten her.’ Da streckten sie die Krallen aus. ‘Ei,’ sagte er, ‘was habt ihr lange Nägel! wartet, die muß ich euch erst abschneiden.’ Damit packte er sie beim Kragen, hob sie auf die Schnitzbank und schraubte ihnen die Pfoten fest. ‘Euch habe ich auf die Finger gesehen,’ sprach er, ‘da vergeht mir die Lust zum Katzenspiel,’ schlug sie todt und warf sie hinaus ins Wasser. Als er aber die zwei zur Ruhe gebracht hatte und sich wieder zu seinem Feuer setzen wollte, da kamen aus allen Ecken und Enden schwarze Katzen und schwarze Hunde an glühenden Ketten, immer mehr und mehr, daß er sich nicht mehr bergen konnte: die schrieen gräulich, traten ihm auf sein Feuer, zerrten es auseinander und wollten es ausmachen. Das sah er ein Weilchen ruhig mit an, als es ihm aber zu arg ward, faßte er sein Schnitzmesser und rief ‘fort mit dir, du Gesindel,’ und haute auf sie los. Ein Theil sprang weg, die andern schlug er todt und warf sie hinaus in den Teich. Als er wieder gekommen war, blies er aus den Funken sein Feuer frisch an und wärmte sich. Und als er so saß, wollten ihm die Augen nicht länger offen bleiben und er bekam Lust zu schlafen. Da blickte er um sich und sah in der Ecke ein großes Bett, ‘das ist mir eben recht!’ sprach er und legte sich hinein. Als er aber die Augen zuthun wollte, so fieng das Bett von selbst an zu fahren, und fuhr im ganzen Schloß herum. ‘Recht so,’ sprach er, ‘nur besser zu.’ Da rollte das Bett fort, als wären sechs Pferde vorgespannt, über Schwellen und Treppen auf und ab: auf einmal hopp hopp! warf es um, das unterste zu oberst, daß es wie ein Berg auf ihm lag. Aber er schleuderte Decken und Kissen in die Höhe, stieg heraus und sagte ‘nun mag fahren wer Lust hat,’ legte sich an sein Feuer und schlief bis es Tag war. Am Morgen kam der König, und als er ihn da auf der Erde liegen sah, meinte er die Gespenster hätten ihn umgebracht, und er wäre todt. Da sprach er ‘es ist doch schade um den schönen Menschen.’ Das hörte der Junge, richtete sich auf und sprach ‘so weit ists noch nicht!’ Da verwunderte sich der König, freute sich aber, und fragte wie es ihm gegangen wäre. ‘Recht gut,’ antwortete er, ‘eine Nacht wäre herum, die zwei andern werden auch herum gehen.’ Als er zum Wirth kam, da machte der große Augen. ‘Ich dachte nicht,’ sprach er, ‘daß ich dich wieder lebendig sehen würde; hast du nun gelernt was Gruseln ist?’ ‘Nein,’ sagte er, ‘es ist alles vergeblich: wenn mirs nur einer sagen könnte!’

Die zweite Nacht gieng er abermals hinauf ins alte Schloß, setzte sich zum Feuer und fieng sein altes Lied wieder an, ‘wenn mirs nur gruselte!’ Wie Mitternacht herankam, ließ sich ein Lärm und Gepolter hören, erst sachte, dann immer stärker, dann wars ein bißchen still, endlich kam mit lautem Geschrei ein halber Mensch den Schornstein herab und fiel vor ihn hin. ‘Heda!’ rief er, ‘noch ein halber gehört dazu, das ist zu wenig.’ Da gieng der Lärm von frischem an, es tobte und heulte, und fiel die andere Hälfte auch herab. ‘Wart,’ sprach er, ‘ich will dir erst das Feuer ein wenig anblasen.’ Wie er das gethan hatte und sich wieder umsah, da waren die beiden Stück zusammen gefahren und saß da ein gräulicher Mann auf seinem Platz. ‘So haben wir nicht gewettet,’ sprach der Junge, ‘die Bank ist mein.’ Der Mann wollte ihn wegdrängen, aber der Junge ließ sich das nicht gefallen, schob ihn mit Gewalt weg und setzte sich wieder auf seinen Platz. Da fielen noch mehr Männer herab, einer nach dem andern, die holten neun Todtenbeine und zwei Todtenköpfe, setzten auf und spielten Kegel. Der Junge bekam auch Lust und fragte ‘hört ihr, kann ich mit sein?’ ‘Ja, wenn du Geld hast.’ ‘Geld genug,’ antwortete er, ‘aber eure Kugeln sind nicht recht rund.’ Da nahm er die Todtenköpfe, setzte sie in die Drehbank und drehte sie rund. ‘So, jetzt werden sie besser schuppeln,’ sprach er, ‘heida! nun gehts lustig!’ Er spielte mit und verlor etwas von seinem Geld, als es aber zwölf Uhr schlug, war alles vor seinen Augen verschwunden. Er legte sich nieder und schlief ruhig ein. Am andern Morgen kam der König und wollte sich erkundigen. ‘Wie ist dir diesmal gegangen?’ fragte er. ‘Ich habe gekegelt,’ antwortete er, ‘und ein paar Heller verloren.’ ‘Hat dir denn nicht gegruselt?’ ‘Ei was,’ sprach er, ‘lustig hab ich mich gemacht. Wenn ich nur wüßte was Gruseln wäre?’

In der dritten Nacht setzte er sich wieder auf seine Bank und sprach ganz verdrießlich ‘wenn es mir nur gruselte!’ Als es spät ward kamen sechs große Männer und brachten eine Todtenlade hereingetragen. Da sprach er ‘ha ha, das ist gewiß mein Vetterchen, das erst vor ein paar Tagen gestorben ist,’ winkte mit dem Finger und rief ‘komm, Vetterchen, komm!’ Sie stellten den Sarg auf die Erde, er aber gieng hinzu und nahm den Deckel ab: da lag ein todter Mann darin. Er fühlte ihm ans Gesicht, aber es war kalt wie Eis. ‘Wart,’ sprach er, ‘ich will dich ein bißchen wärmen,’ gieng ans Feuer, wärmte seine Hand und legte sie ihm aufs Gesicht, aber der Todte blieb kalt. Nun nahm er ihn heraus, setzte sich ans Feuer und legte ihn auf seinen Schoß, und rieb ihm die Arme, damit das Blut wieder in Bewegung kommen sollte. Als auch das nichts helfen wollte, fiel ihm ein ‘wenn zwei zusammen im Bett liegen, so wärmen sie sich,’ brachte ihn ins Bett, deckte ihn zu und legte sich neben ihn. Über ein Weilchen ward auch der Todte warm und fieng an sich zu regen. Da sprach der Junge ‘siehst du, Vetterchen, hätt ich dich nicht gewärmt!’ Der Todte aber hub an und rief ‘jetzt will ich dich erwürgen.’ ‘Was,’ sagte er, ‘ist das mein Dank? gleich sollst du wieder in deinen Sarg,’ hub ihn auf, warf ihn hinein und machte den Deckel zu; da kamen die sechs Männer und trugen ihn wieder fort. ‘Es will mir nicht gruseln,’ sagte er, ‘hier lerne ichs mein Lebtag nicht.’

Da trat ein Mann herein, der war größer als alle andere, und sah fürchterlich aus; er war aber alt und hatte einen langen weißen Bart. ‘O du Wicht,’ rief er, ‘nun sollst du bald lernen was Gruseln ist, denn du sollst sterben.’ ‘Nicht so schnell,’ antwortete der Junge, ‘soll ich sterben, so muß ich auch dabei sein.’ ‘Dich will ich schon packen,’ sprach der Unhold. ‘Sachte, sachte, mach dich nicht so breit; so stark wie du bin ich auch, und wohl noch stärker.’ ‘Das wollen wir sehn,’ sprach der Alte, ‘bist du stärker als ich, so will ich dich gehn lassen; komm, wir wollens versuchen.’ Da führte er ihn durch dunkle Gänge zu einem Schmiedefeuer, nahm eine Axt und schlug den einen Ambos mit einem Schlag in die Erde. ‘Das kann ich noch besser,’ sprach der Junge, und gieng zu dem andern Ambos: der Alte stellte sich neben ihn und wollte zusehen, und sein weißer Bart hieng herab. Da faßte der Junge die Axt, spaltete den Ambos auf einen Hieb und klemmte den Bart des Alten mit hinein. ‘Nun hab ich dich,’ sprach der Junge, ‘jetzt ist das Sterben an dir.’ Dann faßte er eine Eisenstange und schlug auf den Alten los, bis er wimmerte und bat er möchte aufhören, er wollte ihm große Reichthümer geben. Der Junge zog die Axt raus und ließ ihn los. Der Alte führte ihn wieder ins Schloß zurück und zeigte ihm in einem Keller drei Kasten voll Gold. ‘Davon,’ sprach er, ‘ist ein Theil den Armen, der andere dem König, der dritte dein.’ Indem schlug es zwölfe, und der Geist verschwand, also daß der Junge im Finstern stand. ‘Ich werde mir doch heraushelfen können,’ sprach er, tappte herum, fand den Weg in die Kammer und schlief dort bei seinem Feuer ein. Am andern Morgen kam der König und sagte ‘nun wirst du gelernt haben was Gruseln ist?’ ‘Nein,’ antwortete er, ‘was ists nur? mein todter Vetter war da, und ein bärtiger Mann ist gekommen, der hat mir da unten viel Geld gezeigt, aber was Gruseln ist hat mir keiner gesagt.’ Da sprach der König ‘du hast das Schloß erlöst und sollst meine Tochter heirathen.’ ‘Das ist all recht gut,’ antwortete er, ‘aber ich weiß noch immer nicht was Gruseln ist.’

Da ward das Gold herauf gebracht und die Hochzeit gefeiert; aber der junge König, so lieb er seine Gemahlin hatte und so vergnügt er war, sagte doch immer ‘wenn mir nur gruselte, wenn mir nur gruselte.’ Das verdroß sie endlich. Ihr Kammermädchen sprach ‘ich will Hilfe schaffen, das Gruseln soll er schon lernen.’ Sie gieng hinaus zum Bach, der durch den Garten floß, und ließ sich einen ganzen Eimer voll Gründlinge holen. Nachts, als der junge König schlief, mußte seine Gemahlin ihm die Decke wegziehen und den Eimer voll kalt Wasser mit den Gründlingen über ihn herschütten, daß die kleinen Fische um ihn herum zappelten. Da wachte er auf und rief ‘ach was gruselt mir, was gruselt mir, liebe Frau! Ja, nun weiß ich was Gruseln ist.’

O rapaz que saiu para aprender a ter medo

As Verdadeiras Histórias · edição em português · 2026 · Português brasileiro · Edição em produção
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